este blog é como um interruptor de egos: quando estás em baixo, anima-te; quando estás demasiado fortalecido, nivela-te
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
efeito do desgoverno sócrates
"Entre o final de 2002 e o terceiro trimestre de 2007, as pessoas que estão à procura de trabalho há mais de um ano passou de 35 por cento do desemprego total para quase metade [quase 50%!]. Ou seja, quem perde o emprego hoje tem pela frente um doloroso caminho até ao mundo dos vivos."
André Macedo, "Diário Económico", 13 de Fevereiro de 2008
André Macedo, "Diário Económico", 13 de Fevereiro de 2008
Diz o Público:
"Paulo Portas aproveitou a presença do primeiro-ministro na Assembleia da República, onde decorre o debate quinzenal, para acusar o Governo de ter criado um sistema de avaliação de professores "perverso e absurdo". Na resposta, José Sócrates acusou o líder do CDS-PP de "total demagogia". "É um sistema perverso, absurdo, impossível de levar à prática", afirmou Paulo Portas na sua intervenção durante o debate, que o chefe de Governo dedicou ao tema dos equipamentos sociais das áreas metropolitanas. Reiterando que o novo regime "não merece de todo uma nota positiva", o dirigente democrata-cristão centrou as críticas no "erro" que é fazer depender a progressão de um professor na carreira das notas que atribui aos alunos. "O professor é transformado em burocrata da avaliação e o aluno num número estatístico", defendeu Paulo Portas, considerando que o novo sistema de avaliação de professores "relativiza o mérito escolar". Dando como exemplo o caso de um professor do segundo ciclo com uma turma de 25 alunos, dos quais dez sem conhecimento da matéria dada, Paulo Portas questionou o primeiro-ministro sobre o que deve o docente fazer. "Sabendo que a nota conta para a progressão, o professor arrisca a progressão na carreira ou inflaciona as notas dos alunos?", interrogou o líder do CDS-PP.
Na resposta, José Sócrates acusou Paulo Portas de "total demagogia", negando que a avaliação dos professores esteja apenas dependente das notas que atribui aos alunos. "É um factor entre outros, tem uma ponderação de seis pontos, em 50 possíveis", afirmou o primeiro-ministro, sustentando que "não há nada de mais injusto para os professores, as famílias e os alunos do que não haver avaliação" dos docentes. Lançando várias críticas à "infinita demagogia" do líder democrata-cristão, José Sócrates assinalou ainda o facto de Paulo Portas nada ter feito relativamente à avaliação dos professores durante os três anos em que integrou o Governo de maioria PSD/CDS-PP. "Como é possível falar em rigor, quando esteve no Governo convivendo com a pior das injustiças", questionou."Vejo que continua preocupado com a época pré-Sócrates, quando o país já está preocupado com a época pós -Sócrates", replicou Paulo Portas."
*
Mais uma vez, perante factos, analfabeto funcional sócrates responde com lamúrias e vagos insultos. Cada vez mais o país (pelo menos a parte pensante do país) anseia pela época pós-sócrates. Apesar de saber que vai ser difícil levantar o país dos escombros.
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
Nem de propósito
"É um escândalo que Raúl não tenha ganho a Bola de Ouro."
"Raúl é o Totti do Real, ou, também, Totti é o Raúl da Roma".
Afirmações de Totti:
"Raúl é o Totti do Real, ou, também, Totti é o Raúl da Roma".
Afirmações de Totti:
"En el fútbol quedan ya pocas ''banderas'' (jugadores emblemas de un club) y es justo que él (Raúl), al igual que yo, pueda tener la posibilidad de realizar toda su carrera en el equipo donde ha crecido".
"Es un campeón al que estimo que será fascinante encontrarle en ''Champions''", escribía entonces Totti. Ahora, al canal televisivo, Totti apunta que él y Raúl son "similares por la forma en la que hemos crecido, siempre con el mismo equipo, siempre con las misma ganas de seguir en él".
"Es normal que después, durante los años, se cambia y pueden cambiar tantísimas cosas, pero las ganas son siempre las mismas, las de continuar en el equipo por el que ''tifas'' y llevarla hasta el máximo", comenta Totti.
"Il Capitano" romanista, además, considera un escándalo que Raúl no haya ganado nunca el "Balón de Oro del fútbol Europeo". "Un jugador tan bueno (Raúl), un jugador que donde ha ido ha marcado, que ha ganado todo lo que se podía ganar, no ha ganado nunca el ''Balón de Oro'' y pienso que es un escándalo.""
"Es un campeón al que estimo que será fascinante encontrarle en ''Champions''", escribía entonces Totti. Ahora, al canal televisivo, Totti apunta que él y Raúl son "similares por la forma en la que hemos crecido, siempre con el mismo equipo, siempre con las misma ganas de seguir en él".
"Es normal que después, durante los años, se cambia y pueden cambiar tantísimas cosas, pero las ganas son siempre las mismas, las de continuar en el equipo por el que ''tifas'' y llevarla hasta el máximo", comenta Totti.
"Il Capitano" romanista, además, considera un escándalo que Raúl no haya ganado nunca el "Balón de Oro del fútbol Europeo". "Un jugador tan bueno (Raúl), un jugador que donde ha ido ha marcado, que ha ganado todo lo que se podía ganar, no ha ganado nunca el ''Balón de Oro'' y pienso que es un escándalo.""

Estava o Jesualdo, antes de um jogo com o Benfica, a falar com os jogadores nos balneários: - "Eu sei que é uma chatice, mas temos que jogar contra eles...Faz parte do calendário, o que é que querem? O Lucho responde: -"Mas, oh mister, é preciso irmos todos?" Então, o Quaresma levanta-se e diz: -"Não é preciso! Eu vou jogar sozinho contra eles. Vocês podem ir descansar." E Jesualdo lá concordou: - "Ok, Quaresma. Então vai lá dar cabo deles." O Jesualdo e os restantes jogadores foram até um café ali ao lado do estádio e começaram a jogar snooker. Estavam eles entretidos até que um se lembra de ir ver o resultado do jogo ao intervalo. O marcador assinalava: Porto 1 (Quaresma aos 10m) - Benfica 0. Voltou à mesa de snooker e contou como estava o jogo. Passada uma hora, decidem ir todos ver o resultado final: Porto 1 (Quaresma aos 10m) -Benfica 1 (Adu aos 89m). Ficaram surpresos e Jesualdo dirigiu-se ao balneário onde estava o Quaresma com as mãos na cabeça e muito chateado. - "Então Quaresma, o que é que aconteceu? ", perguntou Jesualdo. - "O cabrão do árbitro expulsou-me aos 11 minutos ..."
Não é Dragão quem quer … É Dragão quem pode !!!
Não é Dragão quem quer … É Dragão quem pode !!!
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
7 golos para 8 pontos

Depois do péssimo resultado frente ao Almeria (aproveitado pelo barcelona para sonhar durante uma semana e diminuir a distância pontual para 6 pontos), este fim-de-semana o Real Madrid "puxou dos galões" (como se costuma dizer) e venceu por 7-0 o Valladolid. E uma vez que o barcelona empatou com o Sevilha 1-1, a distância está agora nos 8 pontos. Nas próximas semanas espera-se que se dilate ainda mais.
Golos aqui.
Jogo memorável para Raúl. Para além dos 2 golos na 13ª vitória por 7-0 do Real, o Capitão fez o seu jogo 469 na Liga, tornando-se no 10º jogador a História da competição principal de Espanha em número de partidos.
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
A não perder no cinema
A realização de Expiação (de Joe Wright, realizador de Orgulho e Preconceito, também com Keira Knightley), que já alguém classificou de "barroca", merece a ida ao cinema. Parte da beleza do filme (como em todos os filmes?) está no tratamento da imagem. De resto, ao contrário do que tenho lido, senti que o filme conseguiu captar o essencial do livro, sobretudo graças aos desempenhos de Keira Knightley (Cecilia Tallis), Saoirse* Ronan, e Romola Garai (Briony Tallis com 13 e com 18 anos, respectivamente). Pelo menos captou o que é possível a um filme retirar de um livro, o que muitas vezes é pouco mais do que o simples enredo. Por vezes, lembrei-me de Terrence Malick e da sua falta de pressa em avançar na história. Embora com Mallick esse jogo funcione melhor.
Quanto à história em si, faz-nos pensar sobre o perigo da imaginação, dos rótulos e do amor, que levam Briony a destruir duas vidas. Mas faz sobretudo pensar sobre a posterior culpa que Briony carregará diariamente consigo devido à impossibilidade de corrigir os males já feitos e a sua necessidade de expiação desses males. Que só chega no fim da vida, não por ter conseguido remediar o que fez, mas porque a morte a vai libertar finalmente do sofrimento constante da sua consciência.
*"Liberdade" em gaélico, nome irlandês;
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
O "pensativo cigarro"
"Lembro-me sempre daquela resposta da Sophia de Mello Breyner, a um outro escritor famoso que a admoestava por fumar: "Olhe, enquanto tenho o cigarro na mão, penso - e isso defende-me de escrever de mais. Devia pensar nisso.""
Inês Pedrosa, Expresso
Inês Pedrosa - Poder aos Professores
"OS PORTUGUESES confiam, acima de tudo, nos professores. E querem dar-lhes mais poder. A revelação surge numa sondagem feita pelo Instituto Gallup para o Fórum Económico Mundial - que aponta "os políticos" como os seres menos confiáveis. É natural. O ar do tempo está saturado de corrupção - da ilegítima, tradicional, e da legítima, pós-moderna. A população que vive a contar tostões, num país cujo primeiro-ministro usa a palavra "orgulho" para qualificar um salário mínimo de 426 euros, está, mais do que farta, exasperada com os ricos. E ricos são os políticos, que usam os lugares de serviço público como um estágio pré-remunerado para opíparos e vitalícios tachos em empresas privadas ou participadas pelo Estado. Ricos são os banqueiros, que têm garantidas reformas de milhões de euros, façam o que fizerem com as poupanças que lhes confiamos - e idem para o governador do Banco de Portugal e para os administradores das empresas públicas. Em Portugal, a média de salários é mais baixa do que na União Europeia (a começar por Espanha, onde uma nova vaga de emigrantes portugueses se instala agora), mas os salários mais altos excedem os similares da Suécia ou mesmo dos Estados Unidos da América - o que é, como se sabe, um grave indicador de subdesenvolvimento. O Governo pede ao povo que aperte mais um furo do cinto - e todos os dias, de cinto apertado, o povo assiste na televisão aos enredos amorosos entre a banca pública e privada ou entre a acção política e a administração das empresas dependentes dessa mesma política - histórias cujo final feliz é sempre o mesmo: o euromilhões dos poderosos e a subida do preço do leite (ou da gasolina, ou da dificuldade de acesso aos empréstimos bancários) para a arraia-miúda.
A população que resta no desvalido interior onde não chegam as auto-estradas (ou só chegam as auto-estradas) e que vê desaparecerem todos os serviços de saúde de proximidade em prol de ambulâncias supersónicas (mas sem médicos), não tem ânimo para confiar em mais promessas nem em mais doutores e engenheiros de Lisboa. Confia, e bem, nos professores - esses "setôres" mal pagos e mal tratados que procuram meter qualquer coisa de futuro na cabeça dos meninos, em escolas às quais os computadores do choque tecnológico chegam primeiro do que os aquecimentos e os ginásios.
Claro que há professores e professores - é assim em todas as profissões. Ensinar não é fácil, exige vocação - e sabemos a que ponto as vocações andam perdidas no turvo oceano do numerus clausus e do desemprego. Acresce que as reformas da Educação têm sido tantas, tão frustres e contraditórias, que a quantidade de professores efectivamente cultos e empenhados que temos é ainda um milagre. A autoridade dos professores foi, ao longo das últimas décadas, sujeita a tratos de polé, enquanto os direitos dos alunos cresceram de uma forma tão avassaladora que se viraram contra eles mesmos: podendo tudo, não aprendem nada.
"Aquilo na Wikipédia está tudo tão bem escrito que não vale a pena nós mudarmos nada", declarava ao jornal "Público" (26.1.2008), entre risos, uma jovem de 14 anos. Assim se vê o esplendor do choque tecnológico - para quê ler o padre António Vieira (cujo quarto centenário se celebra, embora quase ninguém dê por isso, no próximo dia 6), quando a sua vida e obra se encontram tão bem resumidinhas na Internet? Cópias de artigos da Net (com hiperligações e tudo) é o que encontram os escritores portugueses que ainda se disponibilizam a ir às escolas para estimular os meninos que, supostamente, estão a estudar as suas obras.
Há excepções - mas são isso mesmo, excepções, e sempre desconsideradas. Porque a autoridade dos professores não se repõe à força, com directores autocráticos substituindo os conselhos directivos das escolas. Repõe-se promovendo uma cultura de responsabilidade e consequência - essa que desapareceu quando, em vez de escolas autónomas, passámos a ter "agrupamentos escolares" e, antes disso ainda, quando os programas escolares se vergaram ao "sentido lúdico" e aos supostos "interesses" dos alunos.
Há tempos, o, entretanto defunto, jornal "Tal e Qual" perguntou-me se os péssimos resultados escolares das crianças portuguesas significavam que elas eram mais burras do que as crianças do resto da Europa, ou se a culpa era dos professores. Respondi que as nossas crianças são iguais às outras, e que me parecia que a culpa era, por esta ordem, dos programas do Ministério da Educação, que, além de maus, estão sempre a mudar, e nalguns casos certamente, também, dos professores - que não têm sido incentivados, nem material nem espiritualmente, a melhorar o seu trabalho, antes pelo contrário. O "Tal e Qual" resumiu estes dizeres numa linha, que fazia dos professores os maus da fita. Seguiu-se uma campanha furiosa na Internet, exortando as escolas a que desaconselhassem os meus livros, promovida por professores leitores do "Tal e Qual" - e, pelos vistos, não do Expresso.
Pelo menos, os portugueses sabem que é na qualidade da Educação que se encontra a chave do desenvolvimento do país. E que não há computador que compense a falta de um bom professor."
A população que resta no desvalido interior onde não chegam as auto-estradas (ou só chegam as auto-estradas) e que vê desaparecerem todos os serviços de saúde de proximidade em prol de ambulâncias supersónicas (mas sem médicos), não tem ânimo para confiar em mais promessas nem em mais doutores e engenheiros de Lisboa. Confia, e bem, nos professores - esses "setôres" mal pagos e mal tratados que procuram meter qualquer coisa de futuro na cabeça dos meninos, em escolas às quais os computadores do choque tecnológico chegam primeiro do que os aquecimentos e os ginásios.
Claro que há professores e professores - é assim em todas as profissões. Ensinar não é fácil, exige vocação - e sabemos a que ponto as vocações andam perdidas no turvo oceano do numerus clausus e do desemprego. Acresce que as reformas da Educação têm sido tantas, tão frustres e contraditórias, que a quantidade de professores efectivamente cultos e empenhados que temos é ainda um milagre. A autoridade dos professores foi, ao longo das últimas décadas, sujeita a tratos de polé, enquanto os direitos dos alunos cresceram de uma forma tão avassaladora que se viraram contra eles mesmos: podendo tudo, não aprendem nada.
"Aquilo na Wikipédia está tudo tão bem escrito que não vale a pena nós mudarmos nada", declarava ao jornal "Público" (26.1.2008), entre risos, uma jovem de 14 anos. Assim se vê o esplendor do choque tecnológico - para quê ler o padre António Vieira (cujo quarto centenário se celebra, embora quase ninguém dê por isso, no próximo dia 6), quando a sua vida e obra se encontram tão bem resumidinhas na Internet? Cópias de artigos da Net (com hiperligações e tudo) é o que encontram os escritores portugueses que ainda se disponibilizam a ir às escolas para estimular os meninos que, supostamente, estão a estudar as suas obras.
Há excepções - mas são isso mesmo, excepções, e sempre desconsideradas. Porque a autoridade dos professores não se repõe à força, com directores autocráticos substituindo os conselhos directivos das escolas. Repõe-se promovendo uma cultura de responsabilidade e consequência - essa que desapareceu quando, em vez de escolas autónomas, passámos a ter "agrupamentos escolares" e, antes disso ainda, quando os programas escolares se vergaram ao "sentido lúdico" e aos supostos "interesses" dos alunos.
Há tempos, o, entretanto defunto, jornal "Tal e Qual" perguntou-me se os péssimos resultados escolares das crianças portuguesas significavam que elas eram mais burras do que as crianças do resto da Europa, ou se a culpa era dos professores. Respondi que as nossas crianças são iguais às outras, e que me parecia que a culpa era, por esta ordem, dos programas do Ministério da Educação, que, além de maus, estão sempre a mudar, e nalguns casos certamente, também, dos professores - que não têm sido incentivados, nem material nem espiritualmente, a melhorar o seu trabalho, antes pelo contrário. O "Tal e Qual" resumiu estes dizeres numa linha, que fazia dos professores os maus da fita. Seguiu-se uma campanha furiosa na Internet, exortando as escolas a que desaconselhassem os meus livros, promovida por professores leitores do "Tal e Qual" - e, pelos vistos, não do Expresso.
Pelo menos, os portugueses sabem que é na qualidade da Educação que se encontra a chave do desenvolvimento do país. E que não há computador que compense a falta de um bom professor."
Inês Pedrosa, Expresso
recebido por mail
Violência nas escolas
Alice Vieira, Escritora
" Li num jornal que a senhora ministra da Educação está contente. E, quando os nossos governantes estão contentes, é como se um sol raiasse nasnossas vidas.
E está contente porque, segundo afirmou, a violência nas escolasportuguesas, afinal, não existe.
Ao que parece, andamos todos numa de paz e amor, lá fora é que as coisas tomam proporções assustadoras, os nossos brandos costumes continuam avingar nos corredores de todas as EB, 2/3, ou como é que as escolas se chamam agora. Tenho muita pena de que os nossos governantes só entrem nas escolas quando previamente se fazem anunciar, com todas as televisões atrás, para que o momento fique na História. É claro que, assim, obrigada, também eu, anda ali tudo alinhado que dá gosto ver, porque o respeitinho pelo Poder é coisa que cai sempre bem no coração de quem nos governa, e que as pessoas gostam de ver em qualquer telejornal.
Mas bastaria a senhora ministra entrar incógnita em qualquer escola deste país para ver como a realidade é bem diferente daquela que lhe pintaram ou que os estudos (adorava saber como se fazem alguns dos estudos com que diariamente se enchem as páginas dos jornais) proclamam. É claro que não falo daquela violência bruta e directa, estilo filme americano, com tiros, naifadas e o mais que houver.
Falo de uma violência muito mais perigosa porque mais subtil, mais pela calada, mais insidiosa.
Uma violência mais "normal".
E não há nada pior do que a normalização, do que a banalização da violência.
Violência é não saberem viver em comunidade, é o safanão, o pontapé e a bofetada como resposta habitual, o palavrão (dos pesados.) como linguagem única, a ameaça constante, o nenhum interesse pelo que se passa dentro da sala, a provocação gratuita ("bata-me, vá lá, não me diga que não é capaz de me bater? Ai que medinho que eu tenho de si.", isto ouvi eu de um aluno quando a pobre da professora apenas lhe perguntou por que tinha chegado tarde.)
Violência é a demissão dos pais do seu papel de educadores - e depois queixam-se nas reuniões de que "os professores não ensinam nada".
Porque, evidentemente, a culpa de tudo é sempre dos professores - que não ensinam, que não trabalham, que não sabem nada, que fazem greves, qualquer dia - querem lá ver? - até fumam.
Os seus filhos são todos uns anjos de asas brancas e uns génios incompreendidos.
Cada vez os pais têm menos tempo para os filhos e, por isso, cada vez mais os filhos são educados pelos colegas e pela televisão (pelos jogos,pelos filmes, etc.). Não têm regras, não conhecem limites, simples palavras como "obrigada", "desculpe", "se faz favor" são-lhes mais estranhas do queum discurso em Chinês - e há quem chame a isto liberdade.
Mas a isto chama-se violência. Aquela que não conta para os estudos "científicos", mas aquela da qual um dia, de repente, rompe a violência a sério."
E está contente porque, segundo afirmou, a violência nas escolasportuguesas, afinal, não existe.
Ao que parece, andamos todos numa de paz e amor, lá fora é que as coisas tomam proporções assustadoras, os nossos brandos costumes continuam avingar nos corredores de todas as EB, 2/3, ou como é que as escolas se chamam agora. Tenho muita pena de que os nossos governantes só entrem nas escolas quando previamente se fazem anunciar, com todas as televisões atrás, para que o momento fique na História. É claro que, assim, obrigada, também eu, anda ali tudo alinhado que dá gosto ver, porque o respeitinho pelo Poder é coisa que cai sempre bem no coração de quem nos governa, e que as pessoas gostam de ver em qualquer telejornal.
Mas bastaria a senhora ministra entrar incógnita em qualquer escola deste país para ver como a realidade é bem diferente daquela que lhe pintaram ou que os estudos (adorava saber como se fazem alguns dos estudos com que diariamente se enchem as páginas dos jornais) proclamam. É claro que não falo daquela violência bruta e directa, estilo filme americano, com tiros, naifadas e o mais que houver.
Falo de uma violência muito mais perigosa porque mais subtil, mais pela calada, mais insidiosa.
Uma violência mais "normal".
E não há nada pior do que a normalização, do que a banalização da violência.
Violência é não saberem viver em comunidade, é o safanão, o pontapé e a bofetada como resposta habitual, o palavrão (dos pesados.) como linguagem única, a ameaça constante, o nenhum interesse pelo que se passa dentro da sala, a provocação gratuita ("bata-me, vá lá, não me diga que não é capaz de me bater? Ai que medinho que eu tenho de si.", isto ouvi eu de um aluno quando a pobre da professora apenas lhe perguntou por que tinha chegado tarde.)
Violência é a demissão dos pais do seu papel de educadores - e depois queixam-se nas reuniões de que "os professores não ensinam nada".
Porque, evidentemente, a culpa de tudo é sempre dos professores - que não ensinam, que não trabalham, que não sabem nada, que fazem greves, qualquer dia - querem lá ver? - até fumam.
Os seus filhos são todos uns anjos de asas brancas e uns génios incompreendidos.
Cada vez os pais têm menos tempo para os filhos e, por isso, cada vez mais os filhos são educados pelos colegas e pela televisão (pelos jogos,pelos filmes, etc.). Não têm regras, não conhecem limites, simples palavras como "obrigada", "desculpe", "se faz favor" são-lhes mais estranhas do queum discurso em Chinês - e há quem chame a isto liberdade.
Mas a isto chama-se violência. Aquela que não conta para os estudos "científicos", mas aquela da qual um dia, de repente, rompe a violência a sério."
terça-feira, fevereiro 05, 2008
Impossível de acontecer em Portugal
"Dirigentes dos clubes da cidade de Milão, AC Milan e Inter, vão voltar a ser ouvidos pela justiça desportiva italiana, desta vez devido à alegada manipulação das contas em que terão diminuído os respectivos passivos, anunciou hoje a agência Ansa.Os clubes são suspeitos de ter manipulado os balanços contabilísticos de 2003 e 2004 para apresentar um passivo menor."
(notícia do Público online)
(notícia do Público online)
domingo, fevereiro 03, 2008
Os criadores do mito da I República
Faltam dois anos para o centenário do 5 de Outubro de 1910. Mas até lá muito disparate se vai dizer e escrever sobre o acontecimento e sobre o regime que inaugurou. A Primeira República, como me dei ao trabalho de ensinar aos meus alunos (pedindo-lhes que ignorassem o que vinha no manual) foi uma pequena ditadura encapotada de regime democrático. Comparada com o período monárquico liberal, havia menos respeito pelos direitos e pelas liberdades. Foi um tempo de perseguição aos católicos, de expulsão dos jesuítas, de trauliteiros que espancavam os eleitores dos partidos da oposição. Foi o tempo em que se deu direito de voto às "mulheres" para imediatamente se retirar, quando se percebeu que as "mulheres", na época tendencialmente analfabetas e conservadoras, não alinhavam com a violência do regime contra a Igreja e, mais importante ainda, não aceitavam a fome e a opressão a que eram sujeitas. Foi também o tempo das perseguições aos "videntes" de Fátima e crentes. Foi um período de enorme instabilidade governativa, 8 presidentes da república e 48 governos em 16 anos. Foi o tempo da entrada (demagogicamente explicada como necessária para defender as colónias da ameaça alemã) na Grande Guerra.
Mas vamos, ao longo destes 2 anos, ouvir dizer que a I República foi precisamente o contrário: um regime de liberdade e democracia, "implantada pelo povo que estava farto da monarquia" (dito por João Soares). O grave não é esta gente dizer disparates do género. O grave é haver quem ache que a opinião deles é válida, mesmo sem ser fundamentada num verdadeiro conhecimento (adquirido com estudos profundos sobre a época). Um exemplo concreto: por que motivo aparece sempre o inevitável Fernando Rosas para falar sobre o regicídio? É que Rosas não fala como historiador, mas como político do BE, tendo em conta as ridículas intervenções (entretanto secundadas pelo ministro Severiano Teixeira, famoso por ter sido acusado de plágio num estudo precisamente sobre a I República). Esqueçam o que esta gente diz. Leiam Vasco Pulido Valente, Rui Ramos, Maria Filomema Mónica e Luís Fraga, que sabem do que estão a falar.
Caro João, a única petição que poderá influenciar a arrogância da maria do lurdes (como todas as pessoas que estão ligadas ao ensino há muito descobriram) são as eleições de 2009. Corram com o pseudo-engenheiro (ele até gosta de correr, desde que haja câmaras da rtp a filmar) e resolve-se o problema. Porque, de resto, haja mil ou um milhão de assinaturas na petição, é indiferente para a ministra. Afinal de contas, ela é que é a iluminada e se ela garante que, com o seu plano, o ensino da música vai melhorar porque vai chegar a "todas as escolas do primeiro ciclo", é porque vai ser mesmo assim. Por muito que os que ensinam música todos os dias digam precisamente o contrário. Por muito que nas escolas do 1º ciclo haja apenas flautas como instrumento de aprendizagem. Por muito que não haja professores em número suficiente. Vamos ter um país de supostos flautistas, como já estamos a caminho de um país de analfabetos com o 9º ano e o 12º ano (diplomados após um ano de jantaradas e brincadeiras, sem testes, sem matérias, sem exames). Um país (não me canso de o reforçar), à imagem do primeiro-ministro.
Votem no Portas, votem no Jerónimo. Caramba, votem no tipo que até lá vai substituir o Meneses. Ou votem no Garcia Pereira. Ou votem no Manuel Alegre. Mas acabem com este pesadelo.
Os inúteis - grupo de apoio da dren aos professores dos cursos CEF
5ª feira passada. Amarante. Reunião com um auto-denominado grupo de apoio para os professores e formadores dos cursos CEF e cursos ditos profissionais. Chegamos à hora marcada, para esperar meia hora pelos membros que iam, pensávamos nós, esclarecer as nossas dúvidas. Aqui começou a ver-se a sua incompetência e a sua falta de educação. Se eu chegar meia hora atrasado ao meu local de trabalho, tenho falta. Esta reunião, parece-me, faz parte do "trabalho" desta gente.
Entramos na sala. Três mulheres e um rapazinho (recuso-me a chamá-lo de homem, pela postura demonstrada ao longo da hora e meia de disparates que proferiu) estão sentados a uma mesa. Nós sentamo-nos na plateia. Eles começam a falar. Não podia, naturalmente, faltar o inevitável e ilegível powerpoint que, hoje em dia, é um must em tudo o que são apresentações e conferências. De certa forma, é um bom subterfúgio para quem não sabe falar. Como era o caso.
Depois de uma apresentação plena de banalidades que todos já sabíamos, chegou a fase do esclarecimento de dúvidas. Pelo menos era esse o nosso objectivo. Mas rapidamente se percebeu que não falávamos a mesma língua. Ou isso, ou estávamos perante atrasados mentais profundos, o que não parecia ser o caso, porque não se babavam. Foi feita uma pergunta simples. A senhora número um não percebeu. A outra também não. O rapazinho, um tal de Paulo Silva (creio que era o nome) fez um comentário (julga ele) irónico, para depois se sentar com ar de agrado, cruzando a perna. Seria o primeiro de muitos, até que uma professora, da bancada, lhe lembrou que a falta de educação não era o melhor caminho para falar com pessoas que, supostamente, ele estava ali para "apoiar". O candidato a cómico do gato peçonhento acalmou um pouco a partir dessa altura.
As senhoras da mesa declaravam, vezes sem conta, que elas estavam no ensino. Uma está há muito "aposentada" no CAE, por isso presumo que não dê aulas há mais de vinte anos; a outra tem aparência de quem já tem uma boa redução da carga lectiva (beneficiando, presumo eu, ainda de fazer parte deste importantíssimo grupo de "apoio" criado pela DREN para aposentar criaturas do género). Ambas disseram que, com elas, tudo o que nós dizíamos funcionar mal funcionava realmente bem. Esquecem-se que quem tem redução e dá aulas a uma ou duas turmas tem todas as possibilidades do mundo de fazer permutas e organizar visitas de estudo nos dias sem componente lectiva, algo que a maioria dos contratados não pode fazer. O cómico (antes de ter sido chamado à atenção) lembrou que a segunda e a quarta-feira de carnaval eram bons dias para visitas de estudo. Não vale a pena dizer-lhe que os alunos não têm transporte das aldeias onde moram até à escola nesses dias, que muitas escolas fazem reuniões nesses dias, que muitos alunos se ausentam com os pais nesses dias. Não valia a pena dizer porque ele não sabe disto, nem quer saber. Foi só uma oportunidade de mandar a piadinha, sorrir alarvemente e cruzar a perninha. "És o sonho de qualquer mulher", comentou uma colega minha.
Assim que chegou a folha de presença, assinei e saí. Perdi uma aula com uma turma para que quatro ignorantes da realidade nos viessem dizer o que já sabíamos, negar o que se passa realmente nas escolas e tentar fazer de nós parvos. À porta fui vendo professores saírem. "Que idiotas", "haja paciência" e outros comentários que não vale a pena reproduzir aqui faziam-se ouvir.
Dei comigo novamente a concordar com Maria Filomena Mónica. Estes grupos, grupelhos e grupúsculos inúteis do ministério deviam ser destruídos a lança-chamas. Não cumprem a sua função (apoiar), revelam ignorância da realidade. Não percebo com que critério foram escolhidos. O cartão rosa? Amizade com a sra dra da dren (o que vai dar ao mesmo)? Alguma tese pseudo-científica na área da pedagogia? Um curso nocturno de humorismo com António Sala? Não sei, nem importa. O que sei é que se trata de gente paga para fazer de conta que apoiam os professores . Mas, como os próprios confessaram, este ano não foram a uma única escola dar o seu imprescindível apoio. Aparentemente, não o fizeram porque não foram "convidados". E eu a pensar que as portas das escolas estavam sempre abertas à comunidade. Não admira que ninguém os chame, sabem menos e ainda por cima são personagens hostis. E esta reunião serviu apenas para justificarem a sua própria existência.
sábado, fevereiro 02, 2008
"Entre finais de 1988 e o final de 1991, Sócrates acumulou subsídio de exclusividade como deputado com funções privadas", noticia o Público. Incapaz de se defender das acusações, sócrates desespera e "defende-se" com um ataque, acusando o Público de perseguição. Pois. Tem pena que o Público não seja a RTP.
*
Já agora, convinha que alguém explicasse ao sr sócrates que arqueologia é uma actividade legítima, pelo menos mais séria do que a de licenciar projectos quando nem sequer se é engenheiro.
Petição contra o fim do ensino especializado da música em Portugal
Crime cultural de lesa-majestade.
Unamos esforços:
http://www.petitiononline.com/CFEEMP/petition.html
Falando no caso particular da Escola de Música do Conservatório Nacional onde ensino Análise e Técnicas de Composição:
O Conservatório Nacional foi fundado no séc. XIX, no tempo de Passos Manuel e Almeida Garrett, ambos humanistas impecáveis.
Sobreviveu a muitas crises.
O Governo actual de José Sócrates visa implementar medidas com efeitos imediatos (já no próximo ano lectivo) que determinam claramente o seu naufrágio, na medida em que uma grande escola com cerca 900 alunos e uma espectacular pulsão vital (alunos no regime de iniciações, integrado e supletivo) fica imediata e irremediavelmente reduzida a uma escola insignificante com cerca de 50 alunos (apenas aqueles que estão no regime integrado).
Acordai!
Eurico Carrapatoso
Unamos esforços:
http://www.petitiononline.com/CFEEMP/petition.html
Falando no caso particular da Escola de Música do Conservatório Nacional onde ensino Análise e Técnicas de Composição:
O Conservatório Nacional foi fundado no séc. XIX, no tempo de Passos Manuel e Almeida Garrett, ambos humanistas impecáveis.
Sobreviveu a muitas crises.
O Governo actual de José Sócrates visa implementar medidas com efeitos imediatos (já no próximo ano lectivo) que determinam claramente o seu naufrágio, na medida em que uma grande escola com cerca 900 alunos e uma espectacular pulsão vital (alunos no regime de iniciações, integrado e supletivo) fica imediata e irremediavelmente reduzida a uma escola insignificante com cerca de 50 alunos (apenas aqueles que estão no regime integrado).
Acordai!
Eurico Carrapatoso
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
"Há cenas de sexo à porta da Associação Académica Coimbra"
"Depois das duas da manhã, isto é um filme com bolinha vermelha". A afirmação é de Vitália Ferreira, 69 anos, que mora há mais de 40 anos em frente à Associação Académica de Coimbra (AAC) e há ano e meio não tem "qualidade de vida". Além do ruído, há os insultos, os vómitos à porta, o bater nas janelas. Até já assistiu a cenas de sexo "em pleno passeio".
Os vizinhos admitem viver no mesmo "inferno", mas é Vitália Ferreira quem mais luta por uma solução. Anteontem, denunciou o problema na reunião da Câmara Municipal de Coimbra (CMC). O presidente, Carlos Encarnação, assegurou que o horário de funcionamento do bar da AAC vai ser reduzido para as 2 horas. Uma medida que a moradora aceita, mas da qual discorda. "Estar aberto até à meia-noite é o suficiente. Se tiver licença até às duas da manhã, 'arrasta-se' até às quatro. Porque, depois de os estudantes já estarem bêbedos, ficam na rua", defende Vitália.
O "fim do mundo" à noite"
Quando vim para aqui viver, a AAC era uma papelaria. Agora é uma pouca vergonha! O barulho começa às 22 horas e dura até às seis - ninguém dorme", reforça outra moradora, que não quer ser identificada, por receio de represálias. Queixa-se, ainda, do estado em que os estudantes deixam as suas escadas "Vêm para aqui todos bêbedos e depois é só garrafas e copos". "Isto é o fim do mundo!", resume.Vitália Ferreira está "triste" com a situação, pois "não tem nada contra a AAC". Mas vai exigir, junto da CMC, que haja um polícia na zona, a partir das 2 horas. Porque vive num "susto".Victor Baptista, vereador da CMC, considera a decisão de restringir o horário de funcionamento da AAC "um passo positivo". Porém, se o problema não for resolvido, o socialista defende a redução para a meia-noite e, em última instância, o encerramento. "Para se ter casas comerciais abertas à noite não se pode impedir as outras pessoas de dormir. A AAC merece todo o nosso respeito, mas não pode ter um tratamento de favor, relativamente a outros bares", sustenta Victor Baptista.O JN tentou contactar o vice-presidente da CMC e responsável por esta questão, João Rebelo, sem êxito, até ao fecho da edição.
Asae anti-dopagem
"De acordo com um decreto-lei da Secretaria de Estado e da Juventude, o controlo antidopagem poderá visitar 'todos os utentes e praticantes desportivos que frequentam ginásios'. Por outras palavras: não é de excluir que, por um destes dias, estando eu derreado e nu depois das minhas loucuras solitárias, as brigadas "antidoping" irrompam pelos balneários, de preferência armadas e encapuçadas, dispostas a inspeccionar os cacifos e a examinar a qualidade do meu sangue.
Na cabeça do Governo, e provavelmente na cabeça sadia do primeiro-ministro, que gosta de correr por aí sem ajudas artificiais, é simplesmente intolerável que um ser humano possa insultar a Deusa Saúde com heresias deste tipo. O Governo quer um povo saudável e enérgico, desde que a saúde e a energia sejam tão naturais como o autoritarismo que gerou este insuportável clima de espiolhagem sanitária. Não admira que, dois anos depois de ser eleito, até o Presidente da República, figura reconhecidamente esfíngica, se sinta tentado a uma piada sobre as visitas da ASAE. Pena que o Presidente se fique apenas pela piada. Porque as visitas da ASAE, e as visitas das pequenas asaes que o Governo cozinha por aí sem inspecção, já não têm piada nenhuma."
Na cabeça do Governo, e provavelmente na cabeça sadia do primeiro-ministro, que gosta de correr por aí sem ajudas artificiais, é simplesmente intolerável que um ser humano possa insultar a Deusa Saúde com heresias deste tipo. O Governo quer um povo saudável e enérgico, desde que a saúde e a energia sejam tão naturais como o autoritarismo que gerou este insuportável clima de espiolhagem sanitária. Não admira que, dois anos depois de ser eleito, até o Presidente da República, figura reconhecidamente esfíngica, se sinta tentado a uma piada sobre as visitas da ASAE. Pena que o Presidente se fique apenas pela piada. Porque as visitas da ASAE, e as visitas das pequenas asaes que o Governo cozinha por aí sem inspecção, já não têm piada nenhuma."
(J. P. Coutinho, Expresso)
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Esta história da imposição da vida "saudável" (o que há de saudável em perseguir ou em ser perseguido?) do pseudo-engenheiro que assina projectos alheios e da polícia da saúde lembram a anedota do coelho (sócrates) que corria pela floresta (Portugal) a convidar todos os animais porem de lado as drogas e começarem a fazer jogging. A tartaruga larga a heroína, a gazela larga a cocaína, os esquilos o haxixe e todos correm atrás do idiota do coelho, sempre a saltitar, sempre a criticar e a chamar "anda correr, anda correr", até que chegam junto do leão (provavelmente perdido na floresta) que, ao ouvir os apelos do coelho o devora imediatamente para depois desabafar "este maldito animal andou outra vez nas anfetaminas."
Infelizmente, duvido que sócrates use anfetaminas. Mas pode ser que o leão cumpra o seu dever sanitário em breve, e limpe a floresta da sua presença incomodativa.
Mais uma lasca da pintura que cai - sócrates, o chico-esperto
" Público investigou projectos de engenharia que envolvem o primeiro-ministro
Há uma nova polémica a envolver o primeiro-ministro relativa a uma série de processos de obras de edifícios, assinados por José Sócrates, mas da autoria de outros técnicos. O jornal Público consultou aleatoriamente mil processos e encontrou projectos de edifícios assinados pelo agora primeiro-ministro.
As "assinaturas de favor" nsão são consideradas crime, mas constituem uma fraude, de acordo com um penalista consultado pelo jornal. A investigação do Público detectou dezenas de edifícios, projectados na década de 80, no concelho da Guarda, com a assinatura de Sócrates. O primeiro-ministro assumiu "a autoria e a responsabilidade de todos os projectos" que assinou na década de 80, quando tinha "funções privadas".Do rol investigado, pelo menos 27 edifícios têm a assinatura de José Sócrates: "no essencial, trata-se de casas de emigrantes, ampliações e anexos mas também dois edifício de habitação colectiva"."
(notícia Sic online).
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