Não creio que Capello esteja em maus lençois. Ontem o Real jogou bem e só foi eliminado porque o árbitro não quis apitar um penalti claro sobre Robinho e anulou dois golos por fora-de-jogo (algo que, é fácil de imaginar, não aconteceria se os merengues jogassem de azul e vermelho). Além disso, o novo Real está em construção. Ronaldo finalmente de fora, Beckham de saída. Provavelmente o mesmo acontecerá a Salgado. Balneário a caminho da limpeza. Em campo, jogadores com vontade de jogar. Para já podem ter sido eliminados da copa (algo que não é novidade, já que é uma competição que o Real não ganha há mais de uma década), mas estão a 2 pontos do lider Sevilha e empatados com o "grande" barcelona. Volto a sublinhar: um "mau" Real empatado com o "melhor" barcelona? Este ano, ou liga ou champions. Aposto mais na liga, mas a champions depende também da sorte do sorteio. O porto, por exemplo, ganhou porque não encontrou pela frente um grande de Itália ou de Espanha.
este blog é como um interruptor de egos: quando estás em baixo, anima-te; quando estás demasiado fortalecido, nivela-te
sexta-feira, janeiro 19, 2007
quarta-feira, janeiro 17, 2007
Governo de pensamento único - professor único
O professor generalista é a última visão do ministério da educação. A partilha do êxtase ministerial coube, desta vez, ao secretário Valter Lemos. A ideia é a de criar um professor único para o 2º ciclo (5º e 6º anos) que deverá dar todas as disciplinas da turma. O mesmo professor dará português, história e geografia de Portugal, inglês, matemática, ciências da natureza, educação visual e tecnológica, educação física e as idiotices estudo acompanhado, formação cívica e área de projecto. Interessante proposta. Numa época de especializações cada vez mais profundas, quando o conhecimento profundo de uma área implica anos mais longos de estudo, o ministério propõe que o ensino fundamental, que é o dos primeiros anos de escolaridade, passe a ser dado por um professor que é formado a "ciências" da educação. Será, mais ou menos, como ter ter um tipo formado em História das Religiões a fazer cerimónias na igreja/mesquita/sinagoga. Ou ter um tipo que fez mestrado em "teoria de ética médica" a fazer consultas de pediatria/ginecologia/estomatologia/oftalmologia. Ou ter um engenheiro ambiental a fazer projectos de novas pontes e edifícios públicos ou programação de um novo sistema informático, uma vez que todos os engenheiros são engenheiros, não importa a especialização (vendo bem, deve ter sido isto que tem vindo a acontecer no governo, tendo em conta os resultados de alguns concursos feitos pela via informática).
O objectivo é óbvio, o de poupar no salário de mais uns docentes. Mas vejamos os "argumentos" do secretário de estado para propor algo tão ridículo. Diz a criatura que se os resultados são maus, é porque a culpa é da falta de formação dos professores. Pois, e é por isso que sugere professores ainda menos qualificados? Hum... Afinal, o professor qualificado não é o que se especializou no assunto que vai leccionar. Pelos vistos, é mais importante ter aquele ridículo mestrado numa coisa que nem sequer é uma verdadeira ciência, mas sim uma filosofia (já que se baseia em pré-conceitos não demonstráveis, como a da inocência e inimputabilidade natural das crianças, entre outros). Aliás, se a pedagogia fosse tão importante, como explicar que o ensino seja pior precisamente quando é ministrado pelos docentes que tiveram 50% do seu curso ocupado com cadeiras ditas pedagógicas, ficando de lado as científicas? E não adianta vir com a história de que vão remodelar os cursos das escolas superiores de educação. Recordemos que estamos a entrar no processo de Bolonha. Se antes era difícil especializar alguém numa só área em 4 anos, agora querem fazer especialistas generalistas (passe o absurdo) em 3? Ou vão clonar o Umberto Eco para formar novos professores?
O segundo argumento é delicioso. Desde logo porque, tal como o anterior, só existe na cabeça da personagem que o defendeu. Diz ele que a passagem do 1º ciclo (1º ao 4º ano) para o 2º ciclo causa "traumas" nas crianças porque não estão habituadas a trabalhar com mais do que um professor. O sr Vitor Lemos deveria conhecer um pouco melhor a realidade que secretaria. É que os alunos do 1º ao 4º ano têm mais do que um professor por ano. Já não falo dos casos em que mudam de professor a meio do ano. Falo dos outros docentes que dão inglês, expressões plásticas, educação física, música, consoante a oferta do agrupamento... Ou seja, cada aluno desses anos trabalha com mais do que um professor, por vezes com 3 ou quatro. Não vejo, por mais essa razão, onde possa estar o trauma. Em relação ao 5º e 6º ano, também é falso (como diziam os ridículos noticiários que sobre isso se debruçaram sem qualquer investigação anterior) que os alunos tenham 8 ou 10 professores diferentes. Se tivessem, sinceramente não percebo o problema. Mas não têm. É que, regra geral, o prof de Português é também o de História e Geografia de Portugal, assim como o de Matemática dá também Ciências da Natureza. Para além disso, ainda são, por norma, os professores designados para estudo acompanhado e área de projecto. Quanto a formação cívica, é sempre dada pelo director de turma que, como é óbvio, tem a seu cargo uma disciplina. Assim, quando muito, os alunos terão entre 5 a sete professores diferentes, apenas mais três ou quatro do que tinham nos anos anteriores.
Outra coisa que o secretário de estado não explica é o motivo que o leva a querer adaptar todo o percurso escolar ao 1º ciclo e não o contrário. Concretizando, porquê aplicar ao 2º (e quem sabe, mais tarde, ao 3º ciclo) o modelo de prof único e não aplicar ao 1º ciclo o modelo de vários professores (que já está, em parte, a ser aplicado)? A razão é óbvia, implicaria mais gastos. Não importa se os resultados são melhores ou piores...
Como estamos perante uma péssima ideia, que nada de positivo irá trazer à qualidade de ensino, quem, então, poderá beneficiar dela? As universidades que têm os mestrados nas áreas das ciências da educação devem estar eufóricas. Só assim conseguem os alunos para os seus cursos pseudo-científicos. Mas, como disse de início, creio que os principais motivos para esta decisão são os da poupança. Ter 1 prof para todas as disciplinas do 5º ano e do 6ºano implicaria, para dar o exemplo da parvónia onde estive o ano passado, que a escola teria apenas 4 professores para esses anos (era o número de turmas) e não o dobro ou o triplo. Com um pouco de sorte, colocam as professoras do 1º ciclo com as turmas do 2º e se poupa mais uns trocados.
É este o exemplo de exigência, rigor e honestidade do nosso governo.
Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário... só o nome diz tudo
"A insânia tomou conta do ministério e a TLEBS mais não fez do que criar a carnavalização da gramática, com todas as grotescas consequências inerentes para a aprendizagem da língua e para a cidadania. Não é um instrumento relevante para o ensino, mas um factor de dificultação e desaprendizagem; não contribui para a valorização do património colectivo que é a língua, mas para a sua desagregação acelerada; não permite qualquer progresso específico ou transversal e interdisciplinar, antes envolve o desnorte de professores e alunos e um grave retrocesso escolar na transmissão, aquisição e utilização dos conhecimentos; não estabiliza nenhum aspecto da língua ou do seu ensino, antes esboroa a visão do mundo que a língua transporta (George Steiner), com terrível lesão do seu papel como factor de identidade."
(Vasco Graça Moura, DN 16.01.2007)
Grandes Portugueses III
Boa... Nem tenho desculpa. Não é distracção, é mesmo mais grave do que isso. Então não é que comentei a lista dos 10 mais votados pensando que estava por ordem de votação, sem observar que estava por ordem alfabética? Enfim, é muito muito grave. Assim sendo, esqueçam parte dos comentários feitos anteriormente e façam de conta que não os cheguei a fazer (só não os apago porque faz parte da ética dos blogs não apagar posts).
.
Bem, feito o mea culpa, continuemos...
.
Políticos: 32 + 3 militares (Afonso de Albuquerque, Teixeira Rebelo e Nun'Álvares). De notar que coloquei nos políticos Catarina Eufémia e a padeira de Aljubarrota, pois não foi certamente pelas suas funções de trabalhadora rural e de padeira que se tornaram conhecidas. De qualquer modo, a categoria mais representada é a dos políticos. 10 reis (8) e rainhas (2), 1 infante... O período liberal está representado por Fontes Pereira de Melo (para além de D. Maria II e D. Carlos). Esquecidos ficam D. Luís, D. Pedro (mais acarinhado por brasileiros) ou Passos Manuel.
.
A Primeira República está (quase) votada ao esquecimento. Apenas Afonso Costa se salvou do anonimato. Arriaga ou António José d' Almeida não figuram na lista. Não é de espantar. Trata-se de um período da nossa história ainda mal conhecido. Apenas 16 anos bem conturbados (mais de 30 governos e oito presidências da república). O Estado Novo retratou a I República como o caos que exigiu a ordem salazarista. A oposição ao Estado Novo que gerou a III República também não teve preocupações com o rigor histórico, preferindo retratar uma I República que só existiu nos sonhos de alguns e que servia fins propagandísticos. Neste caso, a I República foi um período de democracia que o Estado Novo arrasou e do qual o PS (sobretudo este) era herdeiro e porta-estandarte...
.
Do período do Estado Novo temos Salazar, Caetano, H. Delgado e Cunhal. Do momento 25 de Abril temos Otelo (valha-me Deus), Salgueiro Maia, Vasco Gonçalves (valha-me Deus e todos os santos) e Cunhal (este toca também o período anterior). Também ligado ao Estado Novo e ao período de transição para a III República, temos Sá Carneiro. Da III República temos Maria do Lurdes Pintassilgo, Soares, Cavaco Silva, Alberto João Jardim (de sublinhar que os Açores não têm um político nos 100 mais, o que revela o pouco peso desse arquipélago ou o grande carisma de Jardim) e os casos que raiam as fronteiras do cómico, do trágico ou do ridículo, sei lá, decidam vocês: Sampaio, Sócrates e Maria do Carmo Seabra. Presumo que estes dois últimos tenham posto as suas equipas ministeriais a votar neles. Lembram-se do carnaval medieval? A ideia de eleger o bobo como rei? Aparentemente foi o que aconteceu aqui...
segunda-feira, janeiro 15, 2007
Grandes Portugueses II
1. Afonso Henriques
2. Álvaro Cunhal
3. António de Oliveira Salazar
4. Aristides de Sousa Mendes
5. Fernando Pessoa
6. Infante D. Henrique
7. D. João II
8. Luís Vaz de Camões
9. Sebastião José de Carvalho e Melo (Marquês de Pombal)
10. Vasco da Gama
.
Pois bem... Isto dá que pensar. Comecemos pelos dez finalistas e depois vejamos os nomes (alguns deles muito preocupantes, dos 90 mais votados).
.
1. Finalistas.
De sublinhar, como aspecto interessante e positivo, a ausência de Mário Soares nos 10 finalistas. Poderíamos supor que ainda há esperança entre os portugueses (mas não se iludam, porque a esperança irá esfumar-se assim que virem os 90 mais votados)... Este aspecto, desde logo, mostra que, entre os vivos, pesa muito a memória mais recente. Soares pagou pelas asneiras dos últimos anos. Isto partindo do princípio de que o que estava para trás era melhor, mas enfim, há quem ache que sim...
O nome de Afonso Henriques é óbvio. Não poderia ser outro o mais votado (foi o primeiro dos meus dois votos). Se há grandes portugueses é graças a ele que criou os portugueses. Fundador da nação, apesar de uns quantos que a querem vender/dar a Espanha, não está esquecido. As aulas de História ainda servem para alguma coisa...
Cunhal em segundo lugar surpreende. Imaginava-o em terceiro. O Cunhal que aqui está não é o que existiu, mas sim a figura mitológica criada pela sua propaganda. Mas como isso vale para a maioria dos políticos que aqui estão, nada a objectar. Presumo, naturalmente, que o Cunhal que foi eleito seja o da luta contra o Estado Novo e não aquele que sonhava com um Portugal Comunista (ou seja, que queria a troca de uma ditadura por outra).
Salazar é outro nome incontornável. O Portugal do século XX, aquele que conhecemos ou do qual ouvimos falar, é o Portugal que ele criou e deixou. E se deixou muito de mau, é de lembrar que não é só obra dele, mas de alguns que se lhe seguiram ou que o antecederam. Salazar foi um governante típico da época em que chegou ao poder. Anos 30, a década de Mussolini (este surgido nos anos 20), de Franco, de Hitler, de Estaline. Em comparação com esta rapaziada simpática, o nosso presidente do conselho nem foi um mau rapaz...
Aristides de Sousa Mendes? Sinceramente, ficaria bem nos 90 mais votados, mas não creio que haja motivos para estar entre os 10 primeiros. Ok, ok, chamam-lhe o Schindler português, para muitos foi melhor ainda. Mas olhando para alguns dos nomes que se seguem e para alguns dos nomes que faltam...
Pessoa: nada a dizer, só colocaria Camões à frente.
Infante D. Henrique: aqui as aulas de História fizeram dano. Sobretudo as que gostam de mitos e não de factos. Se o objectivo era homenagear o iniciador da epopeia das Descobertas e da Expansão Portuguesa, o nome correcto a colocar aqui seria o do seu pai, D. João I. Seguramente um dos políticos mais inteligentes que Portugal teve. A ele muito se deve o facto de ainda existir Portugal.
D. João II: O homem do tratado de Tordesilhas, o príncipe perfeito que dividiu o mundo com os castelhanos... O estadista que abriu as janelas do reino para deixar entrar a brisa marítima carregada do intenso cheiro a especiarias. Para mais, há quem diga que morreu assassinado, vítima de conspirações... Uma boa escolha. Se fosse Afonso III, ou D. Dinis no seu lugar também não ficariam mal.
Camões: é, com Pessoa, o "embaixador" da poesia portuguesa. Eu colocava-o antes de Pessoa, mas ambos figuram bem aqui na lista.
Pombal: qual deles? O político déspota que assassinou e destruiu os seus oponentes? O político que expulsou os jesuítas? O político visionário que criou a primeira região demarcada de vinhos do mundo? O político que reconstruiu Lisboa e, numa outra vertente, o ensino universitário em Portugal? Uma figura adorada por muitos sobretudo porque viveu no século XVIII. Hoje os mesmos adoradores seriam os primeiros a odiá-lo.
Vasco da Gama: Navegador e diplomata, abriu as portas da Índia, terra de honra, proveito, fama e glória para a Coroa e os portugueses. No entanto, se virmos bem, limitou-se a ser puoco mais do que um porteiro. Porque não Afonso de Albuquerque no seu lugar?
.
A ver pela lista dos mais votados, os portugueses valorizaram o período dos Descobrimentos. Só quatro nomes dos 10 não estão ligados a esse período (Cunhal, Salazar, Afonso Henriques e Pombal). Os Lusíadas são uma obra sobre a expansão portuguesa, e a Mensagem de Pessoa toca igualmente esse tema. "Ò mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal"... Mesmo Salazar não pode ser de todo afastado da temática, uma vez que fez da época dos Descobrimentos uma das sua bandeiras ideológicas e propagandísticas.
.
Não há uma única mulher nos 10 mais. É natural, quando se olha para o passado. Talvez seja verdade o cliché que diz "por trás de um grande homem está sempre uma grande mulher", mas a verdade é que o olhar da memória só vê quem está à frente...
Quantas mulheres encontramos nos 100 mais votados? Se contei bem, estão 19. Bem, 17.5, já que uma não existiu (Padeira de Aljubarrota) e a outra deve ser erro informático ou anedota (maria do carmo seabra - deixem-me parafrasear o Primo Levi para lamentar "se isto é uma mulher!"). O nome de Catarina Eufémia também dá que pensar, é mais um caso de voto no mito e não na pessoa.
Os Grandes Portugueses
Não sei se têm acompanhado o programa de “Os Grandes Portugueses”. Nesta fase já foram escolhidos os 10 finalistas: os reis D. Afonso Henriques e D. João II, os políticos Álvaro Cunhal e António de Oliveira Salazar, os poetas Camões e Fernando Pessoa, o diplomata Aristides de Sousa Mendes, os estadistas D. Henrique e Marquês de Pombal e o navegador Vasco da Gama.
De notar, que nenhuma destas personalidades estão entre nós e que o desporto não teve nenhuma figura nos 10 mais. Já nos 90 mais encontramos Cristiano Ronaldo, Eusébio, José Mourinho, Luís Figo, Rosa Mota e o meu presidente Jorge Nuno Pinto da Costa.
Como curiosidade cómica e a lamentar, na minha opinião, encontrámos, neste grupo, um jovem da série “Morangos com Açúcar”. Poderão estar a pensar na figura “Dino” mas não, é o jovem Hélio Pestana. De lamentar, de facto.
Tirem as vossas conclusões através do site http://www.rtp.pt/wportal/sites/tv/grandesportugueses/finalistas.php
De notar, que nenhuma destas personalidades estão entre nós e que o desporto não teve nenhuma figura nos 10 mais. Já nos 90 mais encontramos Cristiano Ronaldo, Eusébio, José Mourinho, Luís Figo, Rosa Mota e o meu presidente Jorge Nuno Pinto da Costa.
Como curiosidade cómica e a lamentar, na minha opinião, encontrámos, neste grupo, um jovem da série “Morangos com Açúcar”. Poderão estar a pensar na figura “Dino” mas não, é o jovem Hélio Pestana. De lamentar, de facto.
Tirem as vossas conclusões através do site http://www.rtp.pt/wportal/sites/tv/grandesportugueses/finalistas.php
O meu regresso
Olá niveladores
É com muita alegria que recebi o convite para "voltar" a participar no nosso ponto de encontro virtual. Bem sei, que poucas vezes contribuo com algo de interesse mas para isso temos o Paulo e a restante companhia...
Estou com muita esperança que o ano de 2007 me inspire, para ser franca não acredito muito no que estou a escrever mas pelo menos prometo que me vou esforçar...
Esperem mais contribuições da minha parte, com ou sem interesse já é outra questão...
Até um dia destes.
quinta-feira, janeiro 11, 2007
À atenção do engenheiro Sócrates
"An increase in the minimum wage has not hurt the overall economy in Washington and Idaho." No NY Times.
Mais uma vez o bom exemplo americano. Nas aulas regresso à Grande Depressão e às soluções de Roosevelt para uma crise de proporções gigantescas. Ah, se os nossos economistas e opinion makers soubessem nem que fosse o básico da História mundial... As crises resolvem-se com o aumento do consumo. O consumo só aumenta se houver dinheiro, algo que só é possível com a subida dos salários e com a descida dos preços e dos impostos. Mais consumo implica mais lucros, logo mais impostos pagos pelas empresas e pela população. Mas não, o nosso governo e os seus economistas visionários preferem aumentar mais os impostos (o último exemplo é o ridículo aumento dos combustíveis numa altura de baixa do preço do petróleo, porque há mordomias e propaganda para financiar)...
Outra coisa que nunca percebi. Não sei se é só um fenómeno português, ou se acontece em outras terras. Mas o que é que acontece entre 31 de Dezembro e 1 de Janeiro que obriga ao aumento "inevitável" dos preços, desde os combustíveis aos jornais, ao gás, ao pão, às portagens, presumo que aos analgésicos e pastéis de nata...?
músicas
Sábado, dia 20, se estiverem pelos lados do Minho, aproveitem para ir a Guimarães ver o concerto de Mayra Andrade. Cantora jovem que nasceu em Cuba, de família Cabo-Verdiana, e viveu no Senegal, Cabo Verde, Angola, Alemanha e França.
O seu primeiro cd intitula-se Navegar. As músicas são cantadas sobretudo em crioulo, mas temos a tradução. Para variar um pouco a música, sobretudo com a rádio inundada de hip-hop (e quando não temos connosco Pink Floyd, Dire Straits, Pogues, Leonard Cohen, Stones, U2 e companhia), vale a pena.
segunda-feira, janeiro 08, 2007
governo de pensamento único
Para além da arrogância que o caracteriza, nada mais existe na cabeça de Sócrates e companhia, para além de um único pensamento, o €. Todas as medidas são vendidas pela comunicação social como grandes e corajosas decisões que irão salvar a pátria (hum, regressou o mito do Salvador da Pátria, que curioso). Acontece que, quando se conhecem as questões mais profundamente, se percebe que a única intenção é a de cortar nos gastos. Quanto à coragem, é uma treta propagandística. Se houvesse coragem, diminuiam-se o número de deputados. já que a maioria não pensa por si mesmo e apenas está lá para votar no partido, bastava ter uma ou duas dezenas de indivíduos e dar-lhes votos como acontece nas assembleias dos clubes de futebol. Os mais importantes (ou seja, os dos partidos mais votados) tinham mais votos, tal como os sócios mais antigos cujo voto vale por dez. Muito se pouparia aqui, quer em salários, quer em ridículas reformas (mantém-se o sistema de oito anos para a reforma, ou também subiu para os 65 anos? Ah, pois, ser deputado é muito mais arriscado do que ser piloto da TAP, vejam só os danos mentais que as criaturas aparentam sofrer...) Se houvesse coragem, os clubes de futebol perderiam o seu regime de excepção, cujo fim foi apregoado pela comunicação social que se esqueceu de dar, em notícia de abertura ou de primeira página a notícia do posterior recuo do governo. Se houvesse coragem, a questão da falta de médicos estaria há muito resolvida. Bastava para isso implementar o sistema americano. Já que é o Estado a pagar a formação dos médicos (as propinas não cobrem senão uma ínfima percentagem dessa quantia), então estes deveriam trabalhar onde o Estado entender durante um período de tempo (2 a 4 anos, por exemplo). É assim que nos EUA se arranjam os médicos para o Alasca e outras regiões menos atractivas. E se os médicos formados não quiserem, então que paguem na totalidade os custos que o Estado teve na sua formação. Estava resolvido o problema.
A propósito de decisões de pura poupança, basta ver a forma como se está a processar o encerramento de unidades de saúde. Canalizar as urgências de Penacova, Figueira, Góis, Lousã, Miranda, Condeixa, Cantanhede, Serpins, Arganil, em breve Covilhã, Guarda, Castelo Branco... para os hospitais de Coimbra não melhoram os serviços, apenas os entopem. Só com os utentes da área de Coimbra os serviços são lentos, quanto mais assim... Mas é mais barato, até porque, à semelhança da ex-ministra inglesa da educação, não são os senhores do ministério a necessitar do serviço nacional de saúde. Outra medida corajosa: cortar nos privilégios da gente incompetente do banco de Portugal, na frota luxuosa do Estado, nos subsídios de deslocação de deputados que dizem viver fora de Lisboa para lhes ser paga a renda da casa lisboeta...
.
Poupar dinheiro: chamar serviço não-lectivo às aulas de substituição. Para não as pagar. Porque se sabe que o tal serviço não-lectivo vai ter de ser feito de qualquer modo.
.
Poupar dinheiro: impedir as escolas de constituírem turmas mais reduzidas, de quinze alunos no máximo, para combater melhor o insucesso a matemática. Todas as medidas são viáveis, dizia-se na página ministerial, menos essa. Qual o critério pedagógico para o proibir? Ninguém percebe. Quais os critérios económicos? Óbvios.
.
Poupar dinheiro: ser incapaz de corrigir um erro informático durante mais de um mês, à semelhança do que ocorreu há uns anos com a colocação de professores, evintando-se assim o pagamento do salário de Janeiro aos novos médicos que deveriam ter já sido colocados.
.
O Estado português perde todos os casos que os seus cidadãos colocam contra ele nos tribunais europeus. Porquê? Porque, aos olhos da lei europeia, temos um estado mentiroso, ladrão e que age constantemente de má-fé. Com tal exemplo, como quer o Estado ter o respeito dos cidadãos? (A propósito de derrotas em tribunais, será que a ministra da educação já veio a público dizer que, à semelhança dos Açores, também Coimbra, Leiria e Castelo Branco não fazem parte do território de Portugal? É que o seu ministério foi condenado por tribunais dessas áreas...)
Faz o que eu digo, não faças o que eu faço
Deve ser o lema da ex-secretária da educação inglesa. Durante o seu período de funções no ministério, defendia a doutrina de que as crianças com necessidades educativas especiais estariam melhor servidas no sistema estatal e não no privado. Agora, fez exactamente o contrário, ao matricular o seu filho num colégio privado por conselho médico (a criança sofre de dislexia). Eis uma bela forma de a vida nos forçar a admitir que fizemos um mau trabalho. Ou de declararmos publicamente que o que serve para os filhos dos outros não serve para os nossos, porque somos melhores do que eles...
domingo, janeiro 07, 2007
Surpresa na Taça de Portugal
De vez em quando estas coisas acontecem. Uma equipa de escalão inferior derrota um dos grandes e toda a gente se pasma. Hoje calhou a vez ao FCP. "Surpresa só para quem não viu o jogo", disseram na Antena 1. Não percebo o espanto. O fenómeno é sempre o mesmo, chama-se falta de concentração e de empenho. Misturado com um pouco de arrogância, presunção e excesso de confiança. Os jogadores entram em campo a acreditar que são superiores e pensam que essa superioridade surgirá naturalmente. Ainda não perceberam que o encanto do futebol é precisamente esse, muitas vezes não são os melhores que ganham. Por "melhores" entenda-se os que têm melhores condições de treino, maior capacidade técnica e infraestruturas superiores. Isso é para o ténis, o basket, o andebol ou o volei. Correcção: em geral são os melhores que ganham, só que nem sempre os melhores são aqueles que assim se consideram.
ps1: ponho de lado outros factores, como a sorte ou a tendência arbitral de marcar penalties inexistentes no último minuto que, por "sorte" - lá está - às vezes não são concretizados...
ps2: além dos jogadores, também os treinadores têm, por vezes, culpa nestes acidentes de percurso. Jesualdo tem uma grande percentagem delas. Foi ele que deu a entender aos seus jogadores que o jogo ia ser fácil, tão fácil que nem precisava de jogar com os melhores jogadores. Aliás, tão fácil tão fácil que até podia voltar a pôr o Baía na baliza. Foi o que se viu...
jornalistas desportivos
Não há, seguramente, criatura mais estúpida do que o jornalista desportivo. Parafraseando Woody Allen, "quem não sabe exercer uma profissão torna-se jornalista, quem não sabe ser jornalista, torna-se jornalista desportivo." E no fundo desta escala estão os "jornalistas" (se assim os podemos chamar) da sportv. Ainda agora ouvi um imbecil comparar Fabio Capello com Carlos Queirós! Meu Deus.. Queirós é um adjunto carregador de pinos e coletes de treino do A. Ferguson que fracassou em todas as oportunidades que teve. Capello é precisamente o contrário, um treinador que venceu em todas as equipas que treinou. Foi com Queirós que a indisciplina dos jogadores entrou no Real Madrid, algo que Capello está pouco a pouco a resolver. Por fim, um dos últimos comentários foi hilariante: o Real Madrid, segundo o comentador, jogava melhor com Queirós do que com Capello. Pois, se calhar jogava, no início. Quando a equipa vinha com os esquemas de Del Bosque e tinha Figo, Zidane e Raúl em grande forma. Hoje Figo e Zidane já lá não estão, como aliás lembrou Capello quando lhe fizeram comentário idêntico. Acontece que, com Queirós, a equipa foi morrendo. Com Capello está a criar-se uma nova equipa, com uma nova mentalidade. Faltam é alguns ramos para podar. Um ou dois estarão para breve...
Rolling Stones e Angelina Jolie (who could ask for more?)
sexta-feira, janeiro 05, 2007
problemas com o login?
Caros niveladores,
como sou uma vítima do marketing, acabei por fazer o update para o new blogger, acreditando que daí viriam muitas vantagens (mais ou menos o mesmo sentimento que levou muita gente a votar sócrates nas últimas eleições). Assim sendo, e seguindo o mesmo raciocínio, as vantagens não são visíveis até agora, mas os inconvenientes são já alguns. Ou seja, para funcionar no novo blogger, é preciso ter um email do gmail. Depois, para fazer o login, é necessário colocar no espaço do user o email completo (p. ex. paulo.jsa@gmail.com) e a respectiva password (p. ex. angelinajolie). Tentem e se tiverem algum problema digam (para o mail indicado acima), que eu tentarei resolver a questão.
Grande abraço,
Paulo
quinta-feira, janeiro 04, 2007
belos exemplos
O mal não é só dos clubes portugueses, que ficam sempre à espera dos seus jogadores brasileiros depois das férias. Chegam sempre com atraso e com a desculpa habitual: não havia voos. Deco e Ronaldinho, sempre tão aplaudidos pelo seu "profissionalismo" fizeram o mesmo, sem que houvesse uma acção penalizadora por parte do clube empregador. Fizeram até mais, no último jogo de 2006 forçaram o cartão amarelo para ficarem suspensos e, consequentemente, livres do primeiro jogo da época. Que má imagem que esta gente dá de si mesma e do seu país. Deles, porque todos percebemos que mentem. Do país, porque reforçam uma imagem de um Brasil desorganizado, caótico, incompetente. E são estes os ídolos e as referências de milhões de pessoas. Belos exemplos...
quarta-feira, janeiro 03, 2007
Lewis Carroll
O autor do Alice in Wonderland, Lewis Carroll (pseudónimo de Lutwidge Dodgson) ficou também conhecido pela sua faceta de fotógrafo. Um pouco menos pela sua faceta de escritor de cartas. Os seus modelos preferidos eram meninas e era também com elas que Carroll se correspondia. É comum dizer-se que a obra é sempre produto do tempo do seu criador. Com Carroll isso é ainda mais verdade. Porque Carroll viveu nos primeiros tempos da fotografia, mas sobretudo porque no período vitoriano não havia ainda a carga que hoje tem tudo o que rodeia a imagem de crianças. Depois dos escândalos belga ou português, depois das notícias de abusos de elementos da ONU, depois do politicamente correcto gerado nos EUA e que (como tudo o que é mau) rapidamente se importou para a Europa, retratar meninas é automaticamente considerado estranho, ou mesmo perverso. O século XX foi, em grande medida, o século do sexo, com as teorias freudianas e o desenvolvimento das várias escolas psicológicas e psicanalistas, a gradual diminuição da censura e (aspecto fundamental) com a explosão do marketing e da publicidade. Acutalmente tudo tem uma conotação sexual, pelo que se Carroll vivesse hoje estaria condenado a dirigir a sua inspiração para outro público e o seu olhar para outros temas. Provavelmente não faria as fotografias que fez na época. Como as fotografias foram tiradas com consentimento das famílias, tal comportamento permissivo provavelmente levá-las-ia também ao banco dos réus implicando a perda da custódia das crianças. O facto de, já adultas, as meninas retratadas manterem uma relação de amizade com o escritor/fotógrafo (em especial a verdadeira Alice, para quem a obra principal de Carroll foi escrita), seria imediatamente analisado sob o olhar da doença e da dependência. Nabokov, para citar apenas um exemplo, não hesita em classificar Carroll como pedófilo, esquecendo que no século XIX as imagens de crianças (incluindo os nús) eram vistas como representações da pureza ( período vitoriano foi, segundo vários historiadores deste período, marcado por uma adoração das crianças). Hoje seria impossível essa leitura, porque o nosso olhar está automaticamente marcado pela mentalidade que nos rodeia. Os nossos medos, as nossas obsessões, tudo nos condiciona e nos impede de ver Carroll como ele provavelmente foi. Mas, para defesa de Lewis Carroll, melhor do que as minhas palavras, leiam o prefácio de Miguel Esteves Cardoso do livro de fotografias de Carroll, obviamente intitulado Meninas.Bom ano
Ano novo, blogger novo. Espero que não tenham dificuldades em fazer a mudança, mas penso que não. Fico então à espera das novas mensagens, porque isto (compreensivelmente, dada a agitação típica desta época festiva) tem andado muito parado...
.
O regresso ao trabalho é sempre a meio gás... Falta o ritmo, a vitalidade. Não tanto a vontade, mas alguma coisa emperrou depois da avalanche de abusos alimentares, horas de sono trocadas (felizmente, em muitos casos por momentos melhores) e viagens para lá e para cá...
.
Guida, espero que o primeiro dia tenha sido menos complicado do que o esperado. Para as duas.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

