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quinta-feira, outubro 19, 2006

José Malhoa - Vou ser mãe


Dois gestos e um título que dizem tudo: o sofrimento, o pânico, o medo da vergonha social. Haverá relação ilícita, como sugere o local do encontro (a mata e não o interior de uma casa) ou trata-se sobretudo de pavor por estar a chegar mais uma boca que pedirá comida que a terra se recusava a dar, apesar de diariamente regada de tanto suor?
Que diferença entre este mundo rural e o de Júlio Dinis...

chuva


Chove em Baião, como no país todo. Aquela chuva que anuncia o Inverno. O vento frio atravessa a roupa e arrepia a pele com garras geladas e a neblina branca contrasta com a pedra dos edifícios, que escurece com a humidade. A luz torna-se branca, brilhante, mas não aquece, limita-se a ferir o olhar. Tempo de melancolia. O cântico contínuo da chuva convida ao sonho e ao recolhimento. É nestes momentos que valorizamos o conforto que possuímos e que tantas vezes passa despercebido. Os alunos chegam de mãos geladas e presas, incapazes de agarrar uma caneta, com cabelos húmidos e escorridos, e entram em salas molhadas e sujas de pegadas constantes, repletas do cheiro amargo dos impermeáveis e dos casacos que acumulam água. Apesar de tudo, a sala torna-se um abrigo e o entorpecimento não impede o raciocínio, apenas limita a irrequietude. Bom tempo para dar aulas.

jornalismo do regime




















Depois de dois dias de uma das maiores greves no ensino básico e secundário, que sucedeu a uma das maiores manifestaçoes de sempre, as primeiras páginas dos jornais do regime sao esclarecedoras: bacalhau e recuo do engenheiro na questao do aumento da electricidade.

o jornalismo do regime

Mais uma notícia do Acçao Socialista, versao camuflada.
Afinal, o primeiro-ministro Sócrates não mentiu na campanha eleitoral para ganhar votos, apenas "recua" para poupar despesas. O "jornalismo" típico do Público ao serviço da causa.
Curiosamente, algumas scuts continuam. De acordo com o ministro, para "promoverem a coesão territorial e social e a fixação das populações no Interior." Vemos aliás o grande empenho do governo em fixar populações no interior, encerrando tudo o que lhes permite lá viver. Como dizia a Atlântico, para que queremos nós um interior, se podemos ter um litoral?

quinta-feira, outubro 12, 2006

liberdade de expressao

"Atençao: Os computadores desta biblioteca possuem um sistema de monitorizaçao remota. Deverao ter em atençao que em qualquer altura tudo o que estao a fazer poderá estar a ser observado!"
Liberdade de expressao, versao biblioteca de escola. Em sintonia, aliás, com a versao governamental / do regime.

domingo, outubro 08, 2006

Scott Adams explica

o verdadeiro motivo para a diminuição da taxa de casamentos na sociedade contemporânea (ia escrever ocidental, mas como só essa é que se pode verdadeiramente apelidar de sociedade, prescindi do pleonasmo):

www.dilbert.com

jornalistas e gestores


O caso português - basta ver a rtp (rádio televisão de propaganda) e abrir o público e a visão. Idiotas a elogiarem idiotas.

aula de gestão de pessoal (ministra da educação na fila da frente)

www.dilbert.com

Shipping news and bad news

Já está à venda na tradução portuguesa. O preço, como habitualmente, convida à compra e leitura da versão inglesa.
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Como agora ando a falar de Romantismo, tive a infeliz ideia de fazer uma selecção de livros desse estilo e levar para mostrar às crianças. Descobri que a estante cá de casa estava a necessitar de umas novas aquisições, já que faltavam Jane Austen e Emily Brontë (imperdoáveis ausências). Havia exemplares em inglês, mas seria o mesmo que levar dvds de teatro russo não legendados. Dirigi-me então a uma livraria de um shopping transmontano (a única que se encontra em shoppings) e, naturalmente, voltei sem nada. Amanhã tento a fnac. Ainda bem que consegui, há uns anos atrás, um Oliver Twist em segunda mão, ou nem isso teria para amostra.
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A estante cá de casa está nitidamente a precisar de uma dieta rigorosa. Tem gordura a mais e nutrientes a menos. Para o espírito, entenda-se, que os livros estão bem limpinhos e cuidados. Alguns preparam-se para ir fazer companhia aos saramagos, em caixas bem escondidas à espera de melhor sorte. Ou seja, à espera de seguir as pisadas do capelo gaivota (nunca pensei desejar tanto que uma gaivota fosse abatida a tiro) e do principezinho (o mesmo sentimento, desta vez com o príncipe na mira da espingarda - se esse é o livro do século em França, é porque a França está tão má como desejo que esteja). Como disse o J. Pereira Coutinho, uma boa biblioteca faz-se não por adição mas por subtracção.

As mãos que construíram a América parte 2

A coisa resultou bem, na primeira turma. A música dos Pogues foi a primeira a ser analisada. A melodia não agradou, como já esperava. O punk com traços de música celta não é para todos os ouvidos, definitivamente. Nem a voz do Shane MacGowan é consensual. Não importa. Também o Dylan, o Nick Cave ou o Cohen, à primeira vista, cantam "mal", se é que cantam. Já agora, o Springsteen. Ou o vocalista dos Tindersticks. Mas nem só de voz se faz uma música, ouvi eu dizer no outro dia a uma cantora de jazz, e concordo. A música faz-se (dizia ela) também de palavras e de sentimento. Mas adiante. Este tipo de exercício é muito interessante, porque quando as letras não são totalmente lineares (oh, canção pimbinha, quão fácil és de interpretar), surgem interpretações que não se esperavam. E algumas delas dão que pensar. Sobre elas e sobre quem as fez. É, portanto, um exercício interessante e útil para começar a distinguir os "marrões" dos que pensam. Ficam de lado os que pensam mas não falam, por timidez ou por qualquer outro motivo. Esses, muitas vezes só se revelam nos testes, mas aí ainda ficamos na dúvida quanto ao grupo a que pertencem (pensadores ou memorizadores?). Infelizmente, casos houve em que só tive a certeza do que eram no final do ano e não no decorrer das aulas, mas nas conversas de intervalos e tempos livres. Na primeira turma, destacaram-se duas raparigas. Aos 14 anos elas têm mais idade do que eles, vê-se bem. Eles, ou ficam calados ou preferem fazer-se passar por engraçadinhos, rindo da música e mostrando desinteresse. Para a semana, há mais duas turmas.

sexta-feira, outubro 06, 2006

As mãos que construíram a América

Daqui a pouco experimento as músicas sobre emigração. Gabriel, obrigado pelas dicas valiosas. Vamos a ver qual o efeito. Tenho sorte, porque começo com a melhor turma, por sinal a mais pequena. Custa-me sempre ouvir tanta conversa de "boa vontade" para melhorar o ensino se a principal medida, reduzir o número de alunos por turma, não é posta em prática simplesmente porque implica mais despesas. Nota-se bem a diferença de 20 para 30 (não que me interesse muito o país, que nada nem ninguém de jeito produziu até hoje, mas quantos alunos por turma há na Finlândia dos orgasmos psicológicos governamentais?) Com 20 alunos trabalha-se melhor, conhece-se mais facilmente os nomes e as características dos alunos. Mas como o lema é "poupar poupar", nada a fazer a não ser rir do descaramento sem pudor debitado nos debates-propaganda do prós e contras (curiosamente sempre sem contras). Parafraseando o Bono, estas são as mãos que vão destruindo Portugal.
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A propósito de ensino, com a ruivinha na universidade, volto ao universo das praxes. Oh, coisa ridícula... É curioso, geralmente dizem que é uma forma de integração no grupo. Mas a verdade é que eu não fiquei propriamente amigo dos totós que me praxaram (alguns ainda me lembro deles, mas não é certamente com saudades). Se calhar não percebi o encanto da coisa.
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quarta-feira, setembro 27, 2006

terça-feira, setembro 26, 2006

Preciso de ajuda. Ando à procura de uma música que retrate a emigração que levou milhões de europeus (sobretudo) para a terra prometida (os EUA). Até agora, só encontrei The Hands that built America, dos U2. Há também uma canção dos Pogues (Thousands are sailing), que apesar de ser muito boa, talvez não agrade tanto, por causa da melodia (gostar de Pogues não é para qualquer um). Se tiverem alguma sugestão, agradeço. E se tiverem uma interpretação pessoal da letra dos U2, também agradeço, porque todos os contributos são fundamentais (nem imaginam as perguntas e interpretações que os alunos conseguem criar...)
Ando com dificuldades sobretudo nos seguintes versos:
"I took your kiss on the spray of the new line star"
"Its early fall
There's a cloud on the New York skyline
Innocence dragged across a yellow line"

Balanço da primeira semana

Ainda é demasiado cedo para balanços ou sequer para opiniões bem vincadas. Mas há impressões, ainda que levemente traçadas. Os primeiros dias foram de alguma dôr de estômago, um ritual habitual sempre que algo se inicia. Definitivamente, sofro do que Valdano chamou de medo escenico (que afecta todos os clubes que vão jogar ao Santiago Bernabeu). O meu caso é mais grave, já que tenho medo de todos os palcos. E o medo agrava-se quando o retrato inicial é mau. Eu sabia que havia vantagens em entrar a meio do ano. É que, naquele período de tempo que vai do 1º de Setembro até ao início das aulas, a única coisa que fazemos é reunir e ouvir os professores da casa a descrever as turmas. Digo desde já que a descrição não era positiva. Mau comportamento, desatenção, desinteresse pelas aulas... Que fazer, que fazer, senão sofrer o mesmo pânico dos que esperavam, no circus, que a porta se abrisse e as feras se aproximassem? Agora imagino que isso foi uma estratégia para nos colocar em sentido. É que as "feras" (pobres feras), quando se aproximaram, vinham de olhos brilhantes e a ronronar de simpatia.
Em suma, para já estou a gostar. E como um jogador depois de um ano sem triunfos, sinto fome de jogo e fome de golos. E sinto-me ainda enferrujado e sem ritmo. É o primeiro ponto da situação. Vamos a ver se o tempo confirma ou desfigura esta visão.
ps: João e Sandra, não há umas fotos de Amesterdão que possam partilhar connosco, para colorir um pouco o nosso blog?

segunda-feira, setembro 18, 2006

Amesterdão

Estas férias, eu a minha princesa, decidimos ir até Amesterdão. A decisão foi tomada em cima do joelho mas com a ajuda da Guida e do Gabriel, sempre disponíveis a aconselhar-nos, lá marcámos as nossas férias. Gostámos muito! Em Amesterdão podemos apreciar uma imensidão de coisas. A cidade ganha beleza própria quando vista da água(canais), os edifícios inclinados, as fachadas estreitas e cheias de janelas conferem à cidade uma vista muito particular e única. E depois, como em qualquer capital europeia há uma série de locais de interesse, museus, lojas e mercados. Visitámos a casa de Anne Frank, os museus Van Gogh e Rijksmuseum, a famosa praça Dam e fizemos um passeio pelo Vondel Park. É uma cidade bastante "compacta" onde qualquer ponto é de fácil e rápido acesso. Grande parte da população desloca-se de bicicleta. Quem está de fora a apreciar (como nós), a sensação que fica é que as pessoas que andam a pé é que perturbam os condutores de bicicletas que não têm forças a medir para se desviarem de quaisquer tipos de obstáculo. As bicicletas não param! E claro, sendo suspeito, é de visitar as diversas igrejas que por lá existem com magníficos órgãos de tubos a embelezar e a dar vida aqueles espaços sagrados com vários concertos. Amesterdão é também a cidade das flores e das atitudes liberais: o sexo, a homossexualidade, o consumo de drogas leves estão presentes um pouco por todo o lado. Quem nunca ouviu falar do famoso "Red LightDistrict"! Confesso que tive de ir lá duas vezes pois não assimilei totalmente o que vi da primeira. As pessoas são muito simpáticas e o inglês é falado por qualquer pessoa. Apesar de a cidade parecer perfeita há que ter atenção à irregularidade do piso, susceptível de entorces para os mais descuidados. E não se esqueçam de ter atenção ao descerem de bancadas quando estiverem a ver uma peça de teatro para não tropeçarem e caírem…não é meu amor!

Desculpem caros niveladores

Estive um período longo sem dizer nada. A verdade é que, por incrível que pareça, só hoje me lembrei novamente da password de acesso à criação dos Posts. Enfim, parece ridículo mas é verdade. Espero, assim, voltar novamente a enviar-vos novos posts para que a comunicação nao seja feita apenas por uma pessoa, não é Paulo? Não é uma crítica. Eu entendo a posição de todos os niveladores e sei que, de qualquer forma, o blog é seguido atentamente por todos. Abraço

1º dia

Hoje é o meu novo primeiro dia de aulas. E apesar de ser já o décimo ano, a noite continua mal dormida e o estômago continua a doer. Já não devia ser assim. Haverá cura para isto?

sexta-feira, setembro 15, 2006

Plano de acção para a Matemática

Trata-se da última idiotice inventada pelo ministério da educação. Quanto mais tempo andarão estes totós a inventar soluções para os males que eles próprios criaram, e para os quais não querem aplicar as soluções simples e que iriam funcionar?
Em primeiro lugar, não percebo esta paixão pela matemática. Porque é que a matemática é mais útil do que as outras disciplinas? Mais do que o inglês? Duvido. Do que a História ou as Ciências? Porquê? Se formos a ver bem, só precisa de matemática quem segue a área das ciências. E não adianta dizer que se trata de cultura geral e "mentalidade científica". Então e saber inglês e história não é cultura geral? E não implica uma mentalidade científica? Em termos globais, é muito mais importante ter uma população que sabe inglês (logo, que tem uma ferramenta que permite a sua sobrevivência fora do país e permite educar-se melhor, mesmo cá), do que uma população que sabe matemática. Não falo do básico, das contas, das equações...
Estas políticas ignoram algumas coisas básicas:
1º Em Portugal não há necessidade de muita gente com conhecimento de matemática, porque não há mercado para eles. Há licenciados em matemática no desemprego. O mesmo acontece nas outras áreas científicas, como a biologia e a física. O problema é que o ministério ainda não percebeu que não é por formar mais pessoas que a economia do país se desenvolve, mas é precisamente a evolução económica do país que obriga a população a estudar mais. Saber mais em Portugal não traz, em geral, qualquer benefício. Tivemos um primeiro-ministro engenheiro que não sabia fazer contas. Nos lugares de topo, a começar por muitas escolas e a acabar nos ministérios e empresas, temos gente com baixas qualificações literárias. Em Portugal é mais importante a cunha do que a preparação académica, como bem sabemos. Até porque a preparação académica ministrada em Portugal tem, em muitas áreas, um nível tão baixo que quem a recebe não fica capacitado para triunfar no estrangeiro.
2º Não é possível ensinar matemática (ou o que quer que seja) para turmas sobrelotadas (tenho turma de 9º ano com 30 alunos), por muitas reuniões que se façam sobre o assunto. Seria um passo para começar a enfrentar o problema do mau ensino, mas o ministério é claro ao dizer que "Relembra-se, no entanto, que não é autorizado o desdobramento de turmas e que as escolas que o propuseram deverão pensar em alternativas a este modo de organização, recorrendo designadamente ao reforço de equipas e a assessorias." Mantêm-se assim as turmas gigantes, porque desdobrá-las implica gastar dinheiro.
3º Há muito que não é possível ensinar nas escolas portuguesas, já que estas são locais onde a indisciplina reina, por vontade expressa do ministério, e onde o facilitismo é a regra, também por vontades expressas do ministério. Basta ler a legislação. Um aluno que seja suspenso por indisciplina vê essas faltas serem-lhe justificadas. Um aluno que falte meio ano pode passar porque está dentro da "escolaridade obrigatória". Um aluno com sete ou mais negativas pode e deve passar, a não ser que o conselho de turma demonstre que o seu atraso é tão elevado que ele não conseguirá atingir as competências essenciais de fim de ciclo, uma capacidade de futurologia que ninguém possui. A desmotivação dos alunos é culpa dos professores, o que é estranho quando há alunos motivados pelos mesmos professores. Cada aluno é um caso particular e deve beneficiar de ensino individualizado, fácil de fazer com 30 alunos numa sala, 90 minutos por semana.
4º Não é possível ensinar alunos que não têm noções de disciplina e para quem o trabalho não tem qualquer mérito. Quando ouço na tv a ministra, as associações de pais e os "cientistas" da educação a dizerem que pensam proibir os trabalhos de casa, pergunto como é que se aprende matemática sem praticar em casa? Ou inglês, ou latim, ou grego, ou português? E para quê fazer um esforço para ter boas notas se mesmo tendo más notas a maioria acaba por passar porque a legislação assim o permite? (recordo que as passagens do 1º ano para o 2º são automáticas, mesmo que a criança não saiba ler nem escrever).
5º Como é que querem ensinar matemática a alunos do 5º ao 12º ano, se os quatro anos anteriores, onde começa a sua aprendizagem, são um caos completo? Com esta ânsia de fechar escolas e colocar os alunos todos juntos para "socializarem" e terem um computador na sala, fazem-se turmas que misturam alunos do 1º com os do 2º e até do 3º e 4º ano. Não percebo como é que se pode ensinar assim. Nem em Moçambique, e era um país de terceiro mundo, eu tive na turma alunos de outros anos.
6º Não se pode ensinar quem não quer ser ensinado. E também não se pode ensinar matemática a quem não tem apetência para números. Tenho um amigo que não aprende inglês por muito que tente. Há algo nele, segundo o próprio, que o impede de aprender inglês. As letras irritam-no. É um homem de números. A mim irritam-me os números. Até tive 5 a matemática quando achava piada à coisa. Quando aquilo me parecia útil. Tive uma excelente professora primária (cá em Portugal, evidentemente). Quando cheguei ao 7º ano, perdeu a piada. A prof também não me agradava. Por isso deixei de ligar às aulas e desci para 2. No 8º ano voltei a achar alguma piada e voltei à positiva. No 9º já sabia que não queria saber da matemática para nada. Acabei o ano com positiva, mas tratei de esquecer a maior parte das coisas que me ensinaram. A culpa não foi dos professores que tive, porque alguns dos meus colegas continuaram a ter 5 todos os períodos. Foi minha porque não queria aprender uma coisa que não tinha significado para mim. E quando descobri a Filosofia, adorei. E acho a filosofia mais importante do que a matemática. É a minha opinião. Uma vez, um génio da informática riu-se de um colega que seguiu filosofia: "acho piada a estes cursos que só servem para ensinar outras pessoas a saberem aquilo". Como quem diz, é um curso inútil. É a visão dele. Errada. Mas tal como ele olha assim, muitos alunos olham para a matemática como algo inútil e incómodo, dá trabalho, obriga a pensar e não é divertido. Pensam assim em parte porque são assim, em parte porque os deixaram ser assim.