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domingo, outubro 12, 2008

Decretos

1732
[10 de Março] - Alvará que proíbe a vinda para o reino de mulheres residentes no Brasil.
1735
[4 de Abril] - Decreto que proíbe a promoção a cabo, furriel, sargento, alferes ou tenente a quem não soubesse ler e escrever.
1751
[15 de Março] - Lei contra o delito de pôr cornos nas portas (dos maridos enganados).
1755
[4 de Abril] - Alvará que declara isentos de qualquer infâmia quantos casassem com índias da América.
[6 de Novembro] - Aviso que ordena que as forcas, para a execução dos réus dos roubos, fossem altas quanto possível, «ficando eles nelas até o tempo os consumir.»
(in História de Portugal em Datas, Círculo de Leitores)

Novos santos

O Papa Bento XVI canonizou hoje quatro novos santos, entre os quais a equatoriana Narcisa Jésus Martillo Moran (1832-1869) e a religiosa suíça María Bernarda Butler (1848-1924), que viveu no Equador e na Colômbia, onde morreu.
Os outros dois são o padre italiano Gaetano Errico (1791-1860), fundador da Congregação dos Missionários dos Sagrados Corações, e a religiosa índia Alfonsa da Imaculada Concepción (1910-1946).

quarta-feira, outubro 08, 2008

Dia 31 de Outubro


Vai ser verdadeiramente o dia da bruxa, em Baião.

Portugal não é um país a sério

Aqui no concelho,

O sr dr médico de família recusou-se a passar um atestado médico pedido por uma aluna grávida para as aulas de educação física porque "não recebe ordens de um director de turma" e porque só o passa se a aluna for ao seu consultório particular. Passado algum tempo, a directora de turma dirigiu-se ao centro de saúde e foi informada que o médico em causa não passou o atestado porque não conhecia a legislação, que, por acaso, lhe tinha sido fornecida pela aluna em causa. O atestado ainda não foi passado. Também não consta que o dito dr esteja a frequentar aulas de língua portuguesa que o tornem apto a ler textos em português.
*
Numa das escolas aqui do sítio, só há um pc a funcionar, dos quatro existentes para trabalho dos professores. É neste equipadíssimo parque escolar que estão já a ser distribuídos magalhães às crianças. Belo governo que, em vez de usar o dinheiro para equipar as suas instituições públicas, compra votos e favorece empresas manhosas com combinações sem contrato, como noticia o Público de hoje na primeira página.
*
A propósito de computadores e de propaganda ministerial, numa outra escola perto de nós foi retirado o office (pirateado) dos pcs que o ministério forneceu sem software até ao dia da visita indesejada da ministra. Até lá, os alunos do curso de informática ficam a fazer de conta que trabalham, tal como os alunos do curso de electricidade, que ainda não têm um professor para as disciplinas tecnológicas. De qualquer modo, a dren ou alguém responsável não é capaz de entregar os materiais necessários para o referido curso. Dizem que é falta de verba, mas não se percebe como tal é possível, pois a verba é reservada apenas ao material para o curso e nada foi comprado até ao momento. Seja como for, não é fácil, mesmo tendo o dinheiro virtual, comprar algum material útil, pois a legislação não permite que se comprem pcs ou impressoras para um curso de informática, nem máquinas (ferros de soldar e outras) para o curso de electricidade. Só permite que se comprem pendrives, cd-rom, lâmpadas e solda. Está bem visto...
*
O aluno que voltou ao curso com a cunha do sr importante a quem o presidente tanto quis agradar disse que só anda a frequentá-lo para poder receber o pc do e-escolas. Uma vez que o aluno anda a frequentar as aulas sem estar ainda inscrito, não deixa de ser interessante saber como é que a escola vai passar a documentação necessária para a encomenda do pc.

sexta-feira, outubro 03, 2008

Sequelas de Londres

Segundo A Bola, o guarda-redes Helton, do Porto, "está a contas com um torcicolo". Sem dúvida causado por olhar tantas vezes para trás durante o jogo com o Arsenal, para ver a bola no fundo da sua baliza.

domingo, setembro 28, 2008

O mais belo casal do cinema

Excerto de Gata em Telhado de Zinco Quente

(peça de Tennessee Williams),

realizado por Richard Brooks.

Vinha eu, Sexta-feira, de regresso a casa, a ouvir o Contraditório, quando a conversa no programa se debruçou sobre Afonso Henriques. Carlos Magno defendeu que Guimarães deveria ser a capital de Portugal, uma opinião que não comento. O que é importante comentar é o espanto de Luís Delgado, dizendo que não compreende por que motivo D. Afonso Henriques está sepultado "num mosteiro em Coimbra."
É verdade que as pessoas, mesmo os comentadores políticos, não podem saber tudo e, por vezes, são obrigadas a falar de assuntos em que se sentem menos à vontade. No entanto, há situações em que o silêncio é preferível. Claro que na rádio o silêncio é incómodo e tem de haver sempre uma frase a encher o ar. Mas falar da importância do conhecimento da história pessoal de Afonso Henriques para a compreensão da nossa realidade e não perceber a ligação entre o primeiro rei e o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra é algo de ... contraditório. Das duas uma, ou não se conhece a história de Afonso I, ou não se percebeu essa história.
Se Afonso Henriques nasceu realmente em Guimarães (facto que a Historiografia não dá como garantido, mas a mitologia local mantém por tradição e turismo), esse facto é algo acidental. Ninguém escolhe onde nasce (eu que o diga). Pode-se nascer até numa terra que nunca se irá conhecer, por mero acidente. Daí não nasce uma ligação emotiva e pessoal.
Ao longo da sua vida, Afonso I elegeu Coimbra como terra de eleição. E promoveu o Mosteiro de Santa Cruz, a quem confiava a guarda do seu tesouro e de onde saíam homens de confiança da sua corte e conselho. Por esse motivo, o Conquistador escolheu a igreja do Mosteiro dos Agostinhos para descansar no seu sono eterno. Ninguém escolhe onde nasce, mas o local onde passaremos a eternidade pode ser fruto de uma decisão íntima.

Crimes

"Porto, 16 Set (Lusa) - Homicídio qualificado, raptos, extorsão, associação criminosa e posse de arma ilegal são alguns dos crimes que o Ministério Público (MP) do Porto imputa a 12 pessoas que centravam a sua actividade nas cobranças coercivas de dívidas.
(...)
O homicídio constante do processo é o de Tiago Ferreira, suposto colaborador do grupo, e foi determinado porque a vítima não depositou na data que lhe fora indicada, um cheque no valor de 3.168,61 euros, fazendo-o cinco dias depois, indica a acusação do processo.
Era preciso "apagar" o Tiago, determinou um dos membros do grupo durante um encontro num shopping da Trofa a missão acabou por ser cumprida numa zona serrana, em Campo, Valongo.
A 22 de Janeiro do ano passado, Tiago Ferreira foi levado para Valongo com a argumento de que era preciso efectuar vigilância a um suposto devedor, acabando por ser agredido com uma pedra na cabeça, vários socos e pontapés.
Os agressores, que o MP diz serem cinco dos 12 arguidos, deixaram o jovem ainda com vida, mas voltaram ao local para "apagar o Tiago e fazer desaparecer o corpo".
Equacionaram baleá-lo na cabeça, mas tiveram receio de que o barulho do disparo alertasse alguém, pelo que optaram por o agredir com uma sachola e atirar o seu corpo para um poço, afirma a acusação.
O cadáver veio a ser encontrado nesse poço, a 23 de Março seguinte, já em putrefacção.
Segundo o processo, Tiago já pressagiava o seu fim, porque tinha dito a uma tia que ia viver uma situação "de índios e cowboys" e pediu à ex-companheira que chamasse a polícia se não aparecesse até às 22:00 de determinado dia."
(JN)

sábado, setembro 27, 2008

Nada de novo

Nada de novo. Turmas engraçadas. Turmas barulhentas. Um presidente boçal e mal criado. Maus alunos, bons alunos. Caras novas, novas caras, caras conhecidas. Bons amigos. Música. Viagens. Amigos do P. Bento derrotados. Dinheiro perdido. Mais viagens. Novo ano, novos problemas e velhos problemas. O barcelona a ganhar com penalti no minuto 95. Encolher de ombros. Fnac com preços altos. A sensação de que já não há filmes. Nem tempo para os ver. Livros novos. Falta de tempo para ler. Frio. Calor. Martini. Coca-cola. Rabiscos. Real a vencer. Mensagens de telemóvel. Telefonemas adiados. Mais música. Gelados. Sonhos. Noites breves. Dias inúteis. Fins-de-semana. Cunhas e corrupção. Nada de novo. Feira das velharias. Coimbra. Portugal.


Paul Newman


(25 de Janeiro de 1925 - 26 de Setembro de 2008)

quinta-feira, setembro 25, 2008

Cardigans - And then you kissed me


(Uma canção sobre violência)



man, i've had a few

but they wouldn't quite blow me like you

you gave me your name and signed

with a halo around my eye



and it hit me like never before

that love is a powerful force

yes, it struck me that love is a sport

so i pushed you a little bit more



love, you're news to me

you're a little bit more than i thought you'd be

a mole in my well-fed lawn

you're a nightmare beating the dawn



oh, it hit me like never before

that love is a powerful force

yes, it struck me that love is sport

so i pushed you a little bit more



Blue, blue, black and blue

red blood sticks like glue

true love is cruel love

red blood's a power-fuel

sweet love, tasty blood

my heart overfloods



oh you hit me!

yeah, you hit me really hard

man, you hit me!

yeah you hit me right in the heart



lord, i've had my deal

but i never quite knew how it feels

when love makes you wake up sore

with fists that are ready for more



and it hit me that love is a game

like in war no one can be blamed

yes, it struck me that love is a sport

so i pushed you a little bit more



oh, blue, blue, black and blue

red blood sticks like glue

true love is cruel love

red blood's a power fuel

sweet love tasted blood

my heart overfloods



man, you hit me!

yeah you hit me really hard

baby, you hit me!

yeah you punched me right in the heart

and then you kissed me...

and then you hit me...




oh, you haunt me with your violent heartbeat at night

oh, you strike me with your silence baby, tonight

why you haunt me with your violence baby, come hit me!

you haunt me with your violent heartbeat...

segunda-feira, setembro 22, 2008

E a propósito da cavalgadura da ministra da educação... A criatura considera que recorrer a explicações privadas é um sintoma de terceiro mundo. Bom, se temos um governo e uma ministra de terceiro mundo, porque não teríamos um sistema educativo de terceiro mundo? Afinal de contas, há sintomas piores, como as cunhas vergonhosas que gente importante anda a meter na escola para favorecer alunos malcriados presidentes submissos mentirosos e beija-rabos que só querem manter o lugar: isso sim é terceiro mundo no seu melhor.
Quanto à questão das explicações, não sabia que os EUA eram um país de terceiro mundo. A ministra deve ter como modelo a exemplar, civilizada e moderníssima angola.

Os medíocres andam de mãos dadas

(Não é só o imbecil do presidente que adora a ministra)
*
Derlei ao lado de paulo bento no caso Vukcevik. Um jogador medíocre ao lado do treinador do mesmo nível. O graxista do ano a tentar garantir um lugar na equipa, apesar de jogar menos numa época do que o Vuk em 4 minutos.

sábado, setembro 20, 2008

Pesos e medidas

A conversa sobre o peso do "racismo" nos resultados das eleições americanas é como os ciclopes: só tem um olho. Porque é que se fala de "racismo" quando se fala em eleitores brancos que não votam em Obama porque ele é preto e já não se usa o mesmo rótulo quando eleitores pretos dizem ir votar Obama porque ele é preto. Num programa americano, ouvi um actor ou cantor qualquer, quando perguntado em quem ia votar, afirmar "não é óbvio? É a primeira vez que um irmão tem hipótese de chegar à Casa Branca." Porque é que este é um argumento válido e não um argumento racista escapa-me por completo.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Que fazer quando tudo enoja?

(ler primeiro o post anterior)
*
Que fazer quando tudo enoja? A mesma escola submissa do caso anterior e capaz de tanta dinâmica em resolver um problema atropelando tudo o que é lei, moral e bom senso, foi incapaz de preparar o seu espaço para receber uma aluna com deficiência motora. Apesar de saberem da sua chegada com grande antecedência, a verdade é que a direcção regional não colocou as rampas que permitem a liberdade de movimentos dentro das limitações da própria aluna. É a própria escola, pela sua inércia, que aumenta as dificuldades de uma criança que tem os mesmos direitos de todos. E é uma aluna cumpridora, que não falta, que é "exemplar." Como tudo seria diferente se a menina tivesse um amigo inspector...

Que fazer quando tudo apodrece?

O aluno foi, ao longo do ano, um exemplar perfeito do cábula mal-criado. Faltava quando queria. Muitas vezes ainda passava pela sala, a meio da aula dos colegas, entrava, interrompia as actividades e voltava a sair. Outras vezes, não entrava, limitava-se a aparecer à janela para acenar aos que cumpriam a obrigação. Quando lhe pediam uma justificação para as faltas, mentia. Quando ia às aulas, continuava a não ser um aluno. Trabalhava quando queria, e a sua vontade parecia alérgica ao esforço. Evitava-o a todo o custo. O telemóvel parecia colado às mãos. Gozava com os colegas. Bem vestido, ostentava as suas roupas de marca, o telemóvel topo de gama. Gabava-se do que tinha em casa. E gozava com os que não tinham o que ele tinha: fossem as calças de um dos rapazes, que eram motivo de chacota; fosse a falta de cultura de outros, tudo eram pedras para ele erguer o seu próprio pedestal.
Tornado líder pela incompreensível apetência dos adolescentes para admirarem os vilões que quebram as regras e aparentam ser indomáveis heróis, arrastou os outros para o seu caminho. Começaram as faltas dos que até aí eram cumpridores, os maus hábitos, as respostas grosseiras aos professores para se mostrarem ao seu líder, o tabaco fumado às escondidas, oferecido por ele.
A família do rapaz era também exemplar: nunca vieram à escola, nunca responderam às cartas enviadas que alertavam para as faltas injustificadas. Os genes são uma coisa poderosa. Finalmente, quando chegou a carta a anunciar a exclusão por faltas, apareceu alguém. Sim, viram as cartas e as faltas, mas pensavam que estava tudo bem. Quase insinuaram que não foram postos ao corrente do que se passava. Durante nove meses, não tiveram tempo, uma mísera hora, para se preocuparem em saber o que o aluno andava a fazer. No final, tiveram tempo de aparecer mais do que uma vez.
Contado o caso ao presidente do conselho executivo, a decisão foi taxativa: exclua-se por faltas. Assim foi feito. Quando o ano terminou e saiu a pauta de avaliação, à frente do nome do aluno não surgiram notas, apenas a indicação de "excluído por faltas."
A turma sentiu-se satisfeita pelo que aconteceu. Sentiu a presença de uma justiça, de uma ordem que impede o caos. Eles precisam dessa ordem, dessa imposição de uma linha de conduta. Os adolescentes valorizam muito a imposição de regras, embora as procurem quebrar constantemente.
Chegou o novo ano. A turma juntou-se novamente. Sem o aluno excluído. Até que, um dia, o presidente fala com os directores do curso: "é preciso avaliar a situação do aluno". "Como? Qual situação?"
A proposta foi simples: recolocá-lo no segundo ano de um curso de onde foi excluído por incumprimento das regras definidas por lei. E, com essa atitude, destruir a autoridade dos professores e quebrar a confiança dos alunos nas regras instituídas. E qual o motivo para tão radical mudança de posição? Um telefonema de um inspector escolar. Curiosamente, um profissional que tem (teoricamente) a função de fiscalizar pelo cumprimento das leis do Estado pede (ou exige?) que essas leis sejam todas atropeladas. Tudo em nome da cunha baixa. O presidente, submisso, acata a ordem. E pede aos professores que mintam aos alunos: inventa um protocolo entre instituições; seria ao abrigo desse protocolo (do qual não há qualquer vestígio em papel) que o aluno deveria ser reintegrado na turma, apesar de a lei não prever essa hipótese. Apesar de ser obsceno em todos os sentidos. Ao saberem do sucedido, os alunos aceitaram o facto com resignação e um esgar irónico. "Se fosse comigo, de certeza que não me deixariam voltar." E tinha razão, não conhece um inspector disponível em pedir a corrupção da lei que deveria defender. E, depois, a ironia: "olhe, acho que vou faltar às aulas, afinal de contas o efeito é o mesmo." E, novamente, tem razão. Estamos no país da cunha e da corrupção. Viva Portugal.

sábado, setembro 13, 2008

Oh happy days




Só falta a Mafalda Veiga.

Desmascarando o Pinóquio IV

Pinóquio:
"Não reconheço à Sociedade Portuguesa de Matemática [liderada por Nuno Crato] especial característica para fazer esse tipo de críticas [sobre o evidente facilitismo dos exames nacionais de matemática, em claro benefício da estatística para propaganda do governo]"
(valter lemos, um exemplar contemporâneo do típico "idiota da aldeia", que chegou a secretário de estado da educação)
*
Grilo Falante:
"Nuno Crato recebe prémio de ciência europeu."
(a comunidade científica, acompanhada por todos os habitantes da aldeia dotados de inteligência)

Desmascarando o Pinóquio III

Pinóquio:
"Com este Dia do Diploma queremos dar um sinal de que a conclusão do 12.º ano de escolaridade é indispensável para se entrar no mercado de trabalho"
(josé sócrates)



Grilo Falante:
"Com 500 euros o ME vai pôr aos pulos de alegria, em cada estabelecimento do Ensino Secundário, dois alunos: o melhor dos Cursos científico-humanísticos e o melhor dos cursos profissionais/tecnológicos. Esta colossal fortuna (que nunca ultrapassará os 1000 euros por escola) pode ir para o melhor aluno dos cursos científico-humanísticos que tenha obtido, por exemplo, 19,5 valores; e para o melhor dos cursos profissionais/tecnológicos que tenha alcançado, digamos, 13 valores. O segundo melhor aluno dos cursos científico-humanísticos, com 19,4 ficará, claro, de bolsos vazios a admirar o "Prémio de Mérito" do seu colega dos cursos profissionais/tecnológicos, uns bons furos abaixo dele! Não é tão justo? Tão equitativo? Tão estimulante?
O ME, com a costumeira sensatez pedagógica, acha que um aluno só deve ser estimulado quando acaba o ensino secundário! Antes não. E com que objectivo? (...)
Eu pensava que a ministra considerava mais justo, equitativo e estimulante que o ME premiasse com diploma de Mérito (ainda que não remunerado) todos os alunos que tivessem obtido, por exemplo, nota igual ou superior a 18 valores, no fim do Ensino Secundário. Ou que tivessem média geral de 5 valores na conclusão do 1º, 2º e 3º Ciclo, do Ensino Básico, isto é no 4º, 6º e 9º anos de escolaridade.
O ME não acha necessário espicaçar, para o mérito e para o sucesso, os alunos do ensino básico onde existem os graves problemas do sistema educativo que impedem a progressão para o sucesso nos níveis de escolaridade subsequentes! Seria um despesão estúpido e uma banalização da excelência. Premiar um único aluno é bonito e baratinho. Premiar centenas de alunos sai caro. Instituir o que é praticamente inacessível - esta solitária honra do "Prémio de Mérito Ministério da Educação" - não é a grande mensagem que se deixa às centenas de milhar de alunos para, pura e simplesmente, o ignorarem? (...) E deve ser o ME a esporear apenas o individualismo feroz, isolado, para a excelência? Ou apoiar o maior número possível de alunos, envolvendo-os numa saudável promoção das suas capacidades?
Eu por mim dispensava o Prémio. A verba orçamentada bem podia ser aplicada nas despesas pessoais da senhora ministra, nomeadamente para rímel, sombras, bases, cremes hidratantes, cabeleireiro, guarda-roupa, sapataria, jóias e canetas Montblanc para assinar despachos destes. Serviria para dar uns retoques na estafada e carrancuda imagem pública do Ministério. E, em futuros Prós e Contras, a mensagem do mérito, do sucesso e da excelência da política educativa do ME refulgiria nos ecrãs de plasma de todos os lares portugueses.
É preciso deixar os alunos, professores e encarregados de educação, plasmados numa boa ideia: a do mérito do Ministério da Educação ao acenar com a miragem de premiar o mérito!"