este blog é como um interruptor de egos: quando estás em baixo, anima-te; quando estás demasiado fortalecido, nivela-te
quarta-feira, agosto 05, 2009
A Turma
(François Bégaudeau - D. Quixote)Ainda não vi o filme. Preferi começar pelo livro. E confesso ter passado pelo texto impávido como se estivesse a ler páginas do meu diário (isto é, se eu tivesse um diário e o usasse para falar do trabalho, o que seria muito triste). Não há nada de surpreendente no que é narrado. Salvo um ou outro pormenor, a realidade escolar ali retratada poderia ser a portuguesa. Os problemas são os mesmos: alunos desinteressados, professores desanimados, burocracia, a mesma incapacidade para resolver problemas que escapam ao controlo de professores, alunos e famílias, e muito eduquês a empurrar os adolescentes para futuros de analfabetismo funcional sob a capa das novas aprendizagens ditas tecnológicas e profissionais e que se limitam a preparar alunos para, como ironiza uma das personagens, ordenar caixas num supermercado. Foi bom saber de algumas diferenças: por exemplo, as escolas francesas têm o poder de expulsar alunos que consideram prejudiciais, pelo seu comportamento, algo que por cá seria impensável. E, a avaliar pelos casos que o livro apresenta e que foram alvo dessa expulsão, teria ficado sem cinco ou seis alunos este ano... Aliás, teria ficado praticamente sem uma turma inteira, que de bom grado expulsaria para os desfiladeiros mais profundos e inóspitos dos Himalaias, sem qualquer peso na consciência. Outra diferença, naquela escola não há a obsessão da informática como caminho para o Nirvana do progresso e da aprendizagem sem esforço.
Se houve gente surpreendida, chocada, sensibilizada (escolher o que interessa) com o livro, tal só se explica pelo desconhecimento que têm do que são as nossas escolas hoje em dia, seja em França, seja na Inglaterra, seja por cá, na parvónia do magalhães. De qualquer modo, é uma leitura agradável e por vezes divertida. E não tenta dar-nos um discurso politicamente correcto à BE nas questões raciais e culturais, nem nos impinge o melodrama fácil e improvável do clube dos poetas mortos.
segunda-feira, agosto 03, 2009
domingo, agosto 02, 2009
Mudanças
E eis que, ao fim de três anos, tudo o que fui acumulando lá no norte teve de ser empacotado, ensacado, seleccionado, separado, dividido e transportado até Coimbra. Em três anos acumula-se mais do que se imagina. Foram duas semanas e duas viagens para trazer (quase) tudo. Agora resta esperar até ao momentos em que as criaturas que nos governam de forma tão sábia e atenciosa se dignem a informar onde podemos ir trabalhar no próximo ano (os que puderem ir, claro). Se tudo funcionasse minimamente bem (já não digo bem, porque com socialistas seria uma utopia), saberíamos a tempo de levar tudo da terra do passado para a do futuro, sem necessitar de apeadeiros. Mas não é assim, isto é Portugal, isto é ministério da educação. Com sorte, saberemos até ao final de Agosto, provavelmente a dois ou três dias de entrar ao serviço. Se tivermos sorte. Que importa termos milhares de pessoas em trânsito com carros apinhados de roupas e livros e copos e pratos e fotografias e electrodomésticos e cadernos e canetas e cds, andando de lá para cá e de cá para lá? Que importa se entretanto os infantários da nova terra já estão lotados e não há lugar para os filhos dos recém-chegados? Que importa se entretanto as casas e quartos de qualidade e preço adequado se encontram já arrendados? Que importa que se dupliquem esforços de carrega, descarrega, ou se dupliquem as viagens (e o consumo de combustível, que não está barato e é poluente? Que importa que se perca tempo inutilmente?
Vida boa, dizem.
segunda-feira, julho 27, 2009
domingo, julho 19, 2009
sexta-feira, julho 17, 2009
Vê-se que sabem do que estão a falar
Para lá do inglês técnico, eis a matemática técnica do auto-intitulado engenheiro primeiro-ministro de Portugal:
http://olhardomiguel.wordpress.com/2009/07/14/hilariante-2/
*
Nos cursos profissionais o abandono e o insucesso são menores! Pudera! É praticamente impossível dar uma negativa com os critérios de avaliação lá aplicados, somados às pressões que os executivos fazem para que todos passem (mesmo que não compareçam às aulas), somado ainda à pressão que as direcções regionais fazem sobre os conselhos executivos (ameaçando com cortes de verba em caso de alunos que não sejam aprovados). Como diriam os meus alunos, duhhh
sexta-feira, julho 10, 2009
quinta-feira, julho 09, 2009
«(...) quando confrontada com a descida importante das classificações num dos exames, a Senhora Ministra da Educação [devia] ter percebido o que muita gente minimamente atenta ao estado da educação, com destaque para os professores, tem vindo a sugerir: os alunos demonstram progressivamente “menos investimento, menos trabalho e menos estudo”.
(...) Porém, ao levantarem uma forte suspeita de existência de um problema, seria razoável que a responsável máxima pela educação nacional dissesse ou pensasse algo do género: “é preciso percebermos o significado deste abaixamento do rendimento escolar. De onde é que ele decorre? Quais são as suas consequências? O que poderemos fazer para o superar?”.
(...) Porém, ao levantarem uma forte suspeita de existência de um problema, seria razoável que a responsável máxima pela educação nacional dissesse ou pensasse algo do género: “é preciso percebermos o significado deste abaixamento do rendimento escolar. De onde é que ele decorre? Quais são as suas consequências? O que poderemos fazer para o superar?”.
(...) Não foi isso, no entanto, que sucedeu. O que sucedeu foi ainda mais extraordinário: a Senhora Ministra afirmou que a responsabilidade pelo abaixamento de resultados académicos dos alunos é da… comunicação social. E porquê? Porque tem dado a ideia de que os exames são fáceis!
É claro que não se esperava que a Senhora Ministra imputasse esta responsabilidade ao seu próprio Ministério, e bem podia tê-lo feito, pois os currículos e os programas têm a sua chancela, os exames e as respectivas grelhas de correcção são construídos lá, isto para não falar das sinuosidades da formação de professores, da impraticabilidade do modelo de avaliação do desempenho docente, do muito polémico estatuto do aluno, da caixa de Pandora que é as "Novas Oportunidades".
Mas sempre podia ter imputado a responsabilidade aos professores (já é comum, ninguém estranharia, a menos que neste momento não seja conveniente); aos pais e encarregados de educação (por eventualmente não cuidarem que seus educandos estudem, mas talvez isso quebrasse a paz instalada); ou aos próprios alunos (pois são eles, afinal, que, como se diz, "constroem a sua própria aprendizagem")…
Não: a Senhora Ministra responsabilizou quem menos se esperava: os jornalistas, que vão dando conta do que acontece, daquilo que as pessoas fazem e dizem. (...)».
segunda-feira, julho 06, 2009
domingo, julho 05, 2009
9
9 será o número de C. Ronaldo no Real Madrid. É um número pesado e será difícil manter a excelência a ele associado. Antes de Ronaldo, usaram o número 9 estes fantásticos jogadores:
Alfredo Di Stéfano, vencedor de 5 taças dos campeões europeus e (até Raul) o melhor marcador do Real Madrid
Ivan Zamorano: 100 golos com o 9 branco
D. Suker: um jogador fenomenal, que com Raúl e Mijatovic compôs a linha de ataque do primeiro Real de Capello e do Real vencedor da 7ª Liga dos Campeões
F. Morientes: Vencedor de 3 Ligas dos Campeões com o 9 merengue
Hugo Sanchez: com a famosa quinta del buitre (Butragueno era o grande símbolo do clube no final dos anos 80, até ser substituído por um jovem chamado Raúl), H. Sanchez marcou mais de 230 golos oficiais; "Ganó cinco Ligas. En 1990 metió 38 goles (...) y todos fueron con un solo toque."
*
O outro Ronaldo também envergou o 9, mas não merece figurar nesta lista. Vamos a ver a quem C. Ronaldo se quererá juntar.
(Fonte: As)
The curious incident of the straight-A student
Uma interessante reportagem do Guardian sobre um caso de sindroma de Asperger:
Asperger's is an autistic spectrum disorder, and while children with the syndrome often have strong cognitive development, they can be socially inhibited, have trouble empathising and display unusual obsessions and verbal tics - repeating catchphrases or jokes, for instance.
"I don't think I've got a disability. I like being me."
The diagnosis of Asperger's felt, he says, "like a label. I felt like a jam jar." You can see what he means, for the word conjures images of The Curious Incident Of The Dog In The Night-Time, Mark Haddon's bestselling novel about a boy with Asperger's that has come, for most people, to represent the definitive account of the condition. But when Jan shows me Alex's Facebook page, I'm amazed; on screen is someone almost unrecognisable - witty, acute, confident. "I like it on Facebook," Alex says simply. "It's removed, it's detached. It's just me talking to one other person at a time, so I'm OK."
"As soon as you say Asperger's, people think he's going to have glasses - which I do - he's going to be pretty intelligent and he's not going to talk much," he pauses one beat before setting up his punchline: "And he's going to play chess."
Does he play chess? "No, I play guitar."
"I don't think I've got a disability. I like being me."
The diagnosis of Asperger's felt, he says, "like a label. I felt like a jam jar." You can see what he means, for the word conjures images of The Curious Incident Of The Dog In The Night-Time, Mark Haddon's bestselling novel about a boy with Asperger's that has come, for most people, to represent the definitive account of the condition. But when Jan shows me Alex's Facebook page, I'm amazed; on screen is someone almost unrecognisable - witty, acute, confident. "I like it on Facebook," Alex says simply. "It's removed, it's detached. It's just me talking to one other person at a time, so I'm OK."
"As soon as you say Asperger's, people think he's going to have glasses - which I do - he's going to be pretty intelligent and he's not going to talk much," he pauses one beat before setting up his punchline: "And he's going to play chess."
Does he play chess? "No, I play guitar."
domingo, junho 28, 2009
Silly results in silly Quizzes
Your Hillbilly Name Is: Snake Carter
You are 93% Pisces
You Are 60% Weird
You've Been a Little Ruined by American Culture: Whether you live in the US or not, deep down you're a little American.
And there's nothing wrong with loving American culture, but it may have negative effects on your life.
Slow down and enjoy what you have. Reconnect with life's simple pleasures.
You don't need to be in a consumerist rat race. Life's too short to overwork yourself!
You've Changed 48% in 10 Years
Your Evil Name Is Raven Than
You Are 48% A Child of the 80s: Back in the day, you were totally 80s. Tubular, totally tubular.
You Feel Like Winter: You've reached a point in your life where you need a lot of downtime.
You need to rest, recuperate, and reevaluate. Give yourself this time. It's possible that you've suffered some losses. Or maybe life just has you worn down. Take time to relax. You will emerge a better person if you are able to find true quiet and stillness.
Are you a dumb american?
You Are Not a Dumb American:You got 6/10 correct.
You know a good deal about American history, but there's some basic facts you have wrong.
Time to go back to history class!
You need to rest, recuperate, and reevaluate. Give yourself this time. It's possible that you've suffered some losses. Or maybe life just has you worn down. Take time to relax. You will emerge a better person if you are able to find true quiet and stillness.
Are you a dumb american?
You Are Not a Dumb American:You got 6/10 correct.
You know a good deal about American history, but there's some basic facts you have wrong.
Time to go back to history class!
O gentleman e o «chulito arrogante»

"... la segunda razón por la que le es difícil que Cristiano salga tan rentable como Beckham es que el portugués es menos querible, además de menos carismático, que el inglés. Tiene a favor que es mejor jugador, pero por lo demás sale perdiendo. A nadie en el mundo se le escapa la percepción de Cristiano como un chulito arrogante."(AS)
It's time to rock the vote
Com 15 dias e muitos milhões de euros de diferença. Fica provado que muitos dos nossos políticos, de Cavaco a Meneses, de sócrates a Louçã, de Portas a Jerónimo, acham que somos idiotas incapazes de distinguir eleições e boletins de voto. É natural que não tenham grande ideia dos Portugueses, afinal de contas foram suficientemente imbecis para os elegerem. Em Setembro, não se esqueçam, "it´s time to make history, it's time to rock the vote."
sábado, junho 27, 2009
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