Seguidores

quinta-feira, agosto 23, 2007

apoio jurídico? não foi isso que eu disse. ou foi? ou foi sem ser? vocês é que perceberam mal

"De gravata e fato escuro", narrou o Público, o ministro da agricultura apanhou uma espiga no chão e prometeu apoio jurídico ao agricultor atacado por inoperância da GNR.
Há aqui um aspecto curioso, que é o sentimento de culpa que esta promessa de apoio jurídico contém, ainda que de forma camuflada. Em situações normais, o Estado não oferece os seus serviços jurídicos para actuarem em benefício de cidadãos individuais. Então, porquê neste caso? Porque é mediático? Porque o ministro sente que o que aconteceu foi culpa das forças de segurança (comandadas pelo governo, que as tutela)? Porque simpatizou com o agricultor em causa? Porque estava bem disposto / mal disposto nesse dia? Seria a influência nociva do milho transgénico já a fazer efeito? Este tipo de apoio, a existir, não deveria ser sistemático?
*
No seguimento dessas declarações do MA, o Conselho Geral da Ordem dos Advogados emitiu um comunicado onde defende a ilegalidade desse apoio jurídico, pois para isso servem os advogados e solicitadores.
*
A reacção do ministro foi novamente curiosa. Em vez de admitir o erro e assumir que ignorava a lei, preferiu a saída habitual (muito famosa no mundo do futebol), dizer que as suas palavras foram mal interpretadas. Terá falado em inglês, estando no Allgarve? Não é estranho que nem os jornalistas presentes nem os elementos da Ordem dos Advogados tenham conseguido interpretar as palavras do ministro? Será ele descendente dos oráculos gregos, falando em código e em metáforas elaboradas? Será o ministro incapaz de expressar oralmente uma simples ideia de forma a esta ser compreendida por quem a ouve? Se assim for, recomendo uma inscrição urgente num dos cursos EFA das novas oportunidades. Ainda vai a tempo.
A pergunta que a seguir se coloca é simples. Então que quis realmente dizer o ministro com as suas palavras enganadoramente simples? Ouvi ontem na rádio a explicação, a interpretação do enigma. Tão simples, tão fácil. Elementar, meus caros Watsons da Ordem dos Advogados.
O que o sr entendia por "apoio jurídico" era o seguinte: as declarações que comprovam a legalidade da propriedade e da cultura de milho serão passadas ao agricultor pelos "melhores técnicos do ministério" e "atempadamente."
Hum. Curioso. Se não fosse este magnânimo regime de excepção, em condições normais os ditos papéis seriam passados com manifesto atraso (de preferência só após a prescrição do crime?) e pelos piores funcionários do ministério? O varredor? O rapaz brasileiro que faz a manutenção da máquina de café, sandes e chocolates? O próprio ministro? Este último teria o perfil mais adequado, poderia fazer a declaração de forma novamente enigmática, de forma a não ser compreendida pelo juiz que julgasse o caso.
*
E os ministros do governo Santana é que eram maus... Que nulidade.

segunda-feira, agosto 20, 2007

"O que faz impressão na lista dos cem mais ricos de Portugal é constatar que as suas fortunas acumuladas representam 22% de toda a riqueza do país e que o fosso entre os que mais ganham e os que menos ganham é o maior de toda a Europa comunitária a quinze. E faz impressão pensar que, enquanto os trabalhadores por conta de outrem e a generalidade da classe média e média-baixa viu os seus rendimentos subir entre zero e três por cento no ano passado, os cem mais ricos aumentaram a sua riqueza em 36%. E fizeram-no essencialmente através da bolsa – ou seja, não pelo desempenho das suas empresas, não pela criação de riqueza para o país, mas sim através da simples especulação com o dinheiro. Mais interessante ainda seria podermos dispor da lista dos cem maiores pagadores de impostos do país em nome individual, para compararmos com os cem mais ricos. Ou sabermos quanto pagaram de impostos sobre os lucros as empresas ou fundações onde se abrigam os cem mais, para compararmos com os que, vivendo apenas do seu trabalho, pagam 42% de IRS. Aí, sim, poderíamos perceber a dimensão da injustiça social e fiscal em que vivemos."
(Miguel Sousa Tavares, no Expresso)
"Até 2010, o Governo pretende investir cerca de 430 milhões de euros no Plano Tecnológico da Educação, sendo que entre 70 a 85% do valor podem ser financiados por fundos comunitários.

O Plano visa, entre outros, atingir a racio de dois alunos por computador; criar ligação à Internet de banda larga com uma velocidade progressiva de 4Mbps em 2007 e 48Mbps em 2010 em todos os estabelecimentos; e oferecer um cartão electrónico a todos os discentes.
"
(alguém do governo, aqui)
Isto sim é um governo, 430 milhões gastos para financiar o download ilegal e o visionamento de pornografia por parte dos teens da nação. Uau. Quantas bibliotecas escolares poderiam finalmente merecer essa designação com a fortuna aqui investida? Hum, pois que importa a leitura, quando há quem chegue bem alto sem sequer ir às aulas?

Vergonha que não surpreende

A derrota do Real na supertaça, frente a uma equipa que pratica, neste momento, o melhor futebol em Espanha, não deixa de ser uma vergonha. E mais uma vez mostrou a incapacidade de Pepe culpado em 2 golos (num deles cometeu o penalti) e depois expulso. Já em Cadiz este jogador cuspiu num adversário (deve pensar que é colega de um tal Etoo no barcelos). Eu colocava-o a rodar no Castilha durante uns meses, até perceber que os jogadores do Real Madrid não cospem nos adversários. Quanto a Schuster, nada que surpreenda. O caos táctico deve dar a Capello vontade de rir à gargalhada. Eu rio com ele. Então era este salsicheiro alemão (um ex-jogador medíocre) que ia criar futebol atractivo? Só se for para o adversário. Schuster é o José Sócrates do futebol, um tipo arrogante, incapaz de assumir os seus erros e sem qualificações, a quem a comunicação social promoveu para chegar a um cargo para o qual manifestamente não tem capacidade nem inteligência.

domingo, agosto 19, 2007

Ganhar de olhos fechados?

A última vez que alguém disse que o fcp jogava de olhos fechados foi Quinito, nas vésperas de um jogo internacional que resultou numa goleada histórica, perdeu o fcp. Vão ganhar o campeonato de olhos fechados? Acredito. Deve ser para não verem o mau futebol que praticam. Neste primeiro jogo, se não fosse a incompetência do Jorge Costa e os livres do cigano, o Jesualdo estava mais uma semana sem lavar a dentadura. Quanto à supertaça, não percebo porque reclamam tanto da mão na bola, se a última liga que ganharam foi graças a um golo sofrido pelo Sporting com a mão (a anulação do golo resultaria um mais um ponto para o SCP que terminaria a liga à frente do fcp).
.
ps: O Schuster não percebe nada de futebol. A prova é que é sócio do barcelona. Mas dizer que o Real ganhou o campeonato como o boavista é ir longe demais. O boavista ganhou por ser uma equipa de caceteiros ajudados pelos árbitros. O Real, pelo contrário, venceu a equipa que era ajudada pelos árbitros.

FCP começa campeonato à CAMPEÂO


Começou o campeonato da primeira liga. Como era de esperar o meu clube ganhou e pelo que tenho visto este ano vamos ganhar o campeonato de olhos fechados. Temos o melhor plantel do futebol português, os melhores jogadores, a melhor organização, a melhor gestão e o melhor presidente. É o chamado sistema. Foi pena não ganharmos a supertaça, como era de esperar, mas com um árbitro daqueles não era possível fazer melhor. Valeu tudo. Mãos na área, faltas inexistentes...o sporting parecia que estava a jogar com um árbitro caseiro. Mas o que importa é que fomos superiores e demonstramos porque vamos ser novamente os melhores esta época. Temos um plantel ainda mais forte que o da época passada e "com tranquilidade" vamos ser tricampeões.



Em Espanha, campeonato que aprecio bastante tal como o inglês, pelo que tenho visto, o barça é imparável. Não perdeu um unico jogo na pré-temporada e com uma equipa daquelas também só pode ser campeão. É uma equipa fortíssima. O Real, pelo contrário, soma derrotas em cima de derrotas. Schuster é muito fraco e não sabe o que diz. A equipa é jeitosa mas não tem estofo de campeão. Por acaso até ganhou o último campeonato. Sorte do acaso tal como o Boavista no ano em que venceu a Liga. Henry, Etoo, Messi, Ronaldinho, Deco, etc. vão espalhar magia pela Europa.

O único campeonato que vai ser disputado, no meu entender, vai ser o inglês. Chelsea, Manchester e, quem sabe, Liverpool, vão lutar pelo título. Para já, está a começar melhor o Chelsea. Vamos ver o que nos reserva o resto do campeonato.




terça-feira, agosto 14, 2007

mais um capítulo das pseudo-engenharias do sr Sócrates

Novamente bem descritas por Miguel S. Tavares, no Expresso:
"...na Assembleia da República, o PS uniu-se como um todo para votar contra a proposta do PP, apoiada por toda a oposição, para que o estudo de uma alternativa à Ota contemplasse também aquela que é a solução que o bom-senso defende: a da chamada Portela±1. No dia seguinte, no ‘Público’, o americano do MIT Richard Neufville, uma autoridade mundial em aeroportuária, explicava por que razão a questão do aeroporto de Lisboa se resolveria melhor e infinitamente mais barato com o simples aproveitamento de uma pista já existente e a construção de infra-estruturas mínimas e eficazes para as «low-cost». Mas os deputados socialistas, representantes nominais do interesse público, não querem sequer que a solução seja considerada. Porquê? A resposta só pode ser uma: porque na Ota e no TGV estão em jogos muitos interesses, muitos biliões, que o Governo promove e protege e que o partido compreende.
Temos agora a questão do TGV. Das três linhas previstas - Porto/Vigo, Porto/Lisboa e Lisboa/Madrid -, apenas a Porto/Lisboa se mostra necessária e eventualmente rentável - e isto porque a experiência de um anterior governo socialista com os ‘pendulares’, após milhões investidos e estudos feitos, se revelou um fiasco. Mas Porto/Vigo e Lisboa/Madrid ninguém sabe para que servirão. Não há estudos sobre a utilização prevista e a relação custo-benefício da sua construção. Depois de tranquilamente nos esclarecerem que, quanto aos custos de construção, a hipótese de a sua amortização ser realizada com as receitas de exploração é “totalmente para esquecer”, a própria secretária de Estado dos Transportes duvida de que, por exemplo, a linha para Madrid consiga ser auto-sustentável. Ou seja, depois de um investimento de dez mil milhões de euros a fundo perdido, preparam-se para aceitar tranquilamente um défice permanente de exploração. Quanto é que ele poderá vir a ser, ninguém sabe, porque não se estudou o mercado para saber se haverá passageiros que justifiquem três comboios diários para Madrid. Mas, para que os privados, que ficarão com a concessão por troços, não se assustem com a vulnerabilidade do negócio, o Governo garante-lhes antecipadamente o lucro, propondo-se pagar-lhes segundo a capacidade instalada e não segundo a capacidade utilizada. Isto é, se num comboio com trezentos lugares só trinta forem efectivamente ocupados, o Governo garante às concessionárias que lhes pagará pelos 270 lugares vazios. Todos os dias, três vezes ao dia para Madrid e eternamente, até eles estarem pagos e bem pagos. Eis o que os socialistas entendem por ‘obras públicas’ e ‘iniciativa privada’!
Alguma coisa deve estar tremendamente confusa na cabeça dos socialistas e do engenheiro José Sócrates. Eles não perceberam que não são nenhuma comissão liquidatária dos dinheiros e património públicos em nome dos ‘superiores interesses da economia’ (agora, vai a ria de Alvor, em projecto PIN...). Eles não perceberam que o interesse público não é construir aeroportos e comboios de luxo de que o país não precisa, para ‘estimular a economia’ e encher de dinheiro fácil empresários que não sobrevivem sem o Estado; que não é entregar todo o património natural e a paisagem protegida a especuladores imobiliários sem valor nem qualificação; que não é ‘emprestadar’ o CCB ao comendador Berardo para lhe resolver o problema de armazenamento da sua colecção de arte. Se isto é a esquerda, que venha a direita!"

O verdadeiro pseudo-engenheiro

As suas acções dignas de chefe de Estado zeloso dos interesses da Nação aqui bem descritas por M. Sousa Tavares:
"O primeiro-ministro foi ao Algarve anunciar mais sete megaprojectos imobiliário-turísticos, os quais, segundo acusação do eng.º Macário Correia, determinaram o adiamento da entrada em vigor do PROTAL, o plano de ordenamento do território aprovado pelo próprio Governo: é que, à luz das normas do plano, e se este já estivesse em vigor, os projectos não poderiam ser aprovados, nem como PIN. Assim, movido pelas melhores intenções, o Governo dispõe-se a pôr alguma ordem no 'desenvolvimento' do Algarve. Mas, movido por ainda melhores intenções, trata primeiro de aprovar aquilo que possa contrariar as suas próprias leis. Na ria de Alvor, uma das raras paisagens naturais ainda preservadas de Portugal, o primeiro-ministro deleitou-se a ouvir sete empresários chegarem-se sucessivamente ao microfone para elogiar a grande compreensão demonstrada pelo Governo em prol do 'desenvolvimento'. E, imaginando já uma paisagem PIN, semeada de hotéis, golfes, vivendas e milhares de camas, onde antes só havia verde, Redes Natura, "habitats" protegidos por directivas europeias e 'obstáculos' quejandos, José Sócrates contemplou este Portugal do futuro e, embevecido pela sua visão, exclamou: "Haverá sempre quem faça críticas, mas é disto que o país precisa!".
Dias depois, como relatava o 'Sol', o primeiro-ministro que jurou apostar num desenvolvimento baseado na qualificação e na excelência, reuniu-se em segredo com os grandes clientes das obras públicas (justamente alarmados com as críticas crescentes à Ota e ao TGV), para em conjunto estudarem novas parcerias para aquele que é será sempre o único verdadeiro "cluster" da economia portuguesa: as obras e encomendas públicas. O Governo encomenda, os bancos financiam, os escritórios de advogados do sistema fazem os contratos, as construtoras constroem e os contribuintes pagam. O país está cheio de porsches e ferraris que saíram directamente do nosso bolso para ajudar a 'desenvolver' Portugal."
Citado do Expresso.

Av. Aliados

Antes e depois da passagem do furacão Siza (cortesia da Cris):
















A luz e as 'trevas' (J. P. Coutinho)

"Conclusão lógica: se o Estado já ensina os petizes a procriar nas escolas, por que não ensiná-los a educar os rebentos quando tanta procriação dá, finalmente, os seus frutos? É a chamada 'formação parental', há oito anos prevista na lei, mas que aguarda ainda regulamentação. Ela virá até ao final do ano. E, com ela, virão sábios de todo o tipo, com o fatal dr. Daniel Sampaio à cabeça, dispostos a resgatar a Humanidade da escuridão onde ela viveu desde o aparecimento da primeiro hominídeo. É aliás milagroso que tenhamos chegado ao ano 2007 sem um Estado a orientar as famílias e, com violência crescente, a substituí-las. Como foi que os nossos antepassados conseguiram "cozinhar, acordar cedo para levar os filhos à escola e dar-lhes os medicamentos quando eles adoeceram" (sic)? Eu não sei. Mas aplaudo.
Aplaudo e, com total modéstia, lanço um repto para que o Estado não seja modesto. Deixar as famílias entregues ao seu destino não é apenas um crime. É, pior do que isso e como dizia o outro, um erro. O eng. Sócrates, por exemplo, podia propor em sede própria que todas as casas do país passariam a ter quarto privado, como antigamente acontecia com as criadas da província, para que um funcionário do Estado se instalasse por lá. A função desta caridosa criatura seria velar pela sanidade da família tradicional. À hora dos repastos, inspeccionar os excessos calóricos dos pratos. Depois dos repastos, medir a concentração tabágica na sala do lar. E quando os esponsais se recolhessem ao leito, inquirir, sem perturbar demasiado, se existe preservativo lá pelo meio ou se a posição não provoca lesões graves. Pessoalmente, creio que a ASAE, depois das bolas de Berlim nas praias, podia perfeitamente cumprir a função. Desde que, naturalmente, os agentes usassem colecte reflector. Por incrível que pareça, ainda existem uns selvagens que fazem tudo com a luz do quarto apagada."
(J. P. Coutinho, Expresso)
Ouvi P. Macedo, recém-saído das finanças, dizer que os salários do presidente da república e do primeiro-ministro não se adequam à dignidade do cargo e deveriam ser mais elevados. Em teoria concordo. Mas no caso actual, dando de barato que Cavaco merece a 'reforma' pelo que fez quando ainda era Cavaco, julgo que o valor político do actual primeiro-ministro não deveria ultrapassar o salário médio nacional (c. €700/mês). Passo a explicar os motivos.
Em primeiro lugar, não tem qualificações académicas credíveis para o desempenho do cargo.
Em segundo lugar, não possui qualquer experiência profissional relevante no seu passado.
Em terceiro lugar, não domina outras línguas (já a língua materna é o que se ouve).
Em quarto lugar, deu no passado faltas que justificou de forma eticamente obscena (foi ver o fcp numa final qualquer e argumentou algo como estar em serviço de estado, pois pois pois, os outros ainda se dão ao trabalho de obter atestado médico).
Em quinto lugar, tira muitas férias (algo que, curiosa e erradamente, os seus apoiantes muito criticam nos outros - só que os outros não partem pernas a esquiar (que chato para ele) nem fazem safaris quando o país arde).
Em sexto lugar, já cometeu mais gaffes, erros, asneiras, voltas e reviravoltas que um pobre Santana (só não foi criticado nem demitido por isso).
Em sétimo lugar, só ocupa a posição que tem por 'cunha' (com. social, Marcelo, Sampaio, Cavaco).
Em oitavo lugar, citando novamente um grande cronista, nunca leu um livro.
.
Poderia continuar durante muito tempo (quem sabe um dia), mas não me apetece agora.

ministério do vazio

"Esta técnica de criar ilusões e de empolar a realidade tem reflexos mais graves noutros campos que não se traduzem em números. Neste ponto, o estado da Nação está muito pior do que parece.
Veja-se o que se passou recentemente com o Governo a contratar crianças para figurar num evento em que se anunciava a distribuição de computadores pelas escolas.
É um caso cuja gravidade é ainda maior por se tratar de uma iniciativa do Ministério da Educação em que os princípios e valores deviam ser preocupação dominante em toda a sua acção.
É uma instituição com a responsabilidade de formar e, como tal, devia dar o exemplo e atribuir mais importância aos conteúdos e aos valores do que às aparências.
O Ministério da Educação não pode fomentar a cultura do "faz-de-conta", mas a da verdade.
Este estilo teatral de comunicar com os cidadãos faz com que acabada a representação, caia o pano e reste o vazio.
"
Manuela Ferreira Leite, Expresso
*
Manuela F. Leite esquece-se que já não está no min.edu., infelizmente. Com a actual ministra e o seu bando, os princípios e valores nunca são a preocupação dominante. Precisamente o contrário. Importa a estatística, a poupança e os ódios pessoais das criaturas em relação aos professores que 'tutelam'. É natural que, no fim, reste o tal vazio, pois vazio é também o ponto de partida.

domingo, agosto 12, 2007

traveling light

There are places I don't remember
There are times and days,
they mean nothing to me
I've been looking through some of them old pictures
They don't serve to jog my memory
I'm not waking in the morning, staring at the walls these days
I'm not getting out the boxes, spread all over the floor
I've been looking through some of them old pictures
Those faces they mean nothing to me no more
I travel light
You travel light
Everything I've done
You say you can justify, mmm you travel light
I can't pick them out,
I can't put them in these sad old bags
Some things you have to lose along the way
Times are hard, I'll only pick them out, wish I was going back
Times are good, you'll be glad you ran away
(...)
(Tindersticks)
*

Torga

As comemorações dos 100 anos do nascimento de Miguel Torga, que se realizaram em vários pontos do país, ficaram marcadas por um aspecto negativo, a ausência de elementos do governo, por muito insignificante que eles sejam. Na verdade, nem Torga nem Coimbra precisam dessas criaturas sem relevo nem valor, Valteres Lemos, Marias e demais elementos da matilha do pseudo-engenheiro. Ainda assim, deveriam estar, não pelo seu valor individual, mas pelo Estado que deveriam representar. Só entristece ver como, no PS, apenas António Arnaut pareceu publicamente incomodado com esta falta de respeito ou de conhecimento dos governantes.
De resto, o desprezo que o governo dá a Torga revela apenas a ignorância dos seus membros. Não o leram, duvido até que saibam citar uma só obra que ele tenha escrito. Pelo mesmo motivo, e seguindo essas criaturas a lógica que diz "só existe o que nós conhecemos", Torga foi há muito tempo apagado dos programas escolares. Agora, quando se estuda o conto, não são os Bichos (o pseudo-engenheiro terá pensado em ler esta obra um dia, mas desistiu quando percebeu que o título estava no masculino) nem os Contos da Montanha que se lêem, mas obras ocas como o Principezinho e outros rabiscos (ainda por cima de um escritor estrangeiro). A mesma lógica levou à perda de importância ou ao desaparecimento nos programas escolares de Garrett, Herculano, Aquilino, Cardoso Pires, Vergílio Ferreira, Júlio Dinis ou Ramalho, para ficar o camarada Saramago (que nenhum aluno do secundário lê e aprecia) e o obscuro Stau Monteiro. Quando quem faz a ementa é um burro, no restaurante só se serve palha.

Sai uma pasta medicinal couto

O sr Jesualdo, pelos vistos, vai andar muito tempo com mau hálito. A juntar à flatulência da presidência, as coisas não vão cheirar muito bem lá para os lados do dragom. Bendita arrogância de quem não tem nada para mostrar...
ps: Parece que se esqueceram de culpar a TAP na conferência de imprensa após o jogo. E o Izmailov bem os tentou lembrar, com aquele remate que parecia ir a jacto.

sexta-feira, agosto 10, 2007

entrevista de Soares

A entrevista de Soares ao diário económico é um perfeito exemplo da arte de fazer análises pré-conceituosas. Os EUA são os maus da fita (e os seus aliados), Chavez é o máximo, a Venezuela é uma democracia, Cuba está em transição e Sócrates não é um ditador arrogante (bom, a parte do arrogante até Soares é capaz de ver) e os casos de perseguição política (Charrua) foram empolados (embora, contraditoriamente, confirme a existência de "bufos" em Portugal, e presumo que não se refira a P. da Costa e aos seus alegados problemas de flatulência matinal). Comprova-se que, na típica visão da esquerda socialista, não há atentado à liberdade de expressão quando os perseguidos criticam o ps e o infalível pseudo-engenheiro. Em vez da dúvida socrática da Antiguidade, temos a moderna infalibilidade socrática/socialista.
Por fim, os elogios ao "civismo" e à "honra" dos governantes da I República (período de democracia ainda mais musculada que a actual) provam uma coisa. Se sócrates nunca leu um livro na vida, Soares leu-os mas certamente não os percebeu. Se tivesse paciência, aconselhava-lhe apenas um. Que ele deve ter em casa: Vasco Pulido Valente, O poder e o povo.

Teresa Herrera: grande coisa

Ainda bem que andas a seguir a pré-época do campeão. Só recordar e referir umas coisas para contextualizar a questão que colocas.
Primeiro, em relação ao treinador, concordo que é um imbecil. O máximo que irá conseguir é revalidar o título porque, como há uns tempos atrás disse, pegando numa equipa de Capello qualquer um se arrisca a ser campeão. Heyckes venceu a Champions pelo Real no ano pós-Capello.
Segundo, o Real alinhou uma equipa de suplentes dos suplentes na final do torneio (dos titulares da primeira equipa, só jogou Ramos, primeiro, e Pepe, depois).
Terceiro, estes jogos são de preparação para a época (em especial a supertaça, que começa este sábado, competição em que o barcelos, pelos vistos, está isento de participar) e o ideal é fazê-los com equipas de algum nível, em vez de passear pela China e jogar com amadores.
Quarto, o Milan perdeu 1-0 com o Bétis (com quem até o SCP de pré-época consegue empatar), ficou em penúltimo no torneio do caminho-de-ferro de Moscovo e nem por isso se pode concluir que o Inter vai ser novamente campeão.
Quinto, esqueceste de referir a (essa sim) péssima exibição do Chelsea frente ao Manchester num jogo oficial, que só foi a penaltis por falta de pontaria dos avançados dos reds e porque o Mourinho jogou com o autocarro todo à frente da baliza desde o início do jogo (e depois o Capello é que põe as equipas a jogar mal)
Last but not least, no ano passado, o Real ficou em último lugar no Teresa Herrera. Foi campeão de Espanha. O depor ganha a porcaria do torneio há 14 anos, mais ou menos os anos em que não consegue sequer lutar pelo título.

quinta-feira, agosto 09, 2007

Teresa Herrera: D. Corunha vence Real Madrid e arrecada troféu

Não admira. O Belenenses mostrou porque o Real é tão fraco e tem muito que trabalhar se quiser lutar pelos primeiros lugares em Espanha. A derrota sobre o Corunha foi o coroar de uma equipa que não joga bem e tem um treinador que tem a mania das grandezas, basta ter ouvido a análise que fez do jogo contra o Belenenses. Já dizia o treinador do Belenenses: "com jogadores daquela qualidade jogam muito pouco".

Entrevista de Pinto da Costa à SIC Notícias...em grande como sempre

Extractos:
«O F.C. Porto é o campeão europeu de vendas e não vendemos o Quaresma para o Atlético de Madrid por um preço muito mais alto que o Benfica vendeu o Simão. No F.C. Porto compramos, não vendemos»
Pinto da Costa, presidente do F.C. Porto, revelou nesta quinta-feira que o Real Madrid abordou os dragões para perceber a disponibilidade do clube em negociar Lucho González. Na altura da transferência de Pepe, os «merengues» perguntaram por Ricardo Quaresma, classificado de inegociável por Pinto da Costa, e por Lucho González.
«Para além de falarmos de Pepe e Ricardo Quaresma, perguntaram-me por outro jogador do F.C. Porto, se eu estaria disponível para o negociar. Quem? Foi o Lucho. O Real Madrid queria o Lucho, eu pedi o Nistelrooy à troca. Não quiseram, então eu expliquei-lhes que a situação era a mesma», revelou o líder do clube portista, em entrevista à SIC Notícias.
Pinto da Costa manifestou a intenção de preservar Lucho González no plantel, confirmando o interesse do Valência no jogador e descrevendo o processo que levou à aquisição da totalidade do passe do médio, quando o Everton apresentou uma proposta formal no valor de 15 milhões de euros.
«O F.C. Porto quer manter o Lucho González e ele sente-se bem aqui. Gosta do clube, é o capitão da equipa e queremos que ele continue».

Dias Exemplares


Nas duas últimas semanas já visitei a feira do livro meia dúzia de vezes. Sempre pronta a resistir, mas nunca conseguindo.

Na primeira visita, que foi de trabalho, vim carregada. Para além da Expiação ( meu preferido do McEwan) para oferecer ao G, entre outras obras, arrastei comigo Dias Exemplares do Michael Cunningham. Já há algum tempo que pensara comprar mas a leitura da badana não me suscitou muito interesse. Desta vez não ofereci mais resistência, sobretudo porque todos os outros romances que li deste autor foram incrivelmente bons. As Horas ( o mais conhecido) tem a prosa mais poética e comovente que já encontrei. De um fôlego lê-se Uma Casa no Fim do Mundo. Sangue do Meu Sangue foi lido numa versão de bolso em castelhano que comprei em Buenos Aires. Adoro estes livros ao preço do pão e que sabem a caviar ;)

Juntamente com o atrás referido Ian e o Roth, Cunningham é dos autores contemporâneos estrangeiros que mais me agrada.

O livro está dividido em três partes. Cada uma delas com as mesmas personagens: um homem, uma mulher e uma criança. O romance é também atravessado pela a poesia de Walt Whitman. Durante toda a primeira parte, pareceu-me estar a ler um grandioso romance russo do século XIX. E não consigo encontrar uma explicação para essa sensação. Vou na segunda parte e está a angustiar-me... é portanto bom ;)

Quando terminar dou notícias, mas entretanto não posso deixar de sugerir toda a obra deste escritor.


terça-feira, agosto 07, 2007

E se o fcp perder a supertaça...

...a culpa é da TAP:
"A chegada ao Estádio do Dragão, por volta da 01h30, a encerrar um dia que devia ser tranquilo, desde logo prejudica e condiciona desportivamente toda a preparação concebida para uma semana que antecipa a primeira competição oficial da temporada;"
(comunicado do fcp)

ahahahahahaahahahahah

Viajar fica mais agradável

Qualidade dos passageiros da TAP sobe de nível.

segunda-feira, agosto 06, 2007

momentos publicitários (click nas imagens)

Kylie Minogue é uma Agent Provocateur
*





We will rock - sponsored by pepsi

(detalhe: 2 elementos dos Queen estão entre o público)

*

The joy of pepsi

*
E directamente de Singapura, um produto Laneige , bodysmoother for the asian woman.

domingo, agosto 05, 2007

Contra os arquitectos

A crónica do J. Pereira Coutinho (Expresso) que a seguir transcrevo fala de uma questão que há muito incomoda e causa danos em Portugal: o da "carta branca" dada aos arquitectos, sobretudo aos que ganharam fama e prestígio. A eles tudo é permitido, como se o toque deles fosse o toque de Midas. Acontece que eles também erram e cometem atrocidades urbanísticas (a Cris, portuense de coração e alma, refere várias vezes o atentado sobre a Avenida dos Aliados, que só conheço na versão actual - feia). E isto acontece habitualmente em Portugal, pois somos capazes do oito e do oitenta na nossa relação com os criadores, e não apenas em relação aos arquitectos (que sofrem já de casos patológicos de capricho, arrogância e sobranceria). Ou desprezamos totalmente os grandes criadores, ou curvamo-nos perante eles, deixando que tudo o que façam, pensam e dizem, seja a verdade e o certo e o belo.
Saramago é um belo exemplo, pois até os seus delírios senis sobre uma União Ibérica são comentados seriamente em vez de ignorados ou tratados como mereciam, jocosamente.
Contaram-me também que, certa vez, um mosteiro do Norte foi sujeito a intervenção de restauro. Acontece que o arquitecto olhou para uns azulejos de determinada cor (a cor da ordem religiosa que fundou o dito mosteiro) e achou que os deveria arrancar e colocar outros doutra cor. Em qualquer país civilizado, o sr teria sido chamado à razão e, caso teimasse, seria despedido por justa causa (e com ameaça de processo judicial por tentativa de vandalismo). Mas como foi cá, a visão do sr arquitecto foi uma expressão da vontade divina e os azulejos foram substituídos. A pobre Clio deve ter sangrado de dor nesse dia.
Um último exemplo é dado pela referida crónica que a seguir se pode ler:
"Uma lição espanhola
Álvaro Siza remodelou em tempos a marginal de Leça da Palmeira, onde vivo parte dos meus dias. Caso não saibam, Leça tinha um ‘calçadão’ simpático junto à praia, que começava no clube de vela local e terminava no farol da Boa Nova. O resultado, que hoje se contempla com um esgar de horror, consiste numa longa pista de aterragem, desértica e cimentada, por onde passam automóveis em fuga. Como foi isto possível? Não vale a pena falar da actuação camarária: a Câmara local não se distingue das autarquias portuguesas que permitem qualquer atentado patrimonial, desde que o mesmo seja cometido por arquitectos com provas dadas. No caso de Siza, com provas dadas no mais velho vício da arquitectura moderna: a crença de que a construção pública deve apenas servir o capricho do arquitecto – e não seres humanos reais, daqueles que normalmente habitam o planeta Terra. Porque a arquitectura, ao contrário de outras formas de expressão artística, não é individualmente consumida (como a música, a literatura, a pintura); ela é colectivamente consumida, um pormenor que reforça a sua inescapabilidade e convida a um mínimo de prudência e humildade.
Foi precisamente esse mínimo que Siza conheceu, não em Portugal, mas em Espanha. O caso é conhecido: Siza apresentou um projecto para o eixo Prado-Recoletos, em Madrid, que alegadamente implicava o abate de 900 árvores e a construção de cinco pistas de automobilismo, na melhor tradição do autor. O ‘conceito’ foi contestado por políticos locais e pela excentricidade de Carmen Thyssen, viúva do milionário. Cinco anos depois, Siza, que muito democraticamente prometia não ouvir ninguém, acabou por ouvir. Não haverá abate, não haverá pistas de automobilismo. E, por uma vez, a natureza autoritária da arquitectura não se abaterá impunemente sobre os terráqueos. Uma vitória para Madrid? Sem dúvida. E uma derrota, não para Siza, mas sobretudo para nós. Porque a distância que nos separa de Espanha é grande. E porque, aqui na paróquia, a submissão dos portugueses à impunidade de autarcas e arquitectos foi gerando o país inabitável que se vê pela janela. Do carro ou da sala
."
Com a respectiva vénia, aqui está na íntegra o artigo de opinião de J. Pereira Coutinho (Expresso) que eu SUBSCREVO TOTALMENTE.
"Portugal dos pequenitos
Tempos houve em que mundos de ficção eram uma exclusividade do cinema. Relembro ‘The Truman Show’, o simpático filme em que um herói ingénuo era a personagem principal de um «reality show» televisivo. Tudo em volta era fachada: a cidade, a casa, os amigos. A mulher. E só ele, ali criado desde o berço, desconhecia os contornos do engodo. A coisa termina mal, ou bem, com o herói em odisseia clássica, a descobrir a fantasia, a abandoná-la com coragem e a regressar à realidade.
Em Portugal, o movimento é o inverso. E só esta semana o Governo português resolveu abandonar a realidade, onde sobrevive a custo, para mergulhar na mais brilhante fantasia. Aconteceu na escola do futuro, com José Sócrates a saudar para as câmaras uma turma ‘atenta’ e ‘preparada’, que dominava computadores, figuras geométricas e ‘quadros interactivos’. Tudo sob o olhar atento de professores cientificamente preparados e no meio de uma harmonia celestial. Claro que, lá pelo meio, alguém perguntou ao primeiro-ministro se ele não achava estranha a natureza irreal do cenário. Para começar, os ‘professores’ eram funcionários do Ministério da Educação. E, para acabar, os ‘alunos’ eram, na verdade, figurantes de telenovelas que, a troco de 30 euros, foram para ali levados, sentados e, de preferência, calados. O primeiro-ministro não comentou o insulto e, com toda a legitimidade, regressou ao bosque encantado na companhia das fadas e dos duendes. Escusado será dizer que agiu como lhe competia.
Aliás, não é de excluir que esta experiência pedagógica inaugure um novo caminho para a educação nacional, que todos os anos dá sinais de afocinhar na miséria. Se o problema do sistema está na desmotivação dos docentes e na indisciplina e ignorância dos alunos, talvez não seja má ideia removê-los do espaço e contratar actores de telenovela capazes de desempenhar o papel. Uma atitude ousada, capaz de retocar a nossa imagem internacional e que pode ser aplicada a outras áreas de interesse pátrio. Um governo de fantasia merece um país ao seu nível. E só um Portugal sem portugueses estará à altura de um governo sem governantes.
Portugal dos pequenitos (2)
Aqui há uns tempos, a sra. Margarida Moreira, directora da DREN, moveu um processo a Fernando Charrua, um funcionário da casa. Segundo parece, o sr. Charrua é dado ao humor e a directora não gostou que as pilhérias do homem tivessem como destinatário a excelsa figura do sr. José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa. Passaram-se dois meses. E, dois meses passados, a ministra da Educação mandou arquivar o processo por considerar que existe “direito à opinião” e que o comediante Charrua não visou nenhum “superior hierárquico directo”. A sra. Margarida Moreira respeita a decisão e, mais, aplaude publicamente a sua própria desautorização. Num país normal, Charrua seria indemnizado e reintegrado na DREN. E a sra. Margarida Moreira demitia-se, ou seria demitida, por andar a perseguir politicamente os seus funcionários. Mas este não é um país normal."
A grande preocupação do ministério da educação, como toda a gente sabe (se não sabe anda muito desatenta), é aumentar artificialmente o número de portugueses com a escolaridade obrigatória. O objectivo é mostrar à União Europeia que não somos um país de analfabetos. Bom, tarefa complicada, porque os membros da União Europeia contactam assiduamente com os ministros do nosso governo e muitos já conheceram o primeiro-ministro sócrates (e ouviram-no grunhir em inglês com a fluência do polícia Crabtree).

sexta-feira, agosto 03, 2007

women on film


Os rostos das grandes estrelas do cinema. História particular da 7ª arte em imagens.

(Basta fazer clic na foto)





"...o governo socialista é persecutório em relação à Região da Madeira duma forma que roça também a ruptura institucional, ou seja, a ilegalidade. José Sócrates detesta tudo que seja poder com que tenha que conviver e conduziu desde o primeiro dia um ataque sistemático ao Governo regional e a Alberto João Jardim, legislando ad hominem, e criando todas as dificuldades. Alberto João Jardim respondeu-lhe politicamente convocando eleições e ganhando-as de forma inequívoca. Sócrates cometeu aliás o erro da cobardia, deixando os seus companheiros na Madeira sozinhos a pagar os custos das suas atitudes. "
J.P.Pereira, Abrupto.
Ontem conversávamos sobre a figura ridícula que uma jornalista chamada Márcia Rodrigues fez de si mesma e de Portugal, ao apresentar-se de véu para entrevistar o embaixador de uma terreola chamada Irão, país pioneiro na defesa e no respeito pelos direitos humanos, como todos sabemos. Este acto de vassalagem é mais um a adicionar a todos os outros que a comunicação social tem para com países de terceiro mundo e afins (basta ver como falam de Angola).
E pensámos outra coisa. Imaginem que esta história do 'respeito' pega? Quando a senhora for entrevistar um tal de josé sócrates vai rasgar a licenciatura, para não o humilhar intelectualmente? E se vier cá o patrão da Playboy, Mr. Hefner Terão as jornalistas da rtp a mesma consideração e farão a entrevista de bikini? Bom, a valiar pelas senhoras que compõem o quadro rtp de 'jornalistas' (ugh), o homem não merece...
.
Fora de brincadeiras (tirando a parte do tal sócrates), os jornalistas da rtp vestem-se como judeus ortodoxos quando entrevistam a embaixatriz de Israel? Ou ostentam crucifixos quando entrevistam o cardeal patriarca ou um representante do Vaticano ou de um país católico? Usam kilts para entrevistar um político escocês? Ou saiote de palha e camisa amarela com palmeiras e bananas para entrevistar um 'líder' africano?
E pensar que o salário desta gente é pago pelos nossos impostos. Que nojo...

talk about the blind leading the blind

Das duas uma, ou há um conluio entre os analfabetos funcionais (assim tipo Sócrates, daqueles que nada sabem) do ministério da educação, os imbecis das "ciências" da educação e editoras de treta (tipo Porto Editora, Asa, Texto e afins), ou estas últimas aproveitam-se muito bem da inquestionável idiotice dos dois primeiros. Quem não está dentro do mundo das escolas não deve ter noção da quantidade de publicações inúteis feitas para responder a outras tantas inutulidades que o ministério vai criando.
A mais surreal de todas é uma coisa chamada "projecto curricular de turma", que ninguém sasbe explicar o que é e como funciona e para que serve. Diz a lenda que este pct (como lhe costumam chamar) serve para "adequar as competências e conteúdos das várias disciplinas e áreas curriculares (já explico o que é esta treta) de forma a evitar repetições e a criar uma interdisciplinaridade e bla bla bla". Perceberam? Pois. Na prática, o que esta gente pensou foi no seguinte. Se em História se fala de um determinado tema, por exemplo, Renascimento, esse tema deverá ser também abordado na Matemática, no Português, e etc até chegarmos à Educação Física. Isto, obviamente, sem pôr em causa os programas nacionais de cada disciplina. Parece-vos possível? A mim também não. É que não faz qualquer sentido... Voltando ao Renascimento (parafraseando o Black Adder, o Renascimento foi algo que aconteceu a outras pessoas, não à malta do ministério), História dá essa matéria no início do 8º ano. Vai "articular" com Português, que dá Camões no 9º e com Ciências que se fala do Copérnico no final do 8º (ou será no 7º?). Neste caso, a "sugestão" é alterar a ordem das planificações anuais. Algo que em História funciona muito bem, para clareza geral. Fala-se agora do Iluminismo, amanhã de Idade Média (para aproveitar, Ed. Física faz um jogos tradicionais tipo medievais e está articulado), depois porque não a II Guerra e por fim a Hominização (outra etapa que escapou à malta do ministério).
Outra invenção lunática da dupla ME e "cientistas" educacionais foi a área de projecto, acompanhada de formação cívica (FC), um nome pomposo para propaganda política e ambientalmente correcta, e estudo acompanhado (EA). A AP não é uma disciplina (já ouvi falar de actas devolvidas por a designarem assim), mas uma "área curricular não disciplinar". Na prática, é uma coisa inútil, onde os alunos são obrigados a fazer pesquisas inúteis sobre temas mais gastos que o joelho do Mantorras e tão interessantes e válidas como as opiniões políticas do josé saramago (ok, exagero da minha parte, os trabalhos valem um pouco mais que isso). Claro que pouca gente, de alunos a profs, encontra qualquer utilidade na coisa. Obviamente, os iluminados do ministério sabem mais do que toda a gente, e para proclamarem em apoteose o sucesso da AP lá a puseram no 12º ano e a contar para a média. Os colégios privados resolveram isso dando 20 a todos os alunos. Nas escolas públicas ainda há um certo pudor em fazer o mesmo, apesar do exemplo sócrates nos incentivar a passar todos os alunos, em nome da "igualdade de oportunidades" de que falou há pouco a sra ministra.
Ora, como ninguém se entende com o pct e não quer perder tempo com a AP e o EA e a FC, as editoras fizeram "publicações de apoio" do género desta:
"“Área de Projecto do 12.º ano” – Dossier do Professor
A publicação dirigida aos professores, para além de desenvolver as questões centrais relacionadas com esta área curricular, disponibiliza um conjunto de fichas dirigidas aos alunos, grelhas de observação, fichas de avaliação de várias situações de trabalho, mapas de registo das avaliações por período, etc. Parte significativa do dossier é dedicada às técnicas de investigação, tratamento da informação, apresentações, etc. Há uma secção dedicada ao registo diário das observações e registos do professor. A publicação apresenta-se dividida por quatro separadores (Área de Projecto, Módulo inicial, Avaliação, Registos) com espiral para uma fácil utilização. "
e desta:
"O Guia do Aluno não é um manual, como não poderia ser! As fichas que integra, os textos explicativos das técnicas a utilizar e outras rubricas libertam o professor e os alunos da tarefa de fotocopiar todos os materiais. Há uma parte da publicação constituída por fichas de registo dos diários de bordo. O Guia do Aluno - livro brochado - tem as páginas picotadas e furadas para poderem ser destacadas e inseridas no portefólio/dossier individual do projecto, ou entregues ao professor para avaliação."
E conclui a editora:
"As duas publicações, que são independentes mas complementares, têm um carácter eminentemente prático, enquadrando-se no espírito da Área de Projecto. Visam libertar o professor de tarefas que lhe tiram disponibilidade para investir na sua actividade central que é orientar os alunos no desenvolvimento dos projectos.
Até breve,
Centro de Apoio ao Professor
Porto Editora "

quarta-feira, agosto 01, 2007


25 de Julho foi um bom dia. Tudo se conjugou para que corresse bem. Clima agradável, nada de calor extremo. Eu sem trabalho de secretariado graças a uma pausa nos exames (só chegaram à escola a 26, para verificar e publicar os resultados), a Cris com aulas só de manhã no Porto. Ao fim da manhã, autoestrada. Muitos cds no carro. Pausa para almoço. Pausa para gasóleo. Pausa para revistas e tabaco.



Depois o inferno do trânsito lisboeta, eu a querer encarnar a figura do alentejano, dois pés no travão e mãos na cabeça gritando por Nossa Senhora do Pronto Socorro. Avenida acima, avenida a baixo. Campo Grande. Alvalade XXI (não é tão feio quanto dizem, mesmo com louça de casa de banho não parece um penico como outros). Marquês. Liberdade. Marquês. Perdidos. Afinal achados, ah não, novamente perdidos. Paragem para perguntar direcções. "Se estivessem de metro era mais fácil, de carro é mais difícil." De facto, Lisboa tem outra escala em relação ao resto do país. Avenida acima (ou abaixo), rotunda, rotunda. Palavras censuradas. Respirar fundo. Nova paragem para perguntar direcções. "É o edifício ao fundo." Não parecia, mas há que acreditar. Estacionámos. Não era o edifício ao fundo, mas era na rua ao lado, menos mal.



Hora de jantar. Com tantas centenas de pessoas a passearem e a jantarem naquela zona, ao nosso lado tinha de ficar o par pedante do ano. Um casal que inicialmente suspeitei estarem envolvidos em tráfego e consumo (mais fácil de acreditar) de drogas, pela forma como as palavras Colômbia+Holanda apareciam na conversa. Pior. Era malta da televisão. Ou pelo menos diziam eles, e várias vezes. Trabalharam assim com a RTP, filmaram ali ou estiveram nos bastidores de... O curioso é que falavam entre eles. A comida atrasou-se, pagaram os aperitivos e foram embora, porque ficavam sem lugar no concerto. Estranho problema, porque a sala tinha lugares marcados. Mas ainda bem que foram, pois permitiu-nos um fim de refeição mais descansado. Eles a saírem, a comida a chegar. Como diz a Cris, Deus não dorme (embora às vezes pareça).






Nessa noite de 25 de Julho, Aimee Mann deu o seu primeiro concerto em Portugal (Coliseu de Lisboa). Um concerto excelente, com a cantora encantada com a sala (elogiou a beleza da sala e dos bastidores) e com Lisboa (que, segundo disse, percorreu na véspera aproveitando para saborear os nossos vinhos). Em entrevista, disse também que Lisboa foi uma escolha pessoal, para incluir a uma lista reduzida de concertos (Londres e Dublin). E a crer pelo blog pessoal da cantora, no myspace, a opção valeu bem a pena.


"The highlight of the tour was Lisbon...we flew in and had a day off so we really got to spend a bit of time there, had a great meal, found a little outdoor cafe and drank some wine and some port, and then show the next day was fantastic...the audience was terrific, and the venue was beautiful, and I had a lovely time. I'm truly blessed to be able to make my living playing music with such great people. "

O concerto decorreu sempre de forma bastante descontraída, com Aimee Mann à vontade para críticas, comentários, confissões e até para se enganar e recomeçar uma música (que tocava ao vivo pela primeira vez). Anunciou um video amador de 31 today, que fez com uma amiga em 1h e está à vista de todos no tube. Cantou as belíssimas canções do Magnólia e revelou o ressentimento que caracteriza várias das suas letras, ao recordar que uma dessas canções perdeu um óscar para "Phill Collins and his monkey song" (bso do Tarzan, da Disney). Compreende-se o ressentimento, sobretudo porque perder o que quer que seja para o Phill Collins deve ser desmoralizante. mas já passaram anos suficientes para esquecer o trauma. Encaremos a coisa como um desabafo, feito entre amigos. E Aimmee estava seguramente entre amigos, se assim se pode considerar quem admira a sua obra. O público português mostrou sempre o entusiasmo que o caracteriza e o torna famoso (perguntem a P.J. Harvey, Peter Murphy ou Andrea Corr). Momento alto (opinião pessoal), o momento mais íntimo de todos, num dos encores, com Aimmee Mann a sós com a guitarra, sob o foco de luz. O palco escurecido, ocultando os outros músicos. Pouco a pouco, sem darmos conta, foram entrando na melodia, o piano, o baixo, as percussões, e tudo terminou em arrepios e aplausos.
Entre o Pepe e o Luisão realmente só um ignorante (podes tirar as aspas) preferiria o segundo. Mal por mal, antes o Polga ou o Tonel.
Já agora, gostei do teu texto e da mensagem nele escondida. Pois se o barça é fantástico e se reforçou tão bem (pelos vistos também têm dinheiro) a ponto de ser o grande favorito, o facto de nos aguardarem "grandes surpresas" significa que se calhar o campeão vai ser o mesmo deste ano. Ou estás a pensar no Atlético do simãozinho?

Nuestros hermanos...

Como disse anteriormente, o Real ter ganho o campeonato foi um milagre. Faz-me lembrar a época em que o Boavista foi também campeão. O Barça deu de mão beijada o título ao Real. Puro demérito. E claro, Capello tinha que sair pois o futebol que demonstrou foi muito fraquinho. Este ano, mais uma vez o Barça é o principal favorito. Continua com uma equipa fantástica, agora reforçada por mais um grande jogador, seu nome Henry. Apesar de não gostar de falar no Real tenho que admitir que compraram um excelente defesa central, quem sabe um dos melhores do Mundo na actualidade. Ao contrário dos "ignorantes" adeptos do Real que preferiam o Luisão do Benfica (vê-se logo que não conhecem o futebol português), a estrutura do Real fez uma excelente aquisição. Comparar Pepe a Luisão é ridículo. Naturalmente vai ser titular indiscutivel da nossa selecção num futuro próximo. Por aí não me parece que o Real tenha problemas. Quanto a Schuster, também não me diz nada. Quem sabe comprem o kaka por 90 milhões e fiquem todos contentes. Pelos vistos dinheiro têm muito mas falta o resto. Acho que vai ser uma época cheia de surpresas...

mensagem matinal

A primeira que li hoje no telemóvel:
"Vou até à Bulgária. Será que daqui a uma semana já não vou ter socrates no poder? Aguardo."

Schuster e Pepe já dão cartas no Real

Pena é que sejam duques. Em Dezembro, o primeiro estará no desemprego e o segundo no banco, à espera da transferência para o Huelva no defeso. Espero estar enganado, mas duvido. Eu disse que não continuar com o Capello era um erro.

quinta-feira, julho 26, 2007

Nem mais

"Quem tem obsessões com a Madeira — que indiciam já um aspecto doentio —, quem está doente, trata-se".
(A. João Jardim, sobre o "engenheiro" Sócrates, citado pelo Público)
.
Não posso deixar de concordar com Jardim. Ontem no editorial do Metro comparava-se o "engenheiro" Sócrates com Salazar, a propósito das manifestações "espontâneas" de idosos do norte do país na festa lisboeta do partido e da vergonhosa encenação com crianças pagas a €30 euros por cabeça e actores fazendo-se passar por professores, só para vender a mentira do sucesso do choque tecnológico. "Engenheiro" de almas, dizia-se dos líderes soviéticos, "engenheiro" ou farsante? A ditadura, diz-se, é o regime da mentira. Daí também a comparação com o salazarismo. Porém, as comparações com o presidente do conselho limitam-se aos defeitos: o autoritarismo, a prepotência, a prática da censura aos seus críticos (basta ver o caso Charrua). É que Salazar não se fazia passar por quem não era, todos sabíamos que ele era anti-democrático, anti-comunista, defensor de um regime autoritário de partido único e efectivamente licenciado numa Universidade respeitável e de confiança.

quinta-feira, julho 19, 2007

Crimes do Acordeão


Descobri Annie Proulx quando vi o dvd do Shipping News. Gostei tanto do filme que tentei perceber quem teria escrito aquele enredo. Mas o livro ainda não havia sido traduzido em Portugal. Ninguém reparou no filme, ainda menos na obra que estáva na sua origem. Mas eis que surge o filme, para mim cansativo e pouco sedutor que foi O Segredo de Brokeback Mountain, baseado num conto da mesma autora. Nada melhor do que falar da homossexualidade para despertar alguma curiosidade nas pessoas. Assim, Annie Proulx passou a ser um nome conhecido por estas paragens. O que arrastou a tradução de mais obras suas, nomeadamente o referido Shipping News. Feliz da vida recebi o livro de presente e voltei a mergulhar no ambiente que tão bem foi retratado no filme.
Agora debato-me com Crimes do Acordeão. Debato-me não será o melhor termo, mas dada a complexidade da escrita desta senhora, a sua leitura torna-se quase uma luta. A primeira impressão que tenho do livro, agora que vou a cerca de metade, é que parece uma corrida de estafetas. Em que a estafeta é um acordeão. O livro está dividido em oito capítulos que mais não são do que oito contos, unicamente ligados pelo mesmo acordeão. É um jogo, um jogo para contar um século de história americana e dos emigrantes que a contruíram. Mexicanos, italianos, irlandeses, canadianos...

No jardim ou na praia, têm-me acompanhado este tijolo com mais de 450 páginas. É uma bela companhia :) daí a recomendação.

terça-feira, julho 17, 2007

No comments

Dirigente do Bétis: «Comprámos o Ricardo, ídolo do Porto, por 4 milhões»

domingo, julho 15, 2007

O casamento dá votos?

Sondagem e reportagem do Telegraph, que revela a importância que o casamento (ainda) tem entre os britânicos (sobretudo para os mais velhos - se 80% destes consideram o casamento "very important", as percentagens descem para metade nas gerações entre os 18 e os 34, o que não surpreende). A sondagem, por outro lado, mostra também a indecisão dos britts quanto à forma como o Estado poderá interferir nessa forma de união.

Até que enfim

Ao "arrogante" e "opinativa" eu acrescentaria o "cínica" e o "tendenciosa" e a frase estaria perfeita. O prós e prós (nome que retrataria melhor a essência do programa) tresanda a propaganda governamental disfarçada de debate. Basta recordar o fantástico "debate" (chamemos-lhe assim) sobre educação com a ministra e os seus amigos bajuladores.
.
A propósito de ministra. A senhora ficou ultimamente numa situação complicada. Que fazer com a questão dos exames nacionais? Fazê-los com um grau elevado de exigência, obter maus resultados e poder com isso culpar os profs? O problema é que se arriscaria a perder o apoio dos representantes dos encarregados de educação (não confundir com os verdadeiros encarregados de educação). Não querendo correr o risco, a solução foi fazer a coisa bem fácil para agradar aos papás e estimular as estatísticas. Pena é que os sindicatos não tenham aproveitado para dar os parabéns ao excelente trabalho dos professores que tão bem prepararam tantas crianças e adolescentes para os exames e criticar a ministra por conscientemente agir de má fé contra eles. Seria um exercício de cinismo justo e certeiro, tendo em conta a criatura que visavam atingir.
.
Questiona-se o porquê de as notas terem subido nos exames de mat do 12º ano e terem sido "catastróficas" nos exames do 9º ano. As explicações são muito simples:
a) O exame de 12º ano era uma treta fácil (embora não fosse tão básico como o de português de 9º ano, seguramente pensado para ser resolvido pelo pseudo-eng. sócrates);
b) Os alunos do 12º ano precisam da nota para terminar o secundário e entrar na universidade , (e sobretudo em medicina, curso em que a matemática, não se percebe porquê, é exigida como prova de ingresso);
c) Os alunos de 9º ano que sabiam que podiam passar de ano sem precisarem da positiva de matemática pura e simplesmente não estudaram para o dito exame. Ou porque já traziam a negativa (1 ou 2) na nota de frequência de 9º ano e nunca a subiriam com o exame (precisavam de tirar 4), ou porque já tinham a positiva garantida com a nota de frequência (3 a 5), e mesmo que baixassem passariam de ano. Muitos dos meus alunos, que são malta relaxada e pragmática, disseram-me directamente que não iriam estudar para o exame porque "não valia a pena". Confesso que concordo com eles. De que vale esforçar-se para fazer um exame que nada muda e para nada conta a não ser para as estatísticas idiotas do ministério e para encher mais umas notícias nos jornais?
Depois de mais esta notícia, aguardam-se novas lágrimas de crocodilo do auto-intitulado engenheiro sócrates. Num país civilizado, há muito que a manada que compõe o ministério da educação estaria no local apropriado. Por aqui, tirando algumas vozes que continuam a declarar não compreender a ausência de demissões de certas senhoras e senhores, está tudo bem.

Concordo totalmente

"...o ódio à América não se distingue, hoje, de um ódio à humanidade..."
(J. Pereira Coutinho)

sábado, julho 14, 2007

burro como uma (La)porta

Laporta sobre Saviola, que deixou o barcelos para jogar no Real Madrid "le deseo la misma suerte deportiva que ha tenido el en Barcelona".
.
Laporta sobre a contratação de Pepe pelo Real Madrid, por 30 milhões, depois de ter pago 20 milhões por um tal de Milito: "Los demás sabrán lo que hacen, pero lo que ocurre es que es cierto que estas operaciones, por un importe superior, nos inflaccionan a todos el mercado. Tenemos que intentar trabajar en los 'tránsfers' en las cantidades más apropiadas porque, si no, se disparan y lo inflaccionan."

quinta-feira, julho 12, 2007

Morte

O tema da morte. Ando com ele desde a mensagem sobre o P. Roth. Vêm à memória as aulas antigas de 12º ano, com os estudos sobre a morte no Antigo Regime. A morte que era vivida ao vivo, em casa. Hoje, nem se ensina a morte, nem se vê a morte, a verdadeira morte, a do corpo que conhecemos com vida a expirar perto de nós. Mortes só em números ou em ficção. Ou escondidas no ambiente dos lares e hospitais, espaços que, em muitas situações, são ante-câmaras funerárias. Fugimos da morte porque cultivamos a juventude? Ou é ao contrário, e o culto da juventude é só um desesperado desejo de imortalidade?
Nestes dias em que pensei nisto em alguns momentos e me lembrei de opiniões que li ou ouvi, dei comigo a concordar mais com a segunda hipótese. A juventude, o culto do corpo, é algo que nos prende ao nascimento, à vida que começou e nos faz esquecer a morte que nos espera. Com a subida da esperança média de vida, hoje identificamos velhice com morte e sentimo-nos mais chocados com a morte de quem era novo. "Youth are diamonds in the sun, and diamonds are forever", cantava uma canção dos anos 80, por sinal intitulada Forever young.
O medo da morte, lembram muitos autores, sempre existiu. Mas o medo físico, instintivo. O outro medo, o que realmente apavora as noites em que os pensamentos se deixam atrair nessa direcção, é mais recente. É o medo do desaparecimento completo. E esse medo floresce em sociedades que já não acreditam na vida após a morte, no conceito de alma e de Deus. Lembrei-me daquele conceito de vida que havia na Idade Média: a vida era uma sofrida peregrinação para expiação de pecados (do pecado original herdado de Eva e Adão) e a morte era a chave para a felicidade eterna no paraíso. Hoje, quando publicidade, ciência, política, ficção e a Walt Disney nos prometem a felicidade na Terra, imediata, adquirível e consumível, materializada em dinheiro e luxo, confundida com amor ou sexo, é mais difícil querer sofrer e morrer. Não foi à toa que a preocupação de uma mãe (história verídica) em relação ao namorado da filha não era haver ou não amor entre eles, mas ele não ter um emprego que garantisse a felicidade dela. A felicidade está ao nosso alcance, não é preciso sofrer, chorar, sobretudo não é preciso esperar. Este imediatismo matou a fé que carregámos durante séculos. E uma sociedade que mata o seu próprio Deus necessariamente não consegue acreditar na imortalidade. Mas pode continuar a sonhar com ela e a negar a sua própria mortalidade.

Last call

Estou?
Sim. Ligaste?
Liguei.
Já vais?
Já. Liguei porque quero ouvir-te dizer directamente que é mesmo verdade que não...
(silêncio para o exterior, ruídos e gritos e vozes internas) É mesmo verdade que não...
(Fim de ligação)
Caro João, parece-me que és o único portista com quem falo (e moro com um, fanático por sinal, sou amigo de mais três e trabalho com mais meia dúzia) que está contente com as vendas de bons jogadores do plantel. Porque os outros temem que o nível da equipa baixe, pondo em causa sucesso desportivo, a menos que o FCP se limite a jogar para consumo interno. E, ao mesmo tempo, não acham que o dinheiro que tem entrado esteja a ser utilizado para o que devia, ou seja, para sanear as dívidas e o passivo do clube. Portanto, nem toda a gente concorda com a tua ideia de boa gestão. Não sei se acompanhas as crónicas do M.Sousa Tavares, mas também ele não está propriamente contente com tantas vendas. Nos últimos anos, graças ao Mourinho, o FCP encaixou mais de 200 milhões de euros em tranferências. Como é que é possível que se mantenha o passivo?
ps: Claro que há quem diga que todo o dinheiro é pouco, tendo em conta as despesas judiciais que se adivinham com o decorrer do processo apito dourado... Mas deve ser só uma brincadeira.

quarta-feira, julho 11, 2007

Campeão Europeu de venda de jogadores

Este ano o FCP não está a dar hipóteses à concorrencia. Mais 30 milhoes de euros pela venda de Pepe...já lá vão 69 milhoes este ano só de receita com as vendas de jogadores...grande gestão, de facto. Além do mérito desportivo, o mérito financeiro. Porque será que os jogadores no FCP valorizam assim tanto :)?

sexta-feira, julho 06, 2007

ROTH


Comecei por ler a crítica. Não que precisasse de uma crítica boa para pegar no livro. Calhou! Comprei-o na última visita à Fnac mas não o li de imediato. Quem o fez primeiro foi o G. Gostou. Fiquei a cismar. Afinal o livro não deveria ser muito pessimista, nem dramático e angustiante. Felizmente terminou rapidamente e eu segurei-o com força não fosse ele escapar-me. Comecei nessa mesma noite. Mas o sono não me deixou avançar muito. Na manhã seguinte fui confrontada com a morte repentina, inesperada e injusta de alguém que ainda devia por aqui andar. Ao fim da tarde, tomada por um sentimento de tristeza, de incompreensão, fui caminhar para o meio das ruas movimentadas desta pequena cidade. Para me sentir viva. Já cansada, sentei-me num banco do jardim. Escolhi um sem sombra, porque apesar do sol sentia-me arrepiada. E para que o sol não maltratasse a minha cabeça, protegia-a com a minha book cover. E ali fiquei. Até à última linha. A morte! A morte que é tão banal, que faz parte do quotidiano mas que não conseguimos aceitar. Que nos apanha sempre de surpresa, seja ela esperada ou repentina. A degradação do corpo...
Educam-nos para a vida e não o fazem para a morte. Contamos às crianças a "estória" da sementinha que o pai põe na barriga da mãe e depois escondemos a morte.
O livro não é amargo. Deve-se ler. Porque transforma-nos. Porque faz-nos pensar. Boas leituras!

segunda-feira, julho 02, 2007

Parabéns, Leonor, pelo teu primeiro aniversário!!!


Um tipo perde mais de uma hora a tentar resolver um problema que o cruzamento de dados entre imbecis das finanças e imbecis da cg depósitos provocou e a página das finanças está constantemente "momentaneamente indisponível". Desisti, obviamente. Tentei então imprimir o folheto simplex que me permite pagar o imposto municipal sobre veículos. Obviamente tal não foi possível. Viva o simplex e a competência dos serviços das finanças. Chama-se a isto servir bem o cidadão. E depois admiram-se que haja fuga aos impostos. Nem sequer é fuga em muitos casos, é mera desistência. E justificável... É que, ao contrário das pessoas que trabalham em finanças (se é que lhes podemos chamar de pessoas, lembro que no Dilbert eles são criaturas do inferno), o resto do mundo tem VIDA PRÓPRIA!!!

domingo, julho 01, 2007

Aquisições recentes

Presença confirmada em Agosto, na Zambujeira do Mar
(onde poderemos ver também
Vanessa da Mata,
Mayra Andrade,
os escoceses The Cinematic,
e os sempre interessantes James)


James Ellroy. Brian De Palma. Scarlett Johansson.

(e está dito o essencial)

Um filme de Terrence Malick

que conta a história de Pocahontas.

Como é habitual em Malick,

é encantadora a fotografia e a forma de filmar,

com a atenção muitas vezes dada aos pormenores

(basta recordar Barreira Invisível)


O regresso da voz dos Cranberries...



... e de Tori Amos

sábado, junho 30, 2007

Old Jerusalem


Apesar do nome, a origem do(s?) Old Jerusalem é portuguesa. The Temple Bell é um bom cd que vale a pena conhecer.

Pedras rolantes

Não fazia ideia que os Stones tinham tido só meia casa. Ultrapassados não creio que estejam, porque, que eu saiba, Sinatra, Beatles, Ella e, já agora, Gerschwin e Beethoven nunca ficam ultrapassados e nem com as linhas brancas e os fumos voltariam aos palcos. Clássicos são sempre clássicos. Porém, há que ter em conta um factor. Penso não me enganar muito se presumir que a maioria das pessoas que enche estádios para concertos é relativamente nova e, em grande parte, composta por adolescentes ou recém-saídos desse estádio evolutivo. Ora, a música que hoje em dia esse público-alvo ouve está muito distante do rock n´roll. Muito pop (Robbie Williams, Madonna, Shakira, Nelly Furtado), algum gótico (evanescence) e sobretudo, muito hip hop e afins (que me dispenso de citar, basta ligar a mtv para recolher alguns nomes ou designações). Para não falar no Tony Carreira ou nos sobremesas dos morangos com açúcar. Stones não será propriamente o programa que quererão para uma noite musical, sobretudo depois de saberem que os pais até gostariam de ir com eles (em alguns casos, os avós).
Por fim, há os que gostariam de voltar a ver um grande concerto (o de Coimbra foi o melhor concerto que vi até hoje, talvez com a excepção dos Pogues, mas por motivos muito diferentes) e não puderam porque convém lembrar que somos governados por um analfabeto funcional (correcção, por vários liderados por um que até tem diploma a confirmá-lo) que afundou o país na maior crises das últimas décadas, pelo que o € não abunda e os bilhetes eram bastante caros. E uma vez que se trata do terceiro concerto em poucos anos (Coimbra, Porto e agora Lisboa, para além de outros em Espanha), poderá haver algum cansaço ou uma opção de não rever a banda e usar o dinheiro para outros concertos ou outras despesas.

Capello

Ou eu muito me engano, ou os dirigentes do Real vão arrepender-se da opção que fizeram. Mais uma vez, o futebol do Capello era tão pobre que bateu aos pontos o "grande" futebol do barcelos. Aliás, tão pobre que o homem foi campeão em todas as equipas que treinou. Quanto ao estilo de jogo, não vejo que treinadores têm equipas que joguem para o espectáculo? Mourinho? Mr "special one pontapé para a frente e o marfinense que resolva"? Benitez? Ugh... O Rijckaard? Nota-se... Schuster? Quem? Ah, o do Getafe! (de onde? quem?). Só Wenger e esse, recorde-se, nunca ganhou nada de significativo.
Da última vez que Capello passou por Madrid, foi campeão (na época anterior o clube não conseguira apuramento para a uefa). No ano seguinte, com a equipa que ele construiu, venceu a Champions pela primeira vez em várias décadas. Dois anos depois repetiu a dose. Quatro anos depois, idem... Alguém uma vez disse que Capello constrói o ferrari, depois qualquer um o pode conduzir. Presumo que até Schuster o consiga. Mas caso consiga, o mérito é de Capello. Caso não consiga, o demérito é todo seu. E de quem o contratou.

sexta-feira, junho 29, 2007

Pois é Paulo, o Capello é bom treinador para ti mas não é para os que dirigem o Real...eu até os compreendo. Com aquele futebol pobre e inconstante não há título que salve a época :)

Brad Mehldau


"Brad’s performances with Pat Metheny began earlier this year in the United States and Canada, and included 30 concerts, traversing east and west. The next tour, starting in late June, will cover Europe, and they will round out the year in the fall with concerts in Southeast Asia. The band features bassist Larry Grenadier and drummer Jeff Ballard as well. In concert, the group is playing material from the two albums they have released. First there was “Metheny Mehldau”, released late last year, which included a majority of guitar/piano duo performances; and more recently, “Metheny Mehldau Quartet,” which featured primarily the group with Grenadier and Ballard. In the live shows, Pat and Brad have been beginning in a duo setting, with Larry and Jeff joining them later. Of this format, Mehldau says, “What you get in the shows is a broad sonic canvas – there’s a large amount of variety there. The duo can really play at a whisper, but there are moments in the quartet part of the show where the intensity is more like rock’n’roll.” Pat plays a few different guitars throughout the set: you’ll hear his classic dark electric sound, and he also pulls out the roland synth for some ‘shredding’ moments, like on his own “Ring of Life”, or Brad’s “Secret Beach.” The beautiful ‘baritone’ guitar is featured on Pat’s own tune, “Make Peace”, from the first duo record, and the trippy 42 string ‘Picasso’ guitar on “The Sound of Water” from the more recent record. Mehldau says of the touring, “I haven’t toured this extensively in a while – my trio or solo tours are shorter in length. But this is really a blast so far – we’re on the Pat Express!”

Quem puder Coliseu do Porto, [Pat Metheny and Brad Mehldau w/Larry Grenadier & Jeff Ballard]
7 de Julho de 2007

Tenho o álbum "Live in Tokyo" e é fantástico.

Site Oficial : http://www.bradmehldau.com/

quinta-feira, junho 28, 2007

Rolling Stones II

Talvez porque já estejam acabados ;)
Já sei que todos vós os acham o máximo. Mas se não for com umas linhas aspiradas e umas transfusões de sangue eles já não se aguentam...

quarta-feira, junho 27, 2007

Comment...

Algum de vós sabe explicar-me porque razão o concerto dos "Rolling Stones" em Alvalade só teve meia casa? Não percebi...

terça-feira, junho 26, 2007

O Véu Pintado



Primeiro vi o filme, só depois li o livro. Para alguns isto não resulta. Se já se viu o filme, não se vai ler a história porque já se sabe o final. Para mim nunca foi impedimento. E como sempre o livro superou o filme, ainda que as interpretações da divina Noami Watts e do Edward Norton sejam irrepreensíveis.

No cinema as emoções são imediatas, a imagem consegue mais facilmente transmitir, passar a mensagem, mas quem escreve como o Somerset Maugham não necessita da "facilidade" do cinema.
O livro é primoroso, cativante e deixou-me um pouco perplexa. Questionei ao longo da leitura se o autor seria um pouco xenófobo... A caracterização dos chineses não me pareceu despida de algum preconceito. Mas posso ter interpretado mal...
Recomendo ambos, independentemente da ordem.

segunda-feira, junho 25, 2007

sugestão musical

Muito bem, viva a variedade... Se bem que os temas não tenham sido só sobre futebol (há uns posts sobre política e sobre música, se bem me lembro).

Próximo dia 25 de Julho, se puderem e estiverem por Lisboa (ou arredores), não percam o primeiro concerto da Aimee Mann em Portugal. Bilhetes à venda na fnac (e ainda disponíveis).


quarta-feira, junho 20, 2007

Fabio Capello diz que o Chelsea é a equipa mais forte da Europa.

terça-feira, junho 19, 2007

Este blog

Houve tempos em que este blog era minha visita diária. Os assuntos eram variados. Agora meninos, vocês só falam de futebol. Vamos mudar isso. Eu pelo menos vou. A partir de hoje o meu contributo será assíduo. Evidentemente nunca escreverei sobre futebol ;) Volto com as minhas sugestões literárias, cinematográficas e no âmbito das artes plásticas. Parece-me bem a diversidade.
A ver: "Entre Inimigos" (final inesperado)
A ler: "O Cemitério de Pianos" de José Luís Peixoto (ainda que continue a duvidar que é o rapaz que escreve os livros...)
A visitar: "Exposição do Curso Superior de Fotografia do Instituto Politécnico de Tomar" no Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa, até 31 de Julho