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terça-feira, setembro 26, 2006

Preciso de ajuda. Ando à procura de uma música que retrate a emigração que levou milhões de europeus (sobretudo) para a terra prometida (os EUA). Até agora, só encontrei The Hands that built America, dos U2. Há também uma canção dos Pogues (Thousands are sailing), que apesar de ser muito boa, talvez não agrade tanto, por causa da melodia (gostar de Pogues não é para qualquer um). Se tiverem alguma sugestão, agradeço. E se tiverem uma interpretação pessoal da letra dos U2, também agradeço, porque todos os contributos são fundamentais (nem imaginam as perguntas e interpretações que os alunos conseguem criar...)
Ando com dificuldades sobretudo nos seguintes versos:
"I took your kiss on the spray of the new line star"
"Its early fall
There's a cloud on the New York skyline
Innocence dragged across a yellow line"

Balanço da primeira semana

Ainda é demasiado cedo para balanços ou sequer para opiniões bem vincadas. Mas há impressões, ainda que levemente traçadas. Os primeiros dias foram de alguma dôr de estômago, um ritual habitual sempre que algo se inicia. Definitivamente, sofro do que Valdano chamou de medo escenico (que afecta todos os clubes que vão jogar ao Santiago Bernabeu). O meu caso é mais grave, já que tenho medo de todos os palcos. E o medo agrava-se quando o retrato inicial é mau. Eu sabia que havia vantagens em entrar a meio do ano. É que, naquele período de tempo que vai do 1º de Setembro até ao início das aulas, a única coisa que fazemos é reunir e ouvir os professores da casa a descrever as turmas. Digo desde já que a descrição não era positiva. Mau comportamento, desatenção, desinteresse pelas aulas... Que fazer, que fazer, senão sofrer o mesmo pânico dos que esperavam, no circus, que a porta se abrisse e as feras se aproximassem? Agora imagino que isso foi uma estratégia para nos colocar em sentido. É que as "feras" (pobres feras), quando se aproximaram, vinham de olhos brilhantes e a ronronar de simpatia.
Em suma, para já estou a gostar. E como um jogador depois de um ano sem triunfos, sinto fome de jogo e fome de golos. E sinto-me ainda enferrujado e sem ritmo. É o primeiro ponto da situação. Vamos a ver se o tempo confirma ou desfigura esta visão.
ps: João e Sandra, não há umas fotos de Amesterdão que possam partilhar connosco, para colorir um pouco o nosso blog?

segunda-feira, setembro 18, 2006

Amesterdão

Estas férias, eu a minha princesa, decidimos ir até Amesterdão. A decisão foi tomada em cima do joelho mas com a ajuda da Guida e do Gabriel, sempre disponíveis a aconselhar-nos, lá marcámos as nossas férias. Gostámos muito! Em Amesterdão podemos apreciar uma imensidão de coisas. A cidade ganha beleza própria quando vista da água(canais), os edifícios inclinados, as fachadas estreitas e cheias de janelas conferem à cidade uma vista muito particular e única. E depois, como em qualquer capital europeia há uma série de locais de interesse, museus, lojas e mercados. Visitámos a casa de Anne Frank, os museus Van Gogh e Rijksmuseum, a famosa praça Dam e fizemos um passeio pelo Vondel Park. É uma cidade bastante "compacta" onde qualquer ponto é de fácil e rápido acesso. Grande parte da população desloca-se de bicicleta. Quem está de fora a apreciar (como nós), a sensação que fica é que as pessoas que andam a pé é que perturbam os condutores de bicicletas que não têm forças a medir para se desviarem de quaisquer tipos de obstáculo. As bicicletas não param! E claro, sendo suspeito, é de visitar as diversas igrejas que por lá existem com magníficos órgãos de tubos a embelezar e a dar vida aqueles espaços sagrados com vários concertos. Amesterdão é também a cidade das flores e das atitudes liberais: o sexo, a homossexualidade, o consumo de drogas leves estão presentes um pouco por todo o lado. Quem nunca ouviu falar do famoso "Red LightDistrict"! Confesso que tive de ir lá duas vezes pois não assimilei totalmente o que vi da primeira. As pessoas são muito simpáticas e o inglês é falado por qualquer pessoa. Apesar de a cidade parecer perfeita há que ter atenção à irregularidade do piso, susceptível de entorces para os mais descuidados. E não se esqueçam de ter atenção ao descerem de bancadas quando estiverem a ver uma peça de teatro para não tropeçarem e caírem…não é meu amor!

Desculpem caros niveladores

Estive um período longo sem dizer nada. A verdade é que, por incrível que pareça, só hoje me lembrei novamente da password de acesso à criação dos Posts. Enfim, parece ridículo mas é verdade. Espero, assim, voltar novamente a enviar-vos novos posts para que a comunicação nao seja feita apenas por uma pessoa, não é Paulo? Não é uma crítica. Eu entendo a posição de todos os niveladores e sei que, de qualquer forma, o blog é seguido atentamente por todos. Abraço

1º dia

Hoje é o meu novo primeiro dia de aulas. E apesar de ser já o décimo ano, a noite continua mal dormida e o estômago continua a doer. Já não devia ser assim. Haverá cura para isto?

sexta-feira, setembro 15, 2006

Plano de acção para a Matemática

Trata-se da última idiotice inventada pelo ministério da educação. Quanto mais tempo andarão estes totós a inventar soluções para os males que eles próprios criaram, e para os quais não querem aplicar as soluções simples e que iriam funcionar?
Em primeiro lugar, não percebo esta paixão pela matemática. Porque é que a matemática é mais útil do que as outras disciplinas? Mais do que o inglês? Duvido. Do que a História ou as Ciências? Porquê? Se formos a ver bem, só precisa de matemática quem segue a área das ciências. E não adianta dizer que se trata de cultura geral e "mentalidade científica". Então e saber inglês e história não é cultura geral? E não implica uma mentalidade científica? Em termos globais, é muito mais importante ter uma população que sabe inglês (logo, que tem uma ferramenta que permite a sua sobrevivência fora do país e permite educar-se melhor, mesmo cá), do que uma população que sabe matemática. Não falo do básico, das contas, das equações...
Estas políticas ignoram algumas coisas básicas:
1º Em Portugal não há necessidade de muita gente com conhecimento de matemática, porque não há mercado para eles. Há licenciados em matemática no desemprego. O mesmo acontece nas outras áreas científicas, como a biologia e a física. O problema é que o ministério ainda não percebeu que não é por formar mais pessoas que a economia do país se desenvolve, mas é precisamente a evolução económica do país que obriga a população a estudar mais. Saber mais em Portugal não traz, em geral, qualquer benefício. Tivemos um primeiro-ministro engenheiro que não sabia fazer contas. Nos lugares de topo, a começar por muitas escolas e a acabar nos ministérios e empresas, temos gente com baixas qualificações literárias. Em Portugal é mais importante a cunha do que a preparação académica, como bem sabemos. Até porque a preparação académica ministrada em Portugal tem, em muitas áreas, um nível tão baixo que quem a recebe não fica capacitado para triunfar no estrangeiro.
2º Não é possível ensinar matemática (ou o que quer que seja) para turmas sobrelotadas (tenho turma de 9º ano com 30 alunos), por muitas reuniões que se façam sobre o assunto. Seria um passo para começar a enfrentar o problema do mau ensino, mas o ministério é claro ao dizer que "Relembra-se, no entanto, que não é autorizado o desdobramento de turmas e que as escolas que o propuseram deverão pensar em alternativas a este modo de organização, recorrendo designadamente ao reforço de equipas e a assessorias." Mantêm-se assim as turmas gigantes, porque desdobrá-las implica gastar dinheiro.
3º Há muito que não é possível ensinar nas escolas portuguesas, já que estas são locais onde a indisciplina reina, por vontade expressa do ministério, e onde o facilitismo é a regra, também por vontades expressas do ministério. Basta ler a legislação. Um aluno que seja suspenso por indisciplina vê essas faltas serem-lhe justificadas. Um aluno que falte meio ano pode passar porque está dentro da "escolaridade obrigatória". Um aluno com sete ou mais negativas pode e deve passar, a não ser que o conselho de turma demonstre que o seu atraso é tão elevado que ele não conseguirá atingir as competências essenciais de fim de ciclo, uma capacidade de futurologia que ninguém possui. A desmotivação dos alunos é culpa dos professores, o que é estranho quando há alunos motivados pelos mesmos professores. Cada aluno é um caso particular e deve beneficiar de ensino individualizado, fácil de fazer com 30 alunos numa sala, 90 minutos por semana.
4º Não é possível ensinar alunos que não têm noções de disciplina e para quem o trabalho não tem qualquer mérito. Quando ouço na tv a ministra, as associações de pais e os "cientistas" da educação a dizerem que pensam proibir os trabalhos de casa, pergunto como é que se aprende matemática sem praticar em casa? Ou inglês, ou latim, ou grego, ou português? E para quê fazer um esforço para ter boas notas se mesmo tendo más notas a maioria acaba por passar porque a legislação assim o permite? (recordo que as passagens do 1º ano para o 2º são automáticas, mesmo que a criança não saiba ler nem escrever).
5º Como é que querem ensinar matemática a alunos do 5º ao 12º ano, se os quatro anos anteriores, onde começa a sua aprendizagem, são um caos completo? Com esta ânsia de fechar escolas e colocar os alunos todos juntos para "socializarem" e terem um computador na sala, fazem-se turmas que misturam alunos do 1º com os do 2º e até do 3º e 4º ano. Não percebo como é que se pode ensinar assim. Nem em Moçambique, e era um país de terceiro mundo, eu tive na turma alunos de outros anos.
6º Não se pode ensinar quem não quer ser ensinado. E também não se pode ensinar matemática a quem não tem apetência para números. Tenho um amigo que não aprende inglês por muito que tente. Há algo nele, segundo o próprio, que o impede de aprender inglês. As letras irritam-no. É um homem de números. A mim irritam-me os números. Até tive 5 a matemática quando achava piada à coisa. Quando aquilo me parecia útil. Tive uma excelente professora primária (cá em Portugal, evidentemente). Quando cheguei ao 7º ano, perdeu a piada. A prof também não me agradava. Por isso deixei de ligar às aulas e desci para 2. No 8º ano voltei a achar alguma piada e voltei à positiva. No 9º já sabia que não queria saber da matemática para nada. Acabei o ano com positiva, mas tratei de esquecer a maior parte das coisas que me ensinaram. A culpa não foi dos professores que tive, porque alguns dos meus colegas continuaram a ter 5 todos os períodos. Foi minha porque não queria aprender uma coisa que não tinha significado para mim. E quando descobri a Filosofia, adorei. E acho a filosofia mais importante do que a matemática. É a minha opinião. Uma vez, um génio da informática riu-se de um colega que seguiu filosofia: "acho piada a estes cursos que só servem para ensinar outras pessoas a saberem aquilo". Como quem diz, é um curso inútil. É a visão dele. Errada. Mas tal como ele olha assim, muitos alunos olham para a matemática como algo inútil e incómodo, dá trabalho, obriga a pensar e não é divertido. Pensam assim em parte porque são assim, em parte porque os deixaram ser assim.

apito desgovernado

Li com curiosidade o artigo de Sousa Tavares na Bola, para onde remeto. Só gostaria que ele tivesse explicado uma coisa: se é o Benfica o clube mais favorecido pelos árbitros, como é que não tem ganho campeonatos nos últimos anos, tirando o de Trapatonni? Ou o Benfica era favorecido para ficar em 2º lugar? E depois os outros é que só vêem a cor do clube.

recebido por email

dados e sugestões

As despesas do Estado com salário desceu mais de 3%. As despesas do Estado, no entanto, subiram 2,6 %. Pelos vistos, não são os funcionários públicos a causa de tanto dinheiro mal gasto. Eu sugeria poupar em:
a) Acessores de imprensa (eufemismo para agentes de propaganda);
b) rendimento mínimo, salvo casos de invalidez, de pessoas com mais de 45 anos e com doenças impeditivas (atenção, toxicodependência não é uma doença, muito menos impeditiva);
c) Aquisição de frotas de luxo para os vários ministérios (em Espanha a frota é da Seat, produzida nacionalmente);
d) Retirar subsídios e apoios a todas as instituições desportivas e de teatro e cinema (suspeito do cinema que não tem público, porque em geral é mau. Além disso, o cinema é um produto americano, indiano, inglês e chinês; pretender fazê-lo em Portugal é o mesmo que fabricar champanhe em Beirute ou música clássica no Togo);
e) Cobrar as dívidas que Angola e Moçambique têm para com o Estado Português;
f) Retirar as reformas de deputados e ministros (pode-se argumentar que a ausência de compensações irá impedir que os grandes quadros se envolvam da política. Concordo. No entanto, se olharem para os ministérios e para a assembleia, de certeza que não encontram lá nenhum "grande quadro" nem ninguém de formação académica de topo ou que tenha tido sucesso invejável em qualquer área profissional civil. Por isso, não corremos o risco de perder quem já não temos. A assembleia é, neste momento, uma massa barulhenta de gente que serve para aprovar as decisões do engenheiro e para organizar festas originais, como o Avante e as paradas gays);
g) Encerrar a RTP (incluindo a 2);
h) Retirar os apoios e subsídios dados a todas as escolas e universidades privadas (se são privadas, devem autofinanciar-se). Não adianta argumentar, como se faz em relação aos clubes de futebol, que estas instituições privadas substituem o Estado em áreas que o Estado não consegue responder. É mentira, porque se o Estado usar esse dinheiro nas instituições públicas irá ter o mesmo efeito, com melhores resultados. Salvo honradas excepções (colégios ingleses e alemães, Universidade Católica...), as escolas privadas são muito piores do que as públicas. Quanto aos rankings, muitas aparecem mais acima porque só aceitam alunos bons e recusam os maus, que enviam para as públicas. Outras não permitem que os alunos medianos façam as provas e exames nacionais a partir da sua escola, para não baixarem a média. Além disso, seria louvável se essas escolas privadas abrissem em "zonas recônditas" (parafraseando a ministra da educação), e não em Lisboa, Porto e Coimbra, onde a oferta pública de escolas é mais do que suficiente e de boa qualidade (basta lembrar o D. Maria).
i) Cortar a assinatura do jornal de letras em todas as instituições públicas, incluindo escolas (ninguém lê o jornal de letras);
j) Nomear pessoas capazes para a gestão de instituições públicas, em vez dos amigos do partido. Estes, apesar de não qualificados, ganham muito acima da média e os resultados são maus, a não ser em situações de monopólio ou de manipulação de preços. Basta ver que a galp teve, em época de "crise", mais 35% de lucro. Recordo o bom exemplo do gestor da TAP, um caso que se deveria multiplicar.
k) Claro que tudo isto é demagógico e não é para ser levado a sério. Até porque o governo é fabuloso e está a ter óptimos resultados, como se verá melhor daqui a 20 anos, quando parte do país tiver que emigrar para o leste para ganhar dinheiro.

domingo, setembro 10, 2006

David, Adeptos do SLB no final do jogo do Bessa


Perante tal resultado, o desalento captado por David é notório. "Nem uma só jogada de perigo" parece protestar o homem de branco. Ao seu lado outro adepto procura travar a ira reconfortando-o com a mão colocada na perna do amigo, em gesto de compreensão e apoio.
À sua direita, outro adepto cobre o rosto escondendo as lágrimas. Sentado na primeira fila, de branco, cabisbaixo, o sócio mais antigo do clube parece caído numa profunda letargia, à imagem da equipa. No chão, do seu lado, jaz o contrato em branco assinado por Rui Costa. Também no chão, junto aos pés do típico adepto benfiquista (trajes vermelhos e copo na mão), estão as grilhetas que representam simbolicamente Vale e Azevedo, recordando os efeitos nefastos da sua acção à frente do clube. Ao fundo, em segundo plano, depois do arco, três adeptos abandonam mais cedo o estádio subindo as escadas que dão acesso aos estacionamentos. Encostado ao arco está J. Veiga, facilmente identificado pelo traje azul, artefacto que ficou do seu tempo à frente da casa do fcp do Luxemburgo. O candeeiro apagado representa Eusébio, pois apesar de já não dar luz, ainda tem poder para iluminar as personagens presentes na cena. A sua sombra será, possivelmente, uma representação simbólica de Pedro Mantorras. No extremo direito do quadro (algo que o Benfica parece não ter), um adepto enfurecido esmurra a parede pensando em F. Santos e suspirando por Trapattoni.
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ps: mesmo não sendo do SLB, é triste ver o Benfica perder 3-0 com o boavista. Mas com o F. Santos a conduzir o barco...
psd: O título original do quadro é A Morte de Sócrates (para não pensarmos só em coisas negativas).

De inspiração em inspiração

The Story of Perseus
Yet tho' this harsh, inglorious fate they found,
Each in the deathless grandson liv'd renown'd.
Thro' conquer'd India Bacchus nobly rode,
And Greece with temples hail'd the conqu'ring God.
In Argos only proud Acrisius reign'd,
Who all the consecrated rites profan'd.
Audacious wretch! thus Bacchus to deny,
And the great Thunderer's great son defie!
Nor him alone: thy daughter vainly strove,
Brave Perseus of celestial stem to prove,
And her self pregnant by a golden Jove.
Yet this was true, and truth in time prevails;
Acrisius now his unbelief bewails.

Tudo terá começado aqui, com os breves versos de Ovídio, nas Metamorfoses, sobre o nascimento de Perseu. A história é conhecida: lamentando a falta de herdeiros, Acrisius, pai de Danae, recorreu ao oráculo, prática habitual entre os supersticiosos gregos. Acontece que o oráculo profetizou uma tragédia. Sim, Danae terá um filho, de sexo masculino, mas essa criança crescerá e matará Acrisius, no fim da terra. Temendo a sua morte, Acrisius procura contrariar o destino e encerra a filha numa torre de bronze. Zeus, porém, tinha já avistado a bela Danae e desejava-a. Incapaz de chegar a ela em forma humana ou animal (como fez com Europa ou Calisto, entre outras) Zeus metamorfoseou-se numa chuva dourada que se derramou sobre o corpo nu da amada, fecundando-a dessa forma. Assim nasceu Perseu. O resto da história é fácil de imaginar. Ao saber do nascimento do neto, Acrisius é incapaz de o matar e coloca-o à deriva no mar, juntamente com a filha. Mas Poseidon evitou o seu afogamento acalmando as águas, a pedido de Zeus. Mãe e filho deram à costa na ilha de Seriphos. Aí ficaram ao cuidado do irmão do rei. Aí Perseu cresceu e tornou-se no herói que matou a Medusa. Sabendo da profecia, Perseu procurou evitar encontrar-se com o avô, pelo que procurou paragens onde este não estaria. Foi assim que Perseu acabou por chegar a Larissa, onde participou nos jogos que lá se estavam a realizar. Só que, como manda o destino, Acrisius estava também a assistir aos jogos. E foi precisamente nessa ocasião que, num lançamento de dardo, Perseu acidentalmente matou o avô, cumprindo a profecia.
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Aparentemente, foi no texto de Ovídio que Ticiano se inspirou quando concebeu este quadro:
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Ticiano, Danae e a chuva dourada (1554) Museo del Prado
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E foi nesse quadro, suspenso nas paredes do Prado, que Graça Moura se inspirou para compor este poema:
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prado: la dánae de ticiano
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la luz en los museos no me gusta:
hay que buscar el punto más neutral
para mirar el cuadro, desde el cual
brilla otra luz, más interior, más justa.
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pero en el prado esta mañana he visto
la claridade vibrante del comienzo
del mundo que inundaba ahora un lienzo,
cambiando en lluvia de oro, hambriento y listo,
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al diós que así buscó nuevo disfraz
para acercarse al lecho en medio a sedas
y a dánae exaltada, hecho monedas
de eternidad metálica e fugaz,
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bajo la luz que en los museos me irrita
y aquí se hace placer cuando palpita.
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(Vasco Graça Moura 24.11.98)
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O mesmo mito de Danae inspirou outros criadores, como Richard Strauss, que compôs Die Liebe der Danae, ou Rembrandt, Correggio, ou Klimt. Entre muitos outros...

Vasco Pulido Valente - A ditadura «intelectual» do PCP

«Não quero polemicar com o Ruben de Carvalho. Quero explicar o que se passou e defender a minha tese («revoltante», segundo o Ruben) de que a «Esquerda» exerceu, ou tentou exercer, uma ditadura «intelectual» durante a ditadura do «Estado Novo» e para lá dela. Mas convém, primeiro, precisar que a força agente e movente por detrás do esforço para dominar a vida cultural portuguesa foi o Partido Comunista (...). Ora, nessa matéria, a política do Partido Comunista evoluiu de acordo com a política e os interesses da URSS e, em menor grau, de acordo com a nossa situação doméstica. Até 1946-47, o PCP seguiu uma «linha» coincidente com a estratégia da «frente popular», que Estaline recomendava aos inimigos do nazismo, do fascismo, de Franco e do mais manso e conservador regime de Salazar. No seu último livro, A Arte, o Artista e a Sociedade (um exercício contraditório e primário de reflexão estética e também uma «limpeza» histórica de antigas aberrações), Álvaro Cunhal menciona a sua polémica com Régio na Seara Nova, em Maio de 1939 (ou seja, antes do Pacto Germano-Soviético), mas com o amor da verdade que sempre o caracterizou esquece convenientemente um artigo publicado em 1954 na revista Vértice, «Cinco notas sobre a forma e conteúdo» (...), sob o pseudónimo de António Vale (...). Porquê? Porque, em 1939, se tratava apenas de combater os «formalistas», como Régio ou Gaspar Simões, cuja obra literária ignorava a resistência ao «terrorismoda burguesia» (Dimitrov).
Esta relativa benevolência acabou, no entanto, em 1947-1948, com a extensão do império soviético à «Europa do Meio» e o princípio da «guerra fria». Daí em diante, o PCP resolveu impor a mais dura ortodoxia «jdanovista» e atacou virulentamente os heréticos. Em 1952, quando o responsável pelo «sector intelectual», Mário Dionísio (...) se demitiu por não concordar com as instruções que lhe davam, foi expulso do «Partido» e a notícia da expulsão publicada no Avante (o que, como o Ruben bem sabe, equivalia a uma pura e simples denúncia à PIDE). E, em 1954, apareceram as «Cinco Notas» de Cunhal, que recusavam qualquer mérito artístico aos «intelectuais», que na «pintura, na música, na poesia» não estivessem ao lado da «classe ascendente», o proletariado, e se limitassem «a falar de si e dos seus mesquinhos problemas». Não estar ao lado do proletariado, isto é, não obedecer ao «Partido», revelava evidentemente «desorientação, degeneração, corrupção, anarquia, egoísmo, devassa sensualidade, pavor pelo futuro» (ecos de Hitler, não é?). As «Cinco Notas» também censuravam o «desviacionismo» de Lopes Graça (...) declarando expressamente que ele «reduzia» a música a um mero conjunto de «acrobacias técnicas». Para se avaliar o critério do Dr. Cunhal, bastará dizer que, na sua esclarecida opinião, «as três jóias» do romance português da época eram A Lã e a Neve de Ferreira de Castro, Fanga de Redol e Esteiros de Soeiro Pereira Gomes.
Em 1956, porém, veio o XX Congresso do Partido Comunista da URSS, a admissão (e condenação) dos crimes de Estaline e o «Degelo». E a política «intelectual» do Partido Comunista, fatalmente, mudou. Agora - como mais tarde na deténte - o PCP aceitava no amplo seio do «antifascismo» (que ele, na prática, dirigia), os «fraccionistas» dos anos 50, os companheiros de caminho e os «idiotas úteis», sem se preocupar muito com as idiossincrasias estéticas de cada um. Mas nas editoras, nas revistas e nos jornais (que ele criara ou «infiltrara»), não deixou de perseguir, por acção e omissão, quem não se resignava à sua primazia e, sobretudo, quem, mesmo à esquerda, aberta ou terminantemente se opunha ao «socialismo real» (ao «sol soviético») ou liminarmente negava a validade «científica» e «metodológica» da teoria de Marx, como interpretada pelos epígonos de confiança.
A política «intelectual» do PCP reflectia, como é óbvio, a sua política geral. O «Partido» não cessava de pedir ajuda aos «democratas» e até aos «homens de bem»: e adoptava com entusiasmo católicos e «sacerdotes» da espécie «progressista». Mas não lhes admitia qualquer independência. Grande parte da sua celebrada luta - antes de depois do 25 de Abril - teve por fim eliminar os indivíduos ou grupos que, sendo contra a ditadura, se não submetiam ao seu comando: os velhos republicanos e a Maçonaria; Mário Soares, a ASP e o PS; Jorge Sampaio e o MAR; a breve confluência de Soares, Sampaio e alguns católicos em O Tempo e o Modo; a cisão maoísta de Francisco Rodrigues (a FAP, antepassada da UDP); o MRPP e por aí fora.
A maneira como o PC tratou os «intelectuais» não é, assim, uma excepção. Os «intelectuais» de esquerda que persistiam em defender a sua independência, pagavam caro essa estúpida veleidade, como Eduardo Lourenço, Vergílio Ferreira, Alexandre O'Neill, Mário Cesariny ou Jorge de Sena. E os de direita, como Agustina, Nemésio ou Fernanda Botelho, oficialmente não existiam. E cito só escritores e, dentro dos escritores, os mais ilustres, porque não tenho espaço para a enorme lista da gente que o PC abafou e removeu de cena.
Em compensação, o «Partido» promovia as mediocridades, que entre o pau e a cenoura, escolhiam a cenoura, e a quem ele esmolava «prestígio» e, às vezes, prémios e um mendaz «reconhecimento internacional». De facto, nada mais fácil, para a máquina comunista na URSS, nos «satélites» e no Ocidente, do que fabricar um génio. Imaginemos, a título de ilustração, que Fernando Namora produzia um livro não inteiramente idiota. Em Portugal, a «crítica» cobria o sujeito de elogios e um júri de «amigos» avançava com um prémio. Depois, vinham as traduções em russo, em romeno, em búlgaro ou em curdo. A seguir, as traduções em italiano e francês, por influência dos camaradas locais e algumas linhas de louvor na «boa imprensa», por caridade dos «companheiros de caminho». E, de repente, o execrável Namora aparecia no circuito dos seminários, encontros e congressos, com a etiqueta de sumo representante da literatura portuguesa. Saramago foi o último beneficiário deste santo sistema.
Não Ruben, a ditadura do PC sobre os «intelectuais» não é invenção minha; e o sumiço dos «intelectuais de esquerda» e do horrível poder que os sustentava é definitivo.»
14/02/97
in Vasco Pulido Valente, Esta Ditosa Pátria, Lisboa, Relógio d'Água, 1997

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Excerto de uma entrevista de A. de Oliveira Salazar ao semanário U.S. News and World Report, NY
9 de Junho de 1962
pergunta:
Que futuro terá o homem branco em África se persistirem as tendências actuais?
resposta:
Creio que o homem branco só poderá permanecer em África com utilidade proporcional ao seu valor quando integrado numa sociedade multirracial, em que a justificação da sua presença e do papel que lhe couber desempenhar resulte, não da sua cor, mas das suas capacidades de trabalho e iniciativa, do seu amor à terra e sentido de dever. Nessa base, a presença branca em África revelar-se-á de interesse para a comunidade em causa, e indispensável ao progresso geral. Caso contrário, isto é, se for impossibilitado o normal desenvolvimento de sociedades multirraciais, é de prever que o racismo negro aniquile ou expulse o branco e comece por destruir ou por deixar que se arruíne a obra realizada com a cooperação deste. Não resultará daí qualquer benefício para as populações africanas, antes pelo contrário.

sábado, setembro 09, 2006

Voltei


Os Niveladores andam cada vez mais ausentes do nosso blog. Cada um tem uma desculpa, todas elas razoáveis mas contornáveis, parece-me. De forma que, o Paulo tem sido o único a contribuir para a manutenção do nosso espaço de manifestação na rede. Felizmente que ainda não desitiu, vão-me valendo os seus post para me enternecer e manter actualizada.
Para mim existe agora uma definição de tempo um pouco diferente da vossa. É o A.L.N e o D.L.N, ou seja, "antes da Leonor nascer" e o "depois da Leonor nascer". A diferença é abismal. O meu tempo transformou-se. Os "adultos" avisaram-me, mas eu não tinha atingido a profundidade desses avisos.O nascimento da minha pequenita (um dia ganho coragem e escrevo sobre esse milagre) veio alterar quase completamente o meu quotidiano. Os dias distinguem-se apenas pela evolução dela, pelas noites melhor ou pior dormidas... Um bébé é tão absorvente que inicialmente julgamos que não nos resta tempo para fazer muitas das coisas que gostamos e que achamos natural fazer. O 1º mês é de facto um teste à nossa capacidade de sobrevivência, mas depois disso começamos a organizar o tempo por forma a conseguir voltar aos velhos hábitos. É verdade, apesar de a vida ter mudado muito, ainda consigo arranjar tempo (ou método) para me dedicar às coisas de que gosto.Por isso, em momento algum deixei de ler, de ver cinema (em casa, claro), de dar um saltinho à net, de passear à beira-mar, de cozinhar, de receber os amigos e a família, de namorar com o meu amor... A diferença está em que muitas dessas actividades são agora feitas com a companhia simpática e encantadora da minha princesa.Assim sendo, amigos niveladores, contem comigo no blog. Voltei e com uma sugestão de filme a ver ou rever, dependendo dos casos. Billy Elliot. Conhecem? Quando esteve nos cinemas (há já uns anos) fui ver e gostei muito. Agora cá em casa revi e maravilhei-me com a poesia desta pérola do cinema. Mas não é difícil encantar-me com os filmes, pois com atelevisão que temos... As novelas têm-me comido o cérebro!!!!!!!!!!

José Pedro Gomes

Eu sempre gostei deste homem. Sempre me pareceu inteligente, para além de ser um grande actor e de ter realmente piada, coisa que mais ninguém consegue em Portugal desde o "falecimento" do Herman (no dia em que se mudou para a sic). Mas depois de ouvir este "cromo" da TSF, epa, sei lá, só não ponho um poster dele cá em casa porque não costuma sair nas revistas...
Façam clic no link e digam lá se ele não tem razão, em ambos os casos? Eu, pelo menos, acho que sim...

sponsored by unicef

Dizem os jornais que o barcelona f.c. vai ter nas suas camisolas publicidade à Unicef. O objectivo será o de criar a imagem de um clube diferente dos outros ("mais do que um clube", deverá dizer o slogan). O barcelona costuma pisar estas águas. Procurou ostentar a superioridade moral de não ter patrocínio nas camisolas tendo-o, mas colocando-o em escala reduzida. Agora encontrou uma fuga airosa para o fracasso de uma operação que começou precisamente pela necessidade de dinheiro. Quando Laporta, o actual presidente, chegou ao poder, afirmou ter encontrado um déficit que só poderia ser combatido com patrocínio na camisola, grande patrocínio, entenda-se. Pensou-se logo em contratos multimilionários, na ilusória ideia de que a camisola do barcelona mereceria mais dinheiro do que recebem as grandes equipas europeias. Como é óbvio, rapidamente a realidade fez acordar a direcção do clube com tantas ligas dos campeões como o Benfica e quando perceberam que não tinham encontrado o caldeirão de ouro no fundo do arco-íris, procuraram outro tipo de benefícios. Se o lucro não pode ser em dinheiro, que seja em influência política. Ah, a arrogância dos que se julgam moralmente superiores, dizendo: eles vendem as camisolas, nós usamo-las em benefício dos mais desfavorecidos. Já sinto as lágrimas de comoção.

sexta-feira, setembro 08, 2006

uma má notícia

O fim do Independente é uma má notícia. Com o seu desaparecimento, perdemos um jornal com muitos defeitos, mas que era o jornal que fazia juz ao nome, Independente. Essa independência e liberdade estava bem patente até numa característica que seria, à partida, negativa: o Independente assumia as suas posições políticas, tomava partidos. Os outros jornais também o fazem, basta folheá-los. Mas este era o único a declará-lo, a não se esconder sob uma ilusória capa de imparcialidade.
Sem o Independente (o Indy como lhe chamavam os amigos), resta-nos uma imprensa que, na maioria dos casos, se limita a transcrever a Lusa e a aborrecer-nos com os seus "assuntos" do dia, com a sua irritante linguagem e postura de pretensa superioridade moral.
Parece que, entretanto, vem aí um novo semanário. Chamado Sol, nome que não augura muito de bom, diga-se de passagem. Dirigido pelo antigo director do Expresso, o que também não me parece garantia de grande novidade. Sai um expresso, se calhar sem o saco de plástico. A propósito de Expresso, parece que vai ter um novo visual. E parece que oferece uns dvds interessantes. Vale a pena, se não tiverem os filmes... O primeiro é o Lost in Translation. Comprem, abram o saco, vejam o filme e leiam a crónica do Pereira Coutinho. Depois, folheiem o resto do jornal e suspirem de saudade e tristeza pelo fim do Independente...

E vem também no Record

Mais uma pincelada para o retrato do futebol português. Mas por cá tudo se arquiva...

quarta-feira, setembro 06, 2006

Para quem fica doente e perde a vontade de ir trabalhar na segunda-feira, só porque o clubeco lá da terra perdeu, vale a pena ler. É mesmo tudo tão mau como se imaginava... Vem no DN de hoje.