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sexta-feira, novembro 09, 2007

Lá se vai um dos argumentos para criticar o MacDonalds

"A equipa de Katherine Flegal, dos Centros para o Controlo e Prevenção das Doenças dos Estados Unidos, lançou a confusão na última edição da revista Journal of the American Medical Association (JAMA), depois de ter analisado décadas de inquéritos sobre saúde e nutrição, à procura de uma associação entre as categorias de índice de massa corporal (IMC) e as várias causas de morte dos norte-americanos. Diz a equipa que, afinal, o excesso de peso não está associado a um aumento da mortalidade devido às principais causas de morte, à excepção da diabetes e doenças renais, para as quais esses valores aumentam ligeiramente. Quem tenha um excesso de peso moderado poderá até morrer menos de alguns cancros do que as pessoas com peso normal, uma conclusão surpreendente. Quer dizer que, depois de tantos anos a ouvirmos falar dos riscos do peso excessivo, até podemos ser ligeiramente gordos que não faz assim tanto mal? Sim, podemos, segundo este estudo, que analisou os dados relativos a milhões de pessoas, coligidos desde os anos 70. De facto, nos cancros não relacionados com a obesidade (pulmões, pele ou linfomas), nas doenças respiratórias, em situação de ferimentos e infecções em geral, as pessoas com excesso de peso (mas sem serem obesas) até parecem estar mais protegidas do que as têm um peso normal. Para as doenças cardíacas, o estudo não encontrou diferenças estatísticas entre as pessoas com peso excessivo e normal. Ter uns quilos a mais, conclui ainda o estudo, nem sequer aumenta muito o risco dos cancros relacionados com a própria dieta, nos quais se incluem o cancro do cólon, da mama, útero, pâncreas, esófago ou rins." (no Público).

A bem da educação

Como complemento a esta posição, proponho que também a função de Encarregado de Educação Responsável seja atribuída apenas a quem fizer um exame de admissão. Porque eu também acho que a qualificação inicial de alguns E.E. não é a melhor e que há um certo facilitismo no acesso ao cargo. Sugiro também que se penalizem os E.E. absentistas e os que vivem naquele estranho limbo que lhes turva o olhar e os faz olhar para os seus petizes como Einsteins e Mozarts em calções e sandálias, crianças extremamente inteligentes, capazes e adultas mas, curiosamente, com um grave problema de personalidade, que as leva a fazer "asneiras" por mera influência de uns malignos colegas.

mensagem 600

Chegado à mensagem 600, que balanço se pode fazer deste blog? Quem o lê, afinal? Era interessante saber... Ou tudo o que aqui tem sido colocado pouco mais tem sido do que excertos de monólogos que vamos fazendo em frente ao monitor?
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Um destes dias, pedi a um aluno do curso de informática para desenhar uma palavra que escrevi num papel. A palavra era "monitor". Ele olhou para mim e perguntou o que era. Como tinha escrito a palavra em letra de imprensa, excluí imediatamente a hipótese de ele não estar a perceber a letra. Como mais ninguém na sala podia saber qual era a palavra, murmurei sinónimos de "monitor" e descrições o mais exactas possíveis, com um pouco de mímica incluída. Ele finalmente olhou para mim com um certo brilho nos olhos, que interpretei como o olhar de quem finalmente viu a luz e percebeu o que eu estava a explicar. Confiante, afastei-me e disse-lhe: "desenha". E ele desenhou. O "monitor" estava a parecer-me demasiado rectangular. Demasiado. Mas o rapaz até desenhou bem, porque todos os colegas foram capazes de identificar o objecto representado no quadro: a orgulhosa e vertical torre de um pc. Já tinha referido que este aluno está a tirar um curso de informática? Pois...

A bit of theology


Math is the language God used to write the universe...

O homem deve ter tido um prof de Matemática muito austero

"The good Christian should beware of mathematicians and all those who make empty prophecies. The danger already exists that mathematicians have made a covenant with the devil to darken the spirit and confine man in the bonds of Hell."
(St. Agostinho)

quinta-feira, novembro 08, 2007

Joan Baez - Diamonds and Rust


Well I'll be damned
Here comes your ghost again
But that's not unusual
It's just that the moon is full
And you happened to call
And here I sit
Hand on the telephone
Hearing a voice I'd known
A couple of light years ago
Heading straight for a fall
As I remember your eyes
Were bluer than robin's eggs
My poetry was lousy you said
Where are you calling from?
A booth in the midwest

Ten years ago
I bought you some cufflinks
You brought me something
We both know what memories can bring
They bring diamonds and rust

Well you burst on the scene
Already a legend
The unwashed phenomenon
The original vagabond
You strayed into my arms
And there you stayed
Temporarily lost at sea
The Madonna was yours for free
Yes the girl on the half-shell
Would keep you unharmed
Now I see you standing
With brown leaves falling around
And snow in your hair
Now you're smiling out the window
Of that crummy hotel
Over Washington Square
Our breath comes out white clouds
Mingles and hangs in the air
Speaking strictly for me
We both could have died then and there

Now you're telling me
You're not nostalgic
Then give me another word for it
You who are so good with words
And at keeping things vague
Because I need some of that vagueness now
It's all come back too clearly
Yes I loved you dearly
And if you're offering me diamonds and rust
I've already paid

quarta-feira, novembro 07, 2007

Jornalismo de qualidade - exemplo do público

Nesta "notícia" (parece mais um artigo de opinião), o jornalista fala de Santana Lopes como o "menino guerreiro" (lembrando a música da última campanha de Santana). Se essa designação se aceita num texto de opinião de crítica, é inadmissível numa notícia, por revelar um preconceito do seu autor. Por que motivo sócrates não é apelidado de gladiador já que a banda sonora do Gladiator, de Zimmer, é utilizada em muitos actos de propaganda socrática?
Assim se procura minimizar a imagem de um político e manter a imagem de outro (através de utilização de designações pomposas e oficiais). É o jornalismo que temos.
Já estou a imaginar a cara de parvo de um certo "engenheiro" perante esta notícia.

AAC homenageia sócrates

Pelo menos é o que parece. Com as alterações ao código da praxe, que incluem o aparecimento de novos títulos como bolognez (no comments) ou marquez (homenagem justificadíssima ao sr Sebastião José de Carvalho e Mello), o cortejo da Queima das Fitas, tradicionalmente realizado a uma Terça-feira, vai passar para um domingo, dia da semana em que josé sócrates se "licenciou" na defunta Independente.

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ps: Depois do trabalho feito com o primeiro-analfabeto, inaugurando a primeira licenciatura EFA portuguesa, não restava realmente outra solução à Independente a não ser fechar as portas.

terça-feira, novembro 06, 2007

Só somos apenas lideres da Liga e da Champions

É lamentável ver a figurinha triste que o Benfica e o Sporting fazem. O FCP está num nível muito superior. Nem podemos fazer comparações pois não fazem sentido. Tenho pena que o futebol português se resume ao meu clube. Na Europa é o que se vê, só o FCP é que demonstra ser uma equipa de topo europeu e no campeonato não temos concorrência à altura. Enfim...ao menos podemos assistir a momentos fantásticos como o golo do Tarik contra o Marselha, por exemplo. Um hino ao futebol....

domingo, novembro 04, 2007

A não perder

O novo album de Katie Melua. Ainda só o ouvi duas ou três vezes, mas já dá para perceber que mantém o nível de qualidade dos anteriores. A amargura do segundo album (Piece by piece) aparece agora um pouco mais mitigada. Continua presente nas palavras que continuam a expressar lamentos, angústias e desilusões, mas há mais alegria e mais esperança no ritmo e no espírito que envolve as letras. E termina com chave de ouro (como se costuma dizer), com uma versão de In my secret life, de Leonard Cohen, pelo que definitivamente não se deve perder.

sexta-feira, novembro 02, 2007

Jornalismo de qualidade - exemplo de A Bola

Eis a notícia publicada na edição online desse grande matutino de referência, A Bola:

"Domingos apela ao apoio dos adeptos

O técnico do Leiria pede para que os adeptos marquem presença no estádio e ajudem a equipa a suplantar este período menos positivo que atravessam.

«Nós gostamos de jogar com público. É importante para os jogadores sentir o forte apoio dos adeptos», realça Domingos, que apenas pensa num resultado frente à Académica: «o objectivo para domingo é ganhar, em casa, porque uma vitória pode trazer não só mais pontos mas também mais confiança aos jogadores.»"
O jornalista que escreveu esta "notícia" ou anda muito distraído ou é muito mau. Desde logo porque o mister Domingos Paciência não é treinador da União de Leiria, mas sim da Académica de Coimbra. Mas mesmo que o jornalista fosse desconhecedor desse facto, bastava olhar para a jornada da liga portuguesa para perceber que algo estaria mal no texto que ia publicar. É que a Académica nem sequer joga com a União neste fim-de-semana, mas sim com o Nacional da Madeira (a briosa recebe o Estrela). Mas mesmo que desconhecesse também esse facto, qualquer pessoa que tenha um interesse (mesmo que mínimo, ínfimo, minúsculo) pelo mundo do futebol sabe que o Domingos nunca poderia apelar ao apoio dos adeptos da União, pelo simples facto de que a União de Leiria não tem adeptos.
Amadores...

sábado, outubro 27, 2007

os iluminados

O mal das generalizações é que tendem a ser injustas. Diz-se que os políticos são todos iguais, que são todos mentirosos. Que prometem e, depois de eleitos, não cumprem. Pois bem, tendo em conta as mudanças de 'opinião' do falecido Cavaco, do primeiro-analfabeto Sócrates e do PSD em relação ao referendo, começa a ser difícil não pensar que são realmente todos iguais.
Sócrates e o PS, verdade seja dita, já tinham demonstrado o seu respeito pelo peso dos referendos quando repetiram o do aborto até obterem o resultado que lhes interessava. É a chamada democracia socialista (certamente uma herança dos 'bons tempos' da primeira república (que deu no que deu), há liberdade de expressão e de opinião desde que seja a nossa e não outra contrária à nossa.


No meio disto tudo, surge uma personagem cada vez mais hilariante, chamada Vital Moreira. Esta mente iluminada considera que os portugueses não se devem pronunciar sobre o referendo porque são ignorantes e não iriam perceber o tratado, mesmo que o lessem. Já Manuel António Pina questionou, no DN, se os deputados que , na opinião de V. Moreira, o devem aprovar serão menos ignorantes e dar-se-ão efectivamente ao trabalho de o ler. E compreender. Obviamente que não (lá estão as generalizações maldosas, mas se V. Moreira as pode fazer, quem não pode?).


A opinião de V. Moreira levanta até outra questão, pois parece ser um bom (salvo seja) começo para defender o regresso do voto censitário ou do despotismo esclarecido, em que sócrates, licenciado num domingo, e V. Moreira (atrevo-me a acrescentar ainda o dr. Júdice e o actual sósia do prof. Cavaco) seriam as mentes esclarecidas que decidiriam por nós (arrepios de terror). Se os Portugueses não se podem pronunciar em relação ao que não podem compreender, então por que motivo votam para eleger deputados e presidentes?


Dando mostras de grande bom senso, V. Moreira sugeriu ainda (vejam a luz, vejam a luz) que, a haver referendo, a pergunta deveria ser:
"concorda com a permanência de Portugal na U.E?"
(ou algo do género, não memorizei o texto, perdoem a minha ignorância).
E realmente devo ser mesmo ignorante, pois olho para essa pergunta e, coisa estranha, não me parece o mesmo que perguntar:
"concorda com a ratificação do tratado de Lisboa?"
E penso que para muitos Portugueses a confusão será idêntica, pois à primeira responderiam Sim e à segunda responderiam Não. Lá está a nossa ignorância, somos capazes de à mesma questão (sim, porque se V. Moreira sugere que é a mesma coisa, então é porque é) responder sim e não. Por favor, senhores iluminados, votem por nós, opinem por nós, não permitam o referendo.


(sócrates com o seu diploma - saindo da parede, o exame de inglês técnico)

V. Moreira em traje de gala
(pose de deputado português após leitura e compreensão integral do Tratado de Lisboa, lamentando a ignorância do povo que o elegeu e consciente da importância dos cursos EFA para a compreensão futura dos tratados europeus por parte dos súbditos da nação - um olhar entre o orgulhoso e o doloroso)
ps: Ah, mas agora entendo uma coisa: aquela questão das promessas que não são cumpridas, as mentiras do pseudo-engenheiro (scuts, baixa de impostos, progresso económico, combate ao desemprego, justiça social, não à ditadura do défice, sim sou mesmo licenciado, aposta na educação e etc...) não foram realmente mentiras nem situações confusas, nós é que, na nossa pobre e vil situação de ignorantes, não percebemos as sábias e luminosas palavras do mestre. Tal como não temos entendido nenhum político nas últimas décadas.

quinta-feira, outubro 25, 2007

alunos que frequentam escolas públicas I

M. tinha treze anos e estava no 7º ano da escola básica de uma pequena povoação do interior transmontano. Tinha olhos e cabelos escuros, que trazia geralmente emaranhado e espigado. Sorria quando nos via e era uma rapariga carinhosa e calada. Estudava na escola, sempre que o horário permitia. Quando tinha uma hora livre ou depois de almoço. Sozinha nos bancos que ladeavam o polivalente barulhento, com as grandes janelas de vidro atrás de si deixando entrar a luz branca do inverno. Outras vezes era vista na biblioteca da escola, um espaço com menos livros que algumas estantes particulares (conheço algumas) e alguns computadores velhos, pedindo ajuda a algum professor para esclarecer dúvidas. As notas, no entanto, dificilmente eram positivas. A sua caminhada até ao 7º ano fora complicada e deixou marcas. Beneficiando (digamos assim) de uma lei que quase proíbe as retenções e de uma perspectiva caridosa de muitos conselhos de turma foi passando sem conseguir aprender muito. Não tinha grande vontade de aprender, o esforço que fazia era apenas ditado pela obrigação e por uma necessidade de fazer algo bem feito, que lhe aumentasse a auto-estima e o seu valor aos olhos dos outros. O seu grande problema estava em casa. Em casa não havia livros, mas não era esse o problema. Em casa havia um pai alcoólico e violento (nem sempre andam lado a lado estas características, encontram-se muitas vezes isoladas, mas desta vez ali estavam, como duas amigas de longa data). E sempre que M. precisava de estudar à noite, tinha de rezar (não encontro melhor palavra) para que o pai não chegasse zangado, nem embriagado, nem violento. Porque quando isso acontecia (e parece que as rezas dela não chegavam muitas vezes aos ouvidos de quem devia), e o homem entrava em casa e a via de luz acesa agarrada a um qualquer livro ou caderno, não sei se gritava (mas devia gritar), não sei se batia (ela não disse se batia ou não), mas sei que não tinha meias medidas e desligava o quadro da electricidade, afogando a casa em escuridão. Depois deitava-se e, passado algum tempo (quantos minutos? quantas horas depois?), adormecia. E só então M., mais silenciosa do que um ratinho, se levantava e continuava o seu esforço inglório à luz da vela. Nesse ano, M. ficou retida. Não sei se justamente ou não. A verdade é que as suas notas eram más. Falo de resultados, claro. Falo, digamos assim, de 'rankings'. Mas também é verdade que as suas notas não poderiam ser melhores. E duvido que muitos dos que passaram com boas notas nesse ano nos confortáveis e reservados colégios da elite conseguissem melhores resultados nas mesmas condições.
Dois anos depois, quando voltei à escola, M. estava no 8º ano. E continuava a sorrir como antes.
Obviamente, M. nunca chegou ao 12º ano. Perdi-lhe o rasto entretanto. Presumo que terá terminado o 9º ano (provavelmente à custa de um qualquer CEF, para não ter de enfrentar os exames de português e de matemática que provavelmente a obrigariam a repetir o 9º ano). Ou então desistiu antes disso e procurou trabalho para sair de casa.

o ranking das escolas

Hilariante o relevo dado pelos meios de comunicação ao 'ranking das escolas'. Um jornalista que pensasse um pouco no que está a fazer e tivesse conhecimento dos assuntos de educação certamente olharia para os dados apresentados de forma correcta, e não como o ministério da educação (e outros grupos de interesses) querem que se olhe. Na leitura oficial, há o bom ensino, que é privado, e o mau ensino, que é público. Como grande parte da opinião pública desconhece o que realmente se passa nas escolas, tirando o que se limita a ver noticiários e a ouvir dos relatos dos filhos, é natural que adopte essa leitura oficial de forma acrítica e a tome por verdadeira. Mas observem só como foi feito o 'ranking'. O dado valorizado nessa hierarquização de estabelecimentos de ensino foi o da 'classificação média por exame'. Ou seja, somaram-se as notas obtidas em exame no ano lectivo passado por todos os alunos de cada escola e dividiu-se o valor pelo número de alunos. Só isso está em causa. E, com este estudo profundo, eis a conclusão a que se chegou:
- As melhores escolas são colégios privados, pois nas 10 primeiras só está uma escola pública, a Escola Infanta D. Maria (Coimbra).
Porém, na edição desta Quarta-feira do JN (não procurei o link porque não tive tempo), vem uma tabela que, para além do nome da escola e da média obtida, tem mais duas informações essenciais, mas que a comunicação social se esqueceu de analisar. A localização geográfica dessas escolas e o número de alunos que fizeram exames nas escolas privadas que estão no topo.
Pois bem, ninguém acha estranho que as melhores 25 escolas do país se localizem todas em Lisboa, Coimbra e Porto (com cinco excepções, 2 de Gaia, 1 de Cascais e outra de Loulé - interessantes excepções, aliás)? Não há alunos inteligentes na Guarda, em Murça, em Famalicão, em Évora, em Braga, em Chaves, em Carrazedo de Montenegro, na Maia, em Pombal, em Leiria? Ou não há aí professores competentes? A resposta para ambas as questões é só uma: há (conheço pessoalmente exemplos quer de alunos quer de professores).
Nesse caso, não valeria a pena tentar aprofundar as causas dessa geografia do sucesso escolar em Portugal? Não estará também ligado a um maior contacto com as ofertas culturais (desde cinemas, museus, concertos, livrarias, centros comerciais...), ao maior poder de compra da população, ao nível socio-económico e cultural dos agregados familiares, a um estímulo e exigência maiores por parte dos pais ou do grupo de amigos em que os alunos se integram para se lutar por um diploma (nem todos o podem tirar ao domingo)? Está, mas não interessa porque contraria a conclusão oficial, aquela que é feita de branco e preto, a que opõe o bom ao mau ensino.
Olhemos agora para o número de alunos que fez exames nos colégios no topo do ranking. Nos 3 primeiros, o número de alunos é de 48+32+15. Até o eng. Guterres era capaz de fazer esta conta: 95 exames. Mesmo que a cada exame corresponda um aluno, isso daria, no máximo, a 95 alunos divididos por três colégios. Este ano, eu tenho mais alunos do que esses. Pois bem, na primeira escola pública, o número de exames foi de 553. Não admira, pois, que tenha tido uma média inferior aos 3 primeiros.
Não sei o que se passa nesses colégios em particular, mas sei o que se passa em vários. Era uma vez um colégio que era o melhor no ranking do ensino de uma certa disciplina. Porquê? Porque obtivera uma média de 19 vírgula qualquer coisa nos exames desse ano. Fantástico, não é? E quantos alunos fizeram exame nesse colégio? Pois bem, um, aquele que eles sabiam que iria ter bons resultados. E os outros? Foram 'convidados' a fazer o exame na escola pública mais próxima.
Sabemos, também, que os alunos dos colégios não são, em regra, iguais aos alunos da maioria das escolas públicas. Os pais são diferentes, as terras onde vivem são diferentes, o ambiente que têm em casa é diferente. E os colégios não são obrigados a cumprir uma coisa muito gira chamada escola inclusiva, que exige que nenhum aluno seja excluído de um estabelecimento de ensino público. Os alunos com dificuldades de integração, de adaptação, com deficiências ligeiras, com ambientes e passados caóticos, em geral, não frequentam colégios. Por isso a comparação que é feita apenas a nível dos resultados obtidos nos exames é obscena, é absurda.

segunda-feira, outubro 15, 2007

Uma questão de trocos...

O inglês Robbie Fowler promete chegar à reforma em grande estilo. O avançado, que ainda é o quarto maior goleador da história da liga inglesa, actua actualmente no Cardiff, do País de Gales, que disputa a segunda divisão.
O problema é que Fowler é natural de Liverpool, onde jogou durante dez anos se tornou um ídolo dos adeptos do clube com o mesmo nome. Nasceu e cresceu lá, gosta muito da cidade e não se quer ver em outro lado nem por nada deste mundo.
Ora como de Liverpool a Cardiff ainda vão 217 kms, o avançado achou que só mesmo a voar é que lá chegava a tempo dos treinos. Vai daí... comprou um helicóptero. Custou 320 mil euros, mas isso também não pareceu o problema.
Até porque essa não foi a única despesa. Para poder utilizar o helicóptero, construiu ao lado de casa um heliporto que lhe custou cerca de 7800 euros. Para se deslocar todos os dias ainda contratou um piloto pessoal, que lhe custa 315 euros por dia.
Feitas as contas, a brincadeira fica cara. Mas é mais rápida. Fowler coloca-se de Liverpool no campo de treinos do Cardiff em hora e meia. Para regressar a casa é mais hora e meia. Diga-se, de resto, que Fowler tem contrato com o clube galês até ao final da época 2008/09.

sexta-feira, outubro 12, 2007

prémios de treta

Al Gore vence prémio nobel da paz por ser locutor de um documentário. Sinceramente, penso que estaria melhor entregue ao Eládio Clímaco, que tem um trabalho de maior qualidade nesse campo (admirável o seu trabalho na Epopeia dos Bacalhaus.
Quanto ao documentário Uma verdade inconveniente, há aparentemente uma palavra errada no título, e essa palavra é Verdade:
O Deco foi o mesmo jogador que disse que o Ronaldinho foi o melhor jogador que já jogou no Barcelona, o que mostra o pouco que percebe de futebol (escuso de voltar a dar os exemplos de jogadores bem melhores que usaram a camisa blaugrana). Portanto, o que ele diz não merece grande crédito.

Quanto ao Raúl, o melhor marcador da Liga dos Campeões, vencedor de 3 Champions e melhor marcador da competição e da Liga vários anos, precisa tanto desse prémio como o Lobo Antunes precisa do Nobel (ou nobél como diz o espanholeco de Lazarote).

quarta-feira, outubro 10, 2007

Concordo com o mágico Deco

Nem Kaká, nem... Cristiano Ronaldo. Deco entregava a Bola de Ouro a Messi. O médio garantiu esta terça-feira, em entrevista à Rádio Catalunha, que o colega argentino é o maior candidato ao prémio que distingue o melhor jogador a actuar na Europa.
«Pelo que tem feito e pela qualidade que possui, Messi merece a Bola de Ouro», disse o internacional português. «Encanta-me como jogador. Não sei se ganhará o prémio, porque Kaká também teve um grande ano, mas eu gosto mais de Messi».
Mas se a escolha é difícil, para mim, nao deixam de ser os 3 melhores jogadores do Mundo.
P.S. Porque será que o Raul não está na lista hehe :)?

segunda-feira, outubro 08, 2007

Memórias de uma Gueixa



Há cerca de dois anos que as "Memórias de uma Gueixa" está na pilha de livros a ler, na mesa ao lado da cama. Por diversas razões fui adiando. Foi a S. que me emprestou e tinha recomendado. Mas ela é supeita pois as histórias com o Oriente como pano de fundo são muito do seu agrado. No meu último aniversário também o recebi de presente. Quem mo ofereceu trouxe o talão para troca pois considerava quase impossível que eu já não o tivesse, mas como não sabia bem o que escolher...

Finalmente peguei nele. E logo na primeira página fiquei seduzida. Ainda tenho alguma dificuldade em compreender como é que pode ser o primeiro livro deste autor. Que tenha levado dez anos a escrevê-lo não estranho, mas conseguir fazê-lo desta maneira, como primeiro romance, acho surpreendente.

O mundo das Gueixas numa versão encantatória e simultâneamente com glamour violento.

O filme é igualmente bom, com uma fotografia fabulosa. Recomendo ambos.

diálogo

Ela estava à espera, alegre e animada, aguardando cortesmente para começar a sopa, quando Mr. Welton tomou o seu lugar à mesa.
«Oh, sopa de tomate, he?» disse ele.
«Sim», respondeu ela. «Tu gostas, não?»
«Quem - eu?» disse ele. «Ah, sim. Sim, é verdade.»
Ela sorriu-lhe.
«Sim, bem me parecia que gostavas», disse ela.
«Tu também gostas, não é?», perguntou ele.
«Ah, sim», assegurou-lhe ela. «Sim, gosto mesmo muito. Gosto extraordinariamente de sopa de tomate.»
«Sim», disse ele, «não há nada melhor do que sopa de tomate numa noite fria.»
Ela inclinou a cabeça, concordando.
«Também acho que é bom», confessou.
Tinham tido sopa de tomate para o jantar provavelmente três vezes por mês durante a sua vida de casados.
A sopa estava terminada e Delia trouxe a carne.
«Bem, isto está com óptimo aspecto», disse Mr. Welton, trinchando-a. «Já não tínhamos bife há muito tempo.»
«Ora, sim, temos tido, também, Ern», disse a mulher ansiosamente. «Tivemos bife - deixa-me ver, em que noite é que os Baileys cá estiveram? - tivemos quarta-feira à noite - não, quinta à noite. Não te lembras?»
«Tivemos?», perguntou ele. «Sim, acho que tens razão. Parecia-me mais tempo, não sei porquê.»
Mrs Weldon sorriu educadamente. Não conseguia pensar em nenhum modo de prolongar a discussão.
De que é que falavam as pessoas casadas, afinal, quando estavam as duas sozinhas? Tinha visto casais - não daqueles duvidosos, mas pessoas que ela realmente sabia serem maridos e mulheres - no teatro ou em comboios, falando um com o outro tão animadamente como se fossem apenas conhecidos. Observara-os sempre, maravilhada, interrogando-se o que diabo encontravam para dizer.»

Dorothy Parker, Que Pena, in "Contos", Lisboa, Relógio d' Água (pp. 59-60)

sábado, outubro 06, 2007

A Independência de Portugal

Eis o que verdadeiramente deveria ser comemorado a cada 5 de Outubro, pois foi precisamente nesse dia, no já muito distante e quase esquecido ano de 1143, que D. Afonso Henriques e Afonso VII (reunidos em Zamora com a mediação do enviado de Inocêncio II, o cardeal Guido de Vico) chegaram a um acordo de paz que colocou definitivamente a coroa na cabeça de Afonso Henriques e fez nascer o reino de Portugal. O Papa, anos mais tarde, limitar-se-ia a confirmar esse nascimento, recolhendo o reino português na protecção do seu regaço.
*
Portugal é dos poucos países europeus que tem uma data de fundação. E curiosamente, é dos poucos países que não acha necessário comemorar a sua independência. Isto apesar de comemorar a restauração dessa mesma independência (1-12-1640). Prefere comemorar datas mais negativas e cujo benefício claro não se percebe. O 5 de Outubro de 1910 é um deles. Fez nascer um regime despótico, sem liberdades políticas, e que muito contribuiu para a ruína económica e financeira e para o caos político que originou o 28 de Maio de 1926. E depois, temos o famoso e over rated 25 de Abril, do qual nem vale a pena falar. O resultado está à vista, e pouco difere do resultado final do 5 de Outubro.

sábado, setembro 29, 2007

(Elizabeth Lacunza)

Linkin Park - Numb




I'm tired of being what you want me to be
Feeling so faithless lost under the surface

Don't know what you're expecting of me
Put under the pressure of walking in your shoes
(Caught in the undertow just caught in the undertow)
Every step that I take is another mistake to you
(Caught in the undertow just caught in the undertow)


[Chorus]

I've become so numb I can't feel you there

Become so tired so much more aware

I'm becoming this all I want to do

Is be more like me and be less like you


Can't you see that you're smothering me
Holding too tightly afraid to lose control
Cause everything that you thought I would be
Has fallen apart right in front of you
(Caught in the undertow just caught in the undertow)
Every step that I take is another mistake to you
(Caught in the undertow just caught in the undertow)
And every second I waste is more than I can take

[Chorus]

I've become so numb I can't feel you there

Become so tired so much more aware

I'm becoming this all I want to do

Is be more like me and be less like you

And I know
I may end up failing too
But I know
You were just like me with someone disappointed in you

[Chorus]

I've become so numb I can't feel you there

Become so tired so much more aware

I'm becoming this all I want to do

Is be more like me and be less like you


[Chorus]

I've become so numb I can't feel you there

I'm tired of being what you want me to be

I've become so numb I can't feel you there

I'm tired of being what you want me to be

Um homem digno

Santana Lopes.
Parece que essa constatação espantou muita gente. Ainda bem.
Imagino a reacção de um tal sócrates se o mesmo se passasse com ele. Rosnava e cuspia ofensas e perdigotos para a jornalista (isto é uma mera hipótese teórica porque, como sabemos, a livre e democrática máquina de comunicação em Portugal nunca permitiria que tal acontecesse com sua excelência, o homem de aço (stalin em russo, para facilitar a compreensão dos nossos leitores de Leste), camarada José, nosso guia e condutor de almas e destinos.
.
Santana vale muito mais, como pessoa em dignidade, do que o visionário da sic que se lembrou de lhe cortar a palavra (bom, vale mais do que 99% dos políticos no activo e do que 100% dos membros do governo).

Entrevista a A.L.A.

Já não minto. Já não componho o perfil. Estou aqui diante de vós, nu e desfigurado. Porque a nudez desfigura sempre. Agora, jogo com as cartas abertas. Agora, jogo póquer com as cartas viradas para cima. Agora, já não há nada escondido, está tudo à vista. E ou a mão ganha ou perde. Nos livros, também já não há truques. São livros que não devem nada a ninguém. Não se nota ali a voz de ninguém, não há ali influência de qualquer outro autor. Nada. Zero. É a minha voz inteira. E a conquista da minha própria voz foi talvez o mais importante que me aconteceu. Não há ninguém a atravessar-se no meu caminho. Se não nos medimos com os melhores, não vale a pena medirmo-nos. Atingir as alturas de Tolstoi ou de Horácio é muito difícil, mas é aí que eu quero estar. E, ao mesmo tempo, isto tem-me permitido admirar o trabalho de outras pessoas que não considero grandes escritores...
Mas admira-lhes o quê? O esforço?
Esforço faz lembrar ciclismo, não é? Admiro o esforço e, quando ele é digno, respeito-o. Embora, em Portugal, se publique demasiado. As pessoas não sabem o quanto custa escrever. Escrever é tremendamente difícil. Não precisamos de mais de – vá lá, para ser generoso – 200 ou 300 livros. Continuo a ficar surpreendido com o aluvião de livros, livros completamente supérfluos, que se editam. As pessoas não têm vergonha de ter feito aquilo? Não são escritores, são pessoas que fazem livros. Uma coisa é ser escritor, como Torga (por exemplo) o era. Outra coisa é fazer livros, o que agora toda a gente faz. Fico pasmado quando vejo jornalistas, advogados ou apresentadores de televisão que se apresentam como escritores. Já reparou?
Ao regressar ao livro, sentiu-o como seu?
Claro que sim. Ninguém escreve assim. Não tenho a menor dúvida de que não há, na língua portuguesa, quem me chegue aos calcanhares. E nada disto tem a ver com vaidade porque, como sabe, sou modesto e humilde. A doença trouxe-me isso. Já não estou a fazer tratamentos e só lá mais para o final do ano é que voltarei a fazer exames. Tudo isto dá-me uma grande serenidade, porque olho para as coisas com mais distância. Estive muito perto da morte e palavra de honra que é muito mais fácil do que se imagina. A ideia pode angustiar-nos e apavorar-nos, mas quando se está mesmo ao pé dela é muito mais fácil do que se pensa. Lembre-se do que diz a última frase de Os Thibault, o grande romance de Roger Martin Du Gard: plus simples qu' on y pense, mais simples do que se pensa. E é, de facto, mais simples do que se pensa, menos assustador do que se pensa
(...)
(entrevista a António Lobo Antunes, na Visão).

segunda-feira, setembro 24, 2007

Soares Franco...ridículo

-O que é que falhou no jogo com o Setubal?"
-Falhou o relvado.

domingo, setembro 23, 2007

recebido por mail


N.

N. acabou de chegar. Não de outra escola, nem de outra cidade. De outro país. Filha de portugueses, fala português com sotaque de emigrante e é bonita, alta e simpática. É, pois, a atracção de uma escola onde as novidades são poucas. Pelo menos é o centro das atenções do 'lado' masculino da escola. Chega para fazer o 9º ano.
Ficamos a conversar no final da primeira aula. Os seus olhos brilham quando fala. O sorriso tem vestígios de infância que resistem ainda ao assalto do crescimento.
Quis saber o que tinha estudado. Pois bem, quase nada. Nunca teve História, em 8 anos de escolaridade. Teve contas, trabalhos manuais, ginástica, luxemburguês, alemão, dois anos de francês (não havia mais línguas inúteis para aprender?, pensei eu). Só este ano começaria a estudar inglês (um tal de sócrates deve estar cheio de arrepios, neste momento) e História. O seu vocabulário é limitado, parece restringir-se aos termos correntes. Daí que termos como século, órgão, censura, meios de comunicação, lhe sejam estranhas. Entre muitas outras. Estas soube-as perguntando directamente, pois estavam nas questões do teste diagnóstico. E só disse que não as conhecia após hesitação. Após algum tempo de conversa depois de nova aula (aquilo que a a sra ministra não considera trabalho, pelos vistos, e eu, em parte, também não - considero algo mais que isso, ou diferente disso, embora essencial para que o trabalho corra bem), N. confessa-se assustada. Sente que vai ser muito difícil estudar aqui, acompanhar as aulas. Disseram-lhe, antes de vir para cá, que estava bem preparada. Mas afinal descobriu que não está. E numa aula de revisão de francês, onde apenas se abordou aspectos básicos de iniciação da língua, começou a chorar porque à sua volta o mundo parecia comunicar em códigos indecifráveis.
Numa ficha diagnóstica, pedi-lhe que escrevesse um texto. Não defini tema, não importava para o caso. Precisava de ver como escrevia em português, língua que nunca estudou. Deu erros, como seria de esperar. As frases apareceram construídas com alguma dificuldade, fala colocada em papel. Nada que não resolva com leitura e escrita e mais leitura e escrita. E muita vontade. O texto que nasceu nesse exercício tinha três ou quatro linhas que expressavam exactamente os medos que já antes tinha confessado. Medo de falhar perante a turma, medo de não conseguir aprender, de se sentir perdida, desajustada, ridicularizada por adolescentes que já antes se tinham rido quando se apresentou nas aulas só com cadernos quadriculados, à moda luxemburguesa. Sem o saber, deu o primeiro passo para escrever bem. Procurou palavras para o que sentia (curiosamente, saltitando entre estações de rádio, ouvi essa definição de escrever: encontrar palavras para os sentimentos. Concordo.)
*
Entretanto já comprou cadernos de linhas para ver se se habitua e esquece as folhas de quadradinhos. É pena. Seria a sua imagem de marca, uma forma de se destacar. Só que o que ela quer, neste momento, é precisamente o contrário, mergulhar no anonimato fundindo-se com a multidão que enche a sala. E esse poderá ser o seu erro, porque se isso suceder, começará a ser vista como mais uma aluna, sem as diferenças que a tornam um caso especial.
"Chegado ao fim da minha vida de pecador, enquanto velho encanecido como o mundo, à espera de me perder no abismo sem fundo da divindade silenciosa e deserta, participando na luz incomunicável das inteligências angélicas, retido agora pelo meu corpo pesado e doente nesta cela do querido mosteiro de ..., disponho-me a deixar neste velo testemunho dos admiráveis e terríveis eventos a que na juventude me foi dado assistir, repetindo verbatim quanto vi e ouvi, sem ousar tirar daí nenhum desígnio, como para deixar àqueles que hão-de vir (se o Anticristo os não preceder) sinais de sinais para que sobre eles se exercite a prece da decifração."
(Adso - U. Eco, O Nome da Rosa, Lisboa, Difel)


*
Trocando o pergaminho pelo teclado, e esquecendo o receio do Anticristo (que certamente nada terá que fazer nesta terra), poderia fazer minhas as palavras do monge. A idade é já a de um velho, num país onde aos 30 se encontram já fechadas as portas de quaisquer oportunidades. A cela não é fria e húmida como a que se esperaria encontrar num mosteiro alemão do século XIII, nem tão estreita, mas também não oferece nenhum claustro para repouso e meditação. A cela hoje estende-se às ruas e à escola e à própria casa (que nem própria é) e aos cafés de uma terra distante de todo o anonimato. Não há toques de vésperas e matinas que perturbem o sono, mas também não há rezas para fazer. Hoje os murmúrios são blasfémias de raiva e desprezo contra os toques e as regras e a corrupção e as injustiças e as falsidades deste grande convento que é a vida em Portugal. Já foram murmúrios de ironia. Mas a ironia exige esperança e fé que tudo mude. Nada mudará, não aqui, onde a mentira é o verbo e o que vale é o ritual sem razão conduzido em nome de uma figura de pau oco.


*
Chegado pois ao fim de uma vida de pecador, olhando para trás encontro vestígios de edifícios que quis construir, mas que, por escolha ou incapacidades várias, não concluí. E dessa arqueologia pessoal surgiram, sob o pó e a terra, achados fragmentados desses edifícios:


O sarcófago de uma guitarra que nunca aprendeu o alfabeto e é hoje tão muda como no primeiro dia.

Cores em bruto de imagens que a mente sonhava e que as mãos recusaram perpetuar no papel.


Palavras, notas, rascunhos, impressões caseiras de estudos que a ninguém interessa e que não dão nem alegria nem € (se ainda desse este último...)

sexta-feira, setembro 21, 2007

Sempre? Nem sempre...

"O mau estado do relvado do estádio do Dragão vai adiar, mais uma vez, o primeiro jogo oficial no novo estádio dos "azuis e brancos", revela hoje a Rádio Renascença.O FC Porto está a ter dificuldades em se despedir da sua velha casa, devido ao mau estado em que a relva do estádio do Dragão se encontra. Por estas razões, o jogo de 05 de Janeiro, frente ao Rio Ave, ainda vai ser realizado nas Antas. Mas, para a alteração de local de jogo, é necessária a anuência do clube de Vila do Conde. Carlos Costa, presidente do Rio Ave, espera um contacto formal do Porto SAD. " (notícia antiga, mas na memória)
"Nunca dudé de Raúl. No hay debate"
(Maradona, in Marca)

Génios do Futebol sem a bola nos pés


Sporting...recordistas em trocas de relvado

Duas semanas e meia é o prazo estabelecido pelos responsáveis sportinguistas para que os técnicos que acompanham a manutenção do relvado do Estádio José Alvalade consigam que este fique em óptimas condições, de modo a poder evitar a sua substituição.
A relva do recinto leonino tem apresentado problemas constantes, e o clube vai esperar até à recepção ao Guimarães, para a Liga (dia 7 de Outubro), para tomar uma decisão final.
"Os técnicos que têm estado a acompanhar permanentemente a evolução do relvado têm vindo a seguir um programa que visa fundamentalmente a sua estabilização. Com o Manchester United, [a relva] não estava nas condições desejadas, mas aparentou melhoras em relação ao jogo anterior. Os técnicos prevêem que, contra o Guimarães, já esteja estabilizada. No entanto, caso isso não aconteça, obviamente o Sporting partirá para uma solução mais radical, que poderá passar pela substituição do relvado", explicou o director de comunicação do emblema de Alvalade, Miguel Salema Garção.
Assim, será aproveitado o período sem jogos em Alvalade para tentar melhorar o estado do relvado.
Não será melhor pedirem aconselhamento ao FCP? Nós temos sempre o melhor relvado dos estádios portugueses...

domingo, setembro 16, 2007

Colocações

As notícias vão chegando a conta-gotas. As que me interessam, está claro, as dos meus alunos (um aluno nunca chega a ser ex-aluno, quando muito passa também a ser amigo). E, em geral, são boas notícias. A L. vai para Lisboa, estudar medicina. A A.R. segue para Braga, para relações internacionais (preferia comunicação social). A encantadora F. será também uma futura médica. A P. entrou em design, enquanto a escola de canto não está disponível. A A., tão linda e sorridente como inteligente, surpreendentemente não entrou. Mas tinha opções muito reduzidas e prefere esperar mais algum tempo. Fez bem. E o J.? E o P., bons alunos e ainda melhores nadadores? E de Murça? Ainda não tenho notícias. Para já, ninguém para Coimbra. É natural, lá de cima ou querem o Porto ou, se é para ir para longe, que seja a capital. Mas falta a I., que sempre quis Coimbra, Coimbra, Coimbra.
.
Também óptima notícia, não sobram vagas lá para os lados do Pólo 2. Excelente!
.
Média de História a roçar o 10. Mais valia diminuirem as vagas. Belos historiadores que dali vão sair. Bom, na verdade, são poucos os que saíram dali para serem historiadores. Em Portugal isso não é considerado profissão, o que não deixa de ser estranho num país com tantos séculos de História e tão orgulhoso do seu passado (também, comparando com o presente vergonhoso, poucos passados seriam embaraçosos). Vamos dando aulas, repetindo "verdades" que, em muitos casos só o são para quem fez o programa e os manuais. Outros optam pela via académica, resignados ao facto de ser obrigatória uma carreira académica para quem quer investigar e escrever sobre História. Outros, os mais ajuizados, fogem destas opções como o diabo foge da cruz. Fazem bem. Eu só lamento não ser como eles, não ter a coragem e a capacidade para fazer outra coisa. Eu bem queria ser como o Raúl, mas o talento não acompanhou a vontade...

o preço de um Estado Oligárquico


Como em Portugal está aninhado um governo/Estado de rapina e com olhos vendados para a combinação de preços das gasolineiras, o resultado só poderia ser este.

sexta-feira, setembro 14, 2007

A mulher dos sonhos de Cristiano Ronaldo

Muitas mulheres foram associadas a Cristiano Ronaldo, mas só uma entra nos sonhos do jogador do Manchester United, mesmo que seja casada e mãe. Angelina Jolie é a eleita, conforme o internacional português revelou à revista «Hello».

«A excessiva exposição mediática faz-me ser reservado quando saio com uma mulher. Sou um homem gentil e não quero expô-las à pressão da imprensa, que já aprendi a ignorar. Uma mulher não deve ser famosa só porque gosto dela, o que me atrai é a beleza interior, embora a exterior também seja importante. Nesse aspecto, a minha mulher ideal é a Angelina Jolie», confidenciou Cristiano Ronaldo.
O sete do United revelou também que a mulher perfeita deve ser «divertida, gentil, que saiba conversar e rir», embora frise que neste momento não tem «tempo para uma relação séria». «O futebol é toda a minha vida e o meu objectivo».

Cristiano Ronaldo explicou que a vida de figura pública tem os seus senãos: «Muita gente pensa que a vida de um jogador é passar o dia a gastar dinheiro e a seduzir mulheres. É difícil contrariar esta ideia. Mas conviver com a pressão de ser um jogador famoso e com a publicidade que isso traz pode tornar-se muito difícil. Estamos a ser constantemente examinados e nem sempre a imagem que se vê conta a verdadeira história. Por vezes sofremos de solidão e não nos sentimos seguros em lugar algum, porque devido ao nosso estatuto de privilegiados raramente as pessoas nos vêem com simpatia.»
Por fim, o internacional português falou da fortuna pessoal, que não lhe serve de nada para ter o que sonhou.

«A única coisa que desejo verdadeiramente e que o dinheiro não pode comprar são filhos. Todos os anos, no Natal, visto-me de Pai Natal e distribuo presentes aos mais novos. É uma tradição familiar e não a renuncio por nada deste mundo.»

quinta-feira, setembro 13, 2007

As Mulheres do Meu Pai




Faustino Manso, famoso compositor angolano, deixou ao morrer sete viúvas e dezoito filhos. A filha mais nova, Laurentina, realizadora de cinema tenta reconstruir a atribulada vida do falecido músico. Em As Mulheres do Meu Pai, realidade e ficção correm lado a lado, a primeira alimentando a segunda. Nos territórios que José Eduardo Agualusa atravessa, porém, a ficção participa da realidade. As quatro personagens do romance que o autor escreve, enquanto viaja, vão com ele de Luanda, capital de Angola, até Benguela e Namibe. Cruzam as areias da Namíbia e as suas povoações-fantasma, alcançando finalmente Cape Town, na África do Sul. Continuam depois, rumo a Maputo, e de Maputo a Quelimane, junto ao rio dos Bons Sinais, e dali até à ilha de Moçambique. Percorrem, nesta deriva, paisagens que fazem fronteira com o sonho, e das quais emergem, aqui e ali, as mais estranhas personagens.

Nos últimos dias baixou a minha capacidade de relativizar as tragédias que os media vomitam. Faço um esforço para me abstrair e fruir todas as coisas boas que tenho, vejo e sinto. Eu que gosto de livros com muita angústia, procuro agora leituras mais ligeiras. A minha vontade era agarrar no Diário de Bridget Jones e sorrir.

Na minha book cover trago o último romance do Agualusa, As Mulheres do Meu Pai. Durante anos ofereci resistência à literatura africana de língua portuguesa. Talvez porque comecei com o Mia Couto. Ainda que a afirmação possa ser polémica, a verdade é que os livros do Mia não me fascinam, não me encantam, não me prendem. Pelo contrário. Cansam-me e cansa-me sobretudo estar constantemente a recorrer ao glossário...
A S. dizia-me muitas vezes que o José Eduardo Agualusa era diferente. Tinha dificuldade em acreditar. Coloquei-os a todos no mesmo saco. Mas enganei-me. Como tantas vezes...


Não tem nada a ver com a ligeireza do Diário acima referido, mas também não me dá nenhum nó na garganta, logo, está a ser uma leitura óptima para acompanhar este sol inesperado que teima em permanecer nesta terra abençoada.

Não sei se somos um povo púdico, mas a diferença das capas das diferentes edições devem querer dizer alguma coisa ;)





segunda-feira, setembro 10, 2007

Um hino é aquilo


"Confesso que o hino e a bandeira são coisas para as quais olho com alguma prudência.
O nacionalismo incomoda-me, até porque facilmente se confude com outros «ismos». E o hino e a bandeira foram (são...) vezes de mais utilizados de forma perigosa.
Mas no domingo à tarde, ao ver o hino cantado pela selecção de râguebi, senti algo completamente diferente.
Até porque eles não cantaram, gritaram.
Aquele plano de perfil, com os 15 portugueses a plenos pulmões, é inesquecível.
Depois houve a lágrima de Rui Cordeiro, um «rapazinho» de 1,84 metros e 138 quilos. Aos 30 anos, o pilar da Académica de Coimbra sintetizou naquela imagem o que significa ter a felicidade de representar o país".

(quem não viu tem aqui http://www.youtube.com/watch?v=B1exk6jpal0)

sábado, setembro 08, 2007

They do things different there

"Apple Inc. CEO Steve Jobs apologized and offered $100 credits Thursday to customers who shelled out $599 for the most advanced model of the iPhone this summer, only to have the company unexpectedly slash the price $200 in a push to boost holiday sales. In a letter on the company's Web site, Jobs acknowledged that Apple disappointed some of its customers by cutting the price of the iPhone's 8-gigabyte model and said he has received hundreds of e-mails complaining about the price cut." (notícia completa aqui).
*
Hum... Mero detalhe. Mas vocês confiariam neste addiction therapist?:
"If they told me at the outset the iPhone would be $200 cheaper the next day, I would have thought about it for a second — and still bought it," said Andrew Brin, a 47-year-old addiction therapist in Los Angeles. "It was $600 and that was the price I was willing to pay for it."

Enfim

Segundo José Miguel Judas (ou é Júdice? às vezes confundo os nomes) , os portugueses são "merdosos." Bom, o bom juiz por si se julga. E para quem em mais de 20 anos ligado à política não teve um único cargo relevante...

sexta-feira, setembro 07, 2007

A importância do beijo...


...nas palavras de Júlio Machado Vaz (Difíceis amores de 07-09-2007)

Se eu fosse uma personagem dos simpsons


(mais simpsons aqui)

Mais um exemplo do idiota que chegou a gestor

Vitor Pereira, presidente da comissão de arbitragem da liga, mostrando aqui que ignora os regulamentos de arbitragem. Ele que além de presidente dos srs do apito, foi considerado um bom árbitro em Portugal (o que, tendo em conta que Pedro Proença também foi, não é propriamente complicado... se calhar quanto mais ignorante, melhor pontuação terá):

jesualdo = ugh (expressão que sugere nojo)

"O Marítimo aceitou o pedido formulado pelo FC Porto no sentido de antecipar para sábado, dia 15 de Setembro, o jogo da quarta jornada do campeonato, no Estádio do Dragão", escreve a Bola online. Os motivos da antecipação são, no mínimo, curiosos. Diz o mesmo jornal que "A razão prende-se com o facto de o FC Porto defrontar o Liverpool na terça-feira seguinte, também no Estádio do Dragão, na primeira ronda da Liga dos Campeões."
*
Sinceramente... Então o porto recusa adiar o jogo com a União de Leiria que vinha de uma viagem de 10 horas de Israel na 6ª de domingo para segunda porque os regulamentos não permitem e agora pede uma mudança? E com esse fundamento? Vai jogar numa liga europeia? E a União, foi fazer turismo, por acaso?
jesualdo é cada vez mais uma criatura desprezível. Arrogante e falso. Dava um bom gestor de escolas, aliás. Segundo o próprio, o Leiria não tinha direito ao adiamento porque o fcp também iria a Inglaterra com as mesmas 72h de descanso. Ora bem, comparar um voo de Inglaterra (2h ou menos) com um voo de Israel é ser desonesto. Ou então é sinal de grave ignorância geográfica. Pensará que Israel fica no sul de França? (saberá sequer onde é a França?). E agora, porque as florzinhas que actuam no seu clube podem cansar-se a jogar contra o líder da classificação, pedem a antecipação do jogo? Mais uma vez, que falta de fair-play. A partir de hoje, eu sou adepto de todas as equipas estrangeiras que defrontarem o fcp. Enquanto o "professor" jesualdo por lá andar assim será. Até se for o barcelona! Meu Deus, até se for o Benfica!!!

quinta-feira, setembro 06, 2007

Em altura de regresso às escolas...

Eis um livro que exprime os sentimentos de muitos professores.
*
E a propósito de Dilbert:
"Histórias [contadas por trabalhadores de várias empresas] levaram-me a fazer o primeiro inquérito Dilbert anual para descobrir quais as prácticas de gestão que eram mais incómodas para os empregados. (...) o número um em votos neste inquérito altamente não científico foi «idiotas propostos para cargos de gestão».
Isto parecia ser uma alteração subtil do antigo conceito segundo o qual os empregados capazes eram promovidos até atingirem o seu nível de incompetência - mais conhecido como «princípio de Peter». Agora, segundo parece, os trabalhadores incompetentes são promovidos directamente para lugares de chefia sem sequer passarem pela fase temporária da competência."
Scott Adams, O Princípio de Dilbert, Lisboa, Ed. Notícias, 2001 (7ª edição)

Debate na Figueira sobre as Lutas Académicas

«ALTERNATIVA
Associação Cultural

A Editorial Moura Pinto e a ALTERNATIVA – Associação Cultural patrocinarão, no próximo dia 11 de Setembro, o lançamento do livro "Um Século de Lutas Académicas", com o qual se pretende contribuir para a celebração dos 120 anos da Associação Académica de Coimbra. Por ocasião deste lançamento, decorrerá um pequeno debate evocativo das lutas estudantis travadas no Século XX pelos estudantes da Universidade de Coimbra, com especial relevo para as crises académicas de 1907, 1962 e 1969.
O lançamento decorrerá no Casino da Figueira da Foz, pelas 17 horas e 30 minutos. A entrada é livre. Os Associados da ALTERNATIVA – Associação Cultural são convidados, por este meio, a estarem presentes. E os Amigos também, mesmo não sendo Associados.

Coimbra, 4 de Setembro de 2007

A Comissão Instaladora da ALTERNATIVA – Associação Cultural»
*
Eu estarei a a perder tempo em reuniões inúteis, para gozo especial das imbecis cabeças que comandam o ensino (salvo seja) em Portugal. Mas quem puder ir, não perca...

The Man Booker Prize shortlist

"DARKMANS, Nicola Barker: An 838-page dark story of love and jealousy set in Ashford, Kent. 3rd novel by 41-year-old English author.
THE GATHERING, Anne Enright: Roaming story of a dysfunctional Irish family and a ghost. 4th novel by 44-year-old Irish author.
THE RELUCTANT FUNDAMENTALIST, Mohsin Hamid: Political-personal tale of a Pakistani living in the US after 9/11. 2nd novel by 36-year-old Pakistani ex-management consultant living in London
MISTER PIP, Lloyd Jones: 2007 Commonwealth Prize-winning fable about escapism and civil war set in Papua New Guinea. 7th novel by 52-year-old New Zealand author
ON CHESIL BEACH, Ian McEwan: Novella about sexual awkwardness of honeymooning couple in 1962. 59-year-old McEwan won the Booker Prize with Amsterdam in 1988.
ANIMAL'S PEOPLE, Indra Sinha: Dark story of Indian slum child and the Bhopal tragedy. 2nd novel by 57-year-old Indian author living in France."
(Notícias completa no Telegraph.co.uk)

segunda-feira, setembro 03, 2007

The Gentleman Soldier


It's of a gentleman soldier
As sentry he did stand
He saluted a fair maiden
By a waiving of his hand
So then he boldly kissed her
And he passed it off as a joke
He drilled her up in the sentry box
Wrapped up in a soldiers cloke



And the drums are going a rap a tap tap
And the fifes they loudly play
Fare you well polly my dear
I must be going away



All night they tossed and tumbled
Till the daylight did appear
The soldier rose, put on his clothes,
Saying, fare you well my dear
For the drums they are a beating
And the fifes they so sweetly play
If it werent for that polly my dear
With you I'd gladly stay



And the drums are going a rap a tap tap
And the fifes they loudly play
Fare you well polly my dear
I must be going away


(...)


Now come you gentleman soldier,
Won't you marry me?
Oh no my dearest polly
Such thing can never be
For I've a wife already
Children I have three
Two wives are allowed in the army
But ones too many for me


And the drums are going a rap a tap tap
And the fifes they loudly play
Fare you well polly my dear
I must be going away



Oh it's come my gentleman soldier,
Why didn't you tell me so?
my parents will be angy
When this they come to know
when nine months had been and gone
The poor girl she brought shame
She had a little militia boy
And she didn't know his name


And the drums are going a rap a tap tap
And the fifes they loudly play
Fare you well polly my dear
I must be going away


(irish traditional - Versão Pogues)

Os ecos das palavras chegam a quem ouve


"...tomar benzodiazepinas para poder dormir naquela que ainda é a nossa cama ver a túnica com motivos florais que te trouxe da índia lembrar-me de quando a vestiste para mim na praia chorar agarrado a um bilhete de um concerto holandês que ofereceste pelo aniversário a um poema do yeats a uma fotografia de nós tontos pendurada na sala mas não há nada já não há vida que sustente as paredes desta casa ruiu comigo lá dentro com as tuas roupas com toda a tua tralha os brinquedos e livros infantis que vinhas comprando na antecipação de um florescimento dentro de ti ..."


O que fez tantos países nascidos da fragmentação dos domínios coloniais europeus, na segunda metade do século XX, adoptarem modelos de governação comunista? A apetência dos líderes africanos para regimes ditatoriais não é uma explicação suficiente, pois poderiam (e alguns fizeram-no) implementar regimes ditatoriais mais próximos do Bloco Ocidental. Christopher Andrew, no seu The World was going our way - the KGB and the battle for the third world Basic Books, 2005 (achado a óptimo preço na fnac: €7), procura outras explicações.


Desde logo, aponta para um plano claramente definido pelo KGB para apostar na conquista ideológica do 3º mundo (Cuba, também Ásia e África) como arma determinante na luta contra o Capitalismo/Liberalismo (que eles associavam também ao conceito de Imperialismo). Esse projecto do KGB nem sempre foi apoiado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros Soviético, mas os serviços secretos mantiveram a sua linha de rumo. Os soviéticos esperavam não só expandir a ideologia comunista, mas ganhar mais votos nas Nações Unidas para também nesse palco combater os EUA.


A identificação de Imperialismo com Capitalismo serviu também para colocar os novos países africanos do lado dos inimigos do capitalismo. Para muitas das "elites" africanas, a presença do país colonizador era vista como desastrosa (o conceito de que o imperialismo era algo de necessariamente negativo de desastroso tem também a sua História - propagou-se precisamente ao longo dos anos 70). Os países colonizadores eram todos europeus, mas as intervenções desastrosas (embora algumas provavelmente necessárias) dos EUA na América Latina, em Cuba e no Vietname só serviram para alargar aos americanos o carimbo de imperialistas, apesar dos apoios claros dados pelos EUA à doutrina que conduziu aos processos de descolonização após a II Guerra Mundial. O McCarthismo (ou Caça às bruxas), o assassinato de Kennedy (nota curiosa: o boato que associa a CIA à morte de JFK foi lançado pelo KGB), o escândalo Watergate e os problemas raciais que se viviam no seu interior (a segregação, uma realidade ainda nos anos 60, impedia naturalmente os líderes africanos de sentirem simpatia pelo regime americano), foram também muito negativos para o prestígio dos EUA.


Ao mesmo tempo, o modelo de desenvolvimento económico soviético (iniciado com Estaline e às custas de milhões de vítimas, exploradas ou mortas) era tentador para os países do terceiro mundo: tal como os soviéticos, poderiam (acreditavam eles) crescer rapidamente a nível económico e industrial e, ponto fundamental, com o apoio soviético poderiam fazê-lo sem necessitar de apoio, capital, técnicas, técnicos e conhecimentos oriundos dos ex-colonizadores. Em 1964, Khrushchev lembrou com orgulho os mais de 6 mil projectos desenvolvidos em África pelos soviéticos, em apenas 10 anos.


Naturalmente, o modelo soviético falhou em África e também na URSS. No final dos anos 70, a URSS via-se na necessidade de importar cereais a partir do Ocidente (mais de 22 milhões de toneladas só em 1977), os gastos militares não paravam de crescer, as despesas com os projectos africanos também se multiplicavam. O resultado é o que se sabe. Gorbatchov limitou-se a abanar a estrutura já arruinada.

Así, así, así gana el Madrid



0-5 ao Villareal (equipa que não perdia desde Abril).

domingo, setembro 02, 2007

así gana el barcelona ... robando

Na semana passada nem contra dez conseguiram marcar. Hoje tiveram um golo validado que não entrou na baliza. Isto quando o adversário reduziu para 2-1 e o cagómetro se pôs em marcha. Não há pudor...
"Tras una galopada al área, el francés [Henri] ha chocado con la cara de Gorka cuando intentaba sortearle, y el colegiado señaló un penalti dudoso a favor de los locales. El cancerbero del equipo vasco, con el labio roto por el encontronazo, no pudo detener el disparo de Ronaldinho, que marcaba el segundo.
(...) Pero el Athletic no se achicó, y Susaeta, muy activo durante la segunda parte, vio recompensado su debut a los 25 minutos con una salida desacertada de Valdés, que dejó el balón en bandeja para que centrocampista lo empujara al fondo de la red. [2-1]
Entonces llegó la moviola. No había terminado de aplaudir la afición visitante cuando el travesaño de Gorka repelía un gran derechazo de Yaya Touré.Ni azulgranas ni rojiblancos dieron como válida la acción del marfileño, y el juego siguió su curso sin alteraciones durante unos minutos. Pero Megía Dávila no se daba por satisfecho y de nuevo dejó su sello en el Nou Camp en favor de los de Rijkaard. Tras consultar con el asistente, Dávila detenía el juego y daba por acertado el tiro de Touré con la incredulidad y desesperación reflejada en la cara de los vizcaínos. 3-1."
(As)

sábado, setembro 01, 2007

Red Bull Air Race Porto

Para quem não teve possibilidade de estar presente vejam algumas fotos que tirei.











Eu estive lá ...nunca vi nada assim...espectáculo

Cerca de 600 mil (nunca vi tanta gente a assistir a um evento nacional) pessoas estiveram a assistir nas margens do Douro, no Porto e em Gaia, à oitava prova do campeonato do mundo da Red Bull Air Race, uma adesão que o secretário de Estado Adjunto das Obras Públicas, Paulo Campos, classificou de «esmagadora».

«Está a ser um espectáculo fantástico, numa cidade e num país lindo e com um público entusiasta», disse Paulo Campos, em declarações aos jornalistas.

«Temos excelentes pilotos e está um sol radioso», disse congratulando-se com o facto de o evento reunir «num só dia um número tão fantástico».

Garantiu o apoio do Governo para manter a prova no Porto nos próximos dois anos, mas realçou que a decisão final cabe a organização.

Em relação à polémica surgida em torno da segurança do evento, o secretário de Estado escusou-se a entrar em polémicas, garantindo, contudo, que «foram asseguradas desde a primeira hora», pela organização e pelas autarquias, «inequívocas condições de segurança para o público».

As pessoas amontoam-se em todos os locais com vista para o Douro, formando uma moldura humana que surpreendeu o secretário de Estado das Obras Públicas, mas também a organização que conseguiu superar as expectativas.

A maioria dos fãs começou a chegar hoje de madrugada, de todo o País, em excursões, por meios próprios ou de transportes públicos.
À hora do almoço, as lancheiras, as marmitas abriam-se, deixando adivinhar os menus. Bolinhos de bacalhau, lombo assado, coelho frito e até salada de alface feita na hora para ficar «mais fresquinha».
Os piqueniques aconteciam à beira da estrada, nos jardins ou até nos parques de estacionamento, para fugir ao calor intenso que hoje se sente no Porto.
Maria Augusta, de 65 anos, veio de Sobral de Nossa Senhora das Misericórdias, Ourém, numa excursão, com a família e apesar de evitar sair da sombra do parque de estacionamento, manifesta-se apreciadora deste desporto aéreo, até porque o marido e a filha fazem parte da direcção de um aeródromo.
Lurdes Soares, de 69 anos, e Deolinda Santos, de 74, vieram de Tomar, também numa excursão.

«Isto é bem bonito, ainda há gente que sabe fazer coisas bem feitas», admirava-se Deolinda Santos.
Ricardo Quintas, a namorada e os amigos chegaram as 07:00 de Castanheira de Pêra.
Chegaram cedo, mas nem assim garantiram um bom lugar para ver os aviões, tendo por isso optado por ir descansar para uma sombra.
Melhor sorte tiveram João Fernandes e os amigos, que chegaram também »muito cedo« de Valença do Minho.
NOTA: Por curiosidade, Porto tinha batido o recorde do mundo, ao nível da assistência nas qualificações

Diário Digital / Lusa

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