Seguidores

sexta-feira, julho 28, 2006

leituras

The Sucessor, de Ismail Kadare, conta a história da "estranha" morte do sucessor do ditador comunista albanês Enver Hoxha. A história é contada de acordo com várias perspectivas, as dos que estão directa ou indirectamente ligados ao sucessor. Este (personagem real), foi encontrado morto no seu escritório com um tiro que atingiu o tronco. Um tiro que, de acordo com a autópsia, entrou pelas costas e não pela frente. Um pormenor que, não obstante, não impediu que prevalecesse a versão oficial de suicídio. O sucessor, homem que deveria herdar o lugar de Hoxha, caiu entretanto em desgraça ao casar a sua filha com o descendente de uma antiga família nobre, poderosa nos tempos anteriores ao comunismo. A anulação do casamento não o impediu de ser avaliado pelo partido, em sessões que o ditador filmava para depois analisar a postura e o comportamento de todos os presentes. A Albânia, ex-ditadura comunista e um dos países mais pobres e atrasados da Europa (et pour cause), tinha 700 mil bunkers e 5% da população nas prisões. Os membros do partido viviam todos no mesmo bairro de Tirana, o Bllok, onde decorre a acção narrada por Kadare. O terror que todos viviam, a incerteza do seu destino, sempre nas mãos do capricho do lider, está bem evidente nestas páginas. E era um sentimento bem verdadeiro, já que as mudanças de posição política do regime acarretavam sempre limpezas no partido. Os adeptos de Tito foram perseguidos e eliminados quando a Albânia se declarou anti-jugoslava, o corpo de alguns deles foi depois exumado e sepultado com honras quando a Albânia ficou novamente pró-tito, para regressarem a valas desonradas quando a posição voltou a mudar.
Um livro que vale a pena ler, que prende desde o início, com uma linguagem clara e que (aspecto a sublinhar) foi vencedor do Man Booker International Prize 2005.
.
Também merecedor de leitura, um romance irlandês sobre o lado negro da Irlanda, do crime, da corrupção e da impossibilidade de se construir uma vida quando o passado pesa sobre nós. Nem tudo na ilha esmeralda são campos verdes, raparigas de olhos claros, chuva, música e guinness. William Wall, This is the country (longlisted for the Man Booker Prize, as well).

versos literatura destroços imagens êxtase música diários viagens

Guida, como prometido, aqui está o link para o blog do Paulo Barbosa. Merece ser visto, mesmo para quem não o conhece.

finibanco (finiquê??), ou o nome da incompetência

Por favor, ler esta mensagem publicitária primeiro, para perceber o resto:
.
Bonito, não é? Só faltam os violinos. Porém, eis que a realidade é um pouco diferente. Ao abrir a conta, prometem ao cliente o mísero e obrigatório visa-electron num prazo de duas semanas (coisa já de si ridícula para um banco "pequeno", "jovem e dinâmico", que "tem mais tempo para si"). Porém, passado um mês, o cartão continua prestes a chegar. Sempre quase a chegar, como o Pauleta quase marcava um golo. E se quisermos usar o dinheiro que nós lá depositámos (um favor que eles nos fazem, certamente mais uma faceta do tratamento de "forma personalizada e única" que os clientes recebem), uma vez que não temos cartões, teremos de o levantar comprando um cheque. Bem, o cheque só custa €5, porque é um dos serviços (dentro de um "vasto leque") que o cliente não tem "à sua disposição de forma totalmente gratuita." Percebo o finibanco. Se queríamos usar o dinheiro, porque motivo o depositámos lá? Aliás, creio que o que nos parece incompetência pura e simples é uma mais complexa e atenciosa preocupação que esta gente (jovem e dinâmica, não confundir com profissional) tem em relação às nossas despesas e ao endividamento da nação.
.
Se é este o modelo de iniciativa privada que tanto se elogia e se deseja para Portugal, estamos conversados.
.
Um conselho, se querem abrir uma conta e pretendem utilizar o dinheiro dentro de um tempo que não ultrapasse a esperança média de vida de um terrorista palestiniano, procurem um banco com gente PROFISSIONAL, nada de malta fixe, jovem e dinâmica. Prefiram um banco GRANDE, daqueles que já existiam antes de nós nascermos.

Aforismo

Pior do que um banco, só uma seguradora.

quinta-feira, julho 27, 2006

Mais Israel

«José Rodrigues dos Santos no telejornal da RTP1 das 20 horas disse as primeiras coisas sensatas aí ditas há muito tempo. São sensatas, evidentes e conhecidas de há muito, mas parecem blasfémias ditas nos noticiários mais anti-americanos e israelitas da televisão portuguesa. Disse que muitos libaneses sentem que o seu país está a ser violado por sírios e iranianos para o usarem para uma guerra estrangeira ao Líbano. Disse que era preciso cuidado com a utilização do termo "civis" porque o Hezbollah era só constituído por civis e que usava casas civis de famílias civis para esconder o armamento. Não é novidade nenhuma e não precisava de ir ao Líbano para nos dizer isto, mas no meio da contínua manipulação das palavras que constitui o grosso das notícias sobre o conflito foi um oásis, mais para o lado do jornalismo do que do "jornalismo de causas".»
J. P. Pereira, no Abrupto (no verdadeiro).

terça-feira, julho 25, 2006

melhores frases de canções 1


"...There were ghosts in the eyes
Of all the boys you sent away
They haunt this dusty beach road
In the skeleton frames of burned out Chevrolets
They scream your name at night in the street
Your graduation gown lies in rags at their feet
And in the lonely cool before dawn
You hear their engines roaring on
But when you get to the porch they're gone
On the wind..."
Bruce Springsteen, Thunder road, do album Born to Run:

sábado, julho 22, 2006

As sereias cantariam assim?

Erin Boheme

Se as sereias fossem assim e cantassem assim todos nós seríamos navegantes.
E procuraríamos, para fim da nossa viagem, o derradeiro descanso nos seus braços.

o ME no seu melhor (citação do Abrupto)

4-Como Coordenadora Científica de um Centro de Investigação (e mãe de uma aluna sujeita a esta brincadeira de mau gosto), pergunto: andam a brincar com o contribuinte, com os nossos jovens ou aos investigadores?5- Faço outra pergunta, do fundo da minha indignação cívica - a um professor que ouse "reter" um aluno são pedidos x formulários, relatórios, justificações - e a uma comissão de incompetentes, aquartelada no semi-anonimato do GAVE, que é responsável pela desestabilização e hecatombe de um país inteiro, pela motivação de jovens para irem estudar para fora destas fronteiras, ? que se faz? não há responsabilidades a pedir? bate-se palmas? de ciência pouco sabem e da realidade de aplicação e aplicabilidade dos programas ainda menos. Sinceramente, a Senhora Ministra pode estar cheia de boas intenções para impor regras ao sistema, mas a primeira regra é não se rodear de incompetentes ...e brincalhões."

quarta-feira, julho 19, 2006

Um blog sobre o Porto.

tuppersex

A vendedora de tupperware para maiores de 18 anos. Notícia do Portugal Diário.

Hard Candy

HARD CANDY
Dois actores. Duas personagens. Um fotógrafo de trinta e dois anos (Patrick Wilson), uma adolescente de 14 (Ellen Paige). Depois de várias conversas num chat, marcam um encontro, numa pastelaria. Depois de umas trocas de palavras, vão para casa dele. Todo a acção importante do filme se passa dentro da casa, apenas com as duas personagens. Um filme pesado e cheio de surpresas, com realização de David Slade. Não posso adiantar mais nada ou estrago tudo. Evitem as pesquisas antes de verem o filme. Quando muito, para aumentarem a curiosidade, vejam o trailer.
.
Naturalmente, o enredo é improvável, mas o que está por trás é bastante real, pelo que o filme merece ser visto.

segunda-feira, julho 17, 2006

A estabilidade do corpo docente segundo a comunicação social

De acordo com a nossa fantástica comunicação social (que repete o que o governo manda sem pensar um pouco no assunto), as colocações por três anos vão pôr fim às andanças constantes de profs de um lado para o outro e "garantir a estabilidade do corpo docente".
.
Antes era assim:
Quadros de escola: ficavam todos os anos na mesma escola, a não ser que pedissem destacamento;
Quadros de Zona: concorriam anualmente para escolas dentro da zona a que pertenciam, mudando de escola anualmente;
Contratados: mudavam de escola anualmente (no melhor dos casos);
.
Com as alterações passa a ser assim:
Quadros de escola: ficam sempre na mesma escola, a não ser que tenham horário zero (uma coisa fantástica) sendo, nesse caso obrigados a mudar de escola (justamente);
Quadros de zona: são colocados por três anos na mesma escola, a não ser que a escola não mantenha esse horário no ano seguinte, o que será muito provável, dada a redução anual do número de alunos na grande maioria das escolas do país, excepção feita às grandes cidades; nesse caso concorrem no ano seguinte para nova escola, tal como antes;
Contratados: podem ser recontratados no final do ano lectivo até três anos desde que tenham horário completo na escola onde trabalharam e desde que a escola deseje a sua continuação; ora como a maioria dos horários para contrato são incompletos e as directivas do ministério dizem que não devem ser completados, mesmo que surjam horas novas (estas devem ser dadas a outros profs que estejam na lista dos não colocados, para se reduzir o número de "desempregados" e ficar bem na estatística), serão raríssimos os casos em que a recontratação poderá ser efectuada. E mesmo que o horário, por alguma razão, seja completo desde início, tal acontece por ausência do quadro de escola, pelo que este poderá regressar no ano seguinte, "eliminando" o horário do concurso externo . Ou seja, tal como antes, os tipos que andam por aí a contrato terão também de concorrer para outra escola no ano seguinte.
.
Conclusão, tirando os quadros de escola, fixos como antes, o resto mantém-se como estava. Mas de acordo com os nossos jornalistas e comentadores há grandes mudanças no horizonte. Eu cá estou abismado com o amanhecer dourado que é apresentado.

sexta-feira, julho 14, 2006

Israel vs Irão

Israel continua os seus esforços contra o Hezbollah. Este grupo terrorista é financiado pelo Irão e tem as suas instalações militares no sul do Líbano, um território que o recém-libertado regime libanês (após mais de 30 anos de domínio da Síria) não quer ou não consegue dominar e limpar. Infelizmente, o esforço israelita tem de ser feito sem ajuda de mais ninguém, já que a UE prefere assobiar para o ar, para não "ferir" os muçulmanos que acolhe, mas que não consegue convencer a obedecer às leis europeias. Curiosamente, este conflito, provocado pelo rapto e pela morte de soldados israelitas às mãos do Hezbollah, surge precisamente no momento em que o Irão abandonou as negociações com a UE para travar o desenvolvimento do programa de energia nuclear (leia-se, de armas nucleares para destruir Israel). Nada como um pequeno conflito para desviar as atenções do que realmente importa.

quinta-feira, julho 13, 2006

Funcionários no seu melhor

Esta manhã, na papelaria de uma escola secundária, algures no norte do país.
.
Aluna: Bom dia, gostaria de comprar um impresso para inscrição na segunda fase dos exames nacionais.
Funcionária: Já cá tenho os impressos, mas não os posso vender porque ainda não os contei.
Aluna: Está a falar a sério ou a gozar comigo?
silêncio
Aluna: Quando é que o pode vender? Tenho de fazer a inscrição hoje.
Funcionária: Venha Segunda-feira, o prazo termina só na Segunda.
Aluna: Mas eu quero fazer a inscrição hoje, afinal já cá estou...
Funcionária: Mas hoje não pode fazer a inscrição, porque a funcionária da secretaria que faz inscrições nos exames só vem na Segunda.

terça-feira, julho 11, 2006

rescaldo do Mundial

.
Pois, o Zidane "passou-se". E se calhar poderia ter perdido o prémio de melhor jogador do Mundial (só não sei a quem o dariam... a Buffon? A Ricardo Carvalho? Mais ninguém o mereceu). Mas Materazzi, conhecido por ser um dos maiores caceteiros do futebol italiano (no último Inter Juventus lesionou dois avançados da Juventus com entradas que fariam o Paulinho Santos parecer um jogador correcto), mostrou bem a sua falta de classe. A atitude de Zidane, supostamente merecedora de insulto para o italiano, deveria ter recebido um aplauso. Valdano conta que, nos seus primeiros tempos em Espanha, dirigiu-se ao grande Crujff tratando-o por tu. Este olhou-o e perguntou-lhe a idade. O jovem Valdano respondeu (teria à volta de 20 anos). "Pois com essa idade, a Crujjf tens que o tratar por Senhor", terá dito o holandês. Valdano calou-se e registou o momento. Num dos seus livros de crónicas, relata-o com orgulho. Evidentemente, Materazzi não sabe escrever, e é incapaz de compreender que aquela resposta não é arrogância. É estilo e classe. E insultou. Qual o insulto? Só Zidane (em silêncio) e Materazzi o sabem. Os jornais especulam: "terrorista islâmico" e "a tua irmã é uma puta", segundo os jornais britânicos e franceses (conferir artigo do As citado em cima). Se foram estes, são graves, ainda que não mereçam uma cabeçada. Já a ignorância...
.
Posto isto, a Itália mereceu a vitória. Para calar os franceses. E porque era a melhor equipa do Mundial. E porque já tinha perdido nos penaltis em 94 com o Brasil (oh, Baggio...) e na morte súbida no europeu de 2000 com a França, golo do mesmo Trezeguet que agora "ofereceu" o título aos Italianos. De Vila Real à Madeira, os portugueses torceram pela Itália e festejaram como se tivessem ganho eles alguma coisa. Gostei de ver.
.
Pauleta abandona a selecção. Os nossos adversários choram de tristeza. Nós aplaudimos, mas não suspiramos de alívio, porque isso pode significar a titularidade do Postiga. Mas a capa da Bola do último domingo dizia tudo em relação à importância de Pauleta:
"Capitão [Figo], Pauleta e Kahn abandonam selecções. Já temos saudades de FIGO".
.
Vamos ter mesmo muitas saudades do Figo, ah pois vamos. Tal como temos do Eusébio.
.
Não tem nada a ver com o Mundial, mas Capello está de volta ao Real Madrid. De onde nunca deveria ter saído. É hora de reservar já a Cibelles.

segunda-feira, julho 03, 2006

A minha sobrinha

Amigos niveladores,

Não sei se consigo descrever-vos a sensação de felicidade que me invade neste momento.
O nascimento da Leonor deixa-me a transbordar de sentimentos bons, é maravilhoso...
Depois de um dia a roer as unhas, cheia de ansiedade, a olhar para o relógio de minuto a minuto, eis que o telefonema do papá dá a boa nova... já nasceu e correu tudo bem. Eram estas as palavras desejadas. A sis portou-se bem, e o meu coração transborda de orgulho.
A minha sobrinha é linda, linda.
Vou fazer minhas as palavras da Eva: "Prima, hoje é o dia mais feliz da minha vida", é isso mesmo que apetece dizer, não são precisas mais palavras. A "miúda" só tem 6 anos mas já sabe muito.
Não consigo escrever um post à altura do acontecimento, mas a Leonor perdoar-me-á pois sabe o quanto eu gosto dela.
Leonor, a tia deseja que sejas muito feliz. Quando quiseres ir a um festival de música, tipo sudoeste, ver futebol no estádio do Dragão, assistir a concertos ao vivo nos estádios apinhados de gente, furar as orelhas e coisas que tais falas comigo, pois já sabes que a mãe é muito snob :)
A tia está a brincar, tu sabes que a mãe vai ser a melhor do Mundo, e o pai também.
beijinhos

Bem vinda, Leonor








"Nós pusemos tanto amor em si que tenho a certeza que é linda"

(Lobo Antunes, carta para a filha recém-nascida. 23.06.071)
Ou vosso pensamento enquanto a esperavam...
Nós também temos a certeza que é linda! Que vai ser linda!

domingo, julho 02, 2006

Zidane - a verdade do futebol

.
Afinal a final não terá o Brasil. Creio que nem a fifa o tentou, desta vez, tal a fraqueza da selecção da América latina. A experiência é sempre superior, quando tem qualidade. Basta recordar a inesquecível vitória na final da Taça dos Campeões Europeus do "velho" AC Milan de Capello contra o dito dreamteam do Barcelona de Crujff.
E nas quatro melhores, só temos equipas europeias. Duas gigantes (Itália e França), uma grande (Alemanha) e uma outsider (Portugal). Mas mesmo com um Ricardo incomparável, não sei se será possível aspirar a mais. Talvez com o terceiro lugar. Porque depois do que a França e a Itália mostraram, com as suas lições de táctica e futebol, são as grandes favoritas.
.
Adeus Brasil. O futebol é europeu. E o melhor jogador do mundo também. Chama-se Zidane. Os outros são produtos de marketing. Como disse um dia Lorenzo Sanz, ex-presidente do Real Madrid, Raúl só não foi eleito o melhor do mundo (três champions, melhor marcador da champions...) porque não se chamava Raulito Carioca.

sábado, julho 01, 2006

jornalismo luso no seu melhor


Porque é que não é xenofobia chamar "bifes" aos ingleses? Se O jogo (que não está sozinho na metáfora delicada, também a sportv a usa) fizesse uma primeira página sobre o jogo de Angola a dizer "contra Angola e em força" também passava? Ou "vamos fazer-lhes a vida negra"? E "até os deixamos de olhos em bico" se jogarmos com a Coreia? "Amarelos de inveja"? Não? E que tal uma piadinha sobre Maomé ou Alá num jogo com a mourama? Não convém? É indelicado?
Se os ingleses são bifes, os alemães são boches, salsichas ou nazis? E os franceses são avecs ou sapos?

choque electrónico

As candidaturas para dar umas aulecas no próximo ano são todas feitas por computador. Lembram-se da polémica e das críticas feitas ao governo PSD quando o programa falhou? Pois bem, o concurso abriu há uma semana, o prazo terminava hoje, mas a página esteve mais tempo indisponível e o prazo lá teve de ser alargado para 2ª feira, após pedidos insistentes dos sindicatos e muitas reclamações. Eu passei o dia de hoje a tentar concorrer. Preenchido o impresso "electrónico", vou submeter a candidatura e ... erro. Volto a tentar, novo erro. Ocorreu um erro de gravação, dizem eles. Pois bem, contacte os nossos serviços. O problema é que só o posso fazer na 2ª feira, das 10 às 18. Ah, há um mail. Coloque o seu número de candidato e a password para enviar o mail. Feito. Novo erro. O seu perfil de utilizador não lhe permite utilizar esta opção. Fantástico. Será que só pode enviar mail quem tem algum código secreto? Ou é só para quem não tem dúvidas? Choque tecnológico? Com os incompetentes que povoam o ministério da educação, o que era necessário era choques eléctricos para todos eles. Ou o napalm que receitou Maria Filomena Mónica.
Como? Estas falhas do sistema não passaram na tv nem abriram noticiários? Deve ser porque hoje o país é cor-de-rosa. Porque se fosse laranja, de certeza que se pediriam demissões...

sexta-feira, junho 30, 2006

A fifa ainda é a fifa

E como assim é, a Alemanha lá passou, depois de o árbitro ter transformado um penalti claro a favor da Argentina numa simulação merecedora de amarelo. A menos de 10 minutos do fim, com o resultado 1-1. Pois, errar é humano. Com este árbitro, a Argentina nunca ganhou um jogo. Quais as probabilidades de isso ser uma mera coincidência? Continuo a dizer, Alemanha Brasil vai ser a final, a menos que a Itália ou a França provem que há futebol capaz de vencer a fifa.

Em breve, Angelina Jolie


O João (obrigado pela foto) pediu-me um texto sobre a Angelina Jolie. Um desafio tentador. Tenho de dizer por palavras o que me fascina na personagem. É tentador, mas exige tempo e inspiração... O texto já se está a formar dentro de mim, mas ainda não cresceu... Em breve, espero eu.

Oitavos de final

Chegando aos oitavos de final, a selecção portuguesa atinge o objectivo declarado de Scolari. E afinal o homem tinha razão. As opções mais criticadas, Maniche, Costinha e Ricardo têm demonstrado merecer a confiança. Maniche marcou à Holanda, Costinha jogou bem até à paragem cerebral do último jogo e Ricardo tem apenas um golo sofrido (por erro da defesa, não dele) e algumas boas defesas. Figo está impecável. A única nódoa continua a ser o inútil do Pauleta, o nosso melhor marcador quando jogamos com Angola, Azerbeijão, Turquemenistão, Luxemburgo, Chipre, Malta e outras potências. Nunca marcou à Itália, ou à França, ou à Espanha, ou à Alemanha, ou à Inglaterra. Marcou ao Brasil, num jogo de treino. Mas já passou Eusébio, dizem os jornais.
.
Nas oito melhores equipas, tirando Argentina e Brasil, só há equipas europeias. Ou seja, só se prova que futebol é só aqui e que asiáticos e africanos deviam mesmo fazer um playoff com os 3ºs europeus. Não teríamos de aturar a Arábia ou o Irão e o Togo, para não falar dos ridículos angolanos.
.
Pena a eliminação da Espanha, mas quando o seleccionador tirou o Raúl ao minuto 51, com o jogo empatado, mereceu a derrota. Quem não quer ganhar...
.
Não arrisco muitos prognósticos nem favoritos, mas avanço preferências: Portugal, Itália, Inglaterra, Argentina, Ucrânia, França, Alemanha, Brasil. Por esta ordem.
.
Mas acredito que o Brasil vai à final, de preferência contra a Alemanha, ou a Fifa já não é a Fifa. Tantos amarelos a Portugal podem ser úteis para colocar de castigo meia equipa, com mais uma dose de cartões no jogo de sábado com os ingleses. Não vá Portugal passar e pensar em eliminar o Brasil.
.
A Bola tem, na última página, um "postal" de Marcelo Rebelo de Sousa sobre o mundial. Aparentemente dirigido à selecção, é assinado "O Professor". Sem comentários. Afinal é nome próprio, não é título académico.

Continuo a não gostar da ministra

Não gosto, porque não gosto de utopias. Em geral caem no totalitarismo. Ou no absurdo. E a senhora é utópica, de um lirismo de fazer inveja. O discurso dela é formalmente lógico, mas não se aplica à realidade. Será que ela é de alguma corrente Filosófica?
.
De acordo quanto à necessidade de avaliação, nunca pus isso em causa. Mas continuo a não considerar os pais, em geral, como capazes de o fazer. Aliás, essa medida era desnecessária, porque para avaliar a escola já temos a associação de pais e, em geral, não creio funcione muito bem - nos casos que conheço (só nove, mas parece demasiada coincidência) ou não existe ou serve para resolver conflitos pessoais. E os alunos, seguramente imaturos, pelo menos conhecem quem estão a avaliar, o que não é o caso da maioria dos pais (no máximo, conhecem o director de turma e não são todos). Fora isso, também acho que a avaliação dos E.Educação vai ser quase insignificante, e só existe para colocar a Associação de Pais do lado do ministério nesta conjuntura específica.
Quanto ao resto da avaliação, ela é efectivamente fundamental. Claro que irrita ver uns quantos incompetentes com a mesma avaliação de outros que trabalham bem. Até aqui, como muito bem dizes, não havia avaliação. Mas eu tenho a leve suspeita que a nova avaliação tem como principal objectivo travar a entrada em quadro e a subida de escalão precisamente para poupar uns trocos. Como vai ser quase impossível subir de escalão, duvido que a maioria tente obter o excelente e o muito bom necessários e se contente com o regular. Na prática, muitos vão jogar para não perder, porque se sentem como equipas da terceira a jogar contra o AC Milan, não têm hipótese de ganhar... E o ensino vai ser tão estimulante como esse jogo.
Se bem li a proposta do ministério (que poderá sofrer alterações) um critério para se ficar pelo regular são as faltas a serviços lectivos. Justo, para os que faltam porque querem ir às compras ou porque fizeram uma noitada mais dura e querem ficar a dormir. Ou (caso que eu vi), porque simplesmente querem almoçar mais descansados e faltam à primeira hora da tarde. Mas a proposta não distingue o tipo de faltas. Pelas contas que tenho ouvido (não me dei ainda ao trabalho de as fazer também) bastarão 5 dias de ausência para impedir uma avaliação de bom. Mesmo que tenham sido faltas por doença (real, não fictícia), ou faltas para assistir a conferências e participar em acções de formação (lá terei de optar se vou a Seia ver as Jornadas Históricas ou se prefiro aspirar a um bom no fim do ano). Segundo dizem, as acções de formação devem ser em horário pós-laboral, algo perfeitamente possível para quem dê aulas em Valpaços e tenha a acção em Vila Real ou no Porto (pontos civilizacionais mais próximos). A licença de maternidade também não é propriamente contemplada. O ano em que a mãe (e também o pai) goze de licença de maternidade (paternidade) não é avaliado, sendo que a avaliação do ano seguinte vale para os dois. Como no ano seguinte o bebé ainda não é propriamente autónomo e avós e amas são coisas que não abundam, uma simples doença impedirá a mãe ou o pai de trabalhar. Se, por azar, a doença for prolongada, lá vem o regular para os dois anos. Assim, mesmo que sejam os mais competentes do mundo, estão tramados e em vez de subirem de posto em seis anos sobem em oito porque dois já foram queimados.
.
A propósito de faltas, um parêntese. No final deste ano contabilizei as aulas previstas para as minhas disciplinas e dadas por mim. Descobri que faltei imenso. Isto porque se contabilizam os seguintes casos:
- um dia em que não tinha alunos porque houve greve de funcionários e as crianças foram enviadas para casa (sem cantina não há comida) - 1 dia
- os dias em que faltei por estar nas Jornadas Históricas de Seia - 3 dias
- dias dos exames nacionais de 9º ano (por determinação da Drec, todas as turmas estavam dispensadas de aulas para não prejudicarem o normal decorrer das provas) - 2 dias
- dias em que participei em visitas de estudo (não dei aulas às turmas que não participavam) - 3 dias
- um dia por doença (culpa minha, sem ironia)
- o último dia de aulas do 2º período, porque fui à escola do ano passado visitar as crianças e levar um cd com imagens para um trabalho que estavam a realizar desde o ano passado e que concluíram há pouco tempo (falta desnecessária, obviamente, mas que voltaria a dar) - 1 dia
O que me deixa mal é que aos pais só chegam os números: aulas previstas 90, aulas dadas 75. Imaginem a minha avaliação... É com base nestes números que são feitas as contas que saem nos jornais sobre absentismo, já agora...
.
Pontos positivos: é preciso avaliação para entrar em quadro. Uma espécie de novo estágio para avaliar a competência de quem ensina. Aplausos. Se, depois de entrar em quadro, as avaliações forem negativas, o prof sai do quadro e volta aos contratos. Novos aplausos.
Ponto negativo: aparentemente a coisa passará também por uma entrevista, o que em Portugal é quase sempre sinónimo de outra coisa. E a avaliação (dando o meu exemplo, se viesse a entrar em quadro) será feita pelo coordenador de departamento (que irá observar as aulas), o que fará com que eu possa ser avaliado por um prof de Geografia ou de Moral. Como estão por fora da matéria (ou, pior ainda, podem achar que estão por dentro porque vêem o Hermano Saraiva e leram o Código Da Vinci), a coisa pode correr mal, a não ser que se limitem a avaliar a prestação pedagógica vazia de conteúdos. Numa situação absurda, posso ter um excelente por ensinar de forma convincente, clara e pedagogicamente correcta uma imbecilidade cientificamente errada!
Mais complicado é o caso do departamento de expressões artísticas em algumas escolas, que engloba E. Visual, E. Tecnológica, Música, Artes Plásticas e, em alguns casos Ed. Física. Assim, para a coisa funcionar bem, aconselho um regresso aos grupos, para não ter os tipos das flautas avaliados pelos tipos dos trampolins.
.
Tudo isto podem ser detalhes que, com cuidado, facilmente se conseguirão limar, para deixar a parte positiva actual. Mas sinceramente, duvido que eu venha a ter quaisquer benefícios com estas medidas. E, pior ainda, duvido que o país também tenha.
.
O que verdadeiramente me perturba na proposta é um parágrafo curioso, que diz que todos os profs devem actuar em regime de exclusividade, estando-lhes interdita qualquer outra actividade profissional, remunerada ou não. Isto é ridículo. Quer dizer, quem for escritor ou pintor ou músico numa orquestra não pode dar aulas? Quem quiser abrir um bar ou um ginásio ou uma pastelaria também não? Ou dar conferências? No cúmulo dos cúmulos, quem quiser fazer manuais escolares também não pode dar aulas? Isto é um apelo à mediocridade, não ao mérito. Ou é um apelo à fuga ao fisco ou ao anonimato. Lá se vai o meu sonho de publicar um livro um dia na vida (logo agora, que até o Rodrigues dos Santos conseguiu).
.
Consta que também os mestrados vão deixar de contar para efeitos de progressão. Boa, nada como incentivar a formação. As Universidades, tão sedentas dos € das propinas como um inglês por cerveja depois de um jogo de futebol, vão adorar as desistências. (O que me lembra que ainda não paguei as propinas nem pedi diploma).
.
Como conclusão, o objectivo explícito é bom e peca por tardio. O objectivo implícito (poupar uns €) não é nada bonito, mas parece ser também necessário. Que pena não começarem a poupar despedindo os grupos de trabalho do ministério que, como bem disse Filomena Mónica, deviam ser queimados com napalm. No final, se não houver alterações em alguns pontos, os melhores deixarão o ensino porque encontrarão facilmente algo (materialmente) melhor para fazer. Ficarão os regulares e os irregulares. Voltaremos aos tempos dos professores do Woody Allen:
"aqueles que não sabem desempenhar uma profissão, ensinam. Aqueles que não sabem ensinar, dão aulas de educação física."

quarta-feira, junho 28, 2006

terça-feira, junho 27, 2006

Resposta à ministra (que não considero burra)

No Ens. Sup. um professor é avaliado 7 vezes (!) ao longo da carreira, se não vejamos: é avaliado pela média de conclusão de licenciatura que, não sendo boa, o coloca imediatamente de fora sem hipóteses de contratação face às de outros candidatos; depois é avaliado no mestrado, sem o qual não passa de estagiário a assistente; de seguida vem o doutoramento, sem o qual não passa a professor auxiliar, e é despedido (!); 5 anos após a conclusão do PhD é novamente avaliado no trabalho que desenvolveu depois de se doutorar, num processo que se designa por nomeação definitiva (sendo-o, ainda não é desta que passa para os quadros, mas se não conseguir essa nomeação definitiva é despedido (!!)); de seguida vêm (não obrigatoriamente por esta ordem) as provas de agregação; e mais provas para a passagem a professor associado (e aqui, aos 50 ou 60 anos de idade, se tiver sorte, passa então para os quadros); finalmente, o seu curriculum pode ser avaliado para a passagem a catedrático. As duas últimas passagens acontecem apenas quando surgir uma vaga nos quadros e eu nem sequer vou discutir se isto é justo ou não.
Posto isto, devo dizer-te que no final de cada semestre os alunos avaliam o professor. E se é verdade que neste caso a avaliação é feita pelos alunos que já são adultos, no teu caso, preferia ser avaliado pelos pais do que por alunos. A questão da maturidade perece-me evidente. Também não é menos verdade que no teu caso o peso da avalição dos pais é residual (no outro caso, uma avaliação negativa generalizada tem consequências imediatas). Surge apenas como uma forma de os fazer participar no processo educativo. Concordo contigo quando referes o desinteresse dos pais, a conflituosidade com as associações de pais, o perigo de inflação das notas, as leis estúpidas que impedem alguns alunos de reprovar e o facilitismo instalado no ensino de uma forma generalizada, mas não percebo porquê tanto alvoroço sobre uma avaliação. Ela faz parte do trabalho de toda a gente (mesmo que muitas vezes haja avaliações injustas, o que é verdade), e o que tem acontecido até aqui, são 30 anos sem avaliações, Paulo! Como é que não te revolta muito mais ver um professor competente e trabalhador ser todos os anos passado à frente por gente acomodada aos seus direitos vitalícios, que conquistou única e simplesmente por causa da idade (!?), sem garra, sem ideias, sem medo da competição e... sim, da avaliação! Ela é vital, sem ela não há qualidade! Existe no privado (onde é tantas vezes injusta e) que apesar de tudo funciona muito melhor do que o público, porque não haveria de existir neste também? Deixa vir esta ideia e deixa vir muitas outras, que elas só vão beneficiar os professores competentes. Como tu!
Desculpa, mas parece-me que gosto desta ministra ;)

segunda-feira, junho 12, 2006

Javier Marias online

Do blog de Javier Marias, El País Semanal, 4 de junio de 2006
"Hace unas semanas, so pretexto de la victoria del Barcelona en la Copa de Europa (enhorabuena), centenares de descerebrados aprovecharon para arrasar Canaletas y las Ramblas, saquear comercios, pegarse con la policía y mearse en las fachadas: lo mismo que hacen los descerebrados de todas partes en cuanto se celebra un festejo de los que tanto gustan en España –masas a beber y hacer el chorras en la calle, no hay población que no tenga una semana de eso al año como mínimo, lo llaman “fiestas patronales” y lo financian los Ayuntamientos, asimismo descerebrados y maleducados–.Una amiga barcelonesa y muy culé me preguntaba: “¿Qué se puede hacer con esta gente?” Mi respuesta no pudo ser más pesimista: a la larga, educar, pero ya es tarde para eso, ni siquiera hay interés por parte de los políticos en que vuelva a existir aquello antiguo, la educación; se la ha abandonado; y a la corta, aguantarse. Todo el mundo sabe que ser grosero y destrozar hoy sale gratis, y que a nadie se le cae el pelo por ello, por utilizar una expresión también antigua. La cortesía y la consideración son de otro tiempo, así lo quieren las autoridades. Sólo nos queda decirles adiós, y recordarlas."

domingo, junho 11, 2006

Começou o Mundial

Estava a ver que esta porcaria nunca mais começava. Nada como os jogos verdadeiros, depois de tanto documentário sobre os magriços e outros tantos directos televisivos a partir do estágio da selecção...
.
Das grandes equipas só ainda jogaram Alemanha, Inglaterra e Argentina. Mas espero que se mantenha a tendência (só contrariada pelo empate sueco e pela derrota polaca) de resultados positivos das equipas europeias quando jogam com as não-europeias. Pode ser que, assim, a fifa se aperceba que é necessário mudar o sistema de qualificação que deixa de fora selecções como a Rússia, Escócia, Bélgica, Roménia ou Dinamarca e permite o acesso a outras bem inferiores, mas que têm subsistem graças às cotas: Equador, Costa Rica, Angola (!), Irão, Arábia, Japão... Solução? As vencedoras dos grupos asiático, africano e norte-americano, bem como os terceiro e quarto classificados do grupo sul americano (ou seja, as outras que não a Argentina e o Brasil), deveriam fazer um playoff com os terceiros classificados dos grupos europeus. Aí sim, teríamos a certeza de estarem as melhores equipas no mudial.
.
Amanhã jogamos com Angola. Caso se repita o sucedido no último encontro (dito "amistoso") entre as duas selecções, prevejo que o jogo não chegue aos 90 minutos. Ou ficamos sem jogadores, por lesão, ou os angolanos ficam sem jogadores por expulsão. Mas o mesmo importante é não perder com Angola (nem com o Irão).

Banned album covers

10 capas de discos que foram retiradas do mercado, por diferentes motivos. A ver aqui.

segunda-feira, junho 05, 2006

Mais educação em Inglaterra

Robert Yale, na Spectator
.
"The reality, in fact, is that schooling is now more divided than ever — not only in terms of the state/private split but within the comprehensive system. Attend a comprehensive in a leafy suburb, and the chances are you’ll benefit from a de facto grammar; attend one in an inner city, and think de facto secondary modern. (There are good inner-city comprehensives, but the pattern is clear — check out the league tables and the addresses of the leading schools.) In 2006 the division is determined by social background, not by academic ability. Which is preferable?
The truth is that the comprehensive system never really took account of how Britons live. If social inclusion was one aim — bringing together, in a classroom, children of very different backgrounds — it was destined to fail. People of similar economic clout tend to live together — postcodes reveal plenty about income and profession, certainly outside London."
.
"Sociologists tend to agree that, in terms of aspiration, familiarity breeds ambition. So if your friends’ parents, or indeed your parents’ friends, are doctors, lawyers, bankers or (heaven forbid) journalists they, and by extension their jobs, will hardly seem out of reach."
.
"But common sense long lost out to rhetoric in chatter about education. Now our leading political parties appear to agree that there is something fundamentally wrong with telling a bunch of ten-year-olds that some are more academically able than others at the moment. Elsewhere, selection on ability seems simply logical; whether you’re learning to ski or taking classes in bricklaying, you find your level. But schooling, it seems, has a logic all of its own..."

domingo, junho 04, 2006

Should pupils and teachers be allowed to hug?

Eis um debate interessante que chegou à Europa, vindo dos EUA, "the craddle of the best and of the worst", como diz o Leonard Cohen: deve ser permitido que um professor abrace um aluno, ou esse gesto ultrapassa a fronteira de um professor e deve ser exclusivo de pais ou outros familiares? Este é um dos temas que hoje se discute em Inglaterra e cujos ecos chegam até nós através do telegraph. Note-se que a discussão não se centra em abraçar alunos adolescentes, onde a questão poderia ser mais controversa, mas em abraçar crianças (como as que frequentam o nosso 1º ciclo e que têm entre 6 e 10 anos). E como é que se legisla sobre uma questão desta natureza sem se cair em absurdos?

quinta-feira, junho 01, 2006

ministra burra

Desculpem lá a franqueza, mas esta é seguramente a ministra mais imbecil que Portugal já teve. E não venham com histórias de exigências. Uma coisa é ser exigente (com o que concordo) e definir um plano rigoroso de avaliação de professores (com o que também concordo, obviamente). Agora, pôr os encarregados de educação a avaliar os professores dos filhos?! Desculpem lá, mas isto não existe em lado nenhum. Como disse o meu irmão (que se riu quando ouviu a notícia, classificando-a como uma idiotice que bateu um record mundial), a coisa fazia sentido, no meu caso, se o encarregado de educação fosse alguém como J. Pacheco Pereira, Vasco Pulido Valente, Rui Ramos ou Marcelo Rebelo de Sousa, entre outros. Isto porque são pessoas com um conhecimento científico bastante superior ao meu na área em que lecciono. Agora os outros... Eis alguns motivos pelos quais discordo totalmente da ideia (peregrina):
1. Os pais não têm, em geral, preparação científica nas áreas curriculares leccionadas - mesmo que sejam, por exemplo, licenciados em História, com que capacidade vão avaliar o desempenho do professor de Matemática, de Ciências ou de Inglês? Ou de Educação Física?
2. Como a maioria dos pais raramente vai à escola (porque não tem horários que o permitam ou porque, mais provavelmente, não o querem fazer) e, obviamente, nao assistem às aulas, a única forma de obterem dados sobre o desempenho dos professores é através do que os filhos contam em casa. Ora, posso garantir que as histórias que as crianças contam não primam pela exactidão factual. Ou seja, a avaliação vai resumir-se a uma conversa de café baseada em boatos e em histórias em segunda mão? Basta a criança não gostar do prof para o pintar de forma negativa ou vice-versa. Em Famalicão escobri que os pais de duas turmas de 9º ano gostavam muito de mim. Algo de estranhar, uma vez que nunca me tinham conhecido. Agora, os alunos gostavam de mim, logo davam boas informações para casa. Só que simpatia ou empatia não é necessariamente sinónimo de competência.
3. Os pais, para além de não terem formação científica nas várias áreas, também não têm formação pedagógica. Dar aulas não é propriamente chegar à sala e ler o manual (quer dizer, em alguns casos até é, mas há gente incompetente em todo o lado). Logo, como é que eles podem avaliar a minha competência ou incompetência pedagógica? É o mesmo que eu avaliar a capacidade técnica de um jogador de futebol ou treinador. Ou de um padeiro ou músico ou escritor. Lá porque gosto da forma como o Leonard Cohen canta, isso não significa que ele seja propriamente um virtuoso. E não suporto o estilo de determinados escritores, mas não sou formado em literatura para avaliar da sua qualidade literária (sim, incluindo o próprio Saramago, embora me pareça um caso demasiado óbvio de incompetência).
Além disso (a ministra falou nos médicos), ninguém dá opiniões sobre como o médico deve operar o apêndice do filho, porque não têm formação para o fazer. O problema é que há áreas que, não sendo propriamente científicas, são técnicas e exigem preparação, mas que são encaradas como coisas do senso comum. É preciso bom senso para dar aulas, mas isso não é suficiente. Também é preciso boa vontade para curar um toxicodependente, mas acreditem que toda a boa vontade do mundo não é suficiente e ele deverá sempre ser encaminhado para especialistas.
4. Os pais podem cair na tentação de avaliar positivamente ou negativamente os professores dos filhos consoante as notas dadas e não propriamente a capacidade de ensinar. É que a positiva nem sempre é mérito do filho, pode ser dada por um prof que não está para se chatear muito. Assim como a negativa pode não ser culpa do prof, já que pode ser a criança que não estuda nem se interessa pela disciplina. Ou pode até interessar-se e não perceber. A inteligência não é a coisa mais bem distribuída do mundo. Eu tive negativa a fisico-química e na altura era mais fácil culpar a prof, mas é sei bem que não estudava e não me interessava por aquela matéria. Era uma coisa que eu não percebia e que não queria esforçar-me para vir a perceber. Um exemplo deste ano. Os profs das turmas A e B do 7º ano são precisamente os mesmos. No 7º A há boas notas, no 7º B mais de metade da turma está em riscos de ficar no mesmo ano. A mãe de um deles já veio dizer que a culpa é nossa, já que, no ano anterior, as notas eram muito melhores. Só não conseguiu explicar o motivo de a outra turma ter bons resultados com profs tão maus como nós somos. Atenção, a maioria dos alunos do 7º B não estuda, muitos não levam livro, outros não levam cadernos, não passam o que está no quadro, não gostam de nenhuma matéria e todos os dias me perguntam se, em vez de dar matéria, se não podemos ir para a biblioteca (leia-se, internet, falar nos chats) ou para a rua. Experimentei a biblioteca, confesso. Dei temas simples para pesquisarem, avisei que não queria plágios da net (expliquei logo o que significa plágio) e fui andando de pc em pc. Quando saía de um, a página da net com o tema era minimizada, e quando eu regressava lá estava o chat ou o hi5 ou as páginas de jogos ou de imagens de personagens dos morangos com açúcar. Entretanto, fomos verificar as notas do ano anterior. De facto eram muito boas, tão boas que não houve uma única negativa a Matemática. Este ano há mais de 50%. A vossa conclusão deve ser a mesma que a minha. Se calhar a falha não está em nós, mas em quem passou as crianças desta forma no ano anterior. Mas aí, asseguro, nenhum pai vem reclamar, desde que o filho tenha positiva. Por fim, pode acontecer (e seguramente vai) que muitos professores, com receio de uma má avaliação por parte dos pais e das possíveis consequências, comecem a inflacionar as notas, coisa que deve ser o principal objectivo do ministério. Lembram-se de ter dito que não se recomendava a reprovação de um aluno que já tivesse ficado retido nesse mesmo ciclo? Pois bem, a lei foi alterada agora (pela mesma ministra que tanto defende a exigência) e diz o seguinte: não é aconselhável a retenção de um aluno que já tenha sido retido alguma vez no seu historial. Ou seja, se a criança está no 8º ano com seis negativas temos de ponderar bem se deve ou ficar chumbar porque já chumbou no 1º ano, ainda o Farense jogava na primeira divisão e o Samora Machel era vivo. Onde está a exigência?
5. Caso a avaliação não incida sobre o desempenho nas aulas (que os pais não conhecem) nem sobre a nossa competência científica ou pedagógica nem sobre as notas dadas, então só poderá incidir na assiduidade dos professores e em alguns comportamentos mais ou menos marginais. Ou seja, se o prof falta muito, se chega atrasado, se passa as aulas a conversar sobre a família, se insulta ou bate nos alunos, se é apanhada com outra professora aos beijos e em actos homossexuais na casa de banho da escola, se se embebeda ou consome drogas, se atende o telemóvel na sala de aula, se assedia as crianças, se diz asneiras nas aulas, se tem pulgas, piolhos ou as calças manchadas com urina de cão ou se pede a um aluno para tirar a pila para fora para mostrar às alunas o que é a erecção masculina (não inventei nenhum caso dos que aqui estão, atenção). Pois bem, de acordo que são todos reprováveis e merecedores de punição, consoante a maior ou menor gravidade. Mal por mal, prefiro alguém que falte do que um que assedie as crianças. Quanto ao prof das pulgas e calças com urina de cão, tirando o efeito negativo do cheiro, era considerado um excelente professor por alunos dele que eu conheço e que são fonte de confiança. Acontece que os pais podem denunciar estas situações, mas não cabe a eles avaliar e puni-las. Há órgãos próprios da escola, como o conselho executivo e o conselho pedagógico, há a inspecção escolar, as direcções regionais ou o ministério da educação, para onde pais, alunos, funcionários e outros professores podem e devem recorrer, com denúncias e queixas. E, para os casos criminosos, há a polícia judiciária.
Por estas razões, que julgo terem fundamento, considero a ideia perfeitamente idiota, não tem outra adjectivação. Só pode ter dois objectivos: é uma forma de forçar os professores a inflacionar as notas e / ou é uma forma de dividir para reinar. Note-se que esta ideia é há muito defendida pela confederação de associações de pais, um lobbie tão ou mais poderoso que os sindicatos que andam a minar, cada um da sua forma, a qualidade de ensino em Portugal. E, obviamente, esqueci-me de sublinhar o óbvio: não são os encarregados de educação, individualmente, que vão avaliar os professores, mas as associações de pais. Estas têm, muitas vezes, relações bastante conflituosas com executivos e professores (pelo menos foi o que verifiquei em algumas escolas onde essas associações existiam) e querem este novo cargo para resolver algumas divergências mais ou menos pessoais que têm com o corpo de professores efectivos da escola.
Claro que não sou pai, pelo que não tenho a perspectiva deles. Que dizem vocês, que estão mais "fora" desta questão e podem ser mais imparciais?
nota: nada disto contraria o que disse antes: deve haver avaliação de professores, tal como há em todo o mercado de trabalho; deve haver maior exigência e melhor qualidade de ensino; mas isso não se obtém com críticas e leis que nada resolvem. A ministra disse que o ensino secundário não pode formar só para o acesso à universidade. Que resolva o problema, então, (re)criando as escolas profissionais. Se que melhor educação dos alunos (o que não significa melhores notas e menor insucesso escolar nas estatísticas), que retome leis básicas sobre punição da indisciplina e reponha as regras mínimas de exigência na avaliação: não se pode ser exigente e, ao mesmo tempo, tentar impedir que um aluno que chumbou no quaternário ou no mezozóico volte a chumbar, apesar de não estar preparado para ter sucesso no ano seguinte. Isso não produz mais sucesso, destrói futuros e cria um mercado de trabalho ilusoriamente instruído, repleto de analfabetos funcionais que soletram em vez de ler, que usam calculadoras me vez de fazer contas, que não escrevem sem erros e que pedem, no 9º ano, se o prof pode dar um sinónimo de Singapura...

segunda-feira, maio 29, 2006

Lembrando Gabriel, o Pensador

"Futebol não se aprende na escola... É por isso que o brasuca é bom de bola".
Nós, nem isso.

As divas são eternas


Com filmes estreados recentemente ou a estrear brevemente, Evan Rachel Wood e Anna Paquin são duas grandes jovens actrizes, a mostrar que Natalie Portman e Scarlett Johansson não estarão sozinhas no Olimpo onde as divas do século XXI irão ficar para nosso deslumbramento perpétuo. Anna Paquin, hoje com 24 anos, ganhou um óscar com o seu papel no Piano, ao lado de Holly Hunter. Não tenho acompanhado a carreira de Paquin, pelo que não sei até que ponto ela virá a figurar nesse exclusivo Olimpo. Mas em relação a Evan Rachel Wood as certezas são maiores. Conhecemo-la da série Começar de Novo, que deu na rtp 2 - a história de dois divorciados que tentam exactamente isso, começar de novo... Evan fazia o papel de Jessie, filha adolescente que tinha de conviver com o irmão problemático e os membros da que viria a ser a sua nova família: a nova namorada do pai e as respectivas filhas. Mais tarde, fez de filha de Al Pacino em S1m0ne, mas os seus papéis mais marcantes encontram-se nos filmes Thirteen (óptimo filme sobre o peso que os grupos têm nas vidas das adolescentes) e O lado bom da fúria, ao lado de Kevin Costner (um filme que passou por cá quase despercebido, mas que vale a pena ver).

sábado, maio 27, 2006

O caminho para casa

Depois da poesia e da literatura, nada retrata melhor os vários tipos de amor do que o cinema. Obviamente, não há cinema sem literatura, (nem que seja sem guião), a não ser em experiências mais ou menos "artísticas" que devemos, muitas vezes, evitar, se não quisermos cair na infelicidade de nos tornarmos críticos de cinema. Amores proibidos, à imagem de Romeu e Julieta ou da Idade da Inocência, amores felizes, amores que definham e morrem ao longo da vida, amores que se confundem com luxúria, amores carnais, doentios, criminosos, amores cães, amores adolescentes, amores platónicos, amores tristes, amores tão fortes que se confundem com o ódio, amores inevitáveis, amores que roubam as asas dos anjos, amores que não são amores, mas sim dependências, amores conformados, amores melosos,
Recentemente vi um filme que nos mostra um amor simples e eterno. O filme é um encanto e chama-se O caminho para casa.
Qual é a história? Ao receber a notícia da morte do pai, um homem de negócios da China moderna regressa à aldeia e prepara, em conjunto com a mãe, o funeral. Durante esse tempo, o filho recorda a história de amor que uniu o pai e a mãe, um amor que nasceu na mesma aldeia, então isolada, na China dos anos 50. Uma altura em que os casamentos ainda eram combinados. Ela era a rapariga mais bonita da aldeia e ele o jovem professor acabado de chegar (por favor, dispensam-se leituras e extrapolações freudianas desnecessárias). O resto não conto, porque também não importa ficar a saber a história, importa vivê-la com as personagens.

Os amantes de Hugo Chávez

Por João Pereira Coutinho (versão dobrada em português do Brasil).

sexta-feira, maio 26, 2006

Contributo da Marta (aceitam-se contribuições, a bem na nação)

"niveladores amigos
depois de ler isto quase fiquei com vontade de ler o diploma na integra, deve ser mesmo giro!Diga-se que ideias para acrescentar à lista de coisas a taxar não faltam por aí ... Como ainda não me registei para participar nn blog dos niveladores (eu sei que é uma grande falha, mas estas coisas acontecem!), mando-vos esta carta porque acho que merece e assim mais rapidamente ficará disponível. E sugeria até que fossemos acrescentando a lista, estou convicta que a retoma (onde quer que ela esteja, virá)
beijinhos

Marta

Carta aberta ao 1º ministro
Senhor primeiro-ministro, amigo Zé, pá...Já deu para ver que, no estado em que as coisas estão, há que sacar dinheiro ao pessoal de qualquer maneira. E como aumentar mais uma vez os impostos dava muito nas vistas, agora até na praia, o chamado mergulho de chapão com bandeira amarela ou mesmo uma simples entrada em água com bandeira vermelha, dá para colocar uma quantia valente (de 55 a mil euros) nos depauperados cofres do estado.Caramba, porque é que não disseste mais cedo, Socas? Ora aqui o teu muito patriota amigo não quer que penses em mais estratagemas deste tipo e envia-te uma singela lista de coisas que ainda não pagam multa, mas que com a tua ajuda e com alguém que te prepare a legislação, é só meter no Diário da República e vais ver que o défice das contas estatais se esfuma num instante. E ainda se ajuda a tornar o nosso Portugal num país mais bonito, como bónus. Ora cá vai disto:
LISTA DE COISAS A TAXAR
- Uso de meia branca com sapatinho escuro (cem a mil euros)
- Bigode à futebolista dos anos oitenta (duzentos a 2000 euros)
- Coçar os genitais em público (150 a 1500 euros)
- Utilização do colete reflector nas costas do banco do condutor (120 a 1200 euros)
- Passear de fato de treino por centros comerciais ao fim de semana (quatrocentos a 4000 euros)
- Raparigas com excesso de peso envergando roupa apertadíssima (130 a 1300 euros)
- Uso de óculos de sol em discotecas e restaurantes (quinhentos a 5000 euros)
- Utilização das expressões: prontos, portantos, stander de automóves etc... (140 a 1400 euros)
- Uso de sandália com peúga (trezentos a 3000 euros)

quarta-feira, maio 24, 2006

quinta-feira, maio 18, 2006

Campeão Europeu....Barça pois claro!!!!!!


Já está encontrado o Campeão Europeu 2006. O Barcelona, pois claro. Esta época demonstrou, sem margem para dúvidas, ser a equipa mais forte da Europa. A crítica é unanime na superioridade do Barcelona face à concorrência. Para além de um nível exibicional que "arrepia", os resultados falam por si. Quem não gostaria de ter jogadores como o Ronaldinho (melhor jogador do Mundo), Eto'o (melhor jogador da Liga dos Campeões pela FIFA), o mágico Deco entre muitos outros...É evidente que não há campeões sem a estrelinha da sorte, e o Barcelona não fugiu à regra tal como todos os outros clubes que a ganharam, nomeadamente o meu F.C.Porto. Foi uma época em cheio e os amantes do futebol devem agradecer existirem equipas com o valor do Barça.

quarta-feira, maio 17, 2006

o crime compensa

A jogar com 14 contra o Chelsea, contra o Benfica e contra o Milan, o barcelona lá ganhou a segunda taça dos campeões, depois da de 1992 (entre uma e outra o Real ganhou 3 das 9 que possui). Henri não merecia perder esta final, Ronaldinho mostrou que é um puro produto de marketing e o árbitro só tinha amarelos para os de amarelo. Quanto ao fiscal de linha.... Nada de novo. A Uefa (a corrupta uefa) tem o seu campeão, o futebol espera por dias melhores.

segunda-feira, maio 15, 2006

domingo, maio 14, 2006

Darfur

Mais um acto de genocídio decorre em África perante a passividade do mundo. Só os EUA (sempre eles) se mostram preocupados com a situação e dão o nome correcto ao que se está a passar - genocídio. As tribos não árabes (leia-se não muçulmanas) estão a ser exteminadas pelas muçulmanas. A Europa, preocupada com a possível democratização do Iraque, com uma prisão algures em Cuba, e receando ofender a susceptibilidade dos fundamentalistas, não faz nada. A ONU com o engenheiro Guterres como responsável pela questão dos refugiados, e com um incompetente (to say the least) como líder, prova uma vez mais a sua inutilidade enquanto organização. E o "nosso" (salvo seja) Bloco parece que não conseguiu ainda espaço na sua agenda para uma vigília / manif à porta das embaixadas responsáveis...

boa decisão

Embora continue a achar que Paulo Bento perdeu esta liga por erro próprio no jogo contra o fcp em casa, há pormenores que revelam que percebe de futebol e que tem capacidade para ir longe. Aplausos, muitos aplausos.

sábado, maio 13, 2006

qualquer ocasião é boa para uma foto da Angelina

Presumo que amanhã será mais um dia pintado de azul para o futebol nacional. Salvo alguma impensável improbabilidade, o Setúbal não conseguirá renovar o título de detentor da taça de Portugal frente ao Porto. Por isso, nada como antecipar desde já a cor de domingo. Viva o azul!

Comissão de boas vindas de Zacarias Moussaoui

Aqui.

forum

Por acaso já fui ao forum. Mentira, fui lá de propósito. Caramba, Gabriel, como é que conseguiste entrar lá por engano? Eu quis mesmo lá ir e vi a minha vida em perigo. Desde logo (aí não foi culpa minha, mas da companhia que eu levava) cometi o erro de ir lá num sábado à tarde. Não havia estacionamento, pelo que nos vimos forçados a deixar o carro nas traseiras do edifício, numa bela e arranjada lixeira (suspeito que o arquitecto se inspirou em modelos paisagísticos do Botswana). O edifício é horrível, cansativo, pouco apelativo e pouco confortável. E que porcaria de torre é aquela, afinal?! Mas para as primeiras visitas sugiro um jogo interessante: levem um cartãozinho e registem todas as lojas novas, que não existam no Sonae ou no Doce Vida. Aquele que conseguir encontrar mais ganha (acreditem que não é fácil). Para crianças e adolescentes sugiro o jogo contrário, tentar adivinhar em que outro shopping já viram um macdonalds ou um burguer king, ou a zara. Tudo isto para dizer que a única coisa de jeito que lá vi (ainda não fui aos cinemas, pelo que não comento) foi a Fnac, que tentarei evitar, para bem da minha trémula conta bancária. Não tive ainda oportunidade de ir às casas de banho, mas a julgar pela descrição, quando lá for passo primeiro pelo Aki para comprar um banquinho (se calhar o projecto veio da Dinamarca, como o daquelas escolas feitas cá em Coimbra e na Figueira que têm "estacionamentos" para os skis).

sexta-feira, maio 12, 2006

educação para quê?

O mundo das escolas é - acreditem - um mundo à parte. E o mundo que existe para os legisladores da educação em Portugal (e na Europa, porque quem legisla por cá não tinha capacidade para mais senão para copiar o que fizeram ingleses e franceses) é algo que nada tem a ver com a vida real. Os textos de Nuno Crato, Maria Filomena Mónica, Pacheco Pereira, António Barreto e Vasco Pulido Valente partem do princípio de que o objectivo da educação é ensinar, instruir, fornecer conhecimentos sobre variadas áreas (da literatura à matemática, passando pelas ciências naturais e humanas). Infelizmente, o objectivo da educação, para quem legisla, é melhorar os dados estatísticos do ensino em Portugal. Ou seja, é fazer desaparecer das páginas das estatísticas os analfabetos e reduzir o abandono escolar. De preferência de forma rápida e barata. Claro que fazer isso, sem investimento, sem diferentes tipos de ensino, ou seja, sem um verdadeiro ensino técnico-profissional de qualidade (as actuais escolas profissionais são de duvidosa qualidade e limitam-se a passar certidões de equivalência ao 9º ou ao 12º ano) e mantendo um mínimo grau de exigência é impossível. Portanto, como o objectivo tem de ser cumprido, é forçoso que se diminua esse grau de exigência. A filosofia da educação que se adoptou encaixa perfeitamente neste modelo. É uma filosofia curiosa: o professor não ensina, ajuda o aluno a aprender. Cada aluno é um caso e deve ser sujeito a uma avaliação individualizada, que tenha em conta o seu ambiente socio-cultural, as suas aspirações, as suas aptidões e os seus gostos. O ensino (perdão, a aprendizagem) deve ser "divertida" e "significativa", pelo que tudo o que seja aborrecido e complicado deve ser excluído ou desvalorizado, o mesmo acontecendo com tudo o que não revele uma utilidade imediata. Um dia perguntei a umas estagiárias de inglês por que motivo falavam tanto de Inglaterra e dos EUA e tão pouco de inglês. Responderam-me que como os alunos daquele meio provavelmente nunca iriam para Inglaterra ou para os EUA não precisariam de falar inglês, pelo que era preferível que aprendessem dados de cultura geral sobre esses países (para quê, já agora?).
Como não se pode ser exigente - ponto que muitos professores demoraram (e demoram) a assimilar - foi necessário mudar a legislação sobre transição de reprovação de alunos de forma a tornar virtualmente impossível reprovar um aluno.
.
Primeira medida. A avaliação deve ser entendida não numa perspectiva anual, mas numa perspectiva de ciclo. Logo, as retenções no meio de um ciclo (por exemplo, no 2º, 3º, 5º, 7º ou 8º anos) só devem acontecer como uma excepção à regra, que é a da transição. Para que um aluno nesses anos "não-terminais de ciclo" seja retido, o conselho de turma deve demonstrar que ele revela um atraso de tal forma elevado que não poderá ser corrigido até ao final de ciclo. Como a futurologia é uma arte pouco divulgada entre nós, torna-se difícil demonstrar tal possibilidade, sobretudo se o pai do aluno tiver (ou for) um razoável advogado.
.
Segunda medida: Como muitos profs teima(va)m em chumbar alunos e muitos pais aceita(va)m esse facto, o legislador deu um novo passo em direcção ao abismo. A retenção do aluno faz-se agora tendo em conta as "competências finais de ciclo definidas para cada disciplina" e não sobre conteúdos dessas disciplinas. Confuso? Elementar, meu caro Watson. É fácil demonstrar que o aluno não aprendeu os conteúdos de uma disciplina, basta para isso mostrar as notas dos testes e os registos negativos da participação oral. Ora, acontece que os conteúdos das disciplinas mudam com o progredir dos estudos científicos nas diversas áreas, algo que para o legislador é confuso e perturbador. Portanto, como esse conhecimento mais cedo ou mais tarde vai ser ultrapassado (veja-se as transformações na gramática portuguesa que estão a decorrer neste momento), não vale a pena incomodar as crianças com ele. É preferível dotá-las de "instrumentos de construção do próprio saber", as tais "competências finais de ciclo". Estas competências são coisas vagas. No meu caso, por exemplo, limitam-se a três: situar no espaço, situar no tempo, contextualizar os acontecimentos. Como é que isso é possível sem ter conhecimentos é algo que me transcende. Mas não consigo provar (se um razoável advogado o exigir) que o aluno não as adquiriu ou não as vai adquirir até ao fim do 9º ano.
.
Terceira medida: como ainda assim haveria retenções, tomou-se outra decisão interessante. O número de negativas (perdão, hoje diz-se "classificações inferiores a três" ou "níveis inferiores a três") já não é automaticamente factor de reprovação. Assim, a criança pode ter três negativas, quatro, cinco ou todas, que a sua transição pode e deve ser ponderada pelo conselho de turma, só sendo retida após segunda reunião, caso não haja unanimidade na primeira reunião em relação à dita retenção. Vemos assim alunos passarem com 7 negas e outros reprovarem com 4. E com argumentos curiosos. Um destes anos, passou-se uma aluna "porque já tinha reprovado noutros anos desse ciclo" e reprovou-se outra, da mesma turma, porque nunca tinha reprovado até ali, o que era obviamente bem feito, ninguém a mandou ser sempre uma aluna razoável e baixar agora. O ambiente socio-afectivo (algo que nos chega geralmente através de vias indirectas) e a idade tornam-se factores a ponderar. É também aconselhável manter o aluno na mesma turma, de forma a evitar o trauma da mudança e o desajustamento etário com alunos de idades inferiores. Como foi precisamente na companhia da sua turma actual que o aluno tirou más notas, não vejo porque é que a manutenção do convívio lhe possa vir a ser benéfica, mas há concerteza estudos de pedagogia que o demonstram cabalmente.
.
Já estou cansado de escrever sobre isto e ainda tantos casos para dizer. Solução? Regressar ao ensino que nós tivemos, nos anos 80, antes da desgraça levada a cabo não por vários governos, mas por uma equipa que se manteve em todos os governos no ministério de educação, e que era liderada por Ana Benavente (entrou, se não estou enganado, com Roberto Carneiro e só saiu recentemente). Regressar às regras de disciplina, em que um aluno reprove por faltas (sim, já não acontece senão a partir do 10º ano), em que três negativas impliquem reprovação imediata, em que tretas como Área de Projecto e Estudo Acompanhado desapareçam do currículo e se coloquem mais carga horária para as disciplinas que importam. Criar escolas profissionais de jeito, exigentes, bem equipadas, com bons professores. Não ligar à estatística do analfabetismo, porque na prática ele continua a existir, embora ao fim de 9 anos na escola.

O papel dos sindicatos

A FENPROF manifestou hoje indignação, porque exige que o governo disponibilize imediatamente condições para que os professores portugueses que estão destacados em Timor, possam de imediato regressar. Ora, acontece que dos 105 professores que lá estão, não quer regressar rigorosamente NENHUM!
Não haja dúvida que estes nossos sindicatos (letra pequena) só se preocupam com o que de facto não interessa a ninguém. Há que defender os direitos dos professores e outros funcionários que já estão nos quadros (!!?) e esquecer os que têm vínculo precário, porque por esses, não há nada a fazer, coitados... É preciso trazer para Portugal os professores destacados em Timor, mesmo que ninguém esteja interessado em regressar. Conversam com a administração da Lear e no final, sabendo que a nova unidade abre brevemente na Roménia (há vários meses que romenos recebem treino na unidade da Póvoa de Lanhoso) e mesmo não havendo novos projectos há algum tempo, o que dizem os sindicatos? Ainda temos esperança de que não feche...
Esteve bem a ministra da educação (uma vez mais), que acabou com o tacho de destacamento de professores para exercer actividade sindical. De 4500 sobram agora (apenas!?) 1500 a trabalhar para os sindicatos. Os outros voltaram ao trabalhinho, pois claro!

Concurso de Fotografia


Já está a decorrer o III Concurso de Fotografia da Figueira da Foz. Desta vez, procuramos que os "amantes" desta arte captem os aspectos sagrados e profanos do concelho. Bem sei que o calendário não foi muito bem escolhido, mas o patrocínio assim nos obriga. Os prémios são aliciantes, como podem ver no regulamento, por isso, não esqueçam, recorram aos vossos arquivos de imagens da Figueira, ou visitem-na e arrisquem alguns clichés. Aproveitem e visitem o Museu Municipal, onde estão a decorrer duas exposições temporárias que merecem alguma atenção.

quinta-feira, maio 11, 2006

Urinol Tuga

Já repararam como os urinóis portugueses cresceram? Tipos com a minha estatura correm o sério risco de perigosamente lá encostar os "gémeos". A avaliar pelo ritmo, não haverá lugar para gente como eu na próxima geração de centros comerciais (que bom!)... Sim, já perceberam, fui ao novo Fórum de Coimbra. Entrei lá por engano.

O Eduquês em Discurso Directo

Acabo de ler um livro muito lúcido sobre a situação do ensino em Portugal. É da autoria de Nuno Crato, o presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática entre outras coisas também muito importantes.
Não sendo possível resumi-lo em poucas palavras, eu diria apenas que ele lança duras (e muito justas) críticas aos responsáveis pelo ensino nos últimos, vá, 20 anos. Expressões como "aprender a aprender", ou "quando se expõe um tema novo, o aluno deve imediatamente ficar a saber para que vai precisar dele no futuro", ou ainda "cada aluno deve aprender ao seu ritmo, ou seja, apenas aquilo de que sente necessidade" são severamente ridicularizadas, bem como os seus iluminados autores que, na opinião de Nuno Crato, têm irresponsavelmente contribuído (com muito sucesso, diga-se) para a instauração desta pedagogia romântica e construtivista. Explica, por exemplo, a necessidade de o aluno saber a tabuada (sem ter de pensar muito sobre quanto é 7x4, 7x5...) para poder depois poder fazer contas mais complexas. Explica porque é tão importante criar bases, sem que o aluno tenha de questionar tudo até à exaustão. Aprendes a tabuada, porque é importante. Ponto final. Faz uma analogia com a construção de um diálogo. Como conversaríamos nós se, ao construir uma frase, tivessemos de estar constantemente a pensar em cada letra ou fonema a usar? Sabiam que hoje em dia se incentiva um aluno do ensino básico a usar calculadora?!?
Disponível em parte aqui. Muito bom.

quarta-feira, maio 10, 2006

Os mais bem pagos no futebol


Futebolistas

1. Ronaldinho, Brasil (FC Barcelona) 23 milhões de euros
2. David Beckham, Inglaterra (Real Madrid) 18 milhões de euros
3. Ronaldo, Brasil (Real Madrid) 17,4 milhões de euros
4. Wayne Rooney, Inglaterra (Manchester United) 16,1 milhões de euros
5. Christian Vieri, Itália (AS Mónaco) 16,1 milhões de euros
6. Zinedine Zidane, França (Real Madrid) 15 milhões de euros
7. Alessandro Del Piero, Itália (Juventus) 11,5 milhões de euros
8. Frank Lampard, Inglaterra (Chelsea) 9,8 milhões de euros
9. Thierry Henry, Inglaterra (Arsenal) 9,8 milhões de euros
10. John Terry, Inglaterra (Chelsea) 9,7 milhões de euros

Treinadores

1. José Mourinho, Portugal (Chelsea) 10,9 milhões de euros
2. Eriksson, Suécia (Sel. Inglaterra) 6,9 milhões de euros
3. Alex Ferguson, (Manchester United) 5,9 milhões de euros
4. Cláudio Ranieri, Itália (sem clube) 5,3 milhões de euros
5. Arsene Wenger, França (Arsenal) 4,5 milhões de euros

Reparem que as casas decimais é um mero pormenor!!!!!!

Fonte: Desporto - SIC Online

terça-feira, maio 09, 2006

Greetings to Coca-Cola

Caro João, junto-me a ti num brinde (com coca-cola), ao aniversário da grande bebida. Um produto genuíno dos EUA, tal como o Jazz. Mais do que um produto, uma marca e um símbolo. Os seus inimigos (de orientação marxista) chamam-lhe "a água suja do capitalismo", e Salazar não a deixou entrar em Portugal (embora a permitisse nas colónias). Sinal de que não se trata de uma simples bebida, mas de um símbolo dos EUA, Home of the Brave, Land of the Free.
Monopolista? Há sempre a Pepsi.
Falta de higiene na Índia? Na Índia?! Falta de higiene? Só na Coca-cola?!
Violações de direitos humanos e assassinatos na Colômbia? Bem, não será antes culpa da Colômbia?
Leva as crianças a comer porcarias? Talvez seja mais culpa dos pais ingleses do que da bebida.
Não liguem, isso são bocas foleiras da concorrência. Façam uma pausa. Refrescante. Com coca-cola. A bebida para todas as ocasiões: a praia, o passeio de carro ou a cavalo, no inverno, no verão, na primavera, em casa, recebendo as visitas, na rua, no parque de diversões, ao almoço, acompanhada ou, simplesmente, a sós... E, claro, para o Natal, na companhia do Pai Natal vestido com as cores da Coca-cola.
Coca-cola, presente em todo o mundo. Em Angola (!), na Argentina (tomá lo bueno), na Bélgica (em versão bilingue), no Brasil (a página, como não podia deixar de ser, abre com um aviso em relação a práticas fraudulentas praticadas por gente alheia à companhia), na CHINA!!!! (onde a cor vermelha até deve agradar a uns e a outros), em Israel (oásis de liberdade num deserto ditatorial), na Índia, na LETÓNIA (bela abertura inicial, jogando o vermelho e branco da Coca-cola com as cores da bandeira, numa terra onde o nacionalismo é imperativo de sobrevivência), em Moçambique (onde se sublinha a importância da empresa na criação de empregos - já agora, não há raparigas bonitas em Moçambique? Eu lembro-me de as ver por lá...) e, entre muitas muitas outras, também em Portugal.

Regresso à Queima

Pela primeira vez, ao fim de vários anos de relutância, voltei à Queima. Pela primeira vez no queimódromo, nome foleiro mas, ainda assim, mais decente que o ridículo Praça da Canção (insuportáveis estas homenagens de vacuidades a outras vacuidades, pior só ter um Estádio Sérgio Conceição). O queimódromo tem desvantagens (a ausência de relva), mas tem mais espaço e evita os estragos que o parque sofria todos os anos. O palco está logo à entrada, ao contrário dos tempos do parque, em que era preciso percorrer o recinto todo para ouvir a banda a tocar. Agora só desloca quem vai à procura das comidas e bebidas, presentes em grande variedade, ou de outros espaços onde se possa divertir enquanto espera pelo momento musical que pretende. Só que esta gente devia pensar duas vezes quando convida os cantores para a Queima. Rui Veloso, o primeiro que me calhou em sorte, foi uma péssima escolha. Como disse a Marta, ele é simpático. Mas não é para a Queima. Só não adormeci e babei porque estava em pé e a rir dos comentários do grupo em que ia inserido. Um grupo composto por portugueses e brasileiros, mas com o mais divertido a falar com sotaque. E lá ficámos a "analisar" o concerto do Rui. Pelo que nos apercebemos, o homem procurou fazer uma viagem pela história da música. Procurou (sem sucesso) tocar rock, procurou tocar blues ("esse cara é um daqueles cinquentões que pensa que dá muito nos Blues", comentou uma das raparigas), fez incursões no improviso vocal do jazz (ou seria gaguez?), eternizou solos de guitarra como um David Guilmour a quem tinha sido dada uma guitarra de uma só corda. As letras, como disse um dia Júlio Machado Vaz, parecem escritas num domingo à tarde, junto à Ribeira. Para o fim, o incontornável Paixão (acho que é este o nome), com a célebre rima que Camões teria feito se fosse vivo, rubi e Rivoli... "Esse é o cara", dizia o carioca. Felizmente acabou.
A segunda banda foi muito diferente. The Gift têm som (e imagem) para noite de Queima. E para além das músicas terem qualidade, a cantora tem muita presença em palco e é simpática e humilde. Nada como o Rui, que nos chamou indirectamente ignorantes: "isto é de um grande guitarrista argentino chamado ****, que 99,9% das pessoas não conhece". Como quem diz, EU conheço, vocês NÃO. Pois, pela mesma lógica, 99,99999999999% das pessoas não conhece o Rui Veloso e nós sim. Caramba, o que é que isso faz de nós?
Resumindo. Rui Veloso só para fans incondicionais e numa sala com lugares sentados. Quanto a mim, deveria ter ido esperar junto à banca das caipirinhas. Os The Gift são uma boa opção para uma óptima noite de música ao vivo.
E hoje cantam os Xutos. E amanhã evitem o parque, porque é noite do Quim Barreiros.

Afinal é uma questão de fé

...e não de competência. O homem acredita, por isso que importa a realidade dos números. Estamos bem entregues. Eu cá acredito que este é o pior governante que Portugal teve desde Mário Soares (ainda não sei se incluindo ou excluindo).

segunda-feira, maio 08, 2006

Aniversário da Coca-Cola


Hoje, vinha eu no meu automóvel rumo ao Porto, quando ouvi na TSF que a Coca-Cola festejava mais um aniversário. Quem nunca provou Coca-Cola? Dizem, e penso que bem, que é uma das marcas mais conhecidas e vendidas em todo o Mundo.

A bebida recebeu o nome de Coca-Cola porque originalmente o estimulante misturado na bebida era cocaína, que provinha de folhas de coca da América do Sul e recebia o seu sabor de noz de cola. Hoje, o estimulante, felizmente, foi alterado para cafeína. Digo felizmente porque o sabor apesar de ser feito através de noz de cola e folha de coca, não contem cocaína pois foi removida das folhas e a bebida não contém traços da droga. O que seria da malta….

Apesar dos vários posicionamentos que teve durante estes longos anos (remédio, bebida leve, estimulante,…), a Coca-Cola é uma marca inegável de sucesso. Como bebida que se preze, a fórmula exata da Coca-Cola é um segredo comercial.

Neste momento, é o maior vendedor de refrigerantes no mundo, e como gigante que é tem sofrido, sob o meu ponto de vista com alguma legitimidade, vários tipos de críticas de práticas monopolistas a baixos padrões de saúde, práticas racistas de selecção de funcionários e assassinato de membros de sindicatos. Há muitas controvérsias em torno da companhia, seus produtos e suas práticas comerciais. A Coca-Cola foi recentemente denunciada no Reino Unido por levar as crianças ao consumo de "porcarias" (comida de baixo valor nutricional). Na Índia, a corporação provocou um número de boicotes e protestos como resultado de seus baixos padrões de higiene e impacto negativo no meio-ambiente. Na Colômbia, a companhia é acusada de 179 grandes violações de direitos humanos, incluindo nove assassinatos.

Findo esta breve resenha histórica, o que vos quero transmitir é que a Coca-Cola (e não querendo fazer comparações com a Pepsi) faz parte do meu dia-a-dia. Tento não entrar em excessos mas, de vez em quando (de quando em vez, dizem os lisboetas), sabe muito bem, principalmente quando não se bebe bebidas alcoólicas, como é o meu caso e é do vosso conhecimento. Para brindar este aniversário, hoje foi dia de Coca-Cola durante o meu almoço.

Parabéns Coca-Cola….

domingo, maio 07, 2006

The show can't go on


Zidane, o melhor jogador europeu de sempre, segundo a BBC (e eu subscrevo, apesar de ter uma preferência por Raúl), despede-se hoje do Santiago Bernabéu, o palco mais alto do futebol mundial. É o último dos mohicanos, escreveu-se hoje no As. Com Di Stefano, Pelé e Maradona, está entre os cinco melhores de sempre. O jogador que, segundo Valdano, faz do futebol ballet, tal a graciosidade com que trata a bola e se move em campo. Se não voltou a haver outro Maradona (nem voltará), também não há nem voltará a haver um jogador do nível de Zidane. A evolução do futebol não o vai permitir. Com o reforço das tácticas defensivas e com a nova mentalidade "científica", a expressão individual de um jogador vai ser cada vez menos valorizada. O futebol tem vindo a perder espectáculo e, sobretudo, credibilidade. Não há inocência na forma como a Fifa e a Uefa manipulam resultados para garantirem que as equipas que mais dinheiro lhes poderão dar não fiquem pelo caminho mais cedo. Basta lembrar como o Brasil (penalti fora da área contra a Turquia) e a Coreia (a Espanha e a Itália viram três golos anulados contra este "colosso") foram beneficiadas pelos árbitros de terceiro mundo que a Fifa nomeou no último Mundial. E basta lembrar, citando Fernando Seara, como o "Barcelona foi levado às cavalitas - não é ao colo, é às cavalitas - até à final da Liga dos Campeões" (expulsão de Del horno na eliminatória do Chelsea, penalti não marcado a favor do Benfica, golo anulado ao Milan por empurrão de um fantasma a Puyol).
Mas hoje é dia de esquecer isso e celebrar o último jogo de Zidane no Bernabéu. Depois, é não perder um único jogo da França no Mundial e esperar que cheguem longe. Já sabemos que o Brasil tem que ir à final e certamente Markus Merkl e outros senhores do apito farão com que isso aconteça. Mas pode ser que a França também lá chegue e Zidane volte a mostrar que há momentos em que nem a Fifa pode anular o valor do mérito e da qualidade.

terça-feira, maio 02, 2006

No coments

Até 2003/2004, o Zimbabwe era uma das mais prósperas economias africanas. Mas o ditador Mugabe achou que poderia melhorar a coisa. Nacionalizou as propriedades agrícolas, expulsando os "brancos" (sobretudo ingleses) que as exploravam. O resultado está à vista. Como cantava o Sérgio Godinho, "África é dos africanos, já chega 500 anos, já chega 500 anos." Preparem a ajuda internacional para as vítimas da fome que se demoram a erguer.