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segunda-feira, abril 23, 2007

Messi, Pelé, Maradona, Mourinho e Eusébio

Messi:
João, disseste bem: "Messi como Maradona", sendo que aqui o "como" significa "parecido com", não "igual a". Porque há algumas parecenças (são ambos argentinos, ambos jogam futebol, ambos começaram bem jovens a ter sucesso, ambos jogaram em Espanha, ambos marcaram um golo fantástico). Só que as parecenças, para já, terminam aqui. Até no próprio golo. Excelente, sem dúvida, mas marcado em 2007, num campo espanhol com temperatura de 15 graus e contra os defesas do Getafe (que, convenhamos, não são propriamente jogadores de nível internacional). Maradona, o único, marcou golo aparentemente idêntico, mas em 1986 (recordo que as leis de jogo na altura não protegiam como protegem hoje os jogadores criativos das entradas dos adversários, Katsouranis à parte), num campo mexicano a uma temperatura de 40 graus, numa meia final de um campeonato do mundo (onde a pressão é seguramente maior do que num jogo para a liga espanhola) e contra uma defesa de nível mundial que compunha a selecção adversária. Quanto ao resto, Maradona quase sozinho foi campeão do mundo e levou um Nápoles medíocre a campeão de Itália pela 1ª (e última vez). Maradona, além do mais, era um jogador decisivo e genial, o mais genial de sempre. Messi é muito bom, mas nem um Zidane chega a ser, quanto mais um Maradona. A comparação, por isso, não é totalmente correcta. É o mesmo que comparar Gene Kelly com um outro dançarino apenas por um passo de dança.
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Cristiano Ronaldo
Venceu os prémios de melhor jogador e melhor jogador jovem da Premier League. Justíssima recompensa para um jogador excepcional. Dele também se diz que será com Figo, ou como Pelé ou ... Comparações desnecessárias que, na aparência elogiam, mas na prática diminuem. Ronaldo será ele próprio, um novo tipo de jogador, só possível no futebol de hoje, e um protesto da natureza contra as restrições da táctica que tanto teimam em aprisionar o futebol actual. Veremos se Ronaldo vence a batalha. A longo prazo irá vencê-la e deixará o seu nome na História do Futebol. A curto prazo, veremos se a prisão táctica de Mourinho será superior ou inferior à liberdade criativa do jogador (é bom sublinhar) nascido na formação do Sporting Clube de Portugal (assim como Figo, Quaresma e Simão).
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Pelé
Não te zangues com as palavras do Pelé. Nem merecem comentários. Se até em relação a Maradona Pelé demorou a admitir (contrafeito, presume-se) o valor inquestionável, porque o faria em relação a um jogador novo, sem palmarés e, ainda por cima, que não é brasileiro? Para Pelé, imagino eu, só houve um grande jogador de futebol, que foi ele próprio. Os reis em geral apegam-se ao trono e ignoram os príncipes, tomando-os por meros infantes, no primeiro sentido da palavra...
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Mourinho
Não tenho acompanhado os jogos do Chelsea na Premier, mas as palavras de Mourinho poderiam ser ditas, sem qualquer falsidade, por Capello em Espanha.
"O PS reorganiza-se na comunicac,ao social para o futuro pro'ximo, com a mao de ferro do PSOE a ajudar. Quer no grupo da Prisa, quer na comunicac,ao social do estado, em particular na RTP, nao vai haver tolerancia em tudo o que afecte os seus mais altos interesses. Casos como o "caso Socrates" nao se podem repetir."
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Mr. Mourinho tem toda a razão

José Mourinho considera que as arbitragens estão a dificultar a caminhada do Chelsea rumo ao terceiro título consecutivo na Premier League. "O título está complicado com as novas regras que temos de enfrentar. Ninguém marca uma grande penalidade contra o Manchester United e ninguém marca uma grande penalidade a favor do Chelsea", sublinhou o técnico dos "blues". "Tenho o direito de falar. Acho que ninguém me pode castigar porque eu só falo a verdade. Ontem (sábado) foi penálti contra o Manchester e hoje (ontem) foi penálti", referiu Mourinho, que mesmo assim garante que a sua equipa irá lutar até ao fim. "O Manchester empatou em casa e nós fora. A diferença pontual manteve-se e por isso este empate não é nenhum drama. Temos todas as condições para sermos campeões", afirmou.

quinta-feira, abril 19, 2007

Messi como Maradona...e mais alguns apontamentos


Vale a pena ver o golo marcado por Messi frente ao Getafe na primeira mão da Taça do Rei. É um golo simplesmente genial que fez relembrar Maradona no campeonato do mundo de 1986 frente à Inglaterra. Como eu desde há muito disse e inclusivé escrevi neste blog, o Barça vai ganhar, no meu ponto de vista, sem sombra para dúvidas, a dobradinha em Espanha. Quem viu este jogo saiu completamente deliciado com o nível futebolístico exibido. O Barça não tem rival à altura. Foi pena não ter ido mais longe na Champions, muito devido às lesões de jogadores essenciais como Messi e Etoo.


...uma nota negativa para Pelé. Esse senhor como tem o descaramento de dizer que o Cristiano Ronaldo ainda não é um dos melhores jogadore do Mundo. Se ele não o é quem são os melhores? Na minha opinião este ano tem sido sem sombra de duvidas um dos melhores senao mesmo o melhor. Ao nível dele e também com uma grande margem de progressão não podemos deixar de contar precisamente com Messi. Como tem mostrado sempre que joga é um grande talento do futebol mundial com apenas 19 anos.


Em termos de equipas é necessário lembrar a brilhante época exibida pelo Manchester e o Chelsea. Mourinho é sem dúvida o melhor treinador do Mundo e pode ficar na história do futebol ao poder alcançar todos os títulos possíveis na mesma época. Quanto mais jogam mais força têm. É mesmo impressionante ver o Chelsea a jogar, assim como o Manchester, ainda que com estilos diferentes. Pessoalmente estou a torcer pelo Chelsea, não fosse eu portista e conhecedor de muitos elementos que constituem aquela equipa. Aliás tivemos uma grande chance de os eliminar na Champions. Resta-nos o campeonato, tal como ja o tinha dito desde o início da época, que iria ser nosso.


terça-feira, abril 17, 2007

Filmes e Séries FREE

Nao sei se já conhecem o site http://overcampus.com/isfree/index.php .
Aqui encontram alguns filmes e muitas das séries que vão passando nas nossas televisões. As séries são actualizadas à medida que os episódios vão saindo nos EUA. Podemos efectuar o download de qualquer episódio que queiramos seja de que temporada fôr. Muito bom mesmo. Aproveitem!

domingo, abril 15, 2007

O jogador de futebol mais bem pago no Mundo


Ronaldo assina pelo Manchester até 2012 e vai ganhar a módica quantia de 750 000 euros por mês. Acabou-se, assim, a novela que o Real estava a gerar na sua aquisição. Tudo indica que, a continuar assim, será o presumivel sucessor de Ronaldinho. Veremos...

quarta-feira, abril 11, 2007

Jugar en la Juventus tiene una responsabilidad, pero jugar en el Real Madrid mucho más. Jugar con esta camiseta en una gran responsabilidad y jugar es muy especial".
(Emerson, Marca)

sábado, abril 07, 2007

Músicas







licenciado efa

http://doportugalprofundo.blogspot.com/

Consultem. Contém muita informação interessante (que os jornais e tvs ainda vão resistindo a publicar, pelos vistos) sobre a palhaçada que envolve o primeiro-ministro sócrates. Uma façanha a deste senhor, licenciado num domingo, por uma universidade exigente (e, segundo umas opiniões, de capitais angolanos, o que só reforça a sua credibilidade) e que teve o primeiro modelo do professor generalista (capaz de dar 4 cadeiras ao mesmo tempo, modelo que a ministra da educação quer alargar ao 2º ciclo).
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Tem piada aquelas opiniões que vão tentando limpar a gravidade do caso. Dizem "ter um curso nada significa." Pelos vistos para o primeiro-ministro significa alguma coisa, pois caso contrário não se teria envolvido nestas trapalhadas para se poder auto-intitular engenheiro.
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A mentira, em democracias civilizadas, costuma conduzir a protestos, demissões dos políticos envolvidos e consequente mudança de governo. Aqui nada importa, pelos vistos.
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4ªfeira, 20 dias depois da publicação da primeira notícia, surgem os "esclarecimentos". No jornal da tv do estado.

quarta-feira, março 28, 2007

Agora percebo o encanto do sr Sócrates pelos pseudo-cursos efa e afins, em que se entregam diplomas sem formação adequada. Afinal, olhando para esses "formandos" sentia-se como que a olhar num espelho.

domingo, março 18, 2007

all-garve

A última visão governamental passa por promover o turismo algarvio com uma campanha que altera o nome Algarve para Allgarve. A lógica, explicou sabiamente o ministro ou secretário, é chegar ao público de língua inglesa. Hum... Se a estupidez servisse de fertilizante, só esta ideia permitiria cultivar o deserto do Sara (ou deverei dizer Sahara?). Em primeiro lugar, porque é totalmente imbecil. Em segundo lugar, porque trata os Ingleses como se fossem membros do governo português, ou seja, iletrados e com défice de aprendizagem acentuado. Todos os Ingleses (e já agora Irlandeses) que fui conhecendo não têm qualquer dificuldade em pronunciar Algarve, com apenas um l. Terceiro, porque promover o Algarve junto do público inglês é o mesmo que publicitar coca-cola junto de adolescentes. Seria muito mais inteligente promover junto do mercado britânico o resto de Portugal (a parte que realmente é bonita e culturamente interessante e que não se resume a hotéis de má qualidade, praias poluídas e lotadas e campos de golfe, o tal "all" que compõe o allgarve). Quarto, porque anglicizar (será assim que se diz?) um nome geográfico para atrair turistas é um claro sinal de terceiro-mundismo e de falta de personalidade, características intrínsecas ao nosso governo, que entra em êxtase místico sempre que surgem sinais misteriosos vindos de além-fronteiras, seja Finlândia (a pátria da educação), Espanha ou, mais recentemente, Índia (onde o sucesso económico assenta numa curiosa exploração em semi-escravatura de mão-de-obra adulta e infantil, aparentemente tão ao gosto do ministro da economia).
Se a moda pega, poderíamos ver o governo a alterar outros nomes. Desde já, sugiro que Coimbra seja rebaptizada como Oxford, Cambridge ou Harvard, tanto faz. A Figueira poderia designar-se por St. Tropez da Foz. Minho e Trás-os-Montes poderiam mudar o nome para Iberian Ireland, Lisbon mantinha-se ou passava a ser Madrid-by-the-Sea. Setúbal podia ser European Cape Verde e o Alentejo Portuguese Sicily. Oporto perdia o O para ser mais facilmente associado com o Porto (wine) ou o FC Porto (ex-clube do special one). A Madeira atrairia muitos(as) jovens ingleses(as) se mudasse para Ronaldo's Hometown, embora também não careça de grande publicidade. A cerveja sagres deveria mudar para cheap ale, a RTP para low budget BBC, os pastéis de Belém para portuguese breakfast (servido com black coffee). E por fim, S. Bento seria Lisbon Human Zoo e o sr. Sócrates seria Hose (josé) the Gray (cinzento) Gay (alegre) Clown (palhaço). E Cavaco Silva, dada a sua actual função e desempenho, poderia ser conhecido como Madame Tussaud's wax statue of Former Portuguese Prime-Minister Mr Cavaco Silva.

segunda-feira, março 12, 2007

O ambientalismo politicamente correcto (ou o efeito al gore)

Scientists threatened for 'climate denial'By Tom Harper, Sunday Telegraph
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Scientists who questioned mankind's impact on climate change have received death threats and claim to have been shunned by the scientific community.
They say the debate on global warming has been "hijacked" by a powerful alliance of politicians, scientists and environmentalists who have stifled all questioning about the true environmental impact of carbon dioxide emissions.
Timothy Ball, a former climatology professor at the University of Winnipeg in Canada, has received five deaths threats by email since raising concerns about the degree to which man was affecting climate change.
One of the emails warned that, if he continued to speak out, he would not live to see further global warming.
"Western governments have pumped billions of dollars into careers and institutes and they feel threatened," said the professor.
(...)
Last week, Professor Ball appeared in The Great Global Warming Swindle, a Channel 4 documentary in which several scientists claimed the theory of man-made global warming had become a "religion", forcing alternative explanations to be ignored.
Richard Lindzen, the professor of Atmospheric Science at Massachusetts Institute of Technology - who also appeared on the documentary - recently claimed: "Scientists who dissent from the alarmism have seen their funds disappear, their work derided, and themselves labelled as industry stooges.
"Consequently, lies about climate change gain credence even when they fly in the face of the science."
Dr Myles Allen, from Oxford University, agreed. He said: "The Green movement has hijacked the issue of climate change. It is ludicrous to suggest the only way to deal with the problem is to start micro managing everyone, which is what environmentalists seem to want to do."
Nigel Calder, a former editor of New Scientist, said: "Governments are trying to achieve unanimity by stifling any scientist who disagrees. Einstein could not have got funding under the present system."
Se a TAP é eficiente, dá lucro e é segura, qual o motivo para a privatizar? Para ficar como a rodoviária?

Oh, que surpresa...

Notícia DN.
"O Governo liderado por José Sócrates já nomeou, pelo menos, 2373 pessoas em dois anos de mandato. Este foi o total de nomeações que o DN conseguiu apurar após uma pesquisa aos despachos dos 54 membros do Executivo que foram publicados em Diário da República desde a tomada de posse, no dia 12 de Março de 2005, até à última sexta-feira. Contas feitas, pode concluir-se que este Governo efectuou 22,8 nomeações por semana ou 4,5 por cada dia útil, sem descontar os feriados. [...] Resumindo, constata-se que o Ministério de Correia de Campos foi o que mais nomeações fez até ao momento, em termos globais [...]. 300 assessores, 137 secretárias e 128 motoristas. O levantamento do DN permitiu concluir que, das 1077 nomeações para os gabinetes, 436 foram em comissão de serviço, 347 através da figura jurídica do destacamento (quase todos de organismos públicos) e 295 através de requisições (de serviços públicos e privados). Contas feitas, os 54 membros deste Governo têm quase 200 adjuntos, mais de 300 assessores/consultores/colaboradores, 280 auxiliares administrativos, 137 secretárias e 128 motoristas. Estes números pecam, porém, por defeito [...]."

some are like water, some are like the heat, some are a melody and some are the beat

Sábado à noite. Jantar em Famalicão com ex-alunos. Passaram três anos e esperava mudanças. Encontrei-as, mas talvez menores. Sim, na altura tinham 14 ou 15 anos e agora estão mais altos. Alguns andam a tirar a carta e os rapazes já têm barba. Mas fora isso, os rostos estão praticamente iguais. Tão iguais que não tive dificuldades em reconhecê-los de imediato, com uma excepção. À medida que a noite ia avançando, entre recordações do 9º ano e relatos do que se faz hoje e se pensa fazer amanhã, outras diferenças começaram a surgir. São diferenças subtis, que não passam pelo corpo. São diferenças de postura. Encontrei pessoas mais confiantes, que conversam mais (uma das meninas disse que na altura não tinham capacidade para conversar sobre vários assuntos, o que em parte é mentira) e, ponto fundamental, que cativam com o olhar e os gestos e as palavras. Nunca houve gente assim e dificilmente haverá outros, pelo menos em tão grande número. O futuro da nação, pensei sempre, desde que os conheci. Continuo a pensar o mesmo, só não sei de que nação. Desta não será, certamente. As notas continuam espantosas, médias de topo (ouvi conversas de choros e desesperos quando o resultado desce para 17). No entanto, em todas as conversas sobre o futuro há desilusão. Ou resignação. Todos continuam no ensino público e o balanço que fazem é positivo. No entanto, olham para os que foram para os colégios privados das redondezas (abarcando Porto, Braga, Guimarães ou Barcelos? não sei bem) e não compreendem o motivo da inflação automática de notas que neles ocorre.
"Eu sei que eles estudam imenso, eu vejo-os a estudar, mas não percebo porque é que, só por frequentaram o colégio, tenham automaticamente 20 a área de projecto e a educação física, quando nós nunca poderemos tirar essas notas. E para além disso, entram lá, fazem exame de equivalência à frequência, que é interno, e a média dispara..." A rapariga que acabou de falar sempre teve ideias bem vincadas. No 9º ano já me perguntava sobre as condições dos cursos em Coimbra, universidade onde deseja estudar desde então.
Outro rapaz, um dos poucos que optou pelas artes (a maioria, como seria de esperar, está a lutar pelas médias na área que dá acesso ao restrito mundo da medicina e afins), conta o que prevê ser o futuro. "É simples. Tiro a licenciatura, depois não arranjo emprego. Por isso, vou fazer o mestrado. No final, não arranjo emprego, pelo que vou fazer doutoramento. No final, obviamente continuo sem emprego, pelo que me junto a uma longa fila de doutorados sem trabalho." Bem me disse outra rapariga, há uns meses atrás, que devia ser proibido crescer...
No regresso a casa, por mero acaso ouço os Alphaville (lembram-se deles?). Faixa 5. Forever young. Pensei que a música caracterizava a nossa juventude, os adolescentes dos anos 80, que esperavam o pior desejando o melhor, que não queriam envelhecer sem uma causa nem decair como um cavalo que perde a vitalidade. Sem poder de decidir, mas sem nunca desistir, estávamos limitados a dançar ao som dos loucos e amargurados que nos governam. A canção, afinal, foi escrita para eles...
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sexta-feira, março 09, 2007

a pressão de uma vida passada

Primeira reunião com elementos de uma turma de 7º ano. Tema do dia: liberdade. A ideia era abordar o assunto de forma a pensar em actividades práticas. Os quatro (três meninas e um menino) sentam-se à minha frente. Um par de olhos azuis, três de olhos castanhos. Depois das apresentações e de se quebrar o gelo, pergunto: "que ideia vos dá a palavra liberdade? Ou a falta de liberdade."

Depois das respostas esperadas (escravatura, prisão, rapto...), eis que uma das meninas, de chapéu preto a ensombrar um rosto rosado e fino, acrescenta: "falta de liberdade também pode ser vivermos presos ao nosso passado..."

Confesso que não diria melhor. Nem tão bem.

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África, como bem demonstra Shiva Naipaul, no seu North of South (relato das experiências do escritor numa viagem a vários países africanos feita na década de 70), vivia (e vive ainda hoje) presa ao passado. Numa passagem, Naipaul conta-nos a visita a uma quinta, propriedade de uma família inglesa de nome Palmer, onde se produzia chá. Ao lado, uma outra quinta fôra abandonada no momento em que o Quénia obtivera a independência e ocupada por camponeses. O objectivo inicial de formar uma cooperativa falhou, aparentemente porque o tesoureiro fugira com o dinheiro. "In this country, treasurers are very fleet of foot", comentou o sr. Palmer. Como consequência, o terreno da quinta estava agora fragmentado em pequenas áreas de produção de subsistência. O comentário de Naipaul mostra bem como é essa prisão ao passado:

"Land and people had, in a matter of speaking, reverted to type at the first opportunity. [...] Suddenly, one realized how fragile it all was. Nothing was assured; nothing was safe; nothing could be taken for granted. An older life pressed. Old instincts threatened. At any moment, Africa could close in. The house, the lawn, the monomaniacal acres of tea - it all could all be swept away without trace. There was nothing inevitable about 'progress'."

(Shiva Naipaul, North of South, Penguin, pp. 80-81.)


7 maravilhas

Votei nas seguintes maravilhas:
Universidade de Coimbra (por todas as razões)
Batalha (gótico flamejante no seu melhor)
Alcobaça (túmulos de Pedro e Inês)
Almourol (de todos os castelos é o que mais se destaca pelo ambiente que o rodeia, sobretudo porque na lista não consta Montemor ou Leiria)
Pena (romantismo)
Queluz
Torre de Belém (pela ligação com os Descobrimentos)
(faltou os Jerónimos, Mafra e o Convento de Cristo, mas como já devem ter muitos votantes...)

Champions e Uefa

O actual modelo da Champions foi pensado para manter no topo as equipas mais poderosas. No entanto, como bem demonstra a lista dos quartos-de-final, esse objectivo falhou. Os senhores da UEFA ainda não perceberam que o futebol, tal como a vida, é incontrolável. O fracasso do modelo, aliás, já se vinha a notar nos últimos anos. FCP Mónaco não era certamente a final que os senhores da uefa desejaram. E a equipa do ex-presidente Johansson só ganhou no ano passado graças ao indispensável auxílio dos senhores do apito. Saiu Johansson, acabaram-se as ajudas.
Quanto ao rescaldo dos jogos... Não houve propriamente surpresas, tirando a presença do PSV (equipa medíocre). O duelo Real Bayern, sempre incerto, pendeu este ano para o lado alemão (4 a 4 em eliminatórias). A passagem de Manchester e Liverpool não surpreendem, já que foram as equipas que que mais procuraram a vitória (de recordar que o barcelona ganhou em Liverpool contra a corrente do jogo, já que o maior número de remates coube ao clube inglês: o Liverpool ia já com 9 contra 0 do clube catalão). A passagem do chelsea foi, de todas, a mais injusta, pela pouca qualidade do futebol da equipa de Mourinho. O mal foi mesmo o Helton, que fez uma exibição à Vitor Baía.
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Na Uefa, as equipas portuguesas também não conseguiram resultados positivos. O Braga já está praticamente eliminado, depois de perder 2-3 com o Tottenham. O SLB perdeu 2-1 com o penúltimo classificado do campeonato francês (!), mas tem todas as hipóteses de vencer a eliminatória em casa.