
este blog é como um interruptor de egos: quando estás em baixo, anima-te; quando estás demasiado fortalecido, nivela-te
domingo, outubro 05, 2008
sexta-feira, outubro 03, 2008
Sequelas de Londres
Segundo A Bola, o guarda-redes Helton, do Porto, "está a contas com um torcicolo". Sem dúvida causado por olhar tantas vezes para trás durante o jogo com o Arsenal, para ver a bola no fundo da sua baliza.
domingo, setembro 28, 2008
O mais belo casal do cinema
Excerto de Gata em Telhado de Zinco Quente
(peça de Tennessee Williams),
realizado por Richard Brooks.
Vinha eu, Sexta-feira, de regresso a casa, a ouvir o Contraditório, quando a conversa no programa se debruçou sobre Afonso Henriques. Carlos Magno defendeu que Guimarães deveria ser a capital de Portugal, uma opinião que não comento. O que é importante comentar é o espanto de Luís Delgado, dizendo que não compreende por que motivo D. Afonso Henriques está sepultado "num mosteiro em Coimbra."
É verdade que as pessoas, mesmo os comentadores políticos, não podem saber tudo e, por vezes, são obrigadas a falar de assuntos em que se sentem menos à vontade. No entanto, há situações em que o silêncio é preferível. Claro que na rádio o silêncio é incómodo e tem de haver sempre uma frase a encher o ar. Mas falar da importância do conhecimento da história pessoal de Afonso Henriques para a compreensão da nossa realidade e não perceber a ligação entre o primeiro rei e o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra é algo de ... contraditório. Das duas uma, ou não se conhece a história de Afonso I, ou não se percebeu essa história.
Se Afonso Henriques nasceu realmente em Guimarães (facto que a Historiografia não dá como garantido, mas a mitologia local mantém por tradição e turismo), esse facto é algo acidental. Ninguém escolhe onde nasce (eu que o diga). Pode-se nascer até numa terra que nunca se irá conhecer, por mero acidente. Daí não nasce uma ligação emotiva e pessoal.
Ao longo da sua vida, Afonso I elegeu Coimbra como terra de eleição. E promoveu o Mosteiro de Santa Cruz, a quem confiava a guarda do seu tesouro e de onde saíam homens de confiança da sua corte e conselho. Por esse motivo, o Conquistador escolheu a igreja do Mosteiro dos Agostinhos para descansar no seu sono eterno. Ninguém escolhe onde nasce, mas o local onde passaremos a eternidade pode ser fruto de uma decisão íntima.
Crimes
"Porto, 16 Set (Lusa) - Homicídio qualificado, raptos, extorsão, associação criminosa e posse de arma ilegal são alguns dos crimes que o Ministério Público (MP) do Porto imputa a 12 pessoas que centravam a sua actividade nas cobranças coercivas de dívidas.
(...)
(...)
O homicídio constante do processo é o de Tiago Ferreira, suposto colaborador do grupo, e foi determinado porque a vítima não depositou na data que lhe fora indicada, um cheque no valor de 3.168,61 euros, fazendo-o cinco dias depois, indica a acusação do processo.
Era preciso "apagar" o Tiago, determinou um dos membros do grupo durante um encontro num shopping da Trofa a missão acabou por ser cumprida numa zona serrana, em Campo, Valongo.
A 22 de Janeiro do ano passado, Tiago Ferreira foi levado para Valongo com a argumento de que era preciso efectuar vigilância a um suposto devedor, acabando por ser agredido com uma pedra na cabeça, vários socos e pontapés.
Os agressores, que o MP diz serem cinco dos 12 arguidos, deixaram o jovem ainda com vida, mas voltaram ao local para "apagar o Tiago e fazer desaparecer o corpo".
Equacionaram baleá-lo na cabeça, mas tiveram receio de que o barulho do disparo alertasse alguém, pelo que optaram por o agredir com uma sachola e atirar o seu corpo para um poço, afirma a acusação.
O cadáver veio a ser encontrado nesse poço, a 23 de Março seguinte, já em putrefacção.
Segundo o processo, Tiago já pressagiava o seu fim, porque tinha dito a uma tia que ia viver uma situação "de índios e cowboys" e pediu à ex-companheira que chamasse a polícia se não aparecesse até às 22:00 de determinado dia."
Era preciso "apagar" o Tiago, determinou um dos membros do grupo durante um encontro num shopping da Trofa a missão acabou por ser cumprida numa zona serrana, em Campo, Valongo.
A 22 de Janeiro do ano passado, Tiago Ferreira foi levado para Valongo com a argumento de que era preciso efectuar vigilância a um suposto devedor, acabando por ser agredido com uma pedra na cabeça, vários socos e pontapés.
Os agressores, que o MP diz serem cinco dos 12 arguidos, deixaram o jovem ainda com vida, mas voltaram ao local para "apagar o Tiago e fazer desaparecer o corpo".
Equacionaram baleá-lo na cabeça, mas tiveram receio de que o barulho do disparo alertasse alguém, pelo que optaram por o agredir com uma sachola e atirar o seu corpo para um poço, afirma a acusação.
O cadáver veio a ser encontrado nesse poço, a 23 de Março seguinte, já em putrefacção.
Segundo o processo, Tiago já pressagiava o seu fim, porque tinha dito a uma tia que ia viver uma situação "de índios e cowboys" e pediu à ex-companheira que chamasse a polícia se não aparecesse até às 22:00 de determinado dia."
(JN)
sábado, setembro 27, 2008
Nada de novo
Nada de novo. Turmas engraçadas. Turmas barulhentas. Um presidente boçal e mal criado. Maus alunos, bons alunos. Caras novas, novas caras, caras conhecidas. Bons amigos. Música. Viagens. Amigos do P. Bento derrotados. Dinheiro perdido. Mais viagens. Novo ano, novos problemas e velhos problemas. O barcelona a ganhar com penalti no minuto 95. Encolher de ombros. Fnac com preços altos. A sensação de que já não há filmes. Nem tempo para os ver. Livros novos. Falta de tempo para ler. Frio. Calor. Martini. Coca-cola. Rabiscos. Real a vencer. Mensagens de telemóvel. Telefonemas adiados. Mais música. Gelados. Sonhos. Noites breves. Dias inúteis. Fins-de-semana. Cunhas e corrupção. Nada de novo. Feira das velharias. Coimbra. Portugal.
quinta-feira, setembro 25, 2008
Cardigans - And then you kissed me
(Uma canção sobre violência)

man, i've had a few
but they wouldn't quite blow me like you
you gave me your name and signed
with a halo around my eye
and it hit me like never before
that love is a powerful force
yes, it struck me that love is a sport
so i pushed you a little bit more
love, you're news to me
you're a little bit more than i thought you'd be
a mole in my well-fed lawn
you're a nightmare beating the dawn
oh, it hit me like never before
that love is a powerful force
yes, it struck me that love is sport
so i pushed you a little bit more
Blue, blue, black and blue
red blood sticks like glue
true love is cruel love
red blood's a power-fuel
sweet love, tasty blood
my heart overfloods
oh you hit me!
yeah, you hit me really hard
man, you hit me!
yeah you hit me right in the heart
lord, i've had my deal
but i never quite knew how it feels
when love makes you wake up sore
with fists that are ready for more
and it hit me that love is a game
like in war no one can be blamed
yes, it struck me that love is a sport
so i pushed you a little bit more
oh, blue, blue, black and blue
red blood sticks like glue
true love is cruel love
red blood's a power fuel
sweet love tasted blood
my heart overfloods
man, you hit me!
yeah you hit me really hard
baby, you hit me!
yeah you punched me right in the heart
and then you kissed me...
and then you hit me...

oh, you haunt me with your violent heartbeat at night
oh, you strike me with your silence baby, tonight
why you haunt me with your violence baby, come hit me!
you haunt me with your violent heartbeat...
segunda-feira, setembro 22, 2008
E a propósito da cavalgadura da ministra da educação... A criatura considera que recorrer a explicações privadas é um sintoma de terceiro mundo. Bom, se temos um governo e uma ministra de terceiro mundo, porque não teríamos um sistema educativo de terceiro mundo? Afinal de contas, há sintomas piores, como as cunhas vergonhosas que gente importante anda a meter na escola para favorecer alunos malcriados presidentes submissos mentirosos e beija-rabos que só querem manter o lugar: isso sim é terceiro mundo no seu melhor.
Quanto à questão das explicações, não sabia que os EUA eram um país de terceiro mundo. A ministra deve ter como modelo a exemplar, civilizada e moderníssima angola.
Os medíocres andam de mãos dadas
(Não é só o imbecil do presidente que adora a ministra)
*
*
Derlei ao lado de paulo bento no caso Vukcevik. Um jogador medíocre ao lado do treinador do mesmo nível. O graxista do ano a tentar garantir um lugar na equipa, apesar de jogar menos numa época do que o Vuk em 4 minutos.
sábado, setembro 20, 2008
Pesos e medidas
A conversa sobre o peso do "racismo" nos resultados das eleições americanas é como os ciclopes: só tem um olho. Porque é que se fala de "racismo" quando se fala em eleitores brancos que não votam em Obama porque ele é preto e já não se usa o mesmo rótulo quando eleitores pretos dizem ir votar Obama porque ele é preto. Num programa americano, ouvi um actor ou cantor qualquer, quando perguntado em quem ia votar, afirmar "não é óbvio? É a primeira vez que um irmão tem hipótese de chegar à Casa Branca." Porque é que este é um argumento válido e não um argumento racista escapa-me por completo.
quinta-feira, setembro 18, 2008
Que fazer quando tudo enoja?
(ler primeiro o post anterior)
*
*
Que fazer quando tudo enoja? A mesma escola submissa do caso anterior e capaz de tanta dinâmica em resolver um problema atropelando tudo o que é lei, moral e bom senso, foi incapaz de preparar o seu espaço para receber uma aluna com deficiência motora. Apesar de saberem da sua chegada com grande antecedência, a verdade é que a direcção regional não colocou as rampas que permitem a liberdade de movimentos dentro das limitações da própria aluna. É a própria escola, pela sua inércia, que aumenta as dificuldades de uma criança que tem os mesmos direitos de todos. E é uma aluna cumpridora, que não falta, que é "exemplar." Como tudo seria diferente se a menina tivesse um amigo inspector...
Que fazer quando tudo apodrece?
O aluno foi, ao longo do ano, um exemplar perfeito do cábula mal-criado. Faltava quando queria. Muitas vezes ainda passava pela sala, a meio da aula dos colegas, entrava, interrompia as actividades e voltava a sair. Outras vezes, não entrava, limitava-se a aparecer à janela para acenar aos que cumpriam a obrigação. Quando lhe pediam uma justificação para as faltas, mentia. Quando ia às aulas, continuava a não ser um aluno. Trabalhava quando queria, e a sua vontade parecia alérgica ao esforço. Evitava-o a todo o custo. O telemóvel parecia colado às mãos. Gozava com os colegas. Bem vestido, ostentava as suas roupas de marca, o telemóvel topo de gama. Gabava-se do que tinha em casa. E gozava com os que não tinham o que ele tinha: fossem as calças de um dos rapazes, que eram motivo de chacota; fosse a falta de cultura de outros, tudo eram pedras para ele erguer o seu próprio pedestal.
Tornado líder pela incompreensível apetência dos adolescentes para admirarem os vilões que quebram as regras e aparentam ser indomáveis heróis, arrastou os outros para o seu caminho. Começaram as faltas dos que até aí eram cumpridores, os maus hábitos, as respostas grosseiras aos professores para se mostrarem ao seu líder, o tabaco fumado às escondidas, oferecido por ele.
A família do rapaz era também exemplar: nunca vieram à escola, nunca responderam às cartas enviadas que alertavam para as faltas injustificadas. Os genes são uma coisa poderosa. Finalmente, quando chegou a carta a anunciar a exclusão por faltas, apareceu alguém. Sim, viram as cartas e as faltas, mas pensavam que estava tudo bem. Quase insinuaram que não foram postos ao corrente do que se passava. Durante nove meses, não tiveram tempo, uma mísera hora, para se preocuparem em saber o que o aluno andava a fazer. No final, tiveram tempo de aparecer mais do que uma vez.
Contado o caso ao presidente do conselho executivo, a decisão foi taxativa: exclua-se por faltas. Assim foi feito. Quando o ano terminou e saiu a pauta de avaliação, à frente do nome do aluno não surgiram notas, apenas a indicação de "excluído por faltas."
A turma sentiu-se satisfeita pelo que aconteceu. Sentiu a presença de uma justiça, de uma ordem que impede o caos. Eles precisam dessa ordem, dessa imposição de uma linha de conduta. Os adolescentes valorizam muito a imposição de regras, embora as procurem quebrar constantemente.
Chegou o novo ano. A turma juntou-se novamente. Sem o aluno excluído. Até que, um dia, o presidente fala com os directores do curso: "é preciso avaliar a situação do aluno". "Como? Qual situação?"
A proposta foi simples: recolocá-lo no segundo ano de um curso de onde foi excluído por incumprimento das regras definidas por lei. E, com essa atitude, destruir a autoridade dos professores e quebrar a confiança dos alunos nas regras instituídas. E qual o motivo para tão radical mudança de posição? Um telefonema de um inspector escolar. Curiosamente, um profissional que tem (teoricamente) a função de fiscalizar pelo cumprimento das leis do Estado pede (ou exige?) que essas leis sejam todas atropeladas. Tudo em nome da cunha baixa. O presidente, submisso, acata a ordem. E pede aos professores que mintam aos alunos: inventa um protocolo entre instituições; seria ao abrigo desse protocolo (do qual não há qualquer vestígio em papel) que o aluno deveria ser reintegrado na turma, apesar de a lei não prever essa hipótese. Apesar de ser obsceno em todos os sentidos. Ao saberem do sucedido, os alunos aceitaram o facto com resignação e um esgar irónico. "Se fosse comigo, de certeza que não me deixariam voltar." E tinha razão, não conhece um inspector disponível em pedir a corrupção da lei que deveria defender. E, depois, a ironia: "olhe, acho que vou faltar às aulas, afinal de contas o efeito é o mesmo." E, novamente, tem razão. Estamos no país da cunha e da corrupção. Viva Portugal.
sábado, setembro 13, 2008
Desmascarando o Pinóquio IV
Pinóquio:
"Não reconheço à Sociedade Portuguesa de Matemática [liderada por Nuno Crato] especial característica para fazer esse tipo de críticas [sobre o evidente facilitismo dos exames nacionais de matemática, em claro benefício da estatística para propaganda do governo]"
(valter lemos, um exemplar contemporâneo do típico "idiota da aldeia", que chegou a secretário de estado da educação)
*
Grilo Falante:
"Nuno Crato recebe prémio de ciência europeu."
(a comunidade científica, acompanhada por todos os habitantes da aldeia dotados de inteligência)
Desmascarando o Pinóquio III
Pinóquio:
"Com este Dia do Diploma queremos dar um sinal de que a conclusão do 12.º ano de escolaridade é indispensável para se entrar no mercado de trabalho"
(josé sócrates)
Grilo Falante:
"Com este Dia do Diploma queremos dar um sinal de que a conclusão do 12.º ano de escolaridade é indispensável para se entrar no mercado de trabalho"
(josé sócrates)
Grilo Falante:
"Com 500 euros o ME vai pôr aos pulos de alegria, em cada estabelecimento do Ensino Secundário, dois alunos: o melhor dos Cursos científico-humanísticos e o melhor dos cursos profissionais/tecnológicos. Esta colossal fortuna (que nunca ultrapassará os 1000 euros por escola) pode ir para o melhor aluno dos cursos científico-humanísticos que tenha obtido, por exemplo, 19,5 valores; e para o melhor dos cursos profissionais/tecnológicos que tenha alcançado, digamos, 13 valores. O segundo melhor aluno dos cursos científico-humanísticos, com 19,4 ficará, claro, de bolsos vazios a admirar o "Prémio de Mérito" do seu colega dos cursos profissionais/tecnológicos, uns bons furos abaixo dele! Não é tão justo? Tão equitativo? Tão estimulante?
O ME, com a costumeira sensatez pedagógica, acha que um aluno só deve ser estimulado quando acaba o ensino secundário! Antes não. E com que objectivo? (...)
Eu pensava que a ministra considerava mais justo, equitativo e estimulante que o ME premiasse com diploma de Mérito (ainda que não remunerado) todos os alunos que tivessem obtido, por exemplo, nota igual ou superior a 18 valores, no fim do Ensino Secundário. Ou que tivessem média geral de 5 valores na conclusão do 1º, 2º e 3º Ciclo, do Ensino Básico, isto é no 4º, 6º e 9º anos de escolaridade.
O ME não acha necessário espicaçar, para o mérito e para o sucesso, os alunos do ensino básico onde existem os graves problemas do sistema educativo que impedem a progressão para o sucesso nos níveis de escolaridade subsequentes! Seria um despesão estúpido e uma banalização da excelência. Premiar um único aluno é bonito e baratinho. Premiar centenas de alunos sai caro. Instituir o que é praticamente inacessível - esta solitária honra do "Prémio de Mérito Ministério da Educação" - não é a grande mensagem que se deixa às centenas de milhar de alunos para, pura e simplesmente, o ignorarem? (...) E deve ser o ME a esporear apenas o individualismo feroz, isolado, para a excelência? Ou apoiar o maior número possível de alunos, envolvendo-os numa saudável promoção das suas capacidades?
Eu por mim dispensava o Prémio. A verba orçamentada bem podia ser aplicada nas despesas pessoais da senhora ministra, nomeadamente para rímel, sombras, bases, cremes hidratantes, cabeleireiro, guarda-roupa, sapataria, jóias e canetas Montblanc para assinar despachos destes. Serviria para dar uns retoques na estafada e carrancuda imagem pública do Ministério. E, em futuros Prós e Contras, a mensagem do mérito, do sucesso e da excelência da política educativa do ME refulgiria nos ecrãs de plasma de todos os lares portugueses.
É preciso deixar os alunos, professores e encarregados de educação, plasmados numa boa ideia: a do mérito do Ministério da Educação ao acenar com a miragem de premiar o mérito!"
O ME, com a costumeira sensatez pedagógica, acha que um aluno só deve ser estimulado quando acaba o ensino secundário! Antes não. E com que objectivo? (...)
Eu pensava que a ministra considerava mais justo, equitativo e estimulante que o ME premiasse com diploma de Mérito (ainda que não remunerado) todos os alunos que tivessem obtido, por exemplo, nota igual ou superior a 18 valores, no fim do Ensino Secundário. Ou que tivessem média geral de 5 valores na conclusão do 1º, 2º e 3º Ciclo, do Ensino Básico, isto é no 4º, 6º e 9º anos de escolaridade.
O ME não acha necessário espicaçar, para o mérito e para o sucesso, os alunos do ensino básico onde existem os graves problemas do sistema educativo que impedem a progressão para o sucesso nos níveis de escolaridade subsequentes! Seria um despesão estúpido e uma banalização da excelência. Premiar um único aluno é bonito e baratinho. Premiar centenas de alunos sai caro. Instituir o que é praticamente inacessível - esta solitária honra do "Prémio de Mérito Ministério da Educação" - não é a grande mensagem que se deixa às centenas de milhar de alunos para, pura e simplesmente, o ignorarem? (...) E deve ser o ME a esporear apenas o individualismo feroz, isolado, para a excelência? Ou apoiar o maior número possível de alunos, envolvendo-os numa saudável promoção das suas capacidades?
Eu por mim dispensava o Prémio. A verba orçamentada bem podia ser aplicada nas despesas pessoais da senhora ministra, nomeadamente para rímel, sombras, bases, cremes hidratantes, cabeleireiro, guarda-roupa, sapataria, jóias e canetas Montblanc para assinar despachos destes. Serviria para dar uns retoques na estafada e carrancuda imagem pública do Ministério. E, em futuros Prós e Contras, a mensagem do mérito, do sucesso e da excelência da política educativa do ME refulgiria nos ecrãs de plasma de todos os lares portugueses.
É preciso deixar os alunos, professores e encarregados de educação, plasmados numa boa ideia: a do mérito do Ministério da Educação ao acenar com a miragem de premiar o mérito!"
Desmascarando o Pinóquio II
Pinóquio:
Grilo Falante:
"A notícia chegou e partiu como todas as outras, mas deixou um rasto de repulsa que merece ser partilhado. Saber pelos jornais que existe um número impressionante de famílias portuguesas que se estão a endividar pesadamente para comprarem aos filhos manuais escolares necessários para a sua integração - repare-se bem - no ensino escolar obrigatório, e que existem mesmo livrarias que criaram linhas de crédito para esse efeito, é algo que não pode ficar em claro e merece uma atenção muito séria das pessoas comuns. Não quero saber se existem outros «países avançados» que o fazem, ou se isto funciona como uma mola para a sacrossanta «modernização do ensino». Sei apenas que é uma situação imoral e caracterizada pela insensibilidade, a qual, num país marcado ainda por áreas de pobreza endémica e pela debilidade da classe média, deixa uma vez mais cair a responsabilidade social do Estado. E deveria envergonhar, envergonhar a sério, os responsáveis por um governo com o carimbo virtual de «socialista»."
Desmascarando o Pinóquio
"A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, considerou hoje "notável" a diminuição em quase 20 por cento da taxa de chumbos e retenções no último ano lectivo, atribuindo este resultado ao trabalho desenvolvido pelos professores e pelas escolas. "É uma melhoria notável que só se pode ter verificado em resultado do trabalho dos professores e das escolas com os seus alunos, um trabalho de recuperação das aprendizagens, mas também de diversificação das ofertas formativas, respondendo às expectativas dos alunos", afirmou a ministra, em declarações à agência Lusa. (...) Admitindo que estes resultados foram melhores do que aquilo que o Governo esperava, Maria de Lurdes Rodrigues sublinhou medidas como o aumento da oferta dos cursos de educação e formação no básico, dos cursos profissionais no secundário, o plano de acção para a matemática, o plano nacional de leitura, entre outras, para justificar os novos valores relativos à retenção."
Grilo Falante:
"O primeiro-ministro assegura que a melhoria de resultados nas pautas do ensino básico e do ensino secundário se devem às políticas educativas e aos investimentos realizados pelo seu governo. Lamento desmentir esse contentamento e tão largo optimismo mas a verdade é que tanto eu como o primeiro-ministro sabemos que as políticas educativas não produzem resultados de um ano para o outro; tal como ambos sabemos que os investimentos em educação levam anos a ter algum resultado e que isso não significa mais dinheiro. Portanto, é preciso outra explicação. Eu dou-a de graça: a melhoria de resultados existe porque os dados foram propositada e antecipadamente falsificados por provas demasiado fáceis, realizadas com o propósito de conseguir estas belas estatísticas. Ambos o sabemos. Todos o sabemos."
Grilo Falante 2:
"(...) o facilitismo dos exames do 12º ano, reconhecido maciçamente por alunos e professores, conduziu à subida generalizada das notas. (...) Como as notas param em 20 valores, todos beneficiaram, com excepção dos alunos muito bons. Alunos que se esforçaram menos ao longo do ano conseguem obter resultados semelhantes aos dos alunos que trabalharam arduamente. E estes últimos sentem-se defraudados.
O exame nacional de matemática era uma prova de grande credibilidade, reconhecida como a bitola da excelência, mas perdeu o seu valor enquanto medida de selecção dos alunos. A subida das notas contribui para a inflação das notas de acesso à Universidade sem que haja o correspondente aumento de qualidade dos alunos. (...) Na Universidade os alunos não conseguem resultados razoáveis, pois o nível de conhecimentos é desajustado da sua nota de admissão. O Ministério da Educação melhora as estatísticas e passa o problema para as Universidades. Serão estas que terão que lidar com o insucesso dos alunos que o exame de 12º ano deixou de filtrar.
No futuro, será inevitável que as melhores Universidades se associem para, em conjunto, estabelecerem mecanismos alternativos de selecção dos seus alunos."
O exame nacional de matemática era uma prova de grande credibilidade, reconhecida como a bitola da excelência, mas perdeu o seu valor enquanto medida de selecção dos alunos. A subida das notas contribui para a inflação das notas de acesso à Universidade sem que haja o correspondente aumento de qualidade dos alunos. (...) Na Universidade os alunos não conseguem resultados razoáveis, pois o nível de conhecimentos é desajustado da sua nota de admissão. O Ministério da Educação melhora as estatísticas e passa o problema para as Universidades. Serão estas que terão que lidar com o insucesso dos alunos que o exame de 12º ano deixou de filtrar.
No futuro, será inevitável que as melhores Universidades se associem para, em conjunto, estabelecerem mecanismos alternativos de selecção dos seus alunos."
quinta-feira, setembro 11, 2008
"jornalismo" de causas
O Jornal de "Notícias" (salvo seja) noticiou ontem na primeira página que o "Ensino Secundário tem oito alunos por professor", uma interessante "notícia" surgida para encobrir a vergonha que foi o espectáculo degradante de ver os idiotas do ministério a vangloriem-se pelas "subidas" dos resultados (quando todos se sabem como se conseguiram esses resultados, à custa da batota de exames de treta). Claro que no corpo do texto se diz que
"Todavia, o bom número de alunos por professor não tem reflexo na dimensão das turmas." O problema é que a maioria das pessoas que passa pelas bancas não compra o jornal nem vai ler a notícia na edição online. Fica, portanto, com a "informação" (pouco rigorosa) da primeira página. Ou é incompetência (que não se exclui) ou má fé, uma forma de defender uma governação indefensável.
No texto, o jornalista Tiago Alves ainda propõe uma hipótese explicativa que imediatamente recusa, pelo que não se percebe por que motivo perdeu tempo a escrevê-la (ou pretendeu deixar uma acusação no ar - o comentário habitual de quem ignora o que se passa nas escolas, ou seja, que "os professores não fazem nada"):
"Uma explicação para este fenómeno poderia passar pelo facto de os professores portugueses passarem pouco tempo do seu horário de trabalho a ensinar na sala de aula, mas, de acordo com o estudo, Portugal é o terceiro país onde os professores mais ensinam: 60% do tempo total na Primária e 50% no Secundário."
Como não podia deixar de ser, o jornalista teve que ir buscar o exemplo da Finlândia (que só é exemplo porque sócrates e sampaio, a dada altura, tiveram orgasmos psicológicos com a estadia de algumas horas que tiveram por lá - recorde-se que sampaio afirmou que os professores finlandeses trabalhavam mais de 35 horas por semana na escola, dado ridículo que foi desmentido por representantes do governo finlandês, mas que não foi tão noticiado como a afirmação sem fundamento do ex-presidente):
"Portugal é o país que gasta a maior percentagem do orçamento dedicado à Educação com o pessoal, um pouco mais de 95%, sendo que 85% dos gastos no Básico e 81% no Secundário são exclusivamente com professores. A título de exemplo, diga-se que a Finlândia apenas gasta 65% do seu orçamento com o pessoal, alocando os restantes recursos financeiros para a investigação e serviços de apoio como materiais, alimentação, alojamento ou transporte."
A Finlândia, curiosamente, só serve de exemplo quando interessa ao ministério da educação e aos seus porta-vozes nos media. E, de qualquer modo, quais os resultados práticos do grande ensino finlandês? Onde estão os seus grandes nomes da cultura, da literatura, da economia, da ciência? Por que não copiar o bom que se faz nos EUA, esse sim um país modelo, com provas dadas? Porque a realidade não é comparável? Pois não, mas também não é de boa fé comparar a realidade finlandesa com a portuguesa...
*
O ministério da educação português é a prova de que não há limites para a estupidez humana. Bom, um dos secretariozecos chama-se pedreira, precisamente um espaço oco que se limita a produzir calhaus. Faz sentido.
A última imbecilidade produzida por esta gente, e ao nível de um novo record mundial, é o calendário de avaliação dos professores. Os professores vão ser avaliados por ano civil! Sim, como os outros funcionários públicos. Porém, o trabalho de um professor não pode ser avaliado pela metade final de um ano e pela parte inicial de outro ano. Qualquer pessoa com a 4ª classe percebe que a avaliação tem que ser feita por ano lectivo, porque é em Setembro que se inicia um processo que termina em Agosto do ano seguinte. Só aquela cambada não é capaz de ver isso. Assim sendo, vamos ter o absurdo de vermos gente ser avaliada por uma escola estando já a dar aulas na outra escola...
segunda-feira, setembro 08, 2008
The Prophet's Song
Oh oh people of the earth
Listen to the warning
The Seer he said
Beware the storm that gathers here
Listen to the wise man
I dreamed I saw on a moonlit stair
Spreading his hands on the multitude there
A man who cried for a love gone stale
And ice cold hearts of charity bare
I watched as fear took the old men's gaze
Hopes of the young in troubled graves
I see no day, I heard him say
So grey is the face of every mortal
Oh oh people of the earth
Listen to the warning
The prophet he said
For soon the cold of night will fall
Summoned by your own hand
Oh oh children of the land
Quicken to the new life
Take my hand
Ooh, fly and find the new green bough
Return like the white dove
He told of death as a bone white haze
Taking the lost and the unloved babe
Late too late all the wretches run
These kings of beasts now counting their days
From mother's love is the son estranged
Married his own his precious gain
The earth will shake in two will break
And death all around will be your dow'ry
Oh oh people of the earth
Listen to the warning the seer he said
For those who hear and mark my words
Listen to the good plan
Oh oh oh oh - and two by two my human zoo
They'll be
Running for to come
Running for to come
Out of the rain
Oh, flee for your life
Who heed me not, let all your treasure make you
Oh, fear for your life
Deceive you not the fires of hell will take you
Should death await you
Oh, oh, people can you hear me (oh, oh, people can you hear me)
(Oh, oh, people can you hear me)
(...)
God give you the grace to purge this place
And peace all around may be your fortune
Oh oh children of the land
Love is still the answer, take my hand
The vision fades, a voice I hear
"Listen to the madman!"
Ooh, but still I fear and still I dare not
Laugh at the madman
(Brian May)
domingo, setembro 07, 2008
sábado, setembro 06, 2008
Terá Margarida Rebelo Pinto razão?
carlos reis, académico de letras, foi um dos principais defensores do absurdo acordo ôrtôgráfico que nos vai pôr a falar em brasileiro;
carlos reis, académico de letras, é um dos nomes apontados para, com grande probabilidade, ser o novo director do instituto camões;
*
o irónico (e até mesmo irônico) no meio de tudo isto, é que, em teoria, o instituto camões teria por missão defender e promover a língua portuguesa no mundo; bela forma de a promover, matando-a e substituindo-a por uma versão simplex e coloquial...
oxente
teoria de conspiração por teoria de conspiração, acho esta muito criativa
Escreve ana gomes sobre o processo contra paulo pedroso: "Uma urdidura montada para também, de caminho, decapitar políticamente o PS de uma direcção que inquietava o “centrão” traficante de favores e negociatas à custa do Estado."
*
Pergunto eu 2 coisas :
1. hoje, com o intocável ps no poder, já não existe o centrão-mota-engil-cgd-edp "traficante de favores e negociatas à custa do Estado"?
2. quem foi o grande beneficiado pela "decapitação" política de ferro rodrigues e companhia, senão o pseudo-engenheiro que, com a colaboração de j. sampaio, tomou o poder pouco tempo depois?
"Beati pauperes spiritu...
... quoniam ipsorum est Regnum caelorum" (como se costuma dizer)
"por mais imperfeições que apresente a incipiente democracia eleitoral angolana, [...] [nela] há liberdade de criação e de acção dos partidos políticos, direito de oposição, liberdade de propaganda eleitoral, recenseamento universal, controlo da votação pelos partidos e por observadores internacionais, supervisão das eleições por uma comissão eleitoral independente e pelos tribunais (incluindo um tribunal constitucional); [...] As eleições angolanas são pluripartidárias e resultam em parlamentos representativos, proporcionalmente ao apoio eleitoral de cada partido"
(vital moreira, sobre angola, presumivelmente sem se rir)
sexta-feira, setembro 05, 2008
Portugal não é um país a sério 2
"Na passada semana, o "Expresso" noticiou o caso de Luís, 15 anos, que passou para o 7.º com oito negativas e uma positiva (a Educação Física). Razão tinha o outro: quem não sabe fazer nada, estuda; quem não sabe estudar, estuda Educação Física. Mas o Secretário de Estado não se atemoriza com este cenário: diz Valter Lemos que, perante a desgraça dos nossos números internacionais, reprovar o Luís seria enxotá-lo para fora do sistema e entregá-lo a uma vida de marginalidade. Enquanto o Luís andar na escola, ele pode não saber ler, escrever, contar, falar ou pensar. Mas, pelo menos, não anda por aí a envergonhar o governo nas estatísticas internacionais. Nem a roubar. Nem a matar.
A lógica é impoluta e inaugura um novo capítulo na frondosa educação nacional: para evitar que as nossas crianças se dediquem ao crime, é o Estado que comete um crime sobre elas, sequestrando-as dentro dos portões escolares. E se elas dão provas de brutal ignorância nas matérias da praxe, isso não basta para as reprovar. As escolas podem sempre esgrimir os inevitáveis despachos normativos "especiais" garantindo passagens sucessivas a troco de permanência física. No caso do Luís, a permanência num curso de educação-formação. Caso o Luís falhe neste curso, é provável que o levem a Fátima. Ou, por deferência homónima à ministra, a Lurdes. Mas sair do sistema está fora de questão.
Eu, por mim, não me oponho; mas às vezes pergunto se esta mentalidade prisional não acabou também por contaminar o próprio Ministério da Educação. Que o mesmo é dizer: aprisionando Valter Lemos à 5 de Outubro, apesar de todas as evidências que aconselhavam à sua libertação. Mas talvez o eng. Sócrates tenha as suas razões para prolongar o cativeiro do Secretário de Estado: entre arruinar o ensino ou arruinar o nosso Valter, entregando-o a uma vida de errância fora dos gabinetes ministeriais, o ensino pátrio, pelo menos, já há muito que estava arruinado."
A lógica é impoluta e inaugura um novo capítulo na frondosa educação nacional: para evitar que as nossas crianças se dediquem ao crime, é o Estado que comete um crime sobre elas, sequestrando-as dentro dos portões escolares. E se elas dão provas de brutal ignorância nas matérias da praxe, isso não basta para as reprovar. As escolas podem sempre esgrimir os inevitáveis despachos normativos "especiais" garantindo passagens sucessivas a troco de permanência física. No caso do Luís, a permanência num curso de educação-formação. Caso o Luís falhe neste curso, é provável que o levem a Fátima. Ou, por deferência homónima à ministra, a Lurdes. Mas sair do sistema está fora de questão.
Eu, por mim, não me oponho; mas às vezes pergunto se esta mentalidade prisional não acabou também por contaminar o próprio Ministério da Educação. Que o mesmo é dizer: aprisionando Valter Lemos à 5 de Outubro, apesar de todas as evidências que aconselhavam à sua libertação. Mas talvez o eng. Sócrates tenha as suas razões para prolongar o cativeiro do Secretário de Estado: entre arruinar o ensino ou arruinar o nosso Valter, entregando-o a uma vida de errância fora dos gabinetes ministeriais, o ensino pátrio, pelo menos, já há muito que estava arruinado."
(J. Pereira Coutinho, no Expresso)
*
Estas passagens administrativas para dourar as estatísticas. além de impostas pela lei, são forçadas nos conselhos de turma por conselhos executivos que não passam de meros paus-mandados das direcções regionais (no norte, então, os casos são inúmeros) porque dependem dessas direcções para conservarem os seus postos. Não foi por acaso que a ministra lançou a ameaça dos "gestores" escolares (uma ideia perfeitamente idiota), que lançou o pânico entre os presidentes não qualificados dos conselhos executivos, para depois esquecer (enquanto precisa deles) essa medida. Para não serem obrigados a trabalhar, passaram a ser os caezinhos que repetem o que a dona diz e manda fazer. Quando a dona não precisar mais deles, vai dar gosto vê-los por aí a penar ou a procurar a reforma dourada na inspecção escolar, um ninho maioritariamente preenchido por inúteis e ex-presidentes que eram mestres nas artes do favorecimento de amigos.
A confederação de pais (que não de encarregados de educação, termo que se esquecem muitas vezes de usar nos textos que produzem, como se só existessem "pais" a educar crianças) aplaudiu sempre a legislação que favorecia toda a balda das passagens administrativas, pois, com isso, conseguem mais um instrumento para impor de forma artificial o sucesso de alunos que não têm o valor nominal das suas notas, em prejuízo dos que têm valor, e o demonstraram com trabalho e dedicação.
Por fim, os sindicatos, incapazes de protestar de forma firme contra todo este processo de socratização* do ensino, porque os seus altos dirigentes dependem das benesses do governo para manterem as suas mordomias. Geralmente criaturas em relação às quais o Criador (que dificilmente terá sido Aquele que estamos a pensar) se esqueceu de colocar uma coluna vertebral, o topo do sindicalismo da nossa educação limita-se a negociar a manutenção das suas mordomias (e dos respectivos amigos), vendendo tudo o resto. E esquecendo o que até à véspera defendiam. Basta recordar um alto(salvo seja) líder sindical que protestava contra a criação do professor titular, mas que regressou à sua escola (onde não daria aulas há décadas, se é que alguma vez deu) para se poder reformar como professor titular.
Portugal at it's best
*socratização: processo pelo qual é concedido um diploma sem qualquer mérito, ou mesmo frequência de cadeiras e disciplinas do referido curso
sexta-feira, agosto 29, 2008
"Que podiam Coimbra e o país (os dois têm de estar muito mais unidos do que estão!) fazer na sua Casa do Conhecimento? Vejo-a como um grande centro acolhedor da população de Coimbra e de fora, a começar pelos jovens que moram ou vêm à cidade. Vejo-a como um espaço de inclusão social que forneça possibilidades de desenvolvimento pessoal, académico e profissional. Vejo-a como um espaço que nos mostra uma história cultural muito rica, um espaço que preserva a memória dos livros e dos autores (Coimbra tem sido e é o sítio do país com mais livros por habitante, com mais autores por habitante, com mais edições por habitante). Vejo-a como um sítio que sabe juntar o velho (guardando devidamente os tesouros mais preciosos) e o novo (uma biblioteca com o melhor da tecnologia, que possa ser usufruída por todos, em todo o lado, com um simples clique). Vejo-a como um lugar onde se celebra a escrita e os escritores (que leva mais longe e a mais gente a obra dos muitos escritores ligados a Coimbra, cujo inventário está aliás por fazer) por meio de eventos imaginativos. Vejo-a como um sítio de indústria e comércio culturais, com um auditório que permita debates, encontros com escritores e lançamento de livros, e espaços para exposições, lojas, feiras do livro (a que há é muito pobre!) e oficinas especializadas que permitam os muitos restauros que são precisos."
(Carlos Fiolhais - texto na íntegra aqui)
quinta-feira, agosto 28, 2008
"A revista "Spectator" informou na passada semana que 4 em cada 5 toxicodependentes na Grã-Bretanha dependiam do Estado Social. Iguais números podem ser encontrados quando falamos da grande criminalidade, sobretudo urbana e sobretudo adolescente: um Estado tentacular, que concede esmolas sem exigir nada em troca, apenas gera o tédio inevitável da natureza humana. E, com o tédio, vem o pior de nós. Por isso espanto-me com as análises que li sobre a famosa Quinta da Fonte. Os últimos tempos proporcionaram tiroteio entre ciganos e pretos? Parece que sim, embora tenha havido certa relutância em admitir o facto: o "racismo", por definição, não pode existir entre duas "raças" que são igualmente vítimas do "homem branco".
Infelizmente, o mundo é sempre mais complexo do que a fantasia. E, a juntar ao ódio profundo que rabeia entre as minorias, seria interessante verificar a parcela de moradores, e especialmente de moradores envolvidos nos desacatos, que vivem do Estado Social: uma classe parasitária que, sem auto-estima e auto-respeito, tem tempo e oportunidade para se dedicar a vidas esquálidas de droga, álcool e delinquência.
A juntar a esta insidiosa cultura de dependência, promovida pelo Estado em nome de um abjecto ideal igualitário, basta olhar para o cenário pós-apocalíptico onde esta gente vive: não é preciso citar os clássicos, a começar por Vitrúvio, para saber que os edifícios influenciam decisivamente os nossos comportamentos sociais. Digamos apenas isto: a "construção social", essa grande conquista de Abril que esvaziou e degradou o miolo das nossas cidades, criou guetos imundos na periferia: espaços de desolação estética onde difícil é não pegar numa arma."
Infelizmente, o mundo é sempre mais complexo do que a fantasia. E, a juntar ao ódio profundo que rabeia entre as minorias, seria interessante verificar a parcela de moradores, e especialmente de moradores envolvidos nos desacatos, que vivem do Estado Social: uma classe parasitária que, sem auto-estima e auto-respeito, tem tempo e oportunidade para se dedicar a vidas esquálidas de droga, álcool e delinquência.
A juntar a esta insidiosa cultura de dependência, promovida pelo Estado em nome de um abjecto ideal igualitário, basta olhar para o cenário pós-apocalíptico onde esta gente vive: não é preciso citar os clássicos, a começar por Vitrúvio, para saber que os edifícios influenciam decisivamente os nossos comportamentos sociais. Digamos apenas isto: a "construção social", essa grande conquista de Abril que esvaziou e degradou o miolo das nossas cidades, criou guetos imundos na periferia: espaços de desolação estética onde difícil é não pegar numa arma."
Big Brother is watching you (even more closely)
«Lisboa, 28 Ago (Lusa) - O Presidente da República, Cavaco Silva, promulgou hoje o diploma que autoriza o Governo a legislar sobre a instalação obrigatória de um dispositivo electrónico de matrícula em todos os veículos motorizados.
O chefe de Estado fez acompanhar a promulgação de uma mensagem, disponível no site da Presidência, onde considera que "as dúvidas quanto à limitação à reserva de intimidade da vida privada dos cidadãos que o novo mecanismo de identificação e detecção electrónica de veículos suscita, e que não foram dissipadas durante o debate parlamentar, poderão ser resolvidas pelo Governo no decreto-lei a aprovar ao abrigo da autorização contida na lei agora promulgada".»
O chefe de Estado fez acompanhar a promulgação de uma mensagem, disponível no site da Presidência, onde considera que "as dúvidas quanto à limitação à reserva de intimidade da vida privada dos cidadãos que o novo mecanismo de identificação e detecção electrónica de veículos suscita, e que não foram dissipadas durante o debate parlamentar, poderão ser resolvidas pelo Governo no decreto-lei a aprovar ao abrigo da autorização contida na lei agora promulgada".»
*
Pôr nas mãos deste governo a missão de estabelecer limites para a intromissão na vida privada das pessoas? Isso é como dar a Angola a pasta da luta anti-corrupção da ONU... Mas vindo de um presidente que apoia o acordo ortográfico, é natural que se comece a duvidar dos seus poderes de observação e ponderação...
Deus escreve direito por linhas tortas
E, por isso, o V. Guimarães perdeu a hipótese de jogar na Champions devido a um erro de arbitragem. O que não deixa de ser irónico, porque a equipa portuguesa só chegou à 3ª posição na liga do ano anterior precisamente beneficiando de "erros de arbitragem" (em relação aos quais o sr Cajuda não se queixou). Assim sendo, resta-me dizer: ahahahah
*
Espera-se agora qua a UEFA tenha mão pesada sobre estes broncos.
segunda-feira, agosto 25, 2008
sexta-feira, agosto 22, 2008
segunda-feira, agosto 18, 2008
"Oh, what's in a name?"
As palavras mudam. O seu sentido inicial, com a passagem do tempo, vai-se perdendo. Noutros casos, a palavra enriquece, passando a significar muito mais. Seja como for, é muitas vezes dificil fazer essa arqueologia, percorrer o caminho inverso e, a partir do que sabemos hoje de um termo, encontrar a sua origem.
O mesmo acontece com os nomes. O seu uso cristalizou-se e hoje, quando chamamos alguém, já não estamos a fazê-lo com a consciência do seu primeiro significado. O uso e desuso dos nomes deve-se muito a figuras públicas que os pais admiram ou detestam. Um herói pode aumentar a popularidade de um nome quase esquecido (veja-se o caso de Fitzgerald, mais à frente). E, claro está, há nomes que vão caindo em desgraça: o número de Adolfos é cada vez menor; Hoover só foi popular no início da governação do presidente Hoover (até ao advento do Crash de 1929). Entre nós, presumo que sócrates (um nome antes ligado à sabedoria, mas hoje imediatamente associado à ignorância, ao mais puro oportunismo e, quer-me parecer, a uma preocupante demência alucinatória) não será dado a qualquer criança nos próximos cem anos...
Voltando aos nomes de boa memória, Winston teve o seu pico de popularidade, obviamente, durante a II Guerra Mundial (mesmo em dados dos EUA), como Franklin (primeiro nome de Roosevelt) teve um período áureo que coincidiu com a Grande Depressão. Em escalas mais reduzidas, temos os Elvis de meados dos Anos 50, o curioso caso de Fitzgerald, que surge e desaparece com JFK. Paul e John, por exemplo, tiveram os seus pontos altos por volta de 1963-64, provavelmente consequência do êxito dos Beatles, e desde então entraram em decadência. De 1940 a 1952, James foi o nome de rapaz mais popular nos EUA. Entre as meninas, Mary foi o o nome mais popular entre o final do século XIX e 1946, voltando a essa posição entre 1953 e 1961. Hoje mal se aguenta entre os 100 primeiros.
Evidências
Segundo o DN, Alberto J. Jardim "afirmou que Sócrates é "perigoso", porque "muito discretamente (está) a construir um estado policial" em Portugal. Usaram- -se expressões como "fascistas", "mafiosas" e "intuitos ditatoriais" para classificar as posições assumidas por Sócrates. Jardim denunciou, ainda, que no meio das suas políticas e das ditas "causas fracturantes", Sócrates "esconde um projecto totalitário, reforçando os poderes da polícia e contentando o grande capital". Uma frase repescada do Chão da Lagoa (discurso de 27 de Julho).
"Nós temos de mudar isto e fazer uma forte campanha eleitoral para dar uma banhada nas próximas eleições", sustentou, adiantando ser "tempo de haver oposição em Portugal".
Jardim defende uma "mudança" no País, "não apenas no Governo, mas no sistema político que dá de comer a muitos medíocres e oportunistas"."
"Nós temos de mudar isto e fazer uma forte campanha eleitoral para dar uma banhada nas próximas eleições", sustentou, adiantando ser "tempo de haver oposição em Portugal".
Jardim defende uma "mudança" no País, "não apenas no Governo, mas no sistema político que dá de comer a muitos medíocres e oportunistas"."
Obrigado, Obikwelu
"Ele ia na volta de honra, com uma bandeirinha, e eu sentado, sem gritos, nem aplausos, com o silêncio que me dou quando pratico a minha religião. A minha religião são os homens.
Eu já vivi, de casa montada e cultura bebida, em três países, sou filho e neto de emigrantes, sei que as pátrias mudam. E que ele há homens e ele há homens e que os primeiros são-me os preferidos: os que fazem seu o lugar onde estão. O africano Francis Obikwelu veio para Portugal aos 16 anos (...). Obikwelu trabalhou nas obras - e, diz-se, acarretando os sacos de cimento arranjou a estrutura muscular que haveria de o prejudicar nos arranques das corridas (ser pobre paga-se). Para fazer aquilo que queria, atletismo, chegou a dormir sob as bancadas do estádio do Belenenses.
Aconteceu que Francis Obikwelu encontrou uma família portuguesa que lhe deu a mão e aconteceu que a essa família ele deu aquele sorriso com que brindou o Ninho de Pássaro, ontem, antes de sabermos que era a sua derradeira corrida. Com Portugal, Obikwelu fez o mesmo, um contrato. Coisa entre iguais: eu dou e tu dás. Sendo assim, porque digo que lhe estou agradecido? Porque são raros os que, como Obikwelu, não pedem, trocam (...). Ontem, lamentando não ter dado o que os portugueses esperavam, Obikwelu disse: "Este é o meu trabalho e queria pelo menos dar uma final aos portugueses."
Repararam na palavra? Trabalho. É a palavra dos homens. Obrigado, Obikwelu."
(Ferreira Fernandes, no DN)
*
Obrigado também por isto:

"A Fundação Francis Obikwuelu será instituída por escritura pública, como instituição de direito privado, com autonomia financeira e sem fins lucrativos, levando como matriz essencial a personalidade de Obikwelu, um cidadão português movido por um ideal, a felicidade, e por uma paixão, o desporto.
A Fundação Francis Obikwuelu terá 3 pilares importantes:
Academia de Talentos em Albufeira – é um ATL para crianças, dos 6 aos 14 anos. As crianças no espaço da Fundação, terão lanche, transporte, acompanhamento escolar e desporto. O ATL está aberto das 9h às 20h, de 2ªF a sábado. A Fundação tem como missão a criação de condições e oportunidades para crianças e adolescentes brilharem no mundo do desporto nas seguintes modalidades: atletismo, natação, futebol, basquetebol e ténis. As mensalidades é de acordo com a declaração de rendimentos;
Bolsas de Talentos Nacionais – Pelo país, a Fundação, disponibilizará verbas para clubes, associações, equipas e atletas – com comprovados resultados desportivos e artísticos – que precisem de patrocínios ou apoios para representarem Portugal ao mais alto nível, ou para estágios e acções de formação, que sejam fundamentais para a sua evolução desportiva ou artística;
Talentos Escondidos - Todos os anos, serão realizados 3 eventos (norte, centro e sul) de captação de novos talentos desportivos. A inscrição poderá ser efectuado pelos pais, treinadores, escolas ou clubes/associações. Os 3 melhores atletas a nível nacional receberão uma bolsa no valor de 10 000€ (dez mil euros).
JÁ ESTÃO ABERTAS AS INSCRIÇÕES PARA A ACADEMIA DE TALENTOSPara mais informações ou Inscrições: http://www.francisobikwelu.com/fundacaoobikwelu@hotmail.com "
(*uma fundação útil, ao contrário de outras que por aí andam a sugar € público)
domingo, agosto 17, 2008
Georgia
"I don't want to be some face that makes this conflict more personal for the average Britain, because they know some singer that comes from there that sings about bicycles. That's ridiculous! Conflict is conflict. It just so happens that this conflict is on my homeland, on my memories and where pretty much all of my family is right now.
10 days ago I felt secure, happy and looking forward to visiting Georgia for the summer holidays. Now I'm not sure what to feel. All I know is that once Georgia mends itself after another conflict in its recent history then I'll never take that feeling of safety for granted and neither should the millions of people that live in countries of peace.
10 days ago I felt secure, happy and looking forward to visiting Georgia for the summer holidays. Now I'm not sure what to feel. All I know is that once Georgia mends itself after another conflict in its recent history then I'll never take that feeling of safety for granted and neither should the millions of people that live in countries of peace.
Katie x "
sexta-feira, agosto 15, 2008
sábado, agosto 09, 2008
Ofertas de jornais: marketing ou reciclagem?
É habitual a oferta de livros na compra de um jornal. O DN, por exemplo, oferece livrinhos pequeninos, de autores consagrados e que podemos considerar como clássicos da literatura. É uma forma de marketing, de atrair mais compradores. Para quem compra, para além do jornal (geralmente de leitura rápida, visto que pouco tem de interessante, sobretudo nesta altura do ano), recebe um livro leve, geralmente interessante e que não envergonha quando se lê em público.
E a propósito de público. Hoje comprei o jornal com esse nome. Também oferecia um livro. Mas ao contrário do DN, que diz qual é o livro que vamos receber na compra da edição daquele dia, na capa do público só vem a referência a "um livro" editado pelo público. Estranha estratégia de marketing. Porém, quando a senhora, com toda a simpatia e genuína boa vontade me entregou o livro de "oferta" com um sorriso, percebi o que se estava a passar.
Os poemas da vida de mário soares?! Uau! A perspectiva de conhecer os poemas da vida de soares é para mim algo de tão cativante como a hipótese de ler a legislação compilada do Congo, comentada por vital moreira. É claro que não podiam anunciar na capa qual era o livro, pois corriam o risco de uma debandada geral dos seus leitores (neste dia, pelo menos) para o 24 horas ou para o Jogo.
Percebi também que os armazéns do público não são, obviamente, elásticos. E devem estar atafulhados de porcarias deste género que alguém no jornal se lembrou de publicar e que - vá lá saber-se porquê - não se venderam. Podiam doá-los, mas quem os quereria? Mandá-los para Timor ou África causaria riscos de conflitos diplomáticos indesejáveis. Restava o leitor incauto do jornal. E foi assim que percebi que, para o público, o leitor é uma espécie de ecoponto.
*
Hum... a propósito de ecoponto...
sexta-feira, agosto 08, 2008
Canção de embalar

Lullaby of London
As I walked down by the riverside
One evening in the spring
Heard a long gone song
From days gone by
Blown in on the great North wind
Though there is no lonesome corncrake's cry
Of sorrow and delight
You can hear the cars
And the shouts from bars
And the laughter and the fights
May the ghosts that howled
Round the house at night
Never keep you from your sleep
May they all sleep tight
Down in hell tonight
Or wherever they may be
As I walked on with a heavy heart
Then a stone danced on the tide
And the song went on
Though the lights were gone
And the North wind gently sighed
And an evening breeze coming from the East
That kissed the riverside
So I pray now child that you sleep tonight
When you hear this lullaby
May the wind that blows from haunted graves
Never bring you misery
May the angels bright
Watch you tonight
And keep you while you sleep
(Shane MacGowan - 1988)
As I walked down by the riverside
One evening in the spring
Heard a long gone song
From days gone by
Blown in on the great North wind
Though there is no lonesome corncrake's cry
Of sorrow and delight
You can hear the cars
And the shouts from bars
And the laughter and the fights
May the ghosts that howled
Round the house at night
Never keep you from your sleep
May they all sleep tight
Down in hell tonight
Or wherever they may be
As I walked on with a heavy heart
Then a stone danced on the tide
And the song went on
Though the lights were gone
And the North wind gently sighed
And an evening breeze coming from the East
That kissed the riverside
So I pray now child that you sleep tonight
When you hear this lullaby
May the wind that blows from haunted graves
Never bring you misery
May the angels bright
Watch you tonight
And keep you while you sleep
(Shane MacGowan - 1988)
Misty Morning, Albert Bridge
Here's some thoughts from Jem [Finer, from Pogues] about this tune: "Sometimes I felt pretty damn lonely away for what seemed eternity on tour. I wrote this in some dump in New Zealand. I just wrote what I felt".
quinta-feira, agosto 07, 2008
quarta-feira, agosto 06, 2008
Ver com atenção (e preocupação)
Esta reportagem sobre o ensino no Brasil. É uma boa forma de ver para onde caminhamos, uma vez que estas ideias estão a ser implementadas cá em Portugal (por exemplo, a passagem automática do 1º para o 2º ano; algumas teorias de treta das "ciências" da educação; a defesa da ideia de que o aluno só deve ser reprovado no final do ciclo e não no final de ano...).
*
O nosso ensino vai-se tornando cada vez mais infantilizado. A última medida do ministério foi a de reduzir o número de professores por turma no 2º ciclo. Pelos vistos, a passagem de um professor do 1º ciclo para nove no 2º ciclo era "traumatizante". Para além de ser uma ideia absurda, é falsa, porque há muito tempo que no 1º ciclo os alunos têm mais do que um professor: além do professor que dá as aulas regulares, têm um professor de educação física, um de inglês, um de informática, um de música ... consoante a oferta da escola.
Naturalmente, há vantagens e desvantagens desta medida.
Vantagens: dando várias disciplinas à mesma turma (por exemplo, matemática e ciências da natureza ou português e história e geografia de Portugal, mais estudo acompanhado, área de projecto e formação cívica), os professores passam muito mais tempo com os alunos e acabam por os conhecer melhor; também acabam por ter menos turmas (logo, menos alunos e menos reuniões de treta), o que significa que, em teoria, se poderão dedicar mais a estes alunos.
Desvantagens: os professores são especializados numa área, não em duas. É certo que há cursos das ESE que preparam (salvo seja) professores para mais de uma área (a mais divertida de todas é o professor do 1º ciclo, variante de educação física). Acabando por leccionar áreas nas quais não são especialistas, a qualidade do ensino vai naturalmente sofrer. Acaba por haver uma maior insegurança, por muito que o docente se prepare (não é um ano de estudo auto-didacta que substitui 4 anos de ensino superior, ao contrário do que podem pensar os analfabetos que povoam o ministério - e governo). E essa insegurança vai conduzir, em muitos casos, a um ensino mais superficial, a uma avaliação artificialmente mais benévola e, mais grave, a uma pior preparação dos alunos.
Outra desvantagem, de natureza humana ou pessoal. É sabido que o aluno esforça-se mais e gosta mais de uma disciplina quando gosta do professor. Se, por acaso, o aluno não gosta do professor (ou vice-versa) os resultados serão piores não em uma, mas em várias disciplinas.
Última desvantagem. Imaginemos que um professor adoece (algo que, em larga medida, o ministério e muitos conselhos executivos não permitem que aconteça a não ser que avise com 5 dias de antecedência) e não pode dar aulas durante 20 dias, por hospitalização. Não pode ser colocado outro professor no seu lugar (o processo é tão burocrático que exige que a ausência por doença seja superior a um mês). Os alunos perderão, dessa forma, dias inteiros de aulas (em vez de uma só disciplina). Ah, existem as fantásticas aulas de substituição. Assim está bem, nesse caso os alunos perdem os dia inteiros de aulas ... na companhia de vários professores que desconhecem.
domingo, agosto 03, 2008
o carro português
O "computador português" inspirou-me a criar o carro português. Mas como sou generoso, resolvi publicar a receita:
1. pega-se num opel (pode ser às peças, mas para poupar tempo pode comprá-lo já montado)
2. pinta-se de vermelho, com um risco de verde
3. dá-se-lhe um nome idiota (nota: é essencial que esteja ligado aos Descobrimentos, porque não se passou mais nada em Portugal depois disso, a não ser o 25 de Abril e a eleição de sócrates - assim se vê o nível cultural de quem pensa estas coisas) - sugerimos caravela, para dar a ideia de velocidade, astrolábio (com gps incluído), Bartolomeu (chega onde mais ninguém chega), Gama (um símbolo de prosperidade), etc...
4. contrata-se uma equipa de marketeers fiéis ao rei e jornalistas com um nível de credulidade espantosamente elevado
5. cria-se uma campanha de promoção para aquisição do primeiro automóvel dirigida aos jovens universitários (em contra-partida, os compradores deverão comprometer-se a meter combustível na galp durante 5 anos)
6. coloca-se o primeiro-ministro, de fato cinzento e sorriso parvo, ao lado do carro em todos os noticiários
7. convence-se o presidente da câmara de Lisboa a levar um dos veículos para o próximo Quadratura do Círculo - a cada intervenção dos restantes participantes da qual discorde, deverá buzinar em sinal de protesto;
E pronto, mais um exemplo do avanço tecnológico da era sócrates.
ps: quanto às despesas, ponham na conta de quem vier a seguir....
*
Fora de brincadeiras... Quem é que se lembrou de chamar Magalhães ao suposto "computador português"? Duvido que tenha sido essa a intenção, mas foi uma escolha cheia de ironia. É que Magalhães, que era de nacionalidade portuguesa, tornou-se famoso por fazer uma viagem de circum-navigação a bordo de uma frota espanhola. E morreu a meio da viagem. Ou seja, o feito só está ligado a Portugal pelo nome Magalhães, como acontece com o computador. Porque tudo o resto não era nacional.
quinta-feira, julho 31, 2008
Churchill, nobreza, cavalaria e maquinaria
(Gaudi)Na Idade Média, o cavaleiro era o mais honrado dos combatentes. Mesmo que combatesse apeado, nunca deixava de ser cavaleiro. Tinha os seus códigos de honra, um orgulho próprio, um sangue distinto. Vermelho como os camponeses peões que sangravam ao seu lado, mas distinto. A honra vinha (entre outras coisas) do facto de combater corpo-a-corpo. Esta forma de combate implica mais riscos do que todas as outras porque o inimigo está aqui à frente, à distância de uma lança, de uma espada, ou até de um abraço. Mortal. E implica também uma luta interior, um conflito que se vive abaixo do arnês cintilante do cavaleiro, mas no seu próprio coração e na sua consciência: vencer a resistência de matar. Quanto mais próximo se está do inimigo, maior é essa resistência, porque lhe ouvimos a respiração, lhe vemos e reconhecemos as definições do rosto, enfrentamos o seu olhar. E, no momento do golpe, ouvimos a espada perfurar a carne e esmagar os ossos, os gritos de dor, a morte na expressão, o cheiro enjoativo do sangue. E ainda poderemos perceber as últimas palavras, às vezes na nossa própria língua.
Por tudo isto, havia um grande desprezo dos cavaleiros em relação aos arqueiros e besteiros (que combatiam à distância) e aos operadores dos engenhos que lançavam pedras. Conta-nos Fernão Lopes, na Crónica de D. João I (segunda parte) que, em 1386, Nun'Álvares Pereira, dialogando com D. João I, condenou a guerra de cerco precisamente porque nestas operações muitos cavaleiros eram mortos com armas de arremesso por adversários que, na luta individual corpo‑a‑corpo não o conseguiriam fazer. Com estas, “mata huum villaão com huuma beesta ou pedra que deita do muro, sem bem nenhuum que per as maão faça.”
(arqueiros representados na tapeçaria de Baieux)Este desprezo não era tido em conta pelos reis, que não dispensavam os seus arqueiros e besteiros, peças essenciais para muitas vitórias (sobretudo em cercos, que eram as formas de luta mais frequentes, já que as batalhas eram escassas). Os mesmos reis não deixaram de incentivar o uso de engenhos e, depois, das armas de fogo. No entanto, a cavalaria sobreviveu até ao século XX, e a sua noção de honra também. Churchill que, aos 21 anos, nos anos 90 do século XIX, foi membro do quarto regimento de Hussardos (elite da cavalaria inglesa) classificou a carga de cavalaria como o "maior evento de todos". E continuou com o seguinte lamento:
"É uma pena que a guerra tenha desprezado tudo isto na sua gananciosa, vil e oportunista caminhada e se tenha voltado, como alternativa, para químicos de óculos e chauffeurs que puxam as alavancas de aviões e metralhadoras ... A guerra, que costumava ser cruel e magnífica, passou agora a ser cruel e esquálida. A verdade é que foi completamente estragada, tudo por culpa da democracia e da ciência. A partir do momento em que se permitiu que um e outro destes intrusos, que tudo põem em desordem, participassem verdadeiramente nos combates, o fatal destino da guerra estava traçado. Em vez de um pequeno número de profissionais bem treinados a defender a causa do seu país com armas antigas e uma bela e intrincada manobra arcaica ... temos agora populações inteiras, incluindo até mulheres e crianças, lançadas umas contra as outras num brutal extermínio mútuo e nada mais que um conjunto de funcionários de olhos cheios de remelas em lista de espera para aumentar ainda mais a conta do carniceiro... A guerra deixou de ser um jogo de cavalheiros. Ao diabo com tudo isto!"
(Churchill, Os meus primeiros anos, Guerra e Paz, pp. 76 77).
Churchill escreveu estas palavras após a Grande Guerra de 1914-18. Antes de Hitler, Mussolini e Estaline. Antes da Batalha de Inglaterra, de Estalinegrado, de Pearl Harbor, do Dia D e de Hiroxima.
sexta-feira, julho 25, 2008
segunda-feira, julho 21, 2008
segunda-feira, julho 14, 2008
"Gates não precisava doar parte da fortuna aos desvalidos da Terra para saldar a sua dívida com a humanidade. A dívida foi saldada quando Bill Gates fez o que melhor soube: democratizar o computador, transformando irreconhecivelmente a vida de cada um. Como? Primeiro, ao colocar computadores baratos nas casas do mundo. E, depois, ao fornecer um software simples e de linguagem praticamente universal, que transformou os nossos hábitos de trabalho. No próximo século, quando se escrever a história deste, Bill Gates será relembrado como um visionário."
(J. Pereira Coutinho, Folha de S. Paulo)
vida perdida
«A procissão passa pela Ferreira Borges? Olha, não fazia ideia.», disse a senhora para a irmã. Falava enquanto costurava, numa cozinha iluminada pela janela que olhava para o olival. Tem os dedos finos, o corpo magro e envelhecido, o cabelo apanhado em bola no cimo da cabeça. É uma mulher pequena, como são todas na família.
A irmã olha-a. Sorri, mas por dentro o paladar do que sente é amargo.
«Tu não me digas que vives nesta cidade há cinquenta anos e não sabes por onde passa a procissão?!»
O espanto é genuíno, porque há situações que nunca deixam de surpreender, mesmo quando pensamos que vimos o seu fundo negro.
«Olha, que queres tu? Não sabes o que foi a minha vida? Nunca pude fazer nada, tudo o que fiz foi lavar escadas, costurar, fazer a comida ao velho e cuidar dos cães, dos pássaros e dos bichos todos. Nunca pude ir a lado nenhum.»
Ir a lado nenhum não significa aqui viajar, mas descer a rua até à calçada, atravessar a estrada em direcção ao rio e esperar do lado de lá da ponte que a procissão passe. A imagem rodeada de rosas poderia tê-la olhado e libertado do seu estado, da prisão de uma atracção transformada em medo e dependência por um fadista e caçador, que há vinte anos - segundo dizem - está para morrer.
Queirós II - erro de escolha
A ida de Queirós para a selecção nacional vai ser, muito provavelmente, um erro.
Substituir Scolari não seria tarefa fácil para a maioria dos treinadores de qualidade. Para Queirós, será ainda mais complicado. O ex-adjunto do Manchester entra na selecção depois de bons resultados que dificilmente conseguirá continuar (até porque, desde a saída de Figo, não há um líder em campo, elemento que é essencial em todas as equipas ganhadoras - Raúl e Casillas no Real, Jorge Costa quando jogava no Porto, Barbosa no último Sporting campeão). E vem substituir um seleccionador com autoridade e independente de influências dos clubes. Não me parece que Queirós tenha, pelo seu passado, autoridade sobre os jogadores e força para se sobrepor às pressões dos clubes. Depois, caso Queirós deseje implantar um modelo novo de gestão do futebol, apostando novamente nas camadas jovens, terá de exigir muitas mudanças por parte da Federação. Provavelmente terá de o fazer a um novo presidente da federação que não o escolheu, já que Madail (presume-se pelas suas próprias palavras) irá sair em breve.
Por fim, o passado profissional de Queirós deixa largos motivos de receio. Tirando os tempos longínquos em que triunfou com equipas de juniores (algo que pouco vale no futebol profissional) e os êxitos do Manchester de Ferguson, de quem era adjunto (e não foram êxitos que os Red Devils não tivessem já alcançado antes da chegada de Queirós), este treinador nada ganhou de relevante. Fracassou no Sporting, com o melhor plantel leonino de que há memória (com Figo, Balakov, Iordanov, Marco Aurélio, Naybet, Amunike, entre muitos outros), fracassou nas arábias, nos EUA e no comando do Real Madrid (com Raúl, Figo, Zidane, Morientes, Casillas, Solari, Guti..., equipa que Del Bosque levara à conquista da 9ª Champions).
Queirós I
"El interés del club blanco por Cristiano le sacó [a Carlos Queirós] de sus casillas. Dijo barbaridades ("Quieren nacionalizar español a Ronaldo, como a Cristobal Colón") y emprendió una batalla que ha dejado a medio camino por la selección de Portugal. Criticó a Cristiano por querer irse del United y él ha sido el primero en dejar tirado al Manchester y a Ferguson. Cargó contra el Madrid por ofrecerle algo mejor al portugués. Días después, la Federación Portuguesa llamó a su puerta para hacerle seleccionador y aceptó al instante. ¿Cuál es la diferencia? Parece que lo suyo está bien y lo de Cristiano, mal. Queiroz tiene dos varas de medir, para él y para los demás. " (AS).
domingo, julho 13, 2008
domingo, julho 06, 2008
Abraço de fim de tarde
sexta-feira, junho 13, 2008
A Irlanda salva a Europa dos seus burocratas

"Irish minister says EU vote lost" (BBC).
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"With 19 of 43 constituencies declared, the No vote is leading by 54.7 per cent to 45.3 per cent. All but two constituencies, Dublin South and Dublin North, have rejected the treaty. (...) Tallies from early on in the count showed the No campaign appeared to be winning in most constituencies across the State, with significant majorities emerging from rural and urban working class areas in particular. " (Irish Times)
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Abençoada terra, como escreveu João Pereira Coutinho:
"Seja como for, saber que a Irlanda pode ser a última barreira da decência contra a indecência da União Europeia, eis um facto que só faz crescer a minha admiração por aquele belo e abençoado país. Depois de Burke, Oscar Wilde, Joyce e Tullamore Dew, um "não" ao Tratado de Lisboa e eu começo a pensar seriamente em trocar Lisboa por Dublin."
quarta-feira, maio 14, 2008
informação inútil
dada por uma publicidade a um queijo: "nos Açores há duas vacas por cada habitante."
"Sócrates e Pinho violaram proibição de fumar a bordo do voo de Lisboa para Caracas", apesar de ser o autor da absurda lei em vigor, que trata os fumadores como assassinos potenciais (sócrates, pelos vistos, é um deles). Ou apesar de ter sido anunciada (segundo o Público em letras garrafais) a proibição de fumar a bordo (até porque não é líquido que o homem saiba realmente ler, até porque o aviso não estaria escrito no inglês técnico que ele tão bem domina).
É difícil qualificar este acto. Não pelo incumprimento de uma lei que ele próprio gerou (um hábito socialista), mas pelo facto de sócrates e companhia terem ido fumar para a zona de serviço do pessoal de bordo. Um desrespeito bem revelador não só da hipocrisia do primeiro-ministro, mas da sua arrogância para com os que considera "inferiores."
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Já agora, a asae terá multado o seu dono? Ou terá, ao menos, sido apresentada queixa por parte das autoridades a bordo? Ou por parte dos "empresários" liberais e livres que seguiam a bordo? Presumo que todos saibam a resposta a estas questões.
segunda-feira, maio 12, 2008
O amor não é isto
O programa O Amor é (pode ser ouvido no site da RTP/ Antena 1) falava hoje de violência doméstica. 17 mulheres mortas num ano, a somar às 21 do ano anterior, só em Portugal. Estes são os números dos casos extremos, que resultam em morte. Maiores são os que estão em processo judicial. Ainda maiores, as queixas feitas junto das forças policiais. Mas superando todos estes, está o das vítimas silenciosas. Quase sempre mulheres. Os dados sobre esta questão são sempre incertos. Presume-se que pequem quase sempre por escassos. Segundo estudo publicado em 1999, 1 em cada três mulheres, em todo o mundo, foram espancadas, violadas ou abusadas durante a vida. De acordo com a OMS, 70% das mulheres assassinadas são vítimas da violência dos parceiros. No ano de 2000, uma mulher era morta em Espanha a cada cinco dias. No Reino Unido (2003) morreram duas por semana. Em Portugal a PSP e a GNR registaram, em 2002, 11677 ocorrências de violência doméstica.
No programa (com base em todos os estudos) foi referido que a violência reportada é o culminar e anos de actos continuados, que vão evoluindo muitas vezes em espiral: começam com pressões e coacções psicológicas, às quais se vai adicionando a agressão física.
Isto a propósito da J. Uma rapariga calada, pouco mais dela se ouve para além de sim, não e outros monossílabos. Várias vezes, ao longo do ano, chegou à sala (por vezes tarde) e ficou sentada, calada e ausente, até ao final. A qualquer comentário respondia com um sorriso, um sussurrar curto e tímido e o desvio do olhar. No outro dia falou. Finalmente, falou.
A relação dura há dois anos e nesse espaço de tempo, segundo palavras dela, "não tive um dia em que chegasse ao fim e pudesse dizer: neste momento fui feliz". A relação, já longa para a idade, revela-se a principal causa da instabilidade. São incontáveis as vezes em que a relação terminou com ela em lágrimas e ele (pelo menos aparentemente) impassível. Para rapidamente recomeçar por fraqueza (confessada) dela. "Eu já tentei terminar, mas não consigo." Quando lhe pergunto que conselho daria a uma amiga que estivesse na mesma situação, a resposta é clara: "dizia-lhe para terminar tudo. Mas eu não consigo, não sou capaz." Não significa isto que haja coacção por parte dele. Mas há um sentimento de dependência em J. que a torna vítima das vontades do namorado. Abandona-a quando quer, está com ela quando quer. Proíbe-a de falar com determinadas pessoas, de usar certas roupas (pelo menos assim parece). Fiscaliza o telemóvel dela e impede-a de ver o dele. Aqui sim já há algo de coacção ou de violência. Que pode ou não aumentar no futuro.
As amigas de J. têm todas a mesma opinião, há que pôr fim à relação e ser feliz. Pensar nela. Ela concorda ... em parte. E não consegue agir. Assim sendo, vai continuar nesta instabilidade diária, como tem vivido nos últimos dois anos. J. tem agora 14.
sexta-feira, maio 09, 2008
Vamos todos cantar com o Jorge Palma
"deixa-me rir"...
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Segundo A Bola, "A Comissão Disciplinar da Liga teve mão pesada nas sentenças do “Apito Final”: Pinto da Costa é suspenso por dois anos e o FC Porto perde seis pontos; Boavista desce à Liga de Honra e João Loureiro é suspenso por quatro anos; o presidente do U. Leiria, João Bartolomeu, cumpre um ano de suspensão."
Curiosa "mão pesada". O árbitro, o elo mais fraco e mais fácil de seduzir em toda esta cadeia de boa gente, foi suspenso por 6 anos. Suspender os dirigentes dos clubes é o mesmo que não fazer nada, pois que justiça daí advém? É por não serem os presidentes oficiais (para estas situações é que existem os fantoches) que vão deixar de praticar actos ilícitos?
Presumo que ninguém consiga explicar por que motivo o mesmo crime é mais pesado para o que é corrompido e mais brando para o que corrompe...
domingo, maio 04, 2008
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